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Me formei em Psicologia, e agora??? – Por Eduardo J. S. Honorato

Seguindo meu ultimo post, resolvi escrever este também, com algumas dicas para aqueles que acabaram de se formar. Grande parte das duvidas surgiram na comunidade virtual Psicologia e de acordo com a freqüência dos mesmos temas, é possível identificar dúvidas comuns.

Receba seu diploma! Você só é legalmente Psicólogo, depois que colar o grau e receber o diploma. Cuidado. Não assine contrato de trabalho ou abra consultório sem antes receber seu diploma. Isso seria exercício ilegal da profissão.

Preciso tirar a carteira do CRP?
Se você pretende trabalhar como PSICOLOGO, a resposta é SIM. Por lei, todo profissional de psicologia, atuando como tal, precisa ter o registro no Conselho.
Se você for atuar como Psicólogo, seja em hospital, clinica, RH, etc, você precisará pagar a anuidade do conselho e tirar seu registro.

E se eu for trabalhar em outra área?
Não. Não precisa tirar. Entretanto, se nesta atividade você se utilizar de qualquer instrumento da psicologia (anamnese, testes, etc), você necessariamente precisa SIM ter registro no CRP.
O ideal é que o profissional se cadastre logo no conselho e receba sua carteira e numeração. Este processo pode levar alguns dias e já vi casos de pessoas perderem um emprego, pois esperaram conseguir algo para se registrar e a empresa não esperou sair a documentação.
Não se preocupe, pois a anuidade é paga proporcionalmente. Logo, se vc se registrar em Dezembro, pagará somente a proporção referente a um mês de anuidade. Se cadastrar em Agosto, pagará proporcional também. Logo, sempre aconselho a registrarem o mais rápido possível, pois oportunidades nunca têm hora para aparecer.

Pra que serve o Conselho?
Para TUDO. Eles estão ali para te auxiliar nas mais diversas duvidas referentes a profissão. Este é o NOSSO espaço. Não se esqueça, que somos, antes de tudo, “consumidores” do conselho, pois nós é que pagamos pelas contas ali. Mantenha sempre contato com o Conselho, pois oportunidades aparecem, desde emprego, a congressos e cursos. Mantenha seu cadastro atualizado e visite o site deles com freqüência. Não tenha medo dos conselheiros….eles têm cara de “bravos”, mas são uns amores! [risos!]

Posso abrir uma clínica?
Claro. Você pode sim. Porem, é preciso ter em mente que abrir uma clínica não é coisa fácil. Clínica/consultorio, antes de tudo, é uma EMPRESA. Logo, você precisará de apoio de um contador e um advogado, para fazer toda a papelada jurídica.
Peça auxilio ao conselho também, pois você precisará registrar o consultório e eles podem te orientar em todos os detalhes. Seu contador também poderá te auxiliar sobre abrir uma empresa ou optar por registro de profissional liberal. Não se esqueça que, como todo brasileiro, Psicólogo também PAGA IMPOSTOS.
Tenha em mente de que você precisará alugar um espaço, provavelmente fazer algumas reformas, decorar, comprar moveis, instalações [telefone, computador, etc]. Tudo isso demanda TEMPO e DINHEIRO. Logo, se está com o orçamento apertado, esqueça. Um consultório mal decorado, sem aparatos mínimos, terá grande possibilidades de insucesso.
Não precisa ter consultório luxuoso, a questão não é essa. Porem, um consultório têm quesitos MINIMOS para seu funcionamento e não é um butequim que possa ser aberto em cada esquina. Os conselheiros, e amigos mais experientes, são as melhores pessoas a se consultar sobre o que se precisa nesses momentos.

E Depois?

Bom…não sonhe que você ficará “rico” ou terá dinheiro sobrando nos primeiros meses. Assim como qualquer outro negocio, existe o que se chama de “tempo de retorno do investimento”. Sim…abrir um negocio é um investimento, pois você gastou dinheiro para abrir.
Os primeiros DOIS ANOS costumam ser os mais difíceis e você precisa estar preparado para períodos “ruins”, ou seja, com poucos pacientes. O mercado sofre oscilações, assim como qualquer outro, e você tem que ter um back up financeiro para se segurar por um período.
Assim como qualquer NEGOCIO, você só será lembrado se for visto. Marketing existe em qualquer área e a saúde não seria diferente. USE SEU MARKETING, POREM, ATENTE-SE AO NOSSO CODIGO DE ETICA.
Esqueça os seus planos de colocar outdoors pela cidade, Busdoor ou colocar anuncio no canal UHF local! [risos!!!]. Nossa forma de marketing mais confiável é o mkt pessoal. Invista em relacionamentos com profissionais de saúde. Compareça a congressos e eventos psi. Distribua seu cartão profissional. Se candidate a atendimentos sociais em ONGs.
Ligue para clinicas e profissionais psi e faça pesquisa de mercado. Veja quanto eles cobram e onde atendem. Verifique os nomes dos planos de saúde que eles recebem.
Entre em contato com todos os planos e veja as condições para cadastro de novos profissionais. Avalie se as condições deles são boas [quase nunca o são]. Decida quais os que você irá fazer cadastro. Não se esqueça que essa é uma relação COMERCIAL, e você está lidando com pessoas que comercializam a saúde. BARGANHE A SEU FAVOR. Lembre-se que o que você esta barganhando será descontado do COMERCIANTE e não do seu paciente. Não “humanize” esta relação.
Com o tempo sua agenda irá ter maior volume e você pode deixar que seu trabalho fale por si só. As indicações das indicações das indicações vão aparecer.
Mantenha toda a papelada fiscal em dia e use os serviços de um contador: ele é melhor preparado para lidar com isso, e não você. Esta é a formação deles. [ehehehe]

Faço ou não uma pós?
Sim….claro! Quem pára no tempo fica encalhado intelectualmente. Mantenha-se sempre informado. Vá a congressos e palestras. Veja os eventos na sua cidade. O CRP sempre mantem lista de emails e divulgam estes eventos.
Procure uma área de maior interesse e curse uma pos-graduação. Na clínica então….é quase que básico. Por maior que tenha sido o seu tempo de estágio, a clínica exige um aprofundamento teórico muito mais intenso. Portanto, para o seu próprio bem, e de seus pacientes, faça uma pos-graduação.

