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O Carrasco do Amor – Por André Luiz Tomé

Psicólogo – CRP 04/30032
psic.andre@hotmail.com

o-carrasco-do-amorSabemos que a solidão é inerente ao ser humano, porém ela se apresenta de uma forma bastante temida, as pessoas tentam anula-la de toda maneira e muitas vezes usando o outro como um escudo para se proteger, dessa forma quebrando a possibilidade de um relacionamento saudável, uma tentativa de fugir da solidão é a fusão, o abrandamento das próprias fronteiras, a dissolução do eu em um outro. Essa fusão elimina a angustia provocada pela autoconsciência de solidão eliminando-a, através da paixão a pessoa ingressa nesse estado fusional, e perde sua capacidade de auto-reflexão, pois o eu solitário questionador se dissolve em nós, dessa forma a pessoa se livra da angustia da solidão porém perde a si mesma.

É necessário atentarmos para os cuidados que devemos tomar frente a essa relação fusional denominada amor, o poderoso apego exclusivo a uma pessoa, como um amor encapsulado que se alimenta por si só, não dando e nem se importando com os outros, esse esta destinado a se desmoronar sobre si próprio, o amor não é um acontecimento que envolve apenas duas pessoas, o amor é um modo de ser, um “dar a”, não um enamorar-se, e sim um modo de se relacionar como um todo, não como um ato solitário e limitado a uma só pessoa. Devemos considerar ainda que um relacionamento saudável consiste em duas vidas que caminham paralelamente e não duas pessoas que vivem uma só vida na tentativa de unificarem suas existências pelo simples fato de estarem identificadas.

Se conseguirmos entender melhor os conceitos dos sentimentos que nos constituem e nos transformam, teremos uma maior capacidade para desautorizar sua complexidade (obviamente isso não quer dizer que teremos controle sobre eles). Imaginem que somos cada um uma tela em branco e refletimos todo o sentimento que o outro nos projeta e desta mesma forma projetamos no outro todo a nossa necessidade de amor, de segurança e de apego. Desta forma está posta a reciprocidade, e ratificada a estrutura da relação de troca onde as pessoas amam para serem amadas, colocando esse sentimento como sendo dialético, que exclui qualquer possibilidade de ser, não existindo esses conteúdos de entrega, simetria e troca. Querer ser amado é querer colocar-se para além de todo o sistema de valores do outro, o amante sempre exige que o amado lhe sacrifique, em seus atos, a moral tradicional e preocupa-se em saber se o amado trairia seus amigos por ele, se roubaria por ele, se mataria por ele, etc.

Não poderia deixar de citar nesse texto também a relação que foi constituída entre ciúmes e amor. É comum ouvirmos que quem ama cuida e a condição de cuidar as vezes resulta em vigiar, ter sobre os olhares os passos e a rotina do outro, e a esse conjunto de ações acrescido de sentimentos de posse damos o nome de ciúmes. Novamente então, podemos recorrer ao conceito de que o amor liberta e não escraviza, a insegurança nos impulsiona a esse segundo sentimento, vale ressaltar que não estou dizendo apenas sobre a segurança no relacionamento e sim na auto-afirmação, na segurança interna, no equilíbrio sobre seus atos. Posso então definir que: Ciúme é um sentimento de aniquilamento do próprio eu diante de um rival bem sucedido, pois é o resultado do desequilíbrio emocional e da insegurança externa. E quando a relação chega nesse ponto já não existe mais base, estrutura, e está fadada ao fracasso, mas é claro que ambas as partes não conseguem admitir tal falência.

Obviamente não existem conselhos e explicações para uma relação saudável, porém diante de certas reflexões podemos aumentar nossa percepção no sentido de viver autenticamente nossas decisões amorosas, lembrando que o amor deve sempre permanecer como um efeito colateral ou produto secundário, do contrario será anulado e comprometido na medida que se fizer como um objetivo em si e buscado compulsivamente.

Bibliografia

CAMON, V.A. (Org.). Vanguarda em Psicoterapia – Fenomenológico Existencial, São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

YALON, I. D. O Carrasco do Amor – Rio de Janeiro: Ediouro, 2007

ROGERS, C.R. Sobre o Poderr Pessoal- São Paulo: Martins Fontes, 1978.

ROGERS, C. R. Psicoterapia e Consulta Psicológica – São Paulo: Martins Fontes, 1987.

April 15, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 2 Comments

Caso Clínico

freudclaPassamos algum tempo sem atualizar aqui o Blog por causa de um novo projeto www.cinematerapia.psc.br

Ainda estamos bastante empenhados por “lá”, mas vamos manter atualizado aqui.

Resolvemos então resgatar um material antigo, que usamos na comunidade Psicologia do Orkut.

São casos clínicos FICTICIOS, ou seja, totalmente FALSOS e criados por nós, sem qualquer semelhança com atendimentos ou situações reais. São normalmente criados a partir dos critérios de diagnostico do DSM-IV ou alterados do DSM-IV Casos clínicos.

O objetivo é apenas praticar psicopatologia e trocar informações.
Se tiver uma Hipótese Diagnóstica, coloque nos comentários e justifique.

QUEIXA PRINCIPAL: “Meu filho anda muito estranho e briga com todo mundo” (sic)

1) ENTREVISTA (Breve Relato)
Sra F trouxe seu filho J, de 15 anos, ao serviço de psicologia aplicada, solicitando acompanhamento psicoterápico. J. mostrava-se bastane irritado na sala de espera e não muito receptivo a conversas. Conversei primeiro com sua mãe, que trouxe a queixa principal. Relata que desde os 10 anos de idade J. vêm apresentado comportamento “estranho” (sic). Relata que sempre foi uma criança sozinha, não gostando muito de se relacionar com os irmãos [mais detalhes serão colhidos na anamnese].
F. relatou que J nunca gostou de ser contrariado e apresentava comportamento agressivo desde cedo. Sempre foi chamado de “brigão, birrento ou malvado”(sic) pelos irmãos e vizinhos, pois estava sempre metido em algumas confusões. Ao 10 anos de idade Sr F. percebeu que algo “estranho” (sic) acontecia com seu filho). Tudo começou quando o gato de estimação da família apareceu morto no quintal, com as pernas cortadas e cordas no pescoço. Ninguém assumiu a culpa, e suspeitou-se que um vizinho o tivesse feito. J. passou a mentir com freqüência, nunca dizendo onde estava e o que estava fazendo.
Começou a andar com uma “galera barra pesada”(sic) da vizinhança e seus sumiços ficaram cada vez mais constantes. Dinheiro começou a sumir da bolsa da Sr F e ninguém nunca dizia-se culpado. Começaram então a suspeitar de J, que sempre mentia dizendo não estar nem em casa na hora dos acontecimentos. De 1 ano para cá. Sra F afirma que as coisas pioraram. J chega a ficar dias fora de casa. Foi colocado de castigo, mas consegue fugir de casa e passa o final de semana na rua. Chegou a colocar fogo na porta de seu quarto, quando trancado, para que forçasse sua saída, e quando questionado o motivo, mentiu “descaradamente”(sic) dizendo que havia um curto circuito.
Sra F. disse que “desistiu”(sic) por um tempo, pois estava sempre cansada de ficar atrás do rapaz. J. começou então a roubar rádios de carros e cometer pequenos furtos nas redondezas. Sra F. disse que achou que era “somente uma fase”(sic) e fechou os olhos. Como J estava indo a escola, achou que isso logo passaria. Resolveu procurar ajuda agora, pois foi chamada na escola e informada sobre a expulsão de seu filho. J. agrediu fisicamente a professora e foi descoberto vendendo drogas nas dependências. Quando confrontado pela professora, mostrou uma faca e ameaçou machucá-la. Com o desespero da professora, riu bem alto e saiu da sala, mas antes, deu-lhe um tapa.
Sr F. diz não saber mais o que fazer e que precisa de ajuda.
J. foi então chamado a sala, para uma breve conversa. Quando perguntado sobre o motivo de estar ali, disse não saber. Mostrou-se bastante irônico, sempre dando risadas de quaisquer perguntas feitas. Expliquei o motivo da consulta e perguntei sobre o que achava sobre seu comportamento nos últimos meses. Disse que não estava fazendo nada de errado e que só estava ali temporariamente, pois estava esperando alguns meses pra poder sair de casa, e como a psicoterapia era condição para ficar na sua casa, estava vindo, mas deixava bem claro “que aquilo ali era só pra enganar a trouxa da minha mãe’ (sic).

