CYBERPSICOLOGIA, PSICOLOGIA CIBERNETICA, PSICOLOGIA E INFORMATICA, PSICOLOGIA DIGITAL…..QUE BICHO É ESSE? – Por Eduardo J. S. Honorato
E comum hoje sermos atravessados por ondas de informações, vindas de todos os lados, sem termos capacidade para absorção. Falamos em siglas e as repetimos com tanta freqüência que muitas vezes nem sabemos mais o significado original daquele termo. Palavras de outros idiomas são fagocitadas pela nossa língua e novos termos surgem a cada dia, principalmente na tecnologia de comunicação & informática.
Faça a seguinte pergunta a 5 pessoas: “O que é a Internet” ?
Se a pergunta for direcionada a adolescentes, estes lhe darão respostas técnicas das mais variadas, citando sempre programas, jogos e utilidades. Se perguntarmos a pessoas de uma faixa etária mais avançada, as respostas serão mais variadas. E se perguntarmos a 5 Psicólogos ou Psicanalistas? Perceberemos então que não há um consenso, pois a resposta não será nem tão técnica nem tão abrangente, ou, não relacionada à sua profissão.
Isso reflete algo bastante recente e ainda pouco explorado: o mundo virtual. Poucos são os pesquisadores das áreas psi que se interessam pelo mundo virtual e suas peculiaridades. Alguns bravos profissionais pesquisam sim, mas a produção é pequena e lenta frente à alta mutabilidade deste “mundo” e sua constante evolução. Eu arriscaria a dizer que o virtual evolui em uma velocidade de conexão à cabo e as pesquisas ainda na velocidade da antiga conexão discada (via Telefone).
O que a Psicologia tem a ver com computadores, bytes, Internet , P2P, Softwares etc?
Essa é uma pergunta que faço desde 1997, quando comecei a utilizar a Internet com maior intensidade. Do uso surgiu um interesse maior, e deste interesse, a problematização de alguns aspectos, que dariam origem a pesquisas.
Algo que foi criado como artefato militar e que passou, depois de quase 30 anos, a ser objeto de pesquisa, depois interesse, depois diversão e hoje, necessidade básica. Tão necessário quanto o telefone ou a televisão.
No final dos anos 90 alguns profissionais e estudantes de Psicologia já pesquisavam sobre o assunto. Foram pioneiros no Brasil, onde o pouco que se sabia sobre o tema era oriundo de outros paises. Oliver Zancul Prado, Elisa Sayeg, Márcia Homem de Mello, Ivelise Fontin, Fabiana Maiorino, são alguns dos quais me recordo, em um pequeno congresso organizado em São Paulo, em 2001.
Muito se falava sobre Internet, seus impactos, dependência, mas pouco se conseguia pesquisar, seja por falta de financiamento, seja por falta de credibilidade de algumas instituições e pesquisadores.
Quase 10 anos se passaram, e alguns profissionais e estudantes ainda insistem em dizer “Isso não é Psicologia….” Mas…o que é Psicologia então? Independente da escola utilizada, todas tem um objeto de estudo em comum: o comportamento humano.
A explicação dada para esses fenômenos são diferentes, mas o objeto de estudo é sempre o mesmo. Então, um novo plano sociabilizador, uma nova forma de interação, utilizada em massa pelo homem, não mereceria melhor atenção dos profissionais psi?
Temos nitidamente uma nova forma de comunicação e interação com um alto carater psicossocial envolvido. A realidade criada por este novo meio de comunicação, que manifesta forma específica de socialização, traz no seu bojo transformações de relações, de encontros, de possibilidades afetivas e cognitivas. Até pouco tempo as relações sociais se restringiam ao campo do “corpo presente”, e hoje este corpo se desloca, transcende a corporeidade, para fundar um plano virtual de encontros.
Entender a Internet através da psicologia nada mais é do que uma tentativa de melhor entender o comportamento do indivíduo enquanto ser social, e talvez, contribuir para o entendimento do ser humano como um novo ser social-virtual.
Uma questão que deixo aberta para reflexao dos profissionais “psi” é: Quantos de nós estão preparados para lidar com esse novo plano sociabilizador? Quantos de nós estão inteirados com os conhecimentos tecnológicos da nossa atualidade?
Espero que essa reflexão possa ser um incentivo para maiores tentativas de entender o virtual, enquanto plano sociabilizador, que traz impactos psico-sociais, e consequentemente, melhor qualificação dos nossos profissionais.
Eduardo J. S. Honorato
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