Amigos para sempre – Papos e intimidade – Por Denise Deschamps
Artigo interessante apresentado no site yahoo, sobre amigos que se apaixonam e as possíveis resoluções tomadas a partir desse evento.
http://yahoo.guiadasemana.com.br/yahoo/iframe/chan nel_noticias.asp?id=15&cd_city=1&cd_news=39915
Lembrei-me de algo que li e que também é meio que um ditado popular, a respeito de ser o prazer da conversa, ou seja, de afinidades, que manteria uma relação duradoura. Um casal que teria proximidade na conversa, apresentaria mais chances de manter uma relação satisfatória em todos os sentidos por mais tempo.
Sabemos que não existem fórmulas para a felicidade, cada subjetividade dentro de sua matriz procura uma outra subjetividade que também tem seus padrões, esse encaixe é difícil, muitos desencontros e poucos encontros, muitas variáveis incidem sobre o sucesso de um relacionamento. Outro aspecto que costumo sempre pensar é em algo muito comum em final de relacionamentos, onde se tem a idéia de fracasso, muitas vezes relações que duraram de maneira satisfatória por longos anos, serão avaliadas dessa forma na saída. Como se pode pensar em fracasso nesses casos? Eu digo sempre que deu certo por longo tempo, e que chegou ao final. Quanto mais deu certo, menos tumultuado será esse final, quanto mais a relação foi repleta de armadilhas emocionais, mais conturbado será esse final. Acho uma lenda essa coisa de se pensar que uma relação acaba somente para um, acaba a relação, porque para mantê-la é preciso o vínculo que fala de investimento de ambas as partes.
Então, quando dois amigos, um se apaixona, penso que aquela amizade encerra-se ali, no apaixonamento de um, começa então uma nova história, podendo gerar um vínculo romântico ou mais adiante uma renegociação dessa amizade, no caso de não haver reciprocidade quanto ao apaixonamento. De qualquer maneira o que foi rejeitado terá uma dura tarefa para empreender, lidar com isso e retomar sua possibilidade de fazer outro tipo de vínculo, mas isso acontece com todos que encerram uma relação, podendo criar novos laços de amizade ou dependendo do grau de rancor que se tenha desenvolvido com os equívocos e armadilhas da relação anterior, só restar o corte de todo e qualquer vínculo.
E então os amigos se apaixonam. Que chances têm de manter uma boa e duradoura relação? Penso que muitas, porque na amizade mais do que no amor, o que junta duas pessoas são seus interesses em comum, e o apaixonamento só fará isso ser sublinhado. A paixão é cega, projetiva, surda também. As relações de vínculo amoroso são serenas, cúmplices, parceiras, falam mais de semelhança do que de diferenças, mas incluem também uma dose de paixão, como um pouco de condimento necessário, que se for em exagero, torna insuportável o sabor. Algumas relações começam por paixão, outras por aproximação de vínculos de amizade. As duas têm chance de êxito, e esse deve ser entendido como algo que leva ao crescimento, ao sentimento de solidariedade e serenidade. Ao final de uma relação e assim como a vida tende a morte, toda relação tende ao fim (algumas apenas insistem como zumbis), se a relação teve mais de saudável do que de adoecimentos relacionais, a saída será mais calma, inevitável sempre um luto e uma dor, mesmo quando o afeto amoroso já se desligou. Despede-se de algo que foi muito importante, se tiverem sorte e maturidade, inicia-se uma nova relação, possivelmente uma amizade com um laço afetivo que marcou a vida. Para isso é preciso saber: “amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção…”, como cantaria maravilhosamente Milton Nascimento. Relações que duram toda uma vida, tiveram muitos fins e novos começos e de forma feliz, são raras.
Quando se fala em começos, há que saber que escrevemos também já o como será o seu fim. Começar é fácil e terminar um caminho tortuoso. Relações inteiras e sinceras, investidas com comprometimento e afeto desde seu início, terminam bem. Outras, nem tanto. Algumas outras ainda se cronificarão como aprisionamentos repletos de culpa e chantagens emocionais, essas quase sempre, para encerrarem-se, precisarão de uma morte, real de um dos parceiros ou de qualquer possibilidade de se reconstruir em outro vínculo fraterno, morrendo então enquanto caminho afetivo.
Então, penso que amigos que se apaixonam é sempre um bom sinal, algo muito favorável, que deva ser, aliás como em toda relação, cuidada com afeto e delicadeza.
Como cantaria Marisa Montes e Arnaldo Antunes: “Meu melhor amigo é o meu amor”. Belo isso… mas que o amor continue sendo o(a) melhor amigo(a), o(a) parceiro(a) em quem se possa confiar, aquele(a) com quem a conversa corre inesgotável. A amizade então estará lá, preservada e íntegra, senão, também não era amizade e tropeçaria de maneira igual em outro momento da vida com toda peste emocional que nos contamina com nossas repetições.
Denise Deschamps
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