E se eu for pra RH?
Continue estudando. Aprenda novos testes e aprofunde mais sobre os que mais gostou. Por mais que tenhas estudado 6 meses de um único teste, existem muito mais a se aprender e aperfeiçoar. Se essa é a área que pretendes, tem que estar muito atualizado, pois novos instrumentos são autorizados pelo CFP a cada momento e você pode sempre precisar deles.
Mantenha grande interesse na legislação trabalhista e nas do nosso conselho. A toda hora temos algumas resoluções importantes e que podem alterar a sua maneira de trabalho. [desde posturas em entrevistas até regras para criação de anúncios trabalhistas com proibições especificas.]

E se eu tiver que usar copias de testes ou testes não autorizados? [/b]
Ligue para um conselheiro e detalhe a situação. Eles são os mais indicados a te orientarem em situações desse tipo. Homologue a procura pelo conselho e guarde esta documentação [o seguro morreu de velho...]

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 3 Comments

Passei no vestibular para Psicologia, e agora? – Por Eduardo J. S. Honorato

Todos os meses, na comunidade Psicologia, do Orkut, temos a entrada de novos membros. Estes se subdividem entre estudantes, profissionais e interessados na área.

Um dos tópicos mais freqüentes é o de pedido de informações sobre o curso, sobre a carreira, sobre as disciplinas, mercado de trabalho, e principalmente, pedido de dicas sobre material e eventos.
Pretendo aqui, brevemente, esclarecer algumas duvidas destes interessados. Utilizarei “perguntas e respostas” para facilitar a distribuição dos assuntos.

As respostas não são generalizadas e expressam unicamente minhas OPINIÕES sobre os temas

Qual a universidade quem tem o melhor curso de Psicologia no Brasil?
A SUA!!! Existem dezenas de maneiras de comparar as universidades e determinar qual seria a melhor. Têm a que tem o maior numero de laboratórios, a que possui os professores com maior titulação, tem a que tem melhores avaliações do MEC, tem também a X, Y, Z. O que isto quer dizer? Que a melhor universidade/faculdade é aquela na qual VOCE dedica seus estudos e se esforça para obter mais conhecimento. Independente de onde você for estudar, o importante é saber que quem faz o curso é VOCÊ, e não os laboratórios, professores ou biblioteca.

Como está o mercado de trabalho? Existem inúmeros tópicos na comunidade sobre o mesmo assunto. Assim como em outras profissões, o mercado de trabalho pode ou não estar saturado, e isso vai depender de “n” fatores. Localização geográfica, área de atuação, etc. Com certeza, psicologia clinica, em consultório, está saturado em São Paulo, mas pode não estar no interior de Santa Catarina, por exemplo. O mesmo acontece com a docência, psicologia escolar e outras áreas. Tudo depende da analise do mercado em questão. Portanto, não há resposta única para esta pergunta.

Como posso aproveitar ao máximo minha faculdade?

Participe de grupos de estudos dos mais variados temas. É sempre bom aprender e ensinar ao mesmo tempo. Se você saca muito de uma matéria..monte um grupo. Se saca pouco…monte um grupo também. É importante ter contato com outros estudantes, dos mais variados períodos. Se você for mais adiantado, é bom saber o que mudou na formação ou nas disciplinas iniciais, desde que você as cursou. Se você é iniciante, é bom ter contato com alunos mais avançados, para pedir orientações e dicas

Congressos e cursos? Mesmo sendo iniciante, vale a pena investir neles?
Participe ao máximo de congressos, conferencias, debates, seminários, palestras….sempre atento ao conteúdo e onde e quem apresenta. Cuidado com as famosas caça-níqueis, que nada acrescentam. Se você sair de uma palestra sem entender nada: OTIMO! É dessas que você precisa. Ela deixará duvidas, que levarão a perguntas mais complexas, e o interesse leva ao conhecimento. Se sair de uma palestra sem “isso”, foi dinheiro jogado fora.
Eviste temas “estranhos” e sempre verifique:
A – Palestrante [tem registro profissional?]
B – Que instituição está patrocinando o evento? Ela tem registro no CRP?
C- Pergunte aos professores e alunos mais adiantados se aquele tema tem ligação com a psicologia.
D – FUJA de cursos sobre “hipnose”, “PNL”, “Grafologia”, etc. Hipnose é sim uma técnica reconhecida, mas são poucos os cursos sérios existentes no mercado. PNL e Grafologia não são reconhecidas pelo CFP, portanto, é melhor não investir nesse momento. Opte por assuntos que lhe trarão maior conhecimento.

Quais os livros que devo comprar?
Invista em LIVROS Se tiver restrições de grana [como 99% da população], opte por aqueles que poderá usar mais futuramente. Livros “generalistas”, como os de psicologia geral, te ajudam apenas por um período determinado. Depois, com o tempo, eles acabam tomando poeira na prateleira e só servem para consultas breves.
Se tiver duvida sobre um determinado livro, NÃO COMPRE. Procure informações antes de ir a livraria. Opte por editoras mais renomadas, como ARTMED e CASA DO PSICOLOGO. Com isso, você diminuiu as chances de comprar livros de “auto-ajuda”, que serão inúteis para sua formação.
Alias….muito cuidado quando for a livrarias. Quem faz a distribuição dos livros é sempre um funcionário da empresa, que não tem obrigação de saber sobre tudo, logo, é COMUM você encontrar muitos livros de auto-ajuda nas prateleiras de Psicologia. Como disse antes, na dúvida, não compre e veja a editora.

Revistas? São úteis?Sim. Leia revistas especializadas e sites de pesquisas. São ótimas fontes de conhecimento. Existem dois tipos de revistas: as cientificas e as comerciais.
As cientificas são aquelas que publicam as pesquisas mais recentes, com todas as questões metodológicas existentes. São assuntos atuais com achados importantes. A leitura pode ser um pouco difícil no inicio, especialmente na parte sobre metodologia, mas é importante você se familiarizar com estes termos e em como a ciência Psicologia tem produzido conhecimento.
Alguns sites disponibilizam diversos artigos, como é o caso do SCIELO.br. Use e abuse deste serviço gratuito.
Revistas comerciais são aquelas que tem como tema a Psicologia, porem, não estão, obrigatoriamente, divulgando “pesquisas” realizadas. São artigos sobre comportamento humano, em uma forma mais acessível de leitura. São ótimas fontes de informações e trazem questões bem atuais. Sua vantagem está na linguagem utilizada e por serem “comerciais”, tem apelo visual, com diagramação e temas mais variados. Eu recomendo sempre a Revista Psique – Ciência e Vida. Alem de ser colunista dela, conheço a equipe editorial e confio nas informações por eles divulgadas.

