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Psicologia e Direito – Convite para reflexões necessárias.

Por Eduardo J.S. Honorato e Denise Deschamps

imagem comunidade psicologiaSempre que aparece um caso na mídia envolvendo situações aparentemente “bizarras”, “estranhas”, ou relacionadas a comportamento patológico, logo temos menções a Psicologia, e claro, relacionadas ao Direito.

É interessante perceber que a formação em Psicologia quase nada, ou nada mesmo, traz em relação a essas duas ciências e seus possíveis encontros na atuação profissional. É claro que não estamos aqui falando da Psicologia Jurídica, especialidade da nossa profissão, que trabalha diretamente nesta junção, mas sim, em conhecimentos simples e básicos que poderíamos ter, para auxiliar nossos trabalhos, independente de áreas de atuação.

direitoLogo que implantaram as modificações em direito de família houve no Rio de Janeiro um grande encontro onde profissionais do Direito, Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise trocaram idéias sobre as questões que atravessam esses saberes, foi algo que todos que ali estiveram puderam atestar um grande crescimento em termos do seu pensar e atuar profissional. Temos notícias de alguns eventos que têm sido feitos a partir desses possíveis encontros entre essas áreas, só dar uma olhada na Internet e acharemos alguns com notícias e artigos produzidos, vale conferir.

Pensar no diálogo entre Direito e campo psi é sem dúvida pensar muitas vezes nos limites que constroem uma ética possível, levando em conta que todo fazer do campo psi se inscreve em dados de realidade que necessariamente desembocarão naquilo que existe enquanto leis que regulam as atividades humanas, afinal para isso elas são construídas, para traçar aquilo que se constrói no que denominamos como cultura. As relações humanas são orientadas e formuladas a partir das construções sociais de sua época, essas sublinhadas, ou pelo menos assim deveriam ser, pela legislação vigente.

A Psicologia no Brasil tem interessante percurso, hoje tenta se rever em suas origens, nesses aspectos acaba por questionar sua inscrição institucional e com isso na discussão em torno de alguns pontos, o Direito se faz presente e se torna inevitável uma reflexão a partir de alguns de seus pressupostos. Como falar de políticas públicas desconhecendo as questões legais? Atuação com menores infratores sem falar dos debates em torno da diminuição ou não da idade legal? Direitos dos portadores de transtorno mental e seus cuidadores? Guarda de menores em situações de risco ou ainda de separação do casal? Tantas são as questões que nos parece estranho que essa aproximação não seja algo contemplada mais amiúde, inclusive na própria formação dos novos profissionais.

O que falar da discussão em torno dos limites éticos da mídia na atualidade? Onde psicologia e direito caminharão de braços dados em uma promoção de um espaço possível de debate sobre o tema.
Pensamos que esses debates podem e devem ser empreendidos em outros setores que atravessam questões abordadas pelos profissionais desses variados campos.

Após alguns debates nas comunidades virtuais, webforuns, listas de emails, etc, recebemos um material bem interessante, sobre um curso.

http://www.visumconsultoria.com.br/cursos/

Pelo material divulgado na Internet, e por informações fornecidas pela organização do evento, achamos interessante repassar o material, bem como abrirmos alguns pontos para debates, pois temos aqui uma oportunidade de criar um espaço para trocar experiências e dúvidas. Temos alguns profissionais do Direito que participam sempre de alguns debates e isso pode nos trazer conhecimento.

Pensamos em algumas situações em que os conhecimentos de Direito podem ajudar bastante.

Homofobia - Temos visto uma grande mobilização social, com participação da nossa categoria, seja representada pelo CFP, seja pelas comissões existentes, apoiando esse projeto de Lei que pretende criminalizar as manifestações homofóbicas. Escrevemos alguns artigos sobre cinema que versavam sobre isso, e tivemos que recorrer a quem entende do assunto para podermos entender este projeto, seus “entraves” e suas “traves”. Essas questões de projeto de Lei, Leis, aprovações e todas as questões políticas que envolvem nossa profissão são muito pouco referenciadas na graduação de Psicologia.

Saúde Pública – Leis orgânicas de Saúde. Você as conhece? Pois deveria. Escrevemos sobre o filme SICKO em nosso site e recebemos vários emails de alunos e profissionais que desconheciam a legislação nacional sobre o nosso sistema de saúde. Ao estudar para um concurso um profissional da psicologia terá que se voltar ao estudo desses temas que implicarão em sua prática em medidas possíveis e entendimento de sua inserção. Hoje com as questões que envolvem a discussão em torno das já famosas 12 sessões dos convênios médicos que são possibilitadas para uma psicoterapia, nos levam a pensar ainda mais nessas intersecções de reflexão.

Documentos e Laudos – Elaborarar laudos não é uma tarefa simples e fácil, exigirá conhecimento específico. Desde a construção e decisão do processo de psicodiagnóstico até a redação dos mesmos. Existem resoluções específicas para isto, disponíveis no site Pol.org.br. Os psicólogos especialistas em Jurídica trabalham, alguns, trabalham em Varas de Familia e sabem como isso é solicitado. Você precisará conhecer um pouco de vocabulário jurídico para não cometer algumas “gafes” e muito menos cometer erros de elaboração ou até mesmo na própria avaliação da demanda, como temos sido convidados a pensar sobre pelos CRP’s de todo Brasil. Vários processos existentes no Sistema Conselhos são referentes a erros de elaboração de documentos oficiais. É bom ficar sempre atento a isso.