3) EXAME MENTAL (Avaliação de aspectos Psicopatológicos detectados durante a entrevista)
3.1 – APRESENTAÇÃO: roupas inadequadas para a ocasião, levando-se em conta o nivel social do pc.
3.2 – AFETO: INADEQUADO
3.3 – PENSAMENTO: curso normal do pensamento
3.4 – SENSO- PERCEPÇÃO: sem alterações
3.5 – ORIENTAÇÃO: auto e alopsiquicamento orientado.
3.6 – ATENÇÃO: normovigil e hipertenaz
3.7 – MEMÓRIA: sem visíveis alterações
3.8 -PSICOMOTRICIDADE: alteração psicomotora visível, devido a ansiedade
3.9 – CONSCIENCIA: Lucido

4) HIPÓTESE (S) DIAGNÓSTICA(S) ?????

April 5, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 5 Comments

Filhos e o traçado do afeto – Por Denise Deschamps

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Nessa última semana, fomos levados a pensar nessa relação de afeto que se inaugura com a chegada de um filho, esses pequeninos que invadem nossas vidas, nos levando a revisitar nosso passado e ao mesmo tempo trazendo uma dimensão completamente modificada de tempo. Tempo passado que é perdoado, tempo futuro que ganha contornos de sonhos aumentados e receios em relação a nossa capacidade de atingi-lo. Um filho nos traz a imortalidade(nome de família) e ao mesmo tempo nos define para sempre como mortais que somos. Seja em que idade for que isso aconteça é um despedir-se da grata imortalidade juvenil. Nos damos conta rapidamente disso ao olharmos para aquele ser ali tão desprotegido em sua fragilidade em desenvolvimento. Estamos proibidos de morrer, a vida passa a ter um sentido duplo, aumentado, redefinido. Vamos aqui nesse texto tomar essas emoções em seus aspectos mais construtivos e progressivos, sabemos que outras dimensões mais complexas são acordadas pela inauguração desses laços de maternidade e paternidade, mas isso ficará para um outro momento, em outro olhar complementar e não excludente desse que abordaremos aqui nesse texto.

Eles chegam como diria Freud como “sua majestade o bebê”, nos impõem suas necessidades, nos ensinam a ouvi-los, nos acolhem em nossas desmedidas emoções. Como nos diz Luis Cláudio Figueiredo: “De qualquer forma, mantém-se a hipótese de que, antes de mais nada, um bebê é o suporte para as transferências de seus pais, não apenas um objeto de seus cuidados desinteressados, e de que é a partir desta condição que uma subjetividade se organiza, na forma de uma resposta à transferência”.(Sugerimos a leitura completa do texto no link A)

Hoje queremos falar desses pais, dessa transferência, desse momento que se inaugura no sujeito ao realizar sua maternidade e paternidade. Pensamos ser esse um tema que se torna cada vez mais fundamental ao falarmos de psicanálise, tempos atuais, novas constituições de família, pós-modernidade com esse discurso fatalista em relação à lei paterna que vem se construindo em torno das mudanças pelas quais passa a sociedade em relação à organização familiar.(sugerimos leitura da entrevista com Elisabeth Roudinesco contida no link B)

Com certeza esse pai se encontra bastante modificado em sua função, mas isso não é necessariamente algo de ruim. Como nos diz Elisabeth Roudinesco na entrevista citada(link B): “O medo da perda da autoridade paternal existe desde quando a família surgiu. Não penso que o pai tenha perdido toda a sua autoridade; ele perdeu apenas aqueles poderes exorbitantes, ou seja, o direito de vida e morte sobre a mulher e os filhos, tudo aquilo que não se coadunava com os direitos e liberdades assegurados pela democracia. A autoridade paternal agora é compartilhada”.

Hoje muito graças aos questionamentos dos quais a psicanálise e sua capacidade transgressora participou ativamente, essa família se reconfigura, não mais baseada no casal como uma sentença para toda a vida(muitas vezes era morte em vida), mas como o caminho para laços afetivos amorosos e onde a felicidade é uma meta possível de ser buscada. Essa família repaginada encontra na presença dos filhos sua mais convicta certeza de permanência, segundo Roudinesco. Não interessa como ela se constitua, desde que se possa vivenciar os ares de liberdade que foram alcançados a duras penas. Baniu-se a hipocrisia como único caminho possível, e hoje as diferentes ordens familiares podem requerer todos os direitos frente à sociedade atual. Isso é bonito, emocionante, gratificante e libertador. Em última análise é o amor que vence, que passa a constituir-se enquanto requisito das relações familiares.

Haveria algo mais saudável que isso?

Então chega nessa família nova, nessas relações familiares modificadas, o novo ser, que chora, que ri que pede a construção do seu lugar frente ao mundo que habitará. Olha com curiosidade os rostos ávidos em reconhecer afetos naquele bebê que benevolente e plácido recebe cargas incomensuráveis de investimentos que saltam dos gestos, sorrisos, falas e olhares dos que o recebem, essa família que o acolhe e nele investe sem dó. Que estranho ser é esse que chega para cuidar de todo um grupo? Parece indefeso, desprotegido em tanta potência. Abre livros de história, álbuns de família, sem o menor constrangimento.

Ele chega! Majestoso, completo, trazendo na bagagem todo o futuro dos que o olham. E diz com força:- preciso de amor. Todo humano precisa de amor como combustível que alimentará seu psiquismo. Amor inteiro, sem mentiras, sem sacrifícios, amor doação que ensinará a busca pela felicidade ou os traçados da hipócrita infelicidade, ao cuidar de um bebê temos a chance de fazer novos laços com o que nos foi traçado até então e ao mesmo tempo damos a ele condições ou não de traçar caminhos para uma vida mais plena.

Ele sorri benevolente, alimenta o amor mais e mais, anjos que chegam para nos restabelecer a possibilidade de amar por inteiro, aquela muitas vezes perdida nas relações parentais que nos constituíram. Filhos, bebês, no fim nos devolvem a esperança. A possibilidade de fazer um mundo bem melhor. Que venha sua majestosa presença e que a ela rendamos nossas melhores e mais inteiras intenções. Eles nos devolvem isso com generosidade, nos trazem de presente o aprendizado do que seja o tal “amor incondicional” que, uma vez que nos toca, nos torna para sempre seres mais comprometidos com o mais belo da vida, com um Eros dominante.