Como posso aprender mais na faculdade?
Algumas universidades oferecem o sistema de monitoria. Se candidate! Eu sempre brinco que eu fiz as disciplinas de psicologia clinica VARIAS vezes, pois eu era monitor. Aprendi MUIIITO com a professora…mas aprendi MUITO com as duvidas dos alunos, que me pediam auxilio…e quando eu não sabia, tinha que correr atrás.
Este trabalho não costuma ser remunerado e não é perda de tempo. É uma ótima oportunidade de ter contato com alunos de outros períodos e aprender através das duvidas deles, alem de ter a experiência em Docência e quem sabe, esta área de atuação pode te despertar interesse.
Porem, não se esqueça de um detalhe: para se candidatar a monitor você deve dominar o assunto daquela disciplina. Opte por se candidatar as disciplinas que você tem maior interesse. Caso a universidade não ofereça este serviço, converse com o professor e SE OFEREÇA.

Vi informações sobre aluno pesquisador. É legal?
Sim!. Se candidate a aluno pesquisador, mesmo que seja apenas voluntário. A pesquisa é a base de toda ciência e por mais que você não queria seguir carreira acadêmica, a pesquisa te dá uma visão muito mais critica e detalhista, e você pode aproveitar em diversas áreas da sua vida.

Terei que ler muito?

Sim! NUNCA se contente com o que é ensinado na sala de aula. Apenas algumas horinhas são insuficientes para se aprender o conteúdo.
Leia…mas leia MUITO!!!!!! E procure achar uma metodologia de estudos que se adeque ao seu estilo. Eu, como estudei em colégio militar, tinha o “péssimo” habito de fazer fichamentos de tudo…e com os anos, ví que eles me ajudaram muito. Para fazer monografia, projetos, artigos….sei onde o material está e já fichado. Isso facilita meu acesso as informações, de maneira mais rápida.
Cada pessoa aprende de uma maneira e em um ritmo e seus professores não irão se adequar ao seu. É você quem precisa se adequar. Invista TEMPO em seus estudos, por mais “simples” que pareça a disciplina. Estes conteúdos podem te ser muito útil no futuro, por mais que você os ache “bobos” neste primeiro momento.
(isto serve também para aqueles que reclamam das disciplinas básicas, como Filosofia, Antropologia, Sociologia, Epistemologia, etc). Quando você chegar lá na frente e estiver estudando Psicologia Social, Psicologia Comunitária, Psicologia do envelhecimento, etc, você vai perceber que aquelas disciplinas são fundamentais para o entendimento das outras.

Internet ajuda?
As vezes sim. DESCONFIE de coisas que você lê na Internet [meio estranho esse aqui, mas, é valido]. Com o tempo você terá maiores condições de avaliar os referenciais. Tem muita coisa boa na net, mas, eu ACHO, que hoje em dia há mais porcaria do que coisa boa. Procure ler sites oficiais de revistas, pesquisas, trabalhos, etc.
Pergunte a internautas mais experientes o que eles acham sobre certo site, autor ou referencia. Trocar informações online é sempre vantajoso.

O que mais posso fazer para aproveitar ao maximo meu tempo na Universidade?
Seja CHATOOOOOOO….sim….sabe aquele aluno MALA, CHATO? Pois é..seja um desses e pergunte TUDO. Não tenha medo de perguntar. Eu fui professor e posso te garantir o seguinte: Professores bons AMAM alunos que questionam e instigam o pensamento. Professores fracos e despreparados ODEIAM, pois não tem embasamento para te responder.
Entretanto, é bom salientar que quem pergunta tem que estar preparado para a resposta. O professor está ali para te auxiliar, e não, pensar por você. Se for questionar, tenha embasamento para isso, e não parta do principio de que o “achismo” ou “senso comum” são valores universais.
Pergunte SIM, mas sempre com a mente aberta para receber a resposta, mesmo que ela não seja agradável a você. Outro detalhe: respeito nunca é demais! Professores merecem respeito! 

Preciso fazer psicoterapia? Vai me ajudar no curso?

Eu acredito que para os alunos de psicologia, a partir de um determinado período, deveria ser obrigatório passar por um processo de psicoterapia. Seja para auto-conhecimento, seja para qualquer outra utilidade. Acho que isso supriria um BURACO imenso que temos na nossa formação, e algo que eu critico muito.
Um medico passa anos estagiando e vendo outros médicos atuarem. Um engenheiro freqüenta obras e participa de cálculos de estruturas. Um dentista, idem. E o psicólogo??? A não ser que ele atue como co-terapeuta em um grupo, ele JAMAIS vê um professor ou outro profissional atuando NA PRATICA DIRETA.
Nosso sistema de estagio, dada a especificidade da formação, é de estágios INDIRETOS. Nós atuamos e somos ORIENTADOS. Estagiamos somente na PRIMEIRA PESSOA, E NUNCA NA TERCEIRA
PESSOA [como observadores]
Isto é particularidade da clinica…concordo. Porem, aprendi muito com professores e profissionais de outras áreas da psicologia, que o que UNE e caracteriza nossa atuação profissional, seja em QUALQUER ÁREA, é a nossa ESCUTA CLINICA.
Sim….a mesma escuta que fazemos no setting é a que fazemos numa escola, numa empresa, no judiciário ou em qualquer área. O instrumento maior do Psicologo é sua ESCUTA e capacidade de analise do fenômeno em questão.
Portanto….sou a favor desta idéia!

Não gosto de Freud. Terei que estudar sobre ele?
Sim. A Psicologia não é somente Freud. Existem varias escolas dentro da Psicologia, com os mais variados autores e técnicas. Você irá estudar varias abordagens durante o curso e escolherá a que mais lhe agrada.
Freud é o pai da Psicanálise, que influenciou e deu origem a Psicologia de Orientação Analítica, que é a escola que utiliza as teorias freudianas. Veja que é apenas UMA das escolas, e existem DEZENAS disponíveis.