Direito Criminal x saúde mental – Incluídos em nossos trabalhos em cinemterapia, temos vários artigos que tratam da questão psicopatológica relacionados com Direito Criminal. Alguns deles foram publicados em nosso site e outros em nosso livro:

- Monster – Desejo Assassino – Trabalhamos questões de psicopatologia e psicanálise em nosso livro, com este filme, mostrando as questões psicodinâmicas de um psicopata.

- Valente – Neste filmes mostramos como um situação de extremo estresse (Transtorno de Estresse Pos-Traumático) pode levar a situações de crimes.

- Mr Brooks – Debatemos sobre possíveis patologias deste personagem criminoso e podemos adentrar na sua imputabilidade ou não, dado o caso complexo e comórbido que alí existe.

- O Exorcismo de Emily Rose – questões re psicopatologia, crime e religião

- O Adversário – questões de sociopatia, inserção social, mitomania.
Infância Roubada – Questões de pobreza e criminalidade, nas favelas sulafricanas que por analogia poderiam ser utilizadas para debates em torno dos Conselhos Tutelares e instituições que abrigam menores infratores aqui no Brasil.

Esta área envolve tanto a Psicologia, Psicopatologia quando o Direito. Você precisa conhecer quais casos são considerados imputáveis ou inimputáveis, até mesmo para as questões cotidianas no seu consultório.

Direito do Trabalho – Se você for atuar em empresas, na área de RH, é bom que conheça as nossas leis trabalhistas (CLT) e algumas leis adicionais, para evitar problemas. Existem Leis que delimitam até o que pode ou não pode conter em um anúncio de jornal de oferta de emprego. Nas rotinas de RH, você terá contato com informações sobre Direito Previdenciário, Normas de Segurança do Trabalho, laudos, perícias, aposentadorias, ou mesmo nas construções das “ISOS” etc. É uma área totalmente distante dos nossos cursos, mas que se entrecruzam na atuação profissional.

Direito de Família – Laudos são comumente solicitados nessa área, especialmente quando há disputa pela guarda dos filhos ou mesmo suspeita de maus tratos ou abuso. Ainda há o trabalho imprescindível do psicólogo nos casos de adoção. Já tivemos notícias de casos de profissionais que tiveram problemas éticos por elaboração incorreta deste documento. Fique de olho. Só se habilite a fazer caso tenha conhecimento para isso.

Ética – Existem questões legais referentes a utilização de declaração de comparecimento, utilização de códigos (CID e DSM) que devem ser respeitadas. É comum o empregador solicitar informações ao profissional, especialmente quando estes são atendidos pelo convênio. Cuidado na elaboração destes documentos. Nosso primeiro dever é com o sigilo e a proteção da confiabilidade.

Psicodinâmica dos transtornos – Você pode ser solicitado a dar explicações teóricas sobre um determinado quadro, como profissional habilitado. Sem qualquer relação com o caso em questão, mas como pesquisador ou informante. Saiba bem como referenciar esta explicação, utilizando o que é permitido pelo Conselho.

Essas são apenas algumas das muitas situações que nas quais um profissional da psicologia poderá se deparar com a necessidade de informações ligadas a área legal, buscar essas informações se tornará então, algo que faz parte da construção de um trabalho que dignifique tanto esse profissional como a toda a categoria ali representada por ele. Valerá muito estar atento para essas reflexões!

Alguns artigos podem ser encontrados em nosso site www.cinematerapia.psc.br

July 21, 2009 Posted by | Psicologia | 9 Comments

O que pode estar acontecendo no Twitterlândia Brasileira…

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Temos focado nosso trabalho em Cinematerapia (cinematerapia.psc.br), mas não deixamos de manter o olhar clínico analítico nas questões que envolvem as relações resultantes da interação Psicologia e Informática, assunto que pesquisamos há alguns anos.

Escrevemos aqui em outras ocasiões sobre a “Tornar-se Produto” e em como isso exige um Ego resiliente. Falamos de Amy Winehouse e em como ela pode ser uma vítima da nossa mídia. Também tocamos no assunto Susan Boyle e Maísa e MJ , tão batido e cansativo dos ultimos dias. Falou-se muito da morte de um ícone do pop, mas muito também foi explorado em torno das suas questões de vida, pesadas questões, devemos dizer. Questões que serão “esquecidas” quando ele se tornar um “mito”.
Isso nada é, perto do que possivelmente pode estar acontecendo no twitter agora. Tão rápido e tão imediato, que muita coisa muda e acontece e não estamos processando essa informação muito bem. É como se tivessemos um pc 486 recebendo informações em Banda Larga.

Lemos em algum lugar , que o Twitter era o “núcleo da internet”. Tudo acontece e passa por alí primeiro e não tem como não grudar os olhos e saber noticias, fofocas, interação, amigos, filmes, besteiras, piadas, etc…tudo em pequenas frases. É rápido, divertido e você monta da maneira que quiser o seu. Serve para o imediatismo dessa vida moderna corrida. Você escolhe sobre o que quer ler e quando quer ler. Se gosta de culinária, pode ler sobre o tema o dia inteiro. Se detesta futebol, pode ficar sem saber as notícias desta área. É a interação seletiva entre usuários e conteúdos digitais.

Para continuarmos, temos que referenciar um vídeo muito bom que foi veiculado no portal Globo.com

Vídeo

Pois é….é tão rapido que o vídeo JA SAIU DO AR…em menos de 24h. Ficou uns bons dias online, mas não circulou muito. Assim que acharmos de novo, no youtube, postamos aqui…

Daudt fala de uma diferenciação entre pessoa e artista. E este seria um dos riscos que estes correm, ao se colocarem a prova no Twitter. @Cardoso colocou em seu blog uma dessas preocupações, relativas a essa falta de barreiras. Quem acompanha e usa tem visto uma briga virtual de unhas e dentes, envolvendo celebridades, colunistas, apresentadores, diretores. Todos do mundo das celebridades correram para o twitter, e talvez não pensaram no impacto que isso poderá ter em suas carreiras. Muitos nunca sequer tinham ouvido falar das questões do chamado “ciberespaço” que tem merecido muitos estudos de vários pesquisadores aqui no Brasil e por aí afora no mundo.