“O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si…”(Lou Andreas Salomé)

Links:
A – http://www.estadosgerais.org/gruposvirtuais/figueiredo_luiz_Claudio-transferencias.shtml

B – http://www.estadosgerais.org/resenhas/roudinesco-entrevista.shtml

Ps: Querida amiga Denise,
O cansaço físico me impede de fazer muitas coisas, mas esse Eros que você menciona é o combustível da alma. É ele que me permite continuar, mesmo quando o corpo e a razão pedem para parar.
É claro que me emocionei com seu texto, quando já achava que todas as emoções e sentimentos já tinham se passado pelo meu psiquismo essa semana.
Só posso te agradecer imensamente pelo apoio, pelo “ouvido”, pelos conselhos e por estar sempre presente.
Quem dera se todos pudessem contar com uma verdadeira amizade como a sua…
bjs
Eduardo

March 1, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

Por uma postura exemplar – Por Eduardo J. S. Honorato

Ola

Escrevi um artigo mais voltado para estudantes e profissionais de Psicologia.
Ele está na edição número 37 da Revista Psiquê Ciência e Vida, da Editora Escala, para quem escrevo sobre cinema.i94234

Por alguns problemas “técnicos”, houve um erro na autoria do artigo, mas a editora já foi contactada.

A quem se interessar, o link é esse:

http://portalcienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/37/artigo125568-1.asp

February 17, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

O perdão e o desapego – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

1Não imaginamos que um texto sobre algo tão comum “Desapego”, fosse causar tanto impacto. Agradecemos a todos que escreveram, comentaram e perguntaram mais sobre o tema. Nosso objetivo é divulgar textos que levem a reflexões, e não a respostas exatas. Para cada conflito existe um caminho e a reflexão é o primeiro passo.

Continuemos em nossa temática sobre objetos, investimentos, lutos, desapegos e perdão.

Alguns amigos ficaram intrigados em relação ao que nos referimos ao falar em perdão no texto anterior. Qual relação teria perdão com desapego? Estranha essa junção, parece um paradoxo, porque geralmente, pelo senso comum, entendemos perdão como caminho para uma reaproximação.

O que é perdoar, no sentido religioso? Isentos de religião, crença ou filosofia religiosa.Perdoar nao precisa estar atrelado, por exemplo, a uma religião. Você pode “perdoar” mesmo sendo ateu ou agnóstico.

E o que propusemos no texto é que perdão pode ser exatamente o caminho para o desinvestimento, ou seja, o que possibilitará a retirada de investimento daquele objeto perdido (que lembremos mais uma vez, pode ser um trabalho, um vínculo afetivo, um objeto material, uma posição social, um analista(rs rs) etc)

Alguns psicoterapeutas acreditam que uma psicoterapia(ou ainda psicanálise), em seu fim último, teria como meta perdoar nossas imagos parentais, aquelas onde fundamos nossas fixações e que norteiam nossas buscas de investimento e identificação. Essas imagos são construídas ao longo do nosso desenvolvimento e têm total relação com o mundo exterior e em como vivenciamos cada fase do desenvolvimento psicossexual

Sem esse desinvestimento não somos capazes de “quebrar” nossos padrões de repetições, pensamos sair e o que vemos em novos modelos são as conhecidas repetições. Após alguma perda, vocé já se perguntou, por que “diabos” cometeu novamente uma escolha que levou a um desfecho muito conhecido?

Freud nos falará do demoníaco das pulsões, naquilo que abordamos um pouco no texto anterior e que se nomeia em psicanálise de “compulsão à repetição”. Ruben Alves, famoso psicanalista e colunista da Revista Psiquê, têm escrito, nas ultimas edições, sobre os “demônios” (se puder, leia.).

Ah, essa maldita pedra em nosso sapato (repetindo), que “volta a incomodar” aonde justamente pensávamos estar nos libertando, ultrapassando velhas armadilhas.
Como diria a letra da música cantada belamente por Raimundo Fagner: “Quando a gente tenta de toda maneira dele se guardar, sentimento ilhado, morto e amordaçado, volta a incomodar…”

Sem o caminho do perdão que leva ao esquecimento e quebra de laços, não será possível seguir adiante. Tenha esse objeto morrido fisicamente ou apenas morrido como possibilidade de investimento.

Mas então que perdão é esse do qual falamos? Tenhamos claro que está muito longe do “dê a outra face”, muito pelo contrário. Ele é apenas uma tarefa de desinvestir, resgatar da vivência com o objeto perdido tudo que construir possibilidades de crescimento e embora muitas vezes a relação com esse objeto perdido seja de ressentimento e mágoa, será necessário reorganizar-se a partir da compreensão de que somos senhores dos nossos destinos e que, infelizmente, nada acontece por acaso.

Ou seja, se o objeto se foi (real ou imaginário) é preciso desfazer essas conexões e o “perdão” é uma maneira de retirar essa libido dos objetos.2

Aprendendo com os erros, entrando em contato com as “figurinhas repetidas” do álbum de memória, poderá, quem sabe, mudar seus padrões e escolher objetos com características diferentes, fazer outras alianças, contemplar o ego negociando sob outras bases com os senhores dele.

Pense sobre seus relacionamentos, namoros, etc. Eles têm algo em comum? As pessoas pelas quais você se interessa, possuem alguma semelhança? (que pode ser física, de caráter, comportamento, etc)

Lembram? Faixa de Gaza, sim muitos não entenderam o que queríamos dizer. E esse realmente era o objetivo. Vários perguntaram o que significada, e isso foi de propósito. Não é possível refletir sobre “tudo” em um mesmo texto.

Esses senhores que habitam em nós são surdos uns aos outros (Id, Superego e Realidade), querem que se realizem suas “vontades”, falam todos ao mesmo tempo com nosso frágil Ego que entre conversas ensurdecedoras e maioria das vezes impulsos absolutamente contrários, vai tecendo acordos contemplando um pouco cada um deles. Uma hora pode, outra não pode. Uma hora pode, mas com um pouco de sofrimento. Às vezes “pode”, mas não tem “graça”.

Dependendo de quem se contempla e como, teremos os diferentes modos com os quais o psiquismo poderá lidar com esse desinvestimento e novo investimento. Em psicanálise chamaremos isso de formações de compromissos(acordos de paz) e formações substitutivas. Podem ser sintomas ou sublimações (eg: esportes agressivos), todos envolverão complexas operações de dentro do aparelho psíquico.

Então dependendo do grau de negociação que o ego fez, não adianta apenas você repetir mil vezes em frente ao espelho que fará diferente, há em todos nós, naquilo que nos move, muito de desconhecido, um livro no escuro que muitas vezes só poderá ser lido à luz de uma passagem por uma psicoterapia.

Como se fosse um livro escrito em uma língua que sabemos falar com boa pronúncia, mas não sabemos traduzir. Já tentou ler um livro em um idioma que você não domina?
Faça esse teste. Leia as frases e perceba que você entenderá apenas algumas “palavras” soltas. Pode não entender nada também. Pode ACHAR que entendeu, mas na verdade o significado era outro. Assim somos com o nosso psiquismo. As vezes não entendemos nada dele, as vezes entendemos errado, e as vezes nos comunicamos muito bem com ele.