Ainda tenho duvidas, o que eu faço?
TODOS temos. Mesmo os mais experientes e formados há muito tempo. O dia que não tivermos mais duvidas é sinal de que paramos de aprender e isto é estagnação mental.
Aproveite a comunidade para tirar suas duvidas. Converse com alunos da universidade e troque informações nas comunidades virtuais, que são ferramentas ótimas para se trocar conhecimento. Não se esqueça, entretanto, que quem pergunta ou informa, tem que estar disposto a ouvir/ler opiniões contrárias e deve estar aberto a isso.

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 6 Comments

Sense and Sensibility – Por Eduardo J. S. Honorato

Razão e Sensibilidade

Assisti recentemente ao filme “O Clube do Livro de Jane Austin (The Jane Austen Book Club) e fiquei impressionado com as informações dos personagens dos Romances desta autora. Não têm como não se interessar pela saga de cada personagem mencionado e deixar se envolver pela influencia que exercem na vida daquelas pessoas.

Jane Austin viveu há alguns séculos, mas seus livros a tornaram imortal. É lida mundialmente e ganhou seu espaço nos romances mais lidos do mundo. Influenciado pelo Clube do Livro, resolvi re-ler alguns romances, ler outros, e principalmente, rever as adaptações para o cinema. O primeiro escolhido foi “Razão e Sensibilidade” (Sense and Sensibility). A saga da família Dashwood se consagrou nos cinemas em 1995, apresentando futuros astros, como Kate Winslet, e consagrando mais ainda alguns outros, como Emma Thompson e Hugh Grant.

O mais interessante, para mim, é poder rever algo 13 anos depois, mas desta vez, com uma “escuta clínica”, que perpassa por minha atuação profissional. É interessante perceber toda a rede de amor e intrigas, partir de um outro referencial.

O que mais me chamou a atenção foi a capacidade que Austin teve de compor a psicodinâmica de suas personagens, retratando com uma brutal veracidade, o universo psicológico, principalmente das personagens femininas. Não sou adepto a qualquer machismo ou feminismo, mas quanto mais me aproximo de Austin, mas acredito que apenas uma mulher é capaz de descrever a complexidade e magnitude do universo feminino. Talvez isso tivesse auxiliado, e muito, a Freud.

O cotidiano de Jane foi a Inglaterra do final dos 1700 e inicio dos 1800, mas me surpreende a atualidade de alguns conflitos mostrados. O que chama a atenção é a pacata vida, tão bucólica que beira a perfeição, mas mesmo assim, não há “felicidade” absoluta.

Questiono-me se seria mais fácil resolver conflitos naquela época do que na nossa. Hoje, além dos conflitos internos e o sofrimento psíquico que nos causam, temos que lidar com problemas “externos”, agravantes da situação, como violência, miséria, trânsito, etc.

As formas como as relações eram baseadas em valores distintos, trás inquietude, ao se ver o filme. A impressão é que havia uma “atividade superegóica” mais intensa, o que gerava uma necessidade maior de dispêndio de “energia psíquica”[caso quantificável] para o dia-a-dia. Falar exigia um maior “pensar”.Sentimentos eram mais escondidos. Andar, vestir, comer, demonstrar…..tudo parece ser mais “complexo” e dispendioso.

Porém, sobrava mais tempo para atividades intelectuais, como literatura e música.
Do outro lado, o ciúmes, inveja, corrupção, maldade…eram mais expressos abertamente, e não com a “velação” que se tem hoje, os tornando, talvez, mais prejudiciais. As cenas em que os personagens masculinos participam, agredindo verbalmente uns aos outros, demonstra isso.

De um jeito ou de outro, comparando aquela “sociedade” e a “nossa”, podemos nos questionar onde teria sido melhor viver, ou trabalhar [:]. O que me deixa a pergunta:
O que aconteceu com nossa “sociedade”, que deixamos chegar ao ponto em que estamos? Quando deixamos de ter “sensibilidade”, e consequentemente poesia e amor, e passamos a usar e sermos somente “razão”?

[s]

Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | No Comments Yet

CQC No Congresso! – Por Eduardo J. S. Honorato

Para quem não conhece, CQC – Custe o Que Custar é um programa da TV Band. É uma daquelas idéias que rodam o mundo, ganhando adeptos, em um novo formato. Assim como o Big Brother ganhou versões em vários países, espero, sinceramente, que este modelo seja reproduzido nos mais variados idiomas.

A idéia é simples: um cenário moderno, vinhetas computadorizadas e muito humor. Humor ácido, negro, picante, cheio de deboches e ironias, repletos de questões políticas. Publico alvo: Jovens e jovens adultos.

Pergunte a qualquer adolescente o que ele sabe sobre política. Pergunte o nome do Ministro da Justiça. Não saberá!!! Pergunte o nome de QUALQUER Ministro, e, provavelmente, ele/ela também não saberá.

O que acontece? Nossa história sempre foi repleta de jovens politicamente ativos, envolvidos com causas diversas. É graças a esses jovens que não temos hoje o horror do Regime Militar…..e graças a esses jovens também, que tivemos o primeiro caso de Impeachment no país. Agradeça a eles se você pode usar minisaia, fumar, usar calça jeans. Foram eles também que nos deram a liberdade sexual, a pílula, o rock and roll, o computador e a Internet! [oops...esses dois últimos foram os Nerds]. As décadas de 60, 70, 80 e 90 foram marcadas por jovens ativos e envolvidos politicamente. O que aconteceu com os jovens do ano 2000? Será que todos viraram “emos” e anda por aí ouvindo musicas melosas? Cadê a continuidade do espírito “brigão” e “contestador” da juventude?[um dia já chamada de transviada...]

Acho que esse é o objetivo do modelo CQC. Informar jovens e instigar um conhecimento político critico e contestador, ciente de seu direitos.

O programa apresenta quadros repletos de humor, mostrando aos jovens as mais variadas facetas da política nacional. É repleto de menções a celebridades…claro….é disso que os jovens também gostam.

Semelhante ao Pânico na Tv? Não…de longe são programas diferentes….

Sou fã do Pânico na TV, mas, cada um no seu lugar. O Pânico é um programa de HUMOR, ou seja, feito por humoristas, e têm como objetivo ENTRETER apenas. Alguns ali são personagens e outros, nem tanto [são realmente debilóides....e....qual o problema? Nada demais...]