Aston Kutcher, é um dos “garanhões” mencionados por Daudt em sua entrevista. Tem mais de 2 milhões de “seguidores” e ainda conseguiu casar com Demi Moore (ex-esposa de quem? – haja imaginário para idolatrar o rapaz). Essa disputa quase falocêntrica gerou frenesi entre os brasileiros e muito mal estar. Twitterlândia (pare se referenciar a parte brasileira) virou um campo de batalha. Quem é mais engraçado, quem tem mais seguidores, quem interage mais, quem tem mais isso ou aquilo. A competição tomou conta e o “Coliseu Virtual” foi instaurado. As novas entradas (celebridades) são jogadas aos leões (usuários). Alguns são atacados, mordidos, outros se defendem e contra-atacam. Um circo digno de um reality show (desses onde os participantes esquecem de tomar seus remédios ou tomam remédios controlados)

E o motivo disso acontecer? É que tudo está muito mais rápido, como um tornado. Ao mesmo tempo com interação não vista antes. Isto expõe o artista ou pessoas a mostrarem o que realmente são. E isso poderá agradar ou NÃO ao telespectador ou ao seu público alvo. Podem estar ajudando ou atrapalhando as próprias carreiras. Tudo isso nesse novo tempo que o mundo virtual trouxe, esse que se constitui como um tempo imediato, instantâneo. Somar isso ao fato do Brasil ser um país de acessos a Internet com índices impressionantes nos fará ver que estamos diante de um fenômeno merecedor de muita atenção, que querendo ou não, invade o chamado mundo off-line(atual).

Muito se tem falado da chamada de new mídia e talvez o Twitter venha exatamente sublinhar ainda mais esse fenômeno que cresce. Procurar o famoso “lugar ao sol” sempre foi o objetivo de muitos que pensam ter algum talento a ofertar ao mundo, alguns cobertos de razão, aparecem ou não, vai um pouco aí da capacidade de se mostrar e também de uma boa pitada de sorte, ou de algo que poderíamos chamar de estrela da sorte. O que há de diferente trazido por essa nova mídia? Talvez resida exatamente em dois principais aspectos(e muitos outros, é claro):

*a rapidez que alguém ou algo pode se tornar famoso;

*a rapidez que algo ou alguém pode cair da fama.

Até algumas semanas, o Twitter era uma diversão pura e eram coisas simples e cotidianas. Muitos a conheciam pouco e passaram a saber mais do seu trabalho alí, e ganhou seguidores fiéis. Alguns colunistas de jornais passaram a interagir mais com seu público, mesmo os mais criticados, quebrando barreiras e preconceitos. Alguns ex-reality show mostram que são mais do que uma simples imagem, e alguns artistas se mostraram tão próximos de seu público que talvez renasçam das cinzas, no estilo “phoenix”. Este é um dos pontos positivos que o Twitter traz para este “celebrity world”. Esse tão perto e tão longe que o mundo net/virtual vem nos ensinando e que nos provoca ainda “maravilhamento” e estranheza, em uma mistura que ainda não conseguimos processar muito bem.

Por outro lado, muitos artistas têm se mostrado chatos, repetitivos, cansativos e os comentários começam a surgir. Tem artista que só entra pra divulgar show, e acha que usuários não perceberam que estão sendo feitos de bobos. Tem gente que não escreve blog e tenta enganar que está twittando. Tem gente fazendo baderna, como se aquilo fosse o playground de uma escola de ensino médio. Quando o usuário se permite seguir e ler sobre algúem (sim, é ele quem se permite, o artista aqui está na forma passiva, mas narcísica), ele não está interessado em ler mensagens de SPAM ou escritas por outra pessoa. Ele quer interação com aquele que segue. Muitos ainda menosprezam a capacidade do chamado mundo net/virtual por sua capacidade de máscaras(fake), mas o que temos visto é que essa diferenciação cai, mesmo quando por detrás de personagens montados, a exposição permanente mais revela que oculta.

E não é somente para celebridades que existe o Twitter. Muitos CEOs de empresas internacionais já utilizam e se comunicam sim com usuários. A moda está pegando aqui no Brasil e começou pelas emissoras de TV. Diretores, redatores, produtores…todos online buscando informações e interesse em tempo real(atual). Enquanto o Ibope diz quantos assistem, o Twitter lhes diz “o que querem assistir”. Não foi à toa que Celso Portiolli ganhou o Domingo Legal. É claro que não foi por causa do Twitter, mas sim, pela sua história e trabalho na televisão. Entretanto, quando foi preciso – em tempo muito rápido, quem detinha o poder de decisão (Danibay) ficou sabendo do desejo do público em tê-lo como apresentador. Ela deveria já tê-lo como “escolhido”, mas a pre-decisão foi reforçada pelos seus seguidores.

Cada um mostra aquilo que é e que tem de melhor – nesse momento, e caberá ao público realmente perceber se vale a pena continuar assistindo ou dando importância para uma ou outra celebridade. Assim como a dança das cadeiras na tv que tivemos recentemente, teremos dança das cadeiras das celebridades, onde algumas ganharão maior importância e outras cairão, pois quebou-se parte da fantasia do ídolo.
Daudt deixou claro que esse imáginário popular sobre a celebridade pode passear entre “amor e ódio”, no melhor sentido Kleiniano possível, e essa fantasia que se tem sobre um ídolo pode ser quebrada por uma simples exposição desmedida. Talvez o Twitter nos mostre quem realmente as pessoas são, e sejam admiradas pelo seu talento, pelas suas habilidades, e não pelas embalagens e roupagens que ganham pela mídia.