Outras vezes, com sorte, alcançamos um entendimento e por caminhos inúmeros conseguiremos promover novos acordos, importante lembrar, que esses acordos passam inevitavelmente em olhar para esse objeto perdido, agora destituído de atração, daquilo que nos ligava a ele. Pense em alguém que morreu, e que você “até” tinha sentimentos não tão positivos, ou tinha alguma mágoa. Veja se consegue se lembrar “desse objeto” e em como “somente as lembra positivas ou neutras” se mantêm. Pense em um animal de estimação ou assista ao filme “Marley e Eu”. Repare que na imagem que se mostra aparecem as questões ruins (sujeiras, mordidas, estragos na casa), mas são agoras engraçadas e apenas lembranças e o que fica é somente o sentimento bom, ou de “saudade”. Isso é elaborar bem um luto.

A isso chamamos perdão, olhar o objeto como alheio, como um algo que não movimenta mais nossas energias. Muitas vezes percebendo nesse objeto suas próprias limitações em termos dos vínculos que a partir dos nosso próprio desejo, lhe impusemos características que não pertencem necessariamente a sua especificidade. É obvio então, que você pode lembrar de algúem ou de algo que não lhe desperta nada de “bom”, mas pelo menos, não desperta aquela “raiva e angústia” que despertava antes.

Que trabalho, não acha? Por isso não adianta pensarmos em domesticar ou adestrar nossas emoções, conter-se, sem que antes tenha se promovido uma boa mesa de entendimentos e negociações múltiplas. Para que essa mesa promova resultados, há que se perdoar, ou seja, desinvestir.

Olhando para o passado perceber nos cuidadores de sua infância suas próprias limitações e impossibilidades, seguir adiante, abrir mão de ser o promotor para sempre em um tribunal de eternas acusações, agora atualizadas em suas novas parcerias. Sim, essa maneira como lidamos com nossos objetos está diretamente ligada a nossa infância e em como aprendemos a lidar com eles.

Interessante observar que em alguns países esse conhecimento sobre esse perdoar, tem levado famílias de vítimas à conversas com os criminosos responsáveis pelo ataque, parece que com bons resultados de superação para esses familiares que se dispõem a isso. Pensemos nisso em relação aos nossos objetos perdidos.

Resta uma última questão. Como se pode ter raiva e ressentimento de alguém que morreu e era por nós muito querido?

Entenderemos isso porque o psiquismo só consegue ver o abandono e isso gera mágoa e ira. As crianças que perdem entes queridos costumam falar disso abertamente, falam que a pessoa “sumiu” e muitas vezes demonstram de maneira clara, a raiva que isso lhes provoca.

Ah, mas e um adulto, como pode fazer isso? Frente à dor da perda, seremos arremessados com uma força de impulsão tremenda para os nossos conteúdos mais infantis. Já reparou como reagimos nos momentos mais “estressantes”. Perceba como você reage frente a dor, angústia, perdas, sofrimentos, etc.

Frente a essa desorganização da perda, que essa nos provoca no aparelhamento psíquico (caos nas pulsões), a elaboração do pensamento mais “educado” e “civilizado”, meio que sucumbe a essa pressão e precisa de um tempo, longo tempo, para restabelecer seus laços com a realidade e lidar novamente com seu entendimento racional. Precisamos de Tempo para Pensar e Refletir. O corre corre dos dias de hoje talvez não nos permita muito isso, mas com certeza em nosso Inconsciente atemporal, essa tarefa terá que se realizar.

Então é isso, se você perdeu um objeto importante(lembre-se que é qualquer coisa) pense em perdoar, ir adiante, visite com honestidade sua mágoa, faça a faxina, descarregue e siga adiante aprendendo e quem sabe construindo novas possibilidades de fazer laços mais prazerosos e saudáveis. Tire a carga, é só resto, nada mais.

3

Fonte das imagens:
1 – http://www.lifestruth.com/images/forgiveness.jpg

2 – http://dlibrary.acu.edu.au/research/theology/ejournal/aejt_9/images/forgiveness.jpg

3 – http://www.comunidade.cn/upload/escritofoto/106661.jpg

February 10, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

Desapego – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

desapego3
Esta semana estávamos debatendo na Internet sobre como seria uma Auto Ajuda mais “saudável”, sem fórmulas mágicas para sucesso ou dinheiro. Em tempos modernos, de corre-corre, uma boa auto ajuda é aquela que levaria a um momento de REFLEXÂO. Pensamos então o que seria isso.

Ao mesmo tempo, dois amigos me perguntaram: “Eduardo, o que VOCE queria dizer com desapego, em SEU texto catartico sobre o desastre em Santa Catarina?”. Como ambos eram de outras áreas (direito e economia) pensei em uma maneira mais simples de explicar, sendo baseada nas construções teóricas com as quais trabalhamos na clínica. Comecei a conversar com a Denise Deschamps por email para ver se conseguíamos construir algo nesse sentido. Mas, não queríamos complicarou usar termos técnicos e pensamos então em escrever algo nesse sentido. Um deles leu e chamou de “auto ajuda”, mas, não conseguimos chegar a um consenso. Dividimos com vocês o texto e esperamos opiniões.

Quando na Psicanálise falamos de libido, de investimento libidinal, de prazer, de afeto, estamos falando também de “objetos”. São estes que nos trazem satisfação, mesmo sendo representantes de outras coisas ou pessoas. Já desde Freud temos a noção de que tudo na vida passa pelo que chamamos vínculo, investimento em objeto. Nós investimos afetos em “objetos” que podem variar desde roupas, pessoas, sonhos, ideais, crenças, etc. Esses objetos guardam suas características, mas ganham para cada um de nós os contornos daquilo que colocamos neles. Um de nós adora tudo que é azul, por razões inúmeras, algumas que tem consciência e outras que sequer sonha(ou que somente as acessa em sonho, pelas operações do Inconsciente). Sabemos, por outro lado, de gente que detesta azul, alguns sequer o podem olhar sem sentir repulsa, devem ter suas razões pra isso também.

Quando somos atraídos inconscientemente por esses objetos, um pouco de energia libidinal é deslocada para “isso”. Vamos pensar em quantidade mesmo. Mantemos uma “ligação” com aquele objeto. Portanto, ocupamos parte do nosso “estoque” de energia psíquica (foram muitos risos até chegarmos a um acordo aqui – risos). Essa faz mil e um acordos, quase uma operação diplomática do tipo “faixa de Gaza”, para se chegar a um resultado que satisfaça os três senhores do nosso psiquismo(id, superego e realidade).

Acontece que às vezes, precisamos desfazer algumas dessas conexões, para que possamos nos ligar a novos objetos, conhecer novas coisas, experimentar mais e assim, termos uma vida psíquica mais saudável. É também, uma questão de aprendizado. Outras vezes somos arremessados a essa tarefa, por lutos inevitáveis, que viver nos traz.