Já o CQC é feito por JORNALISTAS, inteligentes, bem articulados, com rapidez de raciocínio, antenados política e economicamente, que sabem fazer um humor inteligente, que me faz lembrar do humor sarcástico dos britânicos.

O que aconteceu com o CQC no Congresso Nacional?

Por não se “vender” e propor fazer um jornalismo diferente, e sem “meias palavras”, o programa foi impedido de entrar no Congresso Nacional. Ora….perguntar a VERDADE aos nossos “representantes” é tão ruim assim?

Pois é…..depois dessa violação dos direitos do povo ter acesso a informação, e dos direitos da Imprensa e mostrar a verdade, uma comoção nacional tomou conta dos fãs do programa. Mais de 270 mil assinaturas foram colhidas e enfim, TEMOS O CQQ DE NOVO NO CONGRESSO.

O que isso significa? Significa que agora, se você quiser ouvir perguntas VERDADEIRAS, e não “compradas”, você sabe onde procurar. Porém, nem só de política vive o programa. Repleto de cenas e matérias divertidas, ele se propõem a agradar a todos os gostos e idades. Nenhuma matéria é feita ao “acaso” e você pode perceber a preocupação em não “alienar” seus telespectadores, com matérias compradas ou veladas.

Não têm como não ficar fã de um programa que vêm para divertir, mas de uma forma inteligente, e que sirva de instigador de uma geração de jovens. Que parecerem ter esquecido a questão central da identidade do jovem: ser contestador!…

Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | No Comments Yet

Amigos para sempre – Papos e intimidade – Por Denise Deschamps

Amigos para sempre – Papos e intimidade

Artigo interessante apresentado no site yahoo, sobre amigos que se apaixonam e as possíveis resoluções tomadas a partir desse evento.

http://yahoo.guiadasemana.com.br/yahoo/iframe/chan nel_noticias.asp?id=15&cd_city=1&cd_news=39915

Lembrei-me de algo que li e que também é meio que um ditado popular, a respeito de ser o prazer da conversa, ou seja, de afinidades, que manteria uma relação duradoura. Um casal que teria proximidade na conversa, apresentaria mais chances de manter uma relação satisfatória em todos os sentidos por mais tempo.

Sabemos que não existem fórmulas para a felicidade, cada subjetividade dentro de sua matriz procura uma outra subjetividade que também tem seus padrões, esse encaixe é difícil, muitos desencontros e poucos encontros, muitas variáveis incidem sobre o sucesso de um relacionamento. Outro aspecto que costumo sempre pensar é em algo muito comum em final de relacionamentos, onde se tem a idéia de fracasso, muitas vezes relações que duraram de maneira satisfatória por longos anos, serão avaliadas dessa forma na saída. Como se pode pensar em fracasso nesses casos? Eu digo sempre que deu certo por longo tempo, e que chegou ao final. Quanto mais deu certo, menos tumultuado será esse final, quanto mais a relação foi repleta de armadilhas emocionais, mais conturbado será esse final. Acho uma lenda essa coisa de se pensar que uma relação acaba somente para um, acaba a relação, porque para mantê-la é preciso o vínculo que fala de investimento de ambas as partes.

Então, quando dois amigos, um se apaixona, penso que aquela amizade encerra-se ali, no apaixonamento de um, começa então uma nova história, podendo gerar um vínculo romântico ou mais adiante uma renegociação dessa amizade, no caso de não haver reciprocidade quanto ao apaixonamento. De qualquer maneira o que foi rejeitado terá uma dura tarefa para empreender, lidar com isso e retomar sua possibilidade de fazer outro tipo de vínculo, mas isso acontece com todos que encerram uma relação, podendo criar novos laços de amizade ou dependendo do grau de rancor que se tenha desenvolvido com os equívocos e armadilhas da relação anterior, só restar o corte de todo e qualquer vínculo.

E então os amigos se apaixonam. Que chances têm de manter uma boa e duradoura relação? Penso que muitas, porque na amizade mais do que no amor, o que junta duas pessoas são seus interesses em comum, e o apaixonamento só fará isso ser sublinhado. A paixão é cega, projetiva, surda também. As relações de vínculo amoroso são serenas, cúmplices, parceiras, falam mais de semelhança do que de diferenças, mas incluem também uma dose de paixão, como um pouco de condimento necessário, que se for em exagero, torna insuportável o sabor. Algumas relações começam por paixão, outras por aproximação de vínculos de amizade. As duas têm chance de êxito, e esse deve ser entendido como algo que leva ao crescimento, ao sentimento de solidariedade e serenidade. Ao final de uma relação e assim como a vida tende a morte, toda relação tende ao fim (algumas apenas insistem como zumbis), se a relação teve mais de saudável do que de adoecimentos relacionais, a saída será mais calma, inevitável sempre um luto e uma dor, mesmo quando o afeto amoroso já se desligou. Despede-se de algo que foi muito importante, se tiverem sorte e maturidade, inicia-se uma nova relação, possivelmente uma amizade com um laço afetivo que marcou a vida. Para isso é preciso saber: “amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção…”, como cantaria maravilhosamente Milton Nascimento. Relações que duram toda uma vida, tiveram muitos fins e novos começos e de forma feliz, são raras.

Quando se fala em começos, há que saber que escrevemos também já o como será o seu fim. Começar é fácil e terminar um caminho tortuoso. Relações inteiras e sinceras, investidas com comprometimento e afeto desde seu início, terminam bem. Outras, nem tanto. Algumas outras ainda se cronificarão como aprisionamentos repletos de culpa e chantagens emocionais, essas quase sempre, para encerrarem-se, precisarão de uma morte, real de um dos parceiros ou de qualquer possibilidade de se reconstruir em outro vínculo fraterno, morrendo então enquanto caminho afetivo.

Então, penso que amigos que se apaixonam é sempre um bom sinal, algo muito favorável, que deva ser, aliás como em toda relação, cuidada com afeto e delicadeza.

Como cantaria Marisa Montes e Arnaldo Antunes: “Meu melhor amigo é o meu amor”. Belo isso… mas que o amor continue sendo o(a) melhor amigo(a), o(a) parceiro(a) em quem se possa confiar, aquele(a) com quem a conversa corre inesgotável. A amizade então estará lá, preservada e íntegra, senão, também não era amizade e tropeçaria de maneira igual em outro momento da vida com toda peste emocional que nos contamina com nossas repetições.