Outra pergunta que não se cala diz respeito ao que se refere àquilo que chamaremos de verdadeiros talentos, esses que se evidenciam acima de uma multidão em busca da fama, isso poderá acontecer em qualquer setor das manifestações da arte. Ainda sobra espaço para o aparecimento e manutenção do talento em nossos dias? Terá a arte também sucumbido a desafetação(retirada da emoção que se liga a um evento) e ao fast-food que permeia todos os vínculos na atualidade? Trataremos as manifestações do coletivo que conhecemos como arte como algo também descartável? Temos a esperança que não, e ainda acreditamos que esses talentos ainda continuarão a aparecer e a se manter pela beleza que trazem junto a sua arte. Talvez, e vamos deixar isso aqui realmente como uma grande indagação, mas talvez possamos pensar que com o crescimento das mídias o espaço para o efêmero tenha se alargado de forma gigantesca e que isso alimente essa nossa sensação de rapidez da fama, frágil fama quando não assentada em um genuíno dom.

Pensamos que talvez a grande questão que nos assombra seja a de transformarmos esses talentos em caricaturas desse descartável, seguindo a tendência dominante. Negar o talento incomensurável de Amy Winehouse , por exemplo, nos parece impossível. Mas sublinhamos através da mídia, não esse talento, mas sim sua tumultuada vida, que sabemos que já foi precedida por outros inúmeros exemplos parecidos, como o próprio Michael Jackson, Elvis Presley, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Ray Charles e tantos outros. Mas talvez, a mídia de suas épocas, tivesse um poder menor, uma capacidade bem mais reduzida de explorar suas idiossincrasias.

O Twitteiro talvez ainda não tenha se dado conta do poder que tem nas mãos, podemos pensar nas “fofoqueiras de plantão” , aquelas apelidadas de cotovelos roxos, das pacatas cidades do interior, que eram capazes de arruinar vidas ou elevá-las com apenas uma frase, repetida essa no telefone sem fio que se constituí a comunicação humana. Imagine essas “boas” velhotas com o poder do Twitter! Isso nos colocará frente a outra importante questão: alguns pesquisadores acreditam que nessa era da conectividade jogar informações sobre nós mesmos seria uma forma de assumir o controle sobre elas, mas será que isso é algo de fato? A informação através da comunicação característica da “rede” será capturada como? Pensamos que tentar responder a essa questão poderá ser algo que faça a diferença.
O Twitter está aí nos trazendo mais algumas ricas indagações na atualidade, pensar e pesquisar sobre sua inserção em nossos vínculos atuais se torna algo bastante complexo e mais do que necessário. Nessa movimentação que caracteriza o homem contemporâneo em sua necessidade de quebra quanto ao anonimato, em busca constante de uma vitrine que dure um tanto mais que os meros 15 minutos de fama vaticinados por Andy Warhol.

Fato é que muitos de nós já entendemos que a Internet veio para ficar e que se constitui também em ambiente de trabalho, de divulgação das mais variadas, aquilo que começou arma militar e passou para entretenimento e lazer, começa a ganhar contornos de uma mídia poderosa, quem está por esse ciberespaço há algum tempo já se deu conta disso. Como utilizaremos isso é algo que ainda vem se construindo e que nos remeterá para a sempre constante questão que se apresenta frente a atividade humana, a construção de uma ética que não transforme tão poderosa ferramenta em um algo nefasto ou destrutivo, velha questão que atravessa a humanidade desde que o homem tocou outro ser semelhante a ele, e desde que pelo interdito constituiu-se como ser da cultura.

Só nos resta torcer para que não vire uma terra sem lei, dominada pela pulsão perversa, como aconteceu com o Orkut, já relatado há alguns anos.

July 14, 2009 Posted by | Cinema-TV, Psicologia | 3 Comments

Dúvidas e Dívidas – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Eduardo J. S. Honorato (CRP 01/14074) – Psicólogo e Psicanalista e atua em consultório particular em Manaus.

Denise Deschamps (CRP 05/09021) – Psicóloga e Psicanalista e atua em consultório particular no Rio de Janeiro.

Ambos coordenam o site www.cinematerapia.psc.br.

modelo_eticaEm artigo recente na Revista Psiquê, descrevemos algumas situações da prática profissional, baseados no Código de Ética profissional. Recebemos muitos comentários favoráveis. Temos observado ao longo dos últimos 4 anos, estudantes e profissionais no meio virtual, compartilhando seus interesses, suas dúvidas, seus anseios profissionais e também duas dúvidas e dívidas.

Dúvidas porque muitos são recém formados ou ainda em formação e o meio virtual é sim uma ferramenta universitária, que auxilia na construção do conhecimento, seja através de acesso a material teórico, seja para a interação social necessária necesse proceso. E quem disser que virtual e real são tão distintos assim, precisará de uma melhor vivência para opinar sobre tal fenômeno.

duvidaDívidas porque podemos perceber, com a frequência dos temas e das perguntas, que muitos profissionais já deixaram os centros de graduação, mas tem interesse e necessidade de aprimorar alguns conhecimentos. Algumas perguntas são de origem “falha” na formação, outra de interesse dos ex-alunos mesmo.
Muitas delas estão compiladas neste texto, em uma forma mais prática e andragógica de relatar esse fenomeno.