Quando falamos em promover o “desapego” é justamente isso que queremos dizer. Não precisa “desfazer” essas conexões, mas você não precisa de um OBJETO REAL para lembrar daquilo. Parece maluco, mas não é. Mais conversas por email e vamos aos exemplo(risos):

Ex: Pedi (Eu, Eduardo) para um amigo meu abrir a carteira e se eu poderia ver tudo lá dentro. Ele riu e foi me mostrando, até que eu achei uma carteirinha de um seguro de saúde de quando ele fez intercâmbio há alguns anos (desculpa cara…ehehhee). Ora..perguntei se aquilo ali era necessário, e ele disse que “não”. Escondi a carteira debaixo do notebook e perguntei se ele ainda tinha as mesmas sensações e sentimentos quando se liberava daquele “papel”. Ele disse que sim. Pronto. É isso. Ele percebeu que o objeto real não é necessário para que ele associe diretamente com aquelas memórias. Ainda brinquei com ele que como ele mantinha aquilo ali, ele perdia a oportunidade de colocar “novos cartões de crédito” no lugar ocupado. Princípio que aprendemos nas aulas básicas de Física: “dois corpos não ocupam um mesmo lugar”, embora em se tratando de psíquico isso nem sempre SEJA verdade. Manter-se investindo em um objeto somente pelo seu concreto, é impedir que novas conexões e aprendizados aconteçam. (metaforicamente falando, claro). Manter-se investindo afeto em algo que se foi, é como “rasgar dinheiro” em termos da nossa economia psíquica(sim, há uma questão que é econômica dentro do nosso psiquismo)

Então, o que é o desapego? É você doar aquela calça que comprou há três anos e não usa mais (pq ela te lembra aquela época legal do verão). Desapego é você pegar aquele livro que você comprou de literatura e todo mundo já leu e doar para uma escola(oops…contei). É pegar as roupas daquele parente que morreu, e doar para quem precisa, embora seu parente vá permanecer investido para sempre dentro do seu psiquismo, uma parte desse investimento faz parte do que constrói você. Os objetos reais não precisam existir para que seu psiquismo se lembre desses momentos bons ou “ruins” também. Em muitos momentos, precisamos quase que como um rito de passagem, jogar fora, dar, queimar, deletar, coisas que nos remetem a uma relação que deixou lembranças amargas. Há cenas em incontáveis filmes onde a personagem faz fogueira com roupas e pertences do objeto de seu investimento(amor/ódio), há um quê de engraçado na angústia que isso revela.

Por isso que falamos que “doar” não é somente “dar roupa velha e furada que você não quer ou que manchou com caneta”, mas sim, dar também “aquele tênis que você ganhou, não gostou, não usou e tem que guardar” – a pessoa que deu pelo menos pode ficar feliz que alguém aproveitou. Isso é promover o desapego e abrir espaço para novos objetos adentrarem seu psiquismo (e sapatos no seu armário – oops..contei também -risos)

Por outro lado, temos a situação inversa, onde o objeto real sumiu, mas o psicológico continua atrelado a ele. Comentamos sobre isso na análise do filme PS Eu Te Amo (Ps I love You, 2008).

Um processo de elaboração da perda de um objeto real (parente que morreu) pode levar até nove meses e atenção que passando disso entramos em zona de risco. Sim…até a pessoa perceber que o objeto se foi realmente e a energia pode ser usada para outras coisas e ela pode continuar vivendo. Porém, há casos em que isso não foi bem elaborado, e a pessoa permanece investindo energia no “morto” e esse vem morar dentro daquele que não se desapega. Como não obtém “resposta” desse objeto, investe mais e mais energia, e entra no que Freud chamou de “Melancolia” e que hoje conhecemos como DEPRESSAO, não aquela tristeza natural de quem perdeu um importante objeto de afeto, mas uma tristeza sem fim que carrega uma angústia de abandono, há algo de raiva escondida nesse sentimento imenso que paralisa a pessoa e a deixa presa a um objeto que não está mais presente. O abandono do luto que leva a essa depressão não se dá somente com a morte, porque o que importa é a morte do objeto para a pessoa que investe, então muitas vezes se dá pela separação em relação ao afeto(parceiros, amigos, parentes, colegas de trabalho etc).

O trabalho na clínica, portanto, é fazer esse caminho INVERSO, com a ajuda dos psiquiatras e medicamentos.. Ele se foi, e será preciso aprender a manter pequenas conexões e se ater às memórias boas e que é um processo que todos um dia passam: o luto. Não é menosprezar o objeto, mas sim, “seguir em frente”, alguns acreditam que esse desapego passa por um sentimento de perdão, não no sentido religioso, a pessoa pode continuar achando o fim da picada o que viveu(ou inaceitável a perda), mas pode desinvestir tudo aquilo, retirar o que foi aprendizagem e descarregar o objeto de qualquer energia(afeto) que queira atualizá-lo, abrir espaço como quem limpa um armário. Cada luto é específico e tem suas saídas e não poderemos generalizar seus caminhos, mas saudavelmente, em algum momento, essas operações serão necessárias.

A questão dos “objetos” é tão importante na Psicanálise, com o que chamamos de “relação objetal”. Sim, existem maneiras que seguem um “padrão” em como lidamos com alguns objetos. Aprender essa maneira peculiar é entender quando poderá ter problemas e sofrimentos. E, quando se colocar em situação semelhante, será como contar com um sinal vermelho em uma porta que leva ao risco da repetição, ao tentar entrar avisará que temos duas escolhas a fazer: tomar o caminho que já conhecemos ou procurar outra porta, outra forma de investir. É aprender a maneira como seu psiquismo se relaciona com os objetos. E assim, evitar sofrimento psíquico. Tarefa nada fácil, que vamos aprendendo de acordo como ultrapassamos nossas sucessivas dores inevitáveis, desmames metafóricos que “sofreremos” ao longo da vida.

Portanto, esta aí uma coisa saudável (desde que não excessiva). De tempos em tempos, faça uma faxina do armário, doe uns livros, conheça pessoas novas, diga oi para pessoas que não dizia antes, segure a porta para seu vizinho. Promova ações onde se desapegue de objetos sem mais valor, e abra espaços para novos objetos na sua vida. Também reveja relações, retome contatos, isso pode falar de desapego também, ultrapassar velhas mágoas e ressentimentos. Por incrível que isso possa nos parecer, somos intensamente apegados aos nossos ressentimentos. Pense um pouco sobre isso! É mais saudável sempre seguir adiante.

Temos que manter essa nossa energia psíquica circulando o tempo todo. Tudo que fica parado demais, não dá muito certo, até água parada, apodrece.

Por isso DESAPEGA rapaz! Largue a bagagem extra que o caminho ficará mais leve. Se for muito pesada a carga, peça ajuda.

Abs

Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

PS: Procurando no Google uma imagem achamos essa primeira. Não teve como não copiar. Não tínhamos como referenciar, e fomos ler o blog. Tive,ps que roubar a imagem e referenciar um lindo desabafo de DESAPEGO. Como está no virtual, acreditamos ser de domínio público e vamos citar. Ressaltamos que não é análise de ninguém, mas uma leitura analítca de um texto “literário”, como se assim o fosse.

http://ameninaeasmontanhas.blogspot.com/2007/06/desapego.html

Gostaríamos de agradecer a todos do debate, que construíram com a gente essas relfexões. Pedimos autorizção para agradecer a todos aqui, mas somente algns tinham scrap aberto. Mesmo assim, agradecemos: Ana Quezia, Dhiego, Renata, Neto e Junio pela troca online. (na comunidade Psicologia, do Orkut)

February 5, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 10 Comments

Prazer, eu Sou um Produto – Quer me comprar?

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Há tempos que venho refletindo sobre escrever ou não sobre esse assunto, e acho que agora seria a hora certa.