Denise Deschamps

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

Homens Modernos – Por Denise Deschamps

Vou eu novamente fazer uma reflexão sobre notícia lida. Vejam só que curioso:

“Uma reportagem publicada na revista New Scientist aponta duas pesquisas que sugerem que homens ‘metidos’ ou ‘convencidos’ fazem mais sucesso entre as mulheres.

Segundo um estudo mexicano, além dessas características, esses homens são também egoístas e agressivos, adotando uma postura mais predatória quando partem para a conquista, o que pode aumentar suas chances de êxito”.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/ 2008/06/080619_homensacanasmulheres_fp.shtml

É no mínimo interessante tal assertiva, eu pensei que isso seria uma fase adolescente que passaria igualmente as espinhas, a ironia crônica, o ar de superioridade ausente e outras particularidades da adolescência. Quedo desanimada com tal verdade. Quer dizer que não passa? Quer dizer que aquela história de que mulher gosta mesmo é do cafajeste é verdade? Que lástima! Será que também gostamos mesmo é de sofrer e apanhar? E pronto, já estou eu novamente brigando com as pesquisas. Hoje em dia colocamos um número à frente a qualquer bobagem dita e pronto, virou verdade. Não digo que não é verdade essa notícia, apenas solicitaria uma pesquisa a respeito de quantos homens acreditam que seja assim que a banda toca. Mulheres, rebelem-se! Senão daqui a pouco teremos outra pesquisa comprovando que “os homens não prestam”, outra máxima popular bastante difundida.

Fato é que a peregrinação feminina anda bastante tumultuada, não porque prefiram os agressivos, tipo sedutor cafajeste, mas porque coisa difícil é encontrar um homem que saiba quem na verdade ele é e mais ainda que saiba o que quer. Bem, mas essa não é a questão que me moveu a escrever esse texto, tenho em mim um feminismo light e nada, nada mesmo, contra o sexo oposto, acho-os todos adoráveis em seus conflitos.

O que me intriga são essas pesquisas, esse senso comum com ares de dados científicos. Já viram a bagunça que isso tem dado no setor nutrição. Eu acabei de comer um ovo que disseram que foi comprovado que faz bem e logo a notícia seguinte diz que ele pode me matar rapidamente. Não sei se corro pro banheiro em um ataque bulímico ou me entrego a Thanatos em um balé, pelo menos dançaria até com a morte. Corro e como um prato de alface para ajudar a me livrar do inimigo mais rapidamente, mal termino as primeiras garfadas e vem a terrível notícia, estão cheios de agrotóxicos e vou ter cancêr. Nada mais me resta, vou virar anoréxica.

E quanto a sexualidade, outra salada, cada hora me falam algo sobre meu corpo, meus desejos, minhas intenções mais ocultas, me perco pensando em minhas zonas erógenas a essa altura sem saber se sou uma pervertida ou desviada. Meu cérebro teria algumas funções a mais ou a menos? Meus neurôrios violetas(não gosto de rosa!) serão verdadeiras aberrações?

Então realmente ando cismada com essas pesquisas. Desconfio até da minha sombra, abro revistas semanais já com medo do que vou ler a meu respeito ou dos meus filhos. Nossa, nesse setor educação então, cada dado que, se tivesse lido antes, teria desistido de colocar aquele falo dentro da minha barriga. Sério, estou quase comprando uma vara de marmelo. Lembram disso? Nada, são muito novinhos! Meu pai sempre brincava dizendo que ia dar uma surra com ela quando nos comportávamos mal, falava isso sorrindo, mas a essa altura terá já alguma pesquisa que dirá que ele era um depravado. Mas sério novamente, essas crianças andam muito doentes, sofrem estatisticamente de tantas mazelas que já ando preocupada se não teremos uma “Casaverde” infantil, com Drs Bacamartes com injeções de metilfenidato , Fluoxetina, bromazepan, venlafaxina ou ainda o haloperidol …

Então vejam, minha cisma realmente é com a pesquisas, nada contra os homens metidos, desde que tenham motivos para sê-lo, porque nada mais ridículo do que os pobremente dotados de atributos e que se acham, quase sempre são os piores, deve ter pesquisa sobre isso também, senão estarei com certeza falando uma grande bobagem sem comprovação de dados confiáveis.

Bem, hoje era só mesmo para compartilhar meu espanto. Homens metidos, intrometidos, narcisistas, vocês estão bem na fita, ou pelo menos nas estatísticas mexicanas.

Denise Deschamps

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | No Comments Yet

Nascimento – Por Denise Deschamps

Estudos comprovam que bebês sentem dor, diz a reportagem publicada hoje no Globo.com(link).

Certas pesquisas me fazem pensar no papel que a ciência quer desempenhar. Alguém acreditou algum dia que eles não sentiam dor? Uma mãe em pleno desenvolvimento de seu vínculo com o bebê deixou de perceber quando ele sentia dor ou abandono? A pergunta que fica é bem mais abrangente que a colocada, penso eu, uma vez que para perceber essa dor pensaríamos já em constituição de uma percepção corporal e a partir disso, pensaríamos também já na constituição de um psiquismo, sem o qual o limiar de dor não faria sentido.

Teorias avançam, muitas questões são colocadas, mas não se consegue delimitar a partir de quando podemos pensar em um sujeito em formação. A psicanálise vai longe nesse questionar, chegando a trazê-lo para antes do nascimento, via imaginário dos pais.

Em plena discussão sobre aborto e pesquisa com células tronco, pesquisadores e grupos religiosos se embatem na pergunta sobre a partir de qual momento começaria a vida como a entendemos, a formação de um ser. Ao se perguntar sobre isso, penso que todo campo psi deveria ser chamado para esse debate, uma vez que pensamos vida como a entendemos, a partir da constituição de um sujeito que sente.