Para Estudantes e Futuros Estudantes.

Qual a universidade quem tem o melhor curso de Psicologia no Brasil?

A SUA! Existem dezenas de maneiras de comparar as universidades e determinar qual seria a melhor. Têm a que tem o maior número de laboratórios, a que possui os professores com maior titulação, tem a que tem melhores avaliações do MEC, tem também a X, Y, Z. O que isto quer dizer? Que a melhor universidade/faculdade é aquela na qual você dedica seus estudos e se esforça para obter mais conhecimento. Independente de onde você for estudar, o importante é saber que quem faz o curso é você, e não os laboratórios, professores ou biblioteca. Consulte as notas do MEC, providas através de avaliações. Certifique-se também de que a universidade tem autorização para funcionamento do curso.

Como está o mercado de trabalho?
Existem inúmeros tópicos nas comunidades virtuais sobre o mesmo assunto. Assim como em outras profissões, o mercado de trabalho pode ou não estar saturado, e isso vai depender de “n” fatores. Localização geográfica, área de atuação, especialidade, etc. Com certeza, psicologia clinica, em consultório, está saturado em algumas grandes capitais, mas pode não estar no interior de Santa Catarina, por exemplo. O mesmo acontece com a docência, psicologia escolar e outras áreas. Tudo depende da analise do mercado em questão. Portanto, não há resposta única para esta pergunta.

Como posso aproveitar ao máximo minha faculdade?
Participe de grupos de estudos dos mais variados temas. É sempre bom aprender e ensinar ao mesmo tempo. Se você saca muito de uma matéria..monte um grupo. Se saca pouco…monte um grupo também. É importante ter contato com outros estudantes, dos mais variados períodos. Se você for mais adiantado, é bom saber o que mudou na formação ou nas disciplinas iniciais, desde que você as cursou. Se você é iniciante, é bom ter contato com alunos mais avançados, para pedir orientações e dicas

Congressos e cursos? Mesmo sendo iniciante, vale a pena investir neles?Participe ao máximo de congressos, conferencias, debates, seminários, palestras e simp[osios. Sempre atento ao conteúdoprogramático, onde realizado e quem apresenta. Cuidado com as famosas caça-níqueis, que nada acrescentam. Se você sair de uma palestra sem entender nada: ótimo! É dessas que você precisa. Ela deixará duvidas, que levarão a perguntas mais complexas, e o interesse leva ao conhecimento. Se sair de uma palestra sem “isso”, foi dinheiro jogado fora. Eviste temas “estranhos” e sempre verifique:
A – Palestrante [tem registro profissional?]. Pesquisa o CV Lattes no site do CNPQ
B – Que instituição está patrocinando o evento? Ela tem registro no CRP?
C – Pergunte aos professores e alunos mais adiantados se aquele tema tem ligação com a psicologia.
D – Opte por assuntos que lhe trarão maior conhecimento e aplicabilidade prática

Quais os livros que devo comprar?
Invista em livros. Se tiver restrições de grana [como 99% da população], opte por aqueles que poderá usar mais futuramente. Livros “generalistas”, te ajudam apenas por um período determinado. Depois, com o tempo, eles acabam tomando poeira na prateleira e só servem para consultas breves. Se tiver duvida sobre um determinado livro, não compre. Procure informações antes de ir a livraria. Cuidado com livros de “auto-ajuda”. Aliás….muito cuidado quando for a livrarias. Quem faz a distribuição dos livros é sempre um funcionário da empresa, que não tem obrigação de saber sobre tudo, logo, é comum você encontrar muitos livros de auto-ajuda nas prateleiras de Psicologia.

Revistas? São úteis?
Sim. Leia revistas especializadas e sites de pesquisas. São ótimas fontes de conhecimento. Existem dois tipos de revistas: as cientificas e as comerciais.

As cientificas são aquelas que publicam as pesquisas mais recentes, com todas as questões metodológicas existentes. São assuntos atuais com achados importantes. A leitura pode ser um pouco difícil no inicio, especialmente na parte sobre metodologia, mas é importante você se familiarizar com estes termos e em como a ciência Psicologia tem produzido conhecimento. Alguns sites disponibilizam diversos artigos, como é o caso do SCIELO.br. Use e abuse deste serviço gratuito.

Revistas comerciais são aquelas que tem como tema a Psicologia, porem, não estão, obrigatoriamente, divulgando “pesquisas” realizadas. São artigos sobre comportamento humano, em uma forma mais acessível de leitura. São ótimas fontes de informações e trazem questões bem atuais. Sua vantagem está na linguagem utilizada e por serem “comerciais”, tem apelo visual, com diagramação e temas mais variados.

Recomendamos sempre a Revista Psique – Ciência e Vida. Alem de sermos colunistas dela, conheçemos a equipe editorial e confiamos nas informações por eles divulgadas.

Como posso aprender mais na faculdade?
Algumas universidades oferecem o sistema de monitoria. Se candidate! Você pode aprender muito com as dúvidas dos alunos e exercer a atividade de docência. É uma experiência gratificante. Porem, não se esqueça de um detalhe: para se candidatar a monitor você deve dominar o assunto daquela disciplina. Opte por se candidatar as disciplinas que você tem maior interesse. Caso a universidade não ofereça este serviço, converse com o professor e SE OFEREÇA.

Vi informações sobre aluno pesquisador. É legal?
Sim!. Se candidate a aluno pesquisador, mesmo que seja apenas voluntário. A pesquisa é a base de toda ciência e por mais que você não queria seguir carreira acadêmica, a pesquisa te dá uma visão muito mais critica e detalhista, e você pode aproveitar em diversas áreas da sua vida.