Durante os anos que passei morando fora, cheguei a estudar “Media Studies” como uma forma de conhecimento complementar, em um College. Apesar de ser “graduado” acho que o conhecimento não tem limitação, e tudo que pudermos estudar para complementar nossa atuação, deve ser feito, pois tem sua validade. Não sou Analista de Marketing, nem tenho formação para isso. Também não sou psicólogo atuante nesta área, mas temos excelentes profissionais fazendo isso. (Eg. Psi João Britto – SP).
Entretanto há anos que me convenço que a questão do sucesso na mídia está atrelado diretamente ao que eu sempre chamo de “transformar-se em um produto”. É através disso que os grandes recordes de venda surgem e alcançam o sucesso desejado. Repare que sucesso nem sempre é sinal de qualidade, e o objetivo aqui não é falar de qualidade, e sim, de otenção de uma resposta desejada.

O que seria então se transformar em um produto? Não é algo fácil e requer um grande esforço, muitas vezes, de toda uma equipe. Porém, alguns exemplos são bastante claros e diretos e basta uma análise um pouco mais detalhada para entender o caminho que traçaram até o sucesso.
Voce já deve ter passado por uma dessas duas situações:

A – Viu uma embalagem de biscoitos colorida, brilhosa e metálica. Ficou atraído pelo produto e comprou. Não conhecia ou ficou atraído pela qualidade da embalagem. Você compra o produto e se ele for bom suficiente pra você, continuará comprando. Caso contrário, nunca mais pegará aquela embalagem na prateleira do supermercado. Se não fosse a embalagem, voce jamais conheceria aquele produto.

B – Voce viu uma embalagem não tão colorida, mais simples, sem nenhum atrativo, mas, acabou arriscando. O produto lhe agradou e ele passa a fazer parte da sua lista de compras, pela qualidade dele. Ou, voce pode jamair conhecer tal produto, pq não se sentiu atraído.

Nós, consumidores, somos ávidos por produtos. E este termo aqui significa qualquer coisa, desde música, carro, roupas, livros e até ideologias. Tudo passa por uma balança psíquica e caso seja favorável, permanece no nosso cotidiano. O que fazem os Reality Shows, senão transformar pessoas em “produtos”? É ressaltando o melhor de casa, seja uma parte do corpo, o corpo nú, o cérebro ou algum talento……é isso que passa a ser vendido, e aquela pessoa passa a ser um “produto”.

Antes, preciso postar um vídeo que vai facilitar a minha expressão:

Sim…Madonna. Talvez o produto midiático mais bem elaborado do século. Sou fã de carteirinha e acompanho a carreira, indo a shows dela nos últimos 20 anos. Apesar de ser fã, e por assim o ser, não posso deixar de ser crítico o suficiente para perceber a genialidade do trabalho dela.
Veja o vídeo que postei acima e pense sobre o IMPACTO que ele teve em você. Pense sobre as SENSAÇOES que ela despertou naqueles que estavam presentes.

Se você analisar a trajetória desta cantora, desde os anos 80, verá que ela nunca foi muito boa em algo simples: cantar. Peraí…uma cantora que nao sabe cantar? Sim….é verdade. Desculpem-me os fãs mais “fanáticos”, mas quem tem todos os CDs dela sabe que antes de “Evita”, Madonna mal conseguia dar um águdo sem desafinar, e sempre se “encostou” nas suas famosas backvocals “Nick e Donna”. Madonna é uma dançarina, muito boa, mas sua genialidade não está NESTE talento.

Apesar de não saber cantar, e hoje cantar “mais ou menos” – quem disser que ela NAO desafina nos shows, precisa procurar um otorrino com urgência – ela se tornou a diva pop e recorde de vendas no mundo todo ao longo desses anos todos. Hoje ganha milhões de dólares e tudo que faz vira produto, gera renda e afeta multidões.

Como Madonna fez isso? Simples….Ela pode não ter formação em Publicidade e Propaganda, pode não ser uma Jornalista graduada, mas é sem dúvida, uma das maiores MARQUETEIRAS do mundo. No início dos anos 80 ela se transformou em um “produto” e se vendeu mundo afora. Todos compraram e ela seguiu com essa linha, até ficar milionária. O produto realmente teve uma aceitação de mercado, e até hoje, já com 50 anos, ela ainda fatura MILHOES de dólares viajando por países, mostrando o que sabe fazer melhor: DANÇAR E CHOCAR.

Sim…quem já leu as biografias não autorizadas sobre ela, e existem várias, sabe que Madonna era uma dancarina aspirante a estrela, e sempre foi consciente dos seus limites vocais. Entratanto, ela percebeu um nicho de mercado e abocanhou. Criou um estilo, uma maneira própria. Usou e abusou da sexualidade nos anos “pré-aids”. Se mostrou aberta e menos preconceituosa e ganhou a idolatria do público gay. Arrebatou fãs com seu jeitinho diferente e moleque, sempre provocador, despertando igual sentimento em milhares de pessoas. O vídeo do show mostra isso: excelente iluminação, excelente efeitos especiais, excelente figurino, excelente grupo. No total, é um espetáculo, talvez um dos mais bem elaborados no ramo. Eu, pelo menos, nunca ví nada igual (e olha que já assiti de tudo um pouco). Reparem que a “única” coisa que não é “excelente” é a VOZ DELA. Mas pra que? Se voce tem um produto que no geral agrada, e muito, isso seria apenas um “detalhe”. E quem disse que ela precisa cantar ao vivo? Ninguém estava alí para ouvir a voz dela, estávamos alí para VÊ-LA. Ela é o produto, e não a voz……

Que adolescente ou jovem adulto não tem um “espírito contestador”? Não é essa essência da juventude? Mesmo sem saber teoria, ela se aproveitou disso e fez sua carreira. Falou de questões sobre a sexualidade, quando ainda era um grande taboo. Sempre chocou a mídia e parecia saber sempre como causar algum “frisson”. Beijou duas mulheres ao vivo na TV e na mesma semana lancou um filme de contos infantis. Que coisa mais “nonsense”? Não…é contra-ponto de informações. Envie duas informações antagônicas ao cérebro e veja como ele reage. Com o tempo, ela deixou de causar polêmica para SER a própria polêmica. Ela ditou e dita regras hoje e o que lança vira automaticamente o que chamam de “tendência.” Se Madonna lança uma música estilo anos 70, a moda volta. Se ela lança algo mais S&M, a moda muda. Madonna é um produto, com aceitação garantida. Basta colocar uma nova embalagem que vende….e como vende.
Existem diversos exemplos na mídia de pessoas que se transformaram em “produtos” e conseguiram atingir seus objetivos. Não vou citar mais nomes para não gerar problemas, mas se voce parar e analisar, encontrará outros casos na mídia brasileira.

O único problema em se transformar em um “produto” é que esse é um caminho quase sem volta. Uma vez na mídia e uma vez que o produto foi aceito, não tem como voltar atrás. Celebridades SEM nenhum talento, ou com POUCO talento, atingem os jornais por diversos motivos, mas depois reclamam que foram seguidas por “papparazis”. É preciso arcar com as consequências…

São vários os casos de pessoas que abandonaram a mídia, pois não conseguiam lidar com isso. Uma lenda urbana da Internet fala sobre a cantora “Enya” e que esta viveria reclusa num país distante. Lembra da Sinead Oconnor? Se voce responder “não”, vou me sentir um “velho” (risos). Essa cantora teve um grande sucesso nos anos 90 – eu acho – bem no início. Depois, careca, rasgou um documento do PAPA e foi avacalhada por milhoes. Criticada e boicotada, se refugiou em uma vida normal e ANOS depois, afirmou que não gostaria mais de ser “incomodada” por fãs e pela imprensa, pois queria levar uma vida “normal” com sua família. Outro exemplo recente foi de um artista (ACHO que dos Beatles) que colocou uma data limite para receber cartas dos fãs e avisou que depois disso, não responderia mais seus emails. Se a fama é de um PRODUTO e você não quer mais saber dele, fica difícil se desprender, e as vezes, isso pode gerar conflitos.