“…Um recém-nascido…É uma coisinha que não vê, que não ouve. Como você quer que seja infeliz?
-’Coisinha’ que não vê, ‘coisinha’ que não ouve…Mais nada impede que a ‘coisinha’ grite bem forte”(Frédérick Leboyer – Nascer Sorrindo)

Mães e pais na hora do nascimento assistem ao espetáculo da vida e do afeto. Criança que grita chegando ao mundo e que olha tão fundo para o olhar da mãe, acalma-se, examina e afastado dessa, volta a chorar. Poucas mães não terão vivenciado esse fenômeno tão comum em salas de parto. Alguns pesquisadores apontam para esse “olhar” como o “start” fundamental para toda organização daquele ser que chega ao mundo, com pulmões em chamas e cansado pela aventura que é sair do “Nirvana” que representa o estado anterior ao nascimento, a chamada vida intra-uterina, onde já adivinhava sons e sensações.

Quem sabe se até alguns rudimentos de emoção?

“O que significam os gritos dos recém-nascidos?
Que têm reflexos normais. Que a máquina está em funcionamento.

Os gritos não falam do sofrimento?

Para gritar como grita, será que o bebê não sente imensa dor?”(Leboyer, F.)

Mas há bebês que pouco se manifestam, olham pouco, choram pouco, deprimem-se. O que haveria de histórico já nessas manifestações? O quanto estaria já marcado pelo não desejo, pelo não lugar afetivo ao qual já teria sido designado? Amar não é algo que se possa impor a qualquer ser humano, sabemos disso e repetimos isso ao longo da vida, reeditando experiências. Pode alguma lei obrigar pais a amarem aquele novo ser que chega ao mundo? E se esse sujeito começa a surgir a partir do desejo dos pais, é justo nascer em um não lugar?

Perguntas que o campo psi pode ajudar a pensar na temática complexa que envolve as práticas abortivas legalizadas. De preferência sem trazer para a discussão questões religiosas ou da moral conservadora.

Nascer é uma grande tarefa, talvez até maior que morrer. Cada um de nós um dia chegou aqui, gritou, chorou, foi acolhido ou não, entendeu o sentir, a falta, o acolhimento, a solidão…gerou e cumpriu expectativas.

Muitos de nós já geramos outra vida, e por instantes nos sentimos deus, com toda criação cabendo quase que na palma de nossas mãos.

“Falar de amor ao recém-nascido!
Isso mesmo! Falar de amor! Não é essa a língua de que toda natureza fala?
Para se fazer entender pelo recém-nascido, é preciso falar a linguagem dos amantes.

De amantes!
É, de amantes.
Os amantes, o que dizem?
Eles não falam, se tocam”

Que o campo psi comece a se pronunciar sobre a vida, que nasça para dizer ao que veio, que implique esses sujeitos em relação a matriz que queremos dar a um mundo que enlouquece a olhos vistos, a um mundo que tenta banir as emoções via suas instituições normativas, que começam ali, naquela sala de parto ou mesmo, muito antes dali.

Reportagem:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL611667- 5603,00-BEBES+SENTEM+MAIS+DORES+DO+QUE+SE+PENSAVA+ DIZ+ESTUDO.html

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Uncategorized | | No Comments Yet

Diga SIM a Mulher Melancia [MM]!!! – Por Eduardo J. S. Honorato

O ser humano é previsível demais, apesar de achar que não. Nossas vidas sociais nada mais são do que ciclos que se repetem de geração em geração.

Vejamos…..Tivemos os Beatles nos anos 60, Menudo nos anos 80, Dominó, New Kids on the block nos anos seguintes. Tivemos Cher, Madonna, Britney, Christina, Amy..e tantas outras cantoras que variam apenas de gerações.

Tivemos Gretchen, Monique Evans, Carla Perez, Sheilas Carvalho e Melo, Feiticeira, Tiazinha…e agora: Mulher Melancia!!!!

A historia se repete e o publico acha que é “algo novo”. Muda-se a roupagem e alguns pequenos detalhes, mas o “conteúdo” continua o mesmo.

Todas essas mulheres fizeram sucesso…não pela sua inteligência ou por um talento em especial. Foram famosas pelo seu corpo…..e que corpos! Sim…não há nada de errado em assumir que consumimos produtos sem “conteúdo”, e os compramos apenas pelas “embalagens”. Gretchen nunca foi cantora, muito menos Carla e Sheilas….e assim será com a Mulher Melancia.

O “diferencial” é que esta última tem, que vem “bombando” na mídia ultimamente, parece ser um pouco mais esperta e ciente de que, seu “talento” está localizado na região das nádegas, e que isto, faz sucesso sim!

Li e ouvi algumas entrevistas com ela e tenho que dar a mão a palmatória: a menina é esperta!. Sabe que seu “talento” é passageiro e esta diretamente ligado aos seus glúteos, e com isso, pretende fazer o maior proveito disso…enquanto a lei da gravidade permitir.
Inteligente é ela…burros são aqueles que compram os produtos que a mídia empurra goela adentro…

Entretanto…Mulher Melancia merece TODO o meu apoio. Não somente por ser mais inteligente que as demais, mas também por aparecer em momento estratégico, no qual NOSSOS adolescentes, PRECISAM DELA.

Recentemente vi um comentário em um jornal online, de que um chatíssimo autor de novelas tinha declarado que a MM [mulher melancia] beirava a obesidade. ?????

Isso pq? Pq ela não é anoréxica e tem um IMC de habitantes da Somália?

MM aparece em uma época onde, por anos, as adolescentes foram atacadas pela mídia, necessitando de mulheres magras, com corpos anorexicos e com os ossos aparecendo. Ser bonita era sinônimo de “não ter corpo”, não ter formas.
Espero, sinceramente, que com a idolatria que temos hoje pela MM, as jovens possam perceber que é NATURAL SIM ter bunda, ter peito, ter quadril, ter coxões e corpo de GENTE [e não de cadáver]

Portanto, dou todo o meu apoio a qualquer divulgação e exploração da imagem da mulher boazuda, carnuda e com corpo de gente, exemplificada pela Mulher Melancia.
E que venham mais mulheres abacates, mulheres mamão, mulheres melão, e que sumam da mídia as mulheres palito, mulheres alfinetes e mulheres arroz.