Terei que ler muito?
Sim! Nunca se contente com o que é ensinado na sala de aula. Apenas algumas horinhas são insuficientes para se aprender o conteúdo.
Leia muito! E procure achar uma metodologia de estudos que se adeque ao seu estilo. Cada pessoa aprende de uma maneira e em um ritmo e seus professores não irão se adequar ao seu. É você quem precisa se adequar. Invista tempo em seus estudos, por mais simples que pareça a disciplina. Estes conteúdos podem te ser muito útil no futuro, por mais que você os ache inúteis neste primeiro momento.
(isto serve também para aqueles que reclamam das disciplinas básicas, como Filosofia, Antropologia, Sociologia, Epistemologia, etc). Quando você chegar lá na frente e estiver estudando Psicologia Social, Psicologia Comunitária, Psicologia do Idoso, etc, você vai perceber que aquelas disciplinas são fundamentais para o entendimento das outras.

Internet ajuda?
As vezes sim. Desconfie de coisas que você lê na Internet. Com o tempo você terá maiores condições de avaliar os referenciais. Tem muita coisa boa na net, mas é importante tomar cuidad com a fonte. Leia somente sites confiáveis. Procure ler sites oficiais de revistas, pesquisas, trabalhos, etc.
Pergunte a internautas mais experientes o que eles acham sobre certo site, autor ou referencia. Trocar informações online é sempre vantajoso.

O que mais posso fazer para aproveitar ao maximo meu tempo na Universidade?
Seja chato. Sim, sabe aquele aluno pentelho? Pois é, seja um desses e pergunte tudo. Não tenha medo de perguntar. Professores bons gostam de alunos que questionam e instigam o pensamento. Professores fracos e despreparados odeiam, pois não tem embasamento para te responder. Entretanto, é bom salientar que quem pergunta tem que estar preparado para a resposta. O professor está ali para te auxiliar, e não, pensar por você. Se for questionar, tenha embasamento para isso, e não parta do principio de que o “achismo” ou “senso comum” são valores universais. Pergunte sim, mas sempre com a mente aberta para receber a resposta, mesmo que ela não seja agradável a você. Outro detalhe: respeito nunca é demais! Professores merecem respeito!

Preciso fazer psicoterapia? Vai me ajudar no curso?
Acreditamos que para os alunos de psicologia, a partir de um determinado período, deveria ser obrigatório passar por um processo de psicoterapia. Seja para auto-conhecimento, seja para qualquer outra utilidade. Acreditamos (opinião) que isso supriria um buraco imenso que temos na nossa formação. Um medico passa anos estagiando e vendo outros médicos atuarem. Um engenheiro freqüenta obras e participa de cálculos de estruturas. Um dentista, idem. E o psicólogo? A não ser que ele atue como co-terapeuta em um grupo, ele não vê um professor ou outro profissional atuando na prática clínica direta.

Nosso sistema de estagio, dada a especificidade da formação, é de estágios indiretos. Nós atuamos e somos orientados. Estagiamos somente na primeira pessoa, raramente na terceira pessoa (salvo os casos de estágios de observação). Isto é particularidade da clinica. Isto é importante para desenvolver a escuta clínica, que é muito importante em qualquer campo de atuação profissional. Sim, a mesma escuta que fazemos no setting é a que fazemos numa escola, em uma empresa, no judiciário ou em qualquer área. O instrumento maior do Psicologo é sua escuta e capacidade de análise do fenômeno em questão.

Não gosto de Freud. Terei que estudar sobre ele?
Sim. A Psicologia não é somente Freud. Existem varias escolas dentro da Psicologia, com os mais variados autores e técnicas. Você irá estudar varias abordagens durante o curso e escolherá a que mais lhe agrada. Freud é o pai da Psicanálise, que influenciou e deu origem a Psicologia de Orientação Analítica, que é a escola que utiliza as teorias freudianas. Veja que é apenas uma das escolas, e existem dezenas disponíveis.
Ainda tenho duvidas, o que eu faço? Todos temos. Mesmo os mais experientes e formados há muito tempo.

O dia que não tivermos mais duvidas é sinal de que paramos de aprender e isto é estagnação mental.Aproveite a comunidade para tirar suas duvidas. Converse com alunos da universidade e troque informações nas comunidades virtuais, que são ferramentas ótimas para se trocar conhecimento. Não se esqueça, entretanto, que quem pergunta ou informa, tem que estar disposto a ouvir/ler opiniões contrárias e deve estar aberto a isso.

Para Profissionais
Recebeu seu diploma! Parabéns! Você só é legalmente Psicólogo, depois que colar o grau e receber o diploma. Cuidado. Não assine contrato de trabalho ou abra consultório sem antes receber seu diploma. Isso seria exercício ilegal da profissão. Recebido o documento, você é Bacharel em Psicologia!

Preciso tirar a carteira do CRP?
Se você pretende trabalhar como Psicólogo, a resposta é SIM. Por lei, todo profissional de psicologia, atuando como tal, precisa ter o registro no Conselho. Se você for atuar como Psicólogo, seja em hospital, clinica, RH, etc, você precisará pagar a anuidade do conselho e tirar seu registro.

E se eu for trabalhar em outra área?
Não. Não precisa tirar. Entretanto, se nesta atividade você se utilizar de qualquer instrumento da psicologia (anamnese, testes, etc), você necessariamente precisa SIM ter registro no CRP.