Quer exemplos de produtos? Tiazinha e Feiticeira – elas NÃO SÂO Suzana Alves e Joana Prado, mas se transformaram nesse produto. Foram tão fortes que demoraram anos para desassociar suas imagens pessoais dos produtos. Optaram por outros rumos. Madonna manteve…..

Se transformar em um produto é abrir mão de sua vida privada e estar sujeito a interferências externas. E isso não é para qualquer “Ego” . Alguns acabam não aguentando a pressão e se envolvem com drogas e bebidas. E para esses exemplos, nem preciso citar nomes não é?

Vamos ver se conseguímos nos colocar no “lugar” deles….Imagine a seguinte situação:
Se você é mulher, com certeza já teve TPM, por mais “fraca” que seja. Se não é mulher, já acordou algum dia de “mal com a vida”, com grande irritação e sem “saco” para muitas coisas. Imagine SE, todo dia, ao sair de casa, voce tivesse que estar com o cabelo arrumado, roupa bem passada, maquilagem perfeita e pronta para ser fotografada e colocada na capa de milhares de revistas.
Imagine se qualquer movimento seu, seja ir fazer compras, seja simplesmente levar os filhos na escola….tudo que fizer será filmado, fotografado, colocado no youtube, nos sites e revistas de fofocas, e talvez, aparecer até na televisão. Imagine você se tornar REFÉM da própria imagem que criou?
Se transformar em um produto não é somente vender algo, que pode ser seu talento – sua música, sua beleza corporal, sua personalidade (no caso da madonna), suas criações, mas também estar preparado para essas consequencias que este ato trás. Viver sem privacidade pode ser algo não suportável por alguns, ou você acha que a Xuxa, por exemplo, consegue ir no supermercado, fazer compras no shopping ou passear num parque público?

Em uma sociedade onde muitos querem “fama e dinheiro”, não podemos esquecer que tudo “tem seu preço” e há uma necessidade de ego resiliência muito grande para pagar esse preço. Pense nisso antes de se inscrever para um reality show.

E você, estaria preparado (a)?

Eduardo J. S. Honorato

Se você não sabe quem ela é, veja o vídeo:

January 31, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Uncategorized | | 3 Comments

O Mundo da Moda – Por Eduardo J. S. Honorato

prada4Em passagem por Manaus, Amazonas, tive o imenso prazer de fazer novas amizades. E, como de costume, o assunto “cinema” veio à tona. Um desses novos amigos, Pedro Cortês, citou o filme “O Diabo Veste Prada” (Devil Wears Prada, 2006). Neste, a eterna candidata ao Oscar, Meryl Streep interpreta Miranda Priestly, uma mega executiva de moda.

Streep é uma das maiores atrizes do cinema americano, e não foi à toa que já recebeu 15 indicações, levando para casa duas das mais desejadas estatuetas desengonçadas da Academia (Melhor Atriz em Sophie´s Choice – 1982 e Melhor Atriz Coadjuvante em Kramer vs Kramer – 1979). Quase 30 anos sem ganhar este prêmio, Meryl é mais uma vez uma das concorrentes para 2009. Algo já rotineiro para atriz, uma vez que já foi indicada para mais de 80 prêmios, já tendo recebido mais de 60. Isso mesmo…SESSENTA vitórias. Arrisco-me dizer que talvez seja uma das atrizes mais premiadas e talentosas de Hollywood. Cada vez que ela aparece na “telona”, não há a menor possibilidade de visualizar outra atriz no mesmo papel, dada a tamanha entrega que ela tem a arte. Merece muito mais prêmios.prada21

Miranda é rápida, decidida, dedicada e workaholic, mantendo uma pequena parte humana e emocional intacta, mas que não pode demonstrar com frequencia. É uma das mulheres mais poderamos neste ramo de atividades: a moda. À primeira vista, este nicho de mercado pode ser entendido como algo simples e “bobo”, mas o filme trás uma cena muito marcante, e quem assisitiu se lembra bem dela.

Esta cena mostra os impactos que esta indústria pode ter na economia de diversos países e em como isto movimenta milhões ao redor do mundo. Para mim, Profissional de Saúde Mental, esta deve ser a mais importante cena do filme, pois além de mostrar potência desta indústria, muito criticada e apontada como causadora de vários problemas, se torna um bom ponto para repensar alguns conceitos e questões sociais interessantes.

anorexia1Eu já escrevi alguns pensamentos sobre esse tema em debates virtuais, e vou reproduzir alguns deles aqui, despertado pela deliciosa conversa que tive sobre cinema e cultura recentemente. É importante percebermos e analisarmos este mercado, tão presente e tão importante, seja no impacto PSÍQUICO, quanto econômico que cumpre nos dias de hoje. Assim como a personagem Andy Sachs (Anne Hathaway), sempre mantive distância deste ramo, por achar que não tinha muito relação com meu cotidiano. Estava enganado e assim como a personagem, tomei um “soco no estômago” metafórico, pena que não foi dado por Maryll Streep. :)

Em 2007 assisti semanalmente ao programa Brazil’s Next Top Model. Além de gostar de alguns estilos de Reality Show (olha a pulsão escópica Lacaniana aí gente….risos), tenho uma amiga que era uma das candidatas, o que me “obrigou” a assistir. Fiquei bastante intrigado com afirmações dos jurados e participantes do programa de que algumas candidatas eram “gordas”, apesar de mostrarem um corpo normal e bem proporcional. O mesmo ocorreu na segunda edição do programa, e não consegui acompanhar até o fim, incomodado com algumas cenas que pareciam mais relacionadas a tortura e a crises de anorexia. Recusei-me a ver o sofrimento psíquico e físico de algumas candidatas. Tortura na Tv jamais!

Assim como este programa de TV, tive outro contato com o tema, ao assistir e escrever sobre corpo x moda, para a Revista Psiquê, usando como exemplo o filme Hairspray (2007). Um filme sobre“Imagem corporal”. Grotescamente definindo, seria a imagem psíquica que temos de nós mesmos. Em uma leitura mais Psicanalítica, sabemos que o processo de formação da imagem corporal tem, obviamente, sua base no que Freud chamou de “Princípio do Prazer”, e se funde com o próprio processo de formação do Ego, passando pela Ego Função e Ego Projeção, onde nossos sentidos (no termo mais biológico possível), são fundamentais, posteriormente sendo necessário o Outro. Ou ainda nas operações de alienação e separação no que Lacan denominou de “Estádio do Espelho”. (Revista Psiquê)anorexia4lp

Nós, profissionais psi, sabemos do grande impacto que um prejuízo na auto-imagem corporal pode causar no comportamento de um sujeito, especialmente na adolescência. E em como as figuras parentais são importantes neste longo processo. Grande parte dos transtornos alimentares ocorrem hoje em adolescentes do sexo feminino, pressionadas por uma industria da moda e beleza, em uma plataforma de magreza exagerada. (Revista Psiquê)

Hoje me questiono se somente esta indústria deveria ser a “única culpada” destes impactos negativos que presenciamos no âmbito psíquico….Algumas considerações e reflexões que julgo serem importantes:
Assisti a um documentário na Tv a cabo (infelizmente não consigo me lembrar do nome) sobre Moda x Peso e fiquei bastante surpreso. Este versava basicamente sobre a incidência de disturbios alimentares entre modelos e astros de hollywood. Pq?