[s]

Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | 2 Comments

Nudez – Por Denise Deschamps

Fiquei pensando a partir do tópico da comunidade que falava da nudez como utilizada em manifestações de protesto e sobre as fotos ousadas de Spencer Tunick. Sempre que olho as fotos produzidas por ele, multidão de corpos nus, a sensação que me toma é sempre de extrema fragilidade. Quando despidos de tudo, inclusive roupas, parecemos tão frágeis, tão destituídos de qualquer defesa, tão entregues ao destino que nos assombra, nossa própria decrepitude e morte. Freud já nos falava disso como fontes do nosso sofrimento. Somos “máquinas” perfeitas em nossa maior imperfeição, nossa fragilidade. Construímos mil aparatos que se formos pensar mais detidamente, talvez nos daremos conta que os construímos na tentativa de parecer menos entregues a um destino inevitável, a nossa própria morte. Vivemos a noção do tempo sem tempo, a vida segue em seu destino e evitamos a todo custo nos dar conta de sua limitação em tempo e espaço. Hoje ocupamos tudo, tentamos desesperadamente deixar marcas em um mundo onde o anonimato assombra, onde a existência dele nos leva a angústia do sentido da vida, talvez não pensado, mas sentido enquanto vivência cotidiana. O que fazemos aqui? O que deixaremos enquanto marca de nossa passagem como uma contribuição ao mundo que vivemos? Dentro de cada um de nós, um filósofo, alguém que busca dar sentido aos seus atos, afetos, desejos, trabalho, realizações…Quem somos, como somos, o que nos determina? O que constitui essa tal subjetividade. O que é aquilo que chamamos de mundo e o que é aquilo que chamamos de eu ou ego ou self?

Ao olhar as fotos somos tomados por sensações de morte e sexo, inevitável. Penso sempre que é a própria representação das pulsões, vida e morte, sexo e agressão. Que estranho amálgama isso que constitui o que chamamos humanidade e que nos choca sempre quando nos deparamos com ela em forma de imagem. Anjos e demônios, entre liberdade e o mais duro desejo de aprisioná-la em normas e regras que constituem o tal tecido social. Talvez resida nesse permanente antagonismo a força que nos move e paralisa, que constrói a ética humana tão necessária para a convivência coletiva, que deve permanecer distante sempre, penso eu, de normatizações por demais rígidas. A vida é movimento, flexibilidade, nada é apenas uma coisa, um fato tem pelo duas versões, uma emoção duas possibilidades no mínimo.

Deixo para convite à reflexão um belo poema que se encontra no livro “Nascer sorrindo” de Frédérick Leboyer, aliás livro que recomendo para quem estuda ou apenas se interessa por Psicologia, fala de parto, mas podemos pensá-lo como uma metáfora dos vários nascimentos que fazemos ao longo da vida e muitas vezes a partir de um processo psicoterápico.

Quando vem ao mundo,

o homem é frágil e sem força.

E, uma vez morto,

fica duro e rígido.

As roseiras e as grandes árvores,

quando ainda são pequenas,

vergam e são frágeis.

Quando morrem,

ficam secas e quebradiças.

É que a força e a rigidez

são companheiras da morte.

E a docilidade e a flexibilidade

são amigas da vida.

A força, definitivamente

nunca conquistou nada.

(Lao Tsé)

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Uncategorized | | No Comments Yet

Amy Winehouse – Vitima? Por Eduardo Honorato

Amy Winehouse é um sucesso, e não temos como negar. Ganhadora de dezenas de prêmios importantes, a cantora inglesa têm sido alvo fácil da mídia nos últimos meses.
Chamo de “alvo”, pq é exatamente o que ela parece ser: um bicho em extinção, perseguido por todos os lados, pelos paparazzi.

O estilo musical é diferenciado. Dotada de uma voz dos “deuses”, Amy resgatou um pouco do jazz e blues americano, com uma roupagem nova. Nossa audição é sempre refrescada com suas melodias, entretanto, as letras parecem destoar um pouco do estilo. Essa mixagem faz de Amy ser o que é: uma artista nata, com o dom de “chocar”.

Ela choca pelo estilo de vestir, tatuagens, jeito de cantar, letras, e sua vida pessoal.

Toda geração têm uma cantora [ou cantor] rebelde, revoltada, que faz muito sucesso, e acaba sua vida tragicamente. Foi assim com Kurt Kobain, no Nirvana, na minha geração. Até hoje é idolatrado e idealizado por gerações que sequer o viram cantar ao vivo. Fora assim também com Janis Joplin, que virou um ícone da rebeldia de sua época.

Com Amy não será diferente. Porem, temos aqui um diferencial.

Todos sabiam do envolvimento com drogas de Janis e Kurt. Isso nunca fora novidade. Porem, acredito que a mídia era um pouco menos agressiva e esse lado deles não era por demais explorado.

Apesar de gostar muito das musicas da Amy, cada vez que ela aparece na mídia, drogada, se drogando, caindo pelos cantos ou tendo ataques típicos de um dependente químico, tenho a impressão de que ela nada mais é do que uma “vitima”.
Acho que pela primeira vez estamos vendo um ídolo da musica cometer suicídio passivo em plena cobertura midiática. Acompanhamos todas as semanas suas overdoses, pancadarias, escândalos….e tudo isso vende!! E como vende!

Cada show que ela faz é transmitido no youtube, com cenas dela se drogando. Cada clip lançado faz-se menção as drogas que ela utilizou.
Que necessidade MÓRBIDA é essa, tanto da mídia, quanto daqueles que consomem seus produtos, em explorar a dependência química e psicológica de um artista?
As vezes me pergunto se……se Amy não usasse drogas e fosse essa figura polemica, ela teria feito tanto sucesso assim pelo mundo?

Não que ela não tenha talento….isso é inegável!. Entretanto, todas as referencias que achamos na mídia sobre ela são sempre relacionadas a sua dependência química e estado psicológico caótico no qual ela se encontra.

Houve um tempo em que os artistas eram mais reservados quando o assunto eram drogas ilícitas. Todos sabiam, mas nunca isso fora usado como “bandeira” ou como pano de fundo para aparições públicas. As coisas parecem ter tomado um rumo diferente nos dias de hoje.

Será que estamos esperando ela ter uma overdose em pleno palco, para ser transmitido no Youtube, para que alguém reflita sobre o que nossos jovens estão “idolatrando”?

A mídia que hoje explora morte de crianças, namoradoras de celebridades, assassinatos e crimes hediondos, é a mesma que promove a idolatria a situações que, em outra época, eram vistas como “mais serias”. Até que ponto estamos banalizando o comportamento patológico?

[s]

Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | 5 Comments