O ideal é que o profissional se cadastre logo no conselho e receba sua carteira e numeração. Este processo pode levar alguns dias, pois depende de assembléias. Não se preocupe, pois a anuidade é paga proporcionalmente. Logo, se você se registrar em Dezembro, pagará somente a proporção referente a um mês de anuidade. Se cadastrar em Agosto, pagará proporcional também. Logo, sempre aconselhamos a registrarem o mais rápido possível, pois oportunidades nunca têm hora para aparecer.

Pra que serve o Conselho?
Eles estão ali para te auxiliar nas mais diversas duvidas referentes a profissão. Este é o nosso espaço. Não se esqueça, que somos, antes de tudo, “consumidores” do conselho, pois nós é que pagamos pelas contas ali. Mantenha sempre contato com o Conselho, pois oportunidades aparecem, desde emprego, a congressos e cursos. Mantenha seu cadastro atualizado e visite o site regional e federal com freqüência. Não tenha medo dos conselheiros. Eles têm cara de “bravos”, mas são uns amores! [risos!].

Tenha em mente que o Conselho não tem função e obrigações bem definidas. Antes de reclamar sobre uma ou outra situação, verifique se faz parte das atribuições do sistema conselhos. Muitos criticam e reclamam do sistema conselho no virtual, mas desconhecem totalmente as funções destes.

Posso abrir uma clínica ou consultório?
Claro. Você pode sim. Porém, é preciso ter em mente que abrir uma clínica não é coisa fácil. Clínica/consult[orio, antes de tudo, é uma empresa. Logo, você precisará de apoio de um contador e um advogado, para fazer toda a papelada jurídica. Peça auxilio ao conselho também, pois você precisará registrar o consultório e eles podem te orientar em todos os detalhes. Seu contador também poderá te auxiliar sobre abrir uma empresa ou optar por registro de profissional liberal. Não se esqueça que, como todo brasileiro, Psicólogo também paga impostos.

Tenha em mente de que você precisará alugar um espaço, provavelmente fazer algumas reformas, decorar, comprar moveis, instalações [telefone, computador, etc]. Tudo isso demanda tempo e dinheiro. Logo, se está com o orçamento apertado, repense. Um consultório mal decorado, sem aparatos mínimos, terá grande possibilidades de insucesso. Não precisa ter consultório luxuoso, a questão não é essa. Porem, um consultório têm quesitos minímos para seu funcionamento e não é um butequim que possa ser aberto em cada esquina. Os conselheiros, e amigos mais experientes, são as melhores pessoas a se consultar sobre o que se precisa nesses momentos.

E Depois?
Não sonhe que você ficará “rico” ou terá dinheiro sobrando nos primeiros meses. Assim como qualquer outro negócio, existe o que se chama de “tempo de retorno do investimento”. Abrir um negócio é um investimento, pois você gastou dinheiro para abrir. Em geral, os primeiros dois anos costumam ser os mais difíceis e você precisa estar preparado para períodos “ruins”, ou seja, com poucos pacientes. O mercado sofre oscilações, assim como qualquer outro, e você tem que ter um back up financeiro para se segurar por um período. Assim como qualquer negócio, você só será lembrado se for visto. Marketing existe em qualquer área e a saúde mental não seria diferente. Use seu marketing, porem, atente-se ao nosso codigo de etica.

Esqueça os seus planos de colocar outdoors pela cidade, Busdoor ou colocar anúncio no canal UHF local! Nossa forma de marketing mais confiável é o pessoal. Invista em relacionamentos com profissionais de saúde. Compareça a congressos e eventos psi. Distribua seu cartão profissional. Se candidate a atendimentos sociais em ONGs.

Ligue para clínicas e profissionais psi e faça pesquisa de mercado. Veja quanto eles cobram e onde atendem. Verifique os nomes dos planos de saúde que eles recebem.

Entre em contato com todos os planos e veja as condições para cadastro de novos profissionais. Avalie se as condições deles são boas. Decida quais os que você irá fazer cadastro. Não se esqueça que essa é uma relação comercial, e você está lidando com pessoas que comercializam a saúde. Barganhe a seu favor. Lembre-se que o que você esta barganhando será descontado do comerciante e não do seu paciente. Não “humanize” esta relação. Com o tempo sua agenda irá ter maior volume e você pode deixar que seu trabalho fale por si só. As indicações das indicações das indicações vão aparecer. Mantenha toda a papelada fiscal em dia e use os serviços de um contador: ele é melhor preparado para lidar com isso, e não você. Esta é a formação deles.

Faço ou não uma pós?
Sim….claro! Quem pára no tempo fica encalhado intelectualmente. Mantenha-se sempre informado. Vá a congressos e palestras. Veja os eventos na sua cidade. O CRP sempre mantem lista de emails e divulgam estes eventos.

Procure uma área de maior interesse e curse uma pos-graduação. Na clínica é quese básico e necessário. Por maior que tenha sido o seu tempo de estágio, a clínica exige um aprofundamento teórico muito mais intenso. Portanto, para o seu próprio bem, e de seus pacientes, faça uma pos-graduação.

E se eu for pra RH?
Continue estudando. Aprenda novos testes e aprofunde mais sobre os que mais gostou. Por mais que você tenha estudado 6 meses de um único teste, existem muitos mais para aprender e aperfeiçoar. Se essa é a área que pretende seguir, tem que estar muito atualizado, pois novos instrumentos são autorizados pelo CFP a cada momento e você pode sempre precisar deles.

Visite o site do SATEPSI (sistema do POL – CFP – que avalia e autoriza os testes). Mantenha grande interesse na legislação trabalhista e nas do nosso conselho. A toda hora temos algumas resoluções importantes e que podem alterar a sua maneira de trabalho. [desde posturas em entrevistas até regras para criação de anúncios trabalhistas com proibições especificas.]