Eles buscaram a resposta na própria história recente da moda. Há alguns anos as agências de modelos comecaram a usar meninas cada vez mais novas nas passarelas. Garotinhas de 12 e 13 anos foram recrutadas para esse ramo, e, é claro, seu desenvolvimento biológico mal havia iniciado.

Assim, o “padrão” “raquítica e esquelética” não se originou de modelos magras e em dieta, mas sim, em um modelo de beleza INFANTIL. Ou seja…o “belo e desejado” passou a ser aquele seco, reto, sem curvas…..ou seja: de uma menina, ainda nao madura sexualmente.

Acontece que essas meninas-modelos chegaram aos seus 15 e 16 anos, e logo, souberam que só podem ser aceitas neste mercado de trabalho se continuassem com aquele corpo sem formas que tinham antes…e buuuuum….se dá o desenvolvimento de um distúrbio alimentar [nao esqueçam de que isso, eh claro, é apenas o fator desencadeante...]

Tente imaginar o sofrimento psíquico aos quais essas moças jovens são expostas. Quem já conviveu, atendeu ou teve contato com alguém com transtorno alimentar sabe da intensidade desse sofrimento. Se você trabalha ou tem vínculo empregatício, sabe que o “medo de perder” o emprego gera uma intensa angústia. Imagine se o fato de você comer uma barra de chocolate ou um prato de massas no final de semana pudesse acarretar na perda de um contrato de trabalho? Estamos passando por um período de crise econômica mundial e muitos temem por seus empregos. Pois é….algumas modelos sentem “esse medo” constantemente, simplesmente quando COMEM.

Por outro lado, as mulheres do mundo inteiro passam a ter como parâmetro de beleza essas meninas….e logicamente que tenderiam a ser como elas, emagrecendo cada vez mais. O efeito em cadeia começa aí. Logo…apresentadoras de tv, atrizes premiadas do cinema, atrizes de seriados…todas queriam então ser magras e disfórmicas, pois somente assim elas poderiam conseguir os tão almejados papéis nas super produções hollywoodianas.

E pq os studios de cinema só escolhiam as atrizes “semi-cadavéricas”? Simples…..pq quanto mais magrela e seca essa atriz fosse, mais “garanhão”, “grandão” e “másculo” o galã pareceria nas telas. Neste documentário supracitado, eles exemplicam com o Tom Cruise: um nanico!!! [eu posso chamá-lo assim pq sou mais baixo do que ele...ehehe]….que, ao lado de uma Sigourney Weaver (atriz de Allien), que mede quase 2 metros de altura, ele jamais seria visto pelo público como o super herói, que salva todo mundo usando apenas um cichlete superpoderoro e um oculos x-ray!

E depois, vêm mais efeito cascata. No artigo sobre as gerações, mencionei que o Ser é Ter, infelizmente. Com as modelos, atrizes, apresentadoras de tv, todo mundo com esse padrão de beleza, as adolescentes tenderam a seguir essa ditadura, e é por isso que desde o final da década de 90, os distúrbios alimentares estão no “top 10″ das Queixas Principais nos consultórios pelo mundo todo.

“Já o psiquiatra Celso Garcia Júnior, coordenador do ambulatório de transtornos alimentares da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), acredita que o aumento seja mais reflexo de uma demanda reprimida do que de uma mudança do perfil da doença.” (folha.com.br)

lohan_article_lohancompareOs profissionais de Nutrição trabalham muito com o IMC – Índice de Massa Corporal, que grotescamente seria uma relação entre o seu peso e sua altura ao quadrado. Não quero adentrar nesta área, pois existem profissionais para isso. A tabela, sem os nomes científicos corretos, seria esta aqui:

Cálculo IMC
Abaixo de 18,5 – Você está abaixo do peso ideal
Entre 18,5 e 24,9 – Parabéns — você está em seu peso normal!
Entre 25,0 e 29,9 – Você está acima de seu peso (sobrepeso)
Entre 30,0 e 34,9 – Obesidade grau I
Entre 35,0 e 39,9 – Obesidade grau II 40,0
acima – Obesidade grau III
Fonte: http://como-emagrecer.com/calculo-de-imc.html

Ora, tecnicamente falando, um IMC abaixo de 18 não é considerado saudável. Mais do que correto e ético atentar para isso. Pensando neste ponto, em 2006, na Semana de Moda de Madrid houve um corre-corre e muita reclamação. As modelos com IMC abaixo de 18 foram proibidas de participar do evento. Alguns estilistas criticaram, outros apoiaram a medida, que para mim é um caso de SAÚDE PÚBLICA.
(http://estilo.uol.com.br/moda/ultnot/2006/09/18/ult26u22381.jhtm)

Será que esta medida teve realmente o efeito necessário? Resolvi pesquisar na Internet alguns dados de algumas modelos. Gostaria de alertar que estes são dados PÚBLICOS e não fidedignos. Como não sou nutricionista, nem nutrólogo, usei um site que faz o cálculo automático do IMC. Essas informações servem para algumas reflexões importante.

Exemplo:
- Gisele Bundchen (ubbermodel) – 1,80 / 52kg
IMC 16
- Vanessa da Cruz, [vencedora do Supermodel Brasil 2006] – 1,72 / 45kg
IMC: 14,5

Segundo alguns sites, algumas modelos chegam a MENTIR sua altura, se declarando mais baixas, para alterarem os cálculos do IMC. Uma colega, modelo na Europa, me contou uma vez que a “moda” lá fora era “tomar dois litros de água antes de se pesarem”, pois assim, aumentavam seu peso e não eram cortadas das seleções de modelos, lógico que logo depois da pesagem, o vaso sanitário era a próxima parada.

Bom….já coloquei alguns pensamento sobre a indústria da moda e seu impacto no psiquismo humano, mas acredito que algo “falta” nessa possível leitura de um fenômeno. Fiquei com a sensação de que existem outros fatores importantes nos dias de hoje que contribuem para estes casos de transtornos alimentares. Resolvi ler um pouco mais e colocar alguns pontos para reflexão.

Diversas foram as “celebridades” que já declararam publicamente que sofreram com Transtornos Alimentares, dentre elas, Lady Di, Christina Aguilera (com seu videoclip de Beautiful), Victoria Beckham etc. Essa semana, tive o desprazer de ver uma imagem de Lidsay Lohan jogando boliche. Seu corpo pareceria mais uma aula de anatonia, com sua estrutura óssea toda a mostra.

Recentemente saiu na Internet uma notícia (folha.com.br) informando que “Garotos já ocupam 60% dos leitos para anorexia no HC”. Sim…..homens também desenvolvem anorexia. É comum acharmos que somente as meninas aspirantes a modelo desenvolvem esse quadro. Mas….então….seriam ELES também “escravos do corpo e da moda”?

Isso me leva a refletir que existem OUTROS FATORES estimulando esses quadros atuais. Culpar a “indústria da moda” é criar uma relação de causa e efeito que não pode, ou deve, ser linear. Se pensarmos na moda como um ARTE, não podemos culpar os artistas somente por suas consequências. Se fosse assim, teríamos