E se eu tiver que usar copias de testes ou testes não autorizados?
Ligue para um conselheiro e detalhe a situação. Eles são os mais indicados a te orientarem em situações desse tipo. Homologue a procura pelo conselho e guarde esta documentação Usar cópia de testes ou testes não autorizados é falta ética.

imagem comunidade psicologia

Orientações Específicas para Atuação Clínica

As incessantes demandas contemporâneas , a vida atribulada nos grandes centros, a falência das instituições e outros fatores trazem uma crescente demanda pela psicoterapia através dos transtornos psíquicos cada dia mais presentes na realidade de todos nós.

O que é ser psicologo clínico? Ser psicólogo clínico é uma formação que se detalhará pelo desenvolvimento de uma técnica. A questão que traz atrelada e deixa mais complexo o caminho da formação desse profissional, será o fato de que necessariamente o desenvolvimento dessa capacidade técnica, passará também por um questionamento pessoal e um investimento em crescimento, isto posto para a maioria das correntes que lidam com psicoterapia, com raras exceções. Há também por volta do 4º e 5º ano obrigatoriamente, o início dos atendimentos e consequentemente entrará também a participação em uma supervisão, a essa altura quase sempre feita em grupo, o que mobiliza ainda mais esse psicoterapeuta em formação.

O trabalho é assistencialista?
O primeiro aspecto com que se vê confrontado aquele que busca essa formação será com tudo aquilo que envolve as lendas criadas em torno desse ser psicólogo, como primeira, a questão da “ajuda”, cujo teor assistencialista será logo questionado. É comum ouvirmos de um aluno em início do curso, de que procurou a psicologia porque gosta de “ajudar”, e bem cedo entenderá que se sua vocação for essa, o curso de psicologia não é o caminho mais curto para esse fim. Assim como outras funções da área da saúde, a psicologia não tem como fim a ajuda, mas sim visa um trabalho de modificação de patologias e isso muitas vezes ou quase sempre não se constituirá como aquilo que popularmente se entenderá como ajuda. Essa é uma questão importante na medida em que na clínica nem sempre a atuação necessária será entendida como essa ajuda procurada e caso se prenda a esse aspecto poderá, pelo contrário, impossibilitar aquilo que entenderemos como intervenção psicoterapêutica. Essa intervenção guarda aspectos que passam pelo real que a diferenciam do ato da ajuda humanitária:

• é um serviço necessariamente cobrado(remunerado)

• tem tempo estabelecido em sua intervenção que deve ser obedecido, o tempo da sessão

• não visa atender a expectativa de aceitação dos mecanismos operados pelo paciente

• pode em casos extremos ter que interferir com medidas de cunho terapêutico que não estarão necessariamente de acordo com o solicitado no manifesto do paciente

• estabelece uma relação obrigatoriamente assimétrica entre psicólogo e paciente

• não visa resgatar aspectos adaptados para o paciente, embora em alguns casos isso até termine por se constituir em ganhos advindos da psicoterapia e uma mais saudável relação do sujeito com o mundo afetivo a sua volta

• não necessariamente estará de acordo com o senso comum sobre as inúmeras possibilidades do fazer humano.

E as escolas, como escolher?
O interesse pela clínica, embora pareça estar decaindo um pouco, ainda é forte dentro da busca em psicologia, uma vez feita essa escolha geralmente esse estudante procurará informações mais detalhadas em busca do caminho para eleger uma linha de abordagem como aquela com a qual se identifica. Ao longo de décadas essa escolha tem se distribuído com forte predominância entre a psicanálise freudiana e pós-freudiana e o behaviorismo ou hoje ainda em direção à Análise do comportamento ou ainda as terapias cognitivo-comportamentais.

O aluno passa por todo esse percurso até começar seu estágio supervisionado, que poderá acontecer na clínica social de sua própria faculdade ou ainda em outros lugares que ofereçam estágios credenciados. E assim começa sua vida de psicólogo clínico, ainda dentro da sua graduação. Fase essa importantíssima para todo desenvolvimento ulterior desse clínico, por essa razão mesmo, os supervisores que trabalham com estudantes procurarão detalhar cada atendimento, perceber falhas na aprendizagem teórica, assim como impedimentos pessoais. O primeiro paciente chega entre um misto de espanto, medo e júbilo, tudo misturado. Psicoterapeutas promissores já poderão ser localizados aí nessa fase, onde apesar de toda essa mistura de sentimentos, ao iniciar o atendimento, a técnica se apresenta a frente de qualquer outra premissa, faz-se o silêncio em suas emoções e sua escuta se volta totalmente para aquele que busca a consulta, aquele que importa no setting, o paciente. Muitas vezes mais, ao longo de sua trajetória, passará por isso, quando sua vida pessoal atravessa fases difíceis ou mesmo alegres por demais, ou quando o paciente mobilizar conteúdos seus na contra-transferência ou ainda os não trabalhados, vistos como pontos-cegos(psicanálise).

Estas são apenas algumas das dúvidas e dívidas mais comuns apresentadas no âmbito virtual. E o que pode ter de vantajaso a se pensar, é que a psicologia é uma atividade ainda em expansão, cada ano se abrem novos campos e perspectivas de trabalho e aqui no Brasil ela vem crescendo em termos de aceitação de sua prática pela população, começa a ganhar uma maior visibilidade social. Assim, teremos muitas e muitas novas áreas, com muitas novas situações e dúvidas e esta troca virtual toma uma dimensão antes inexistente na formação e atuação desses profissionais.

Qualquer dúvida ou sugestão, estamos “sempre” online.

[s]

Eduardo e Denise

July 6, 2009 Posted by | Psicologia | 2 Comments

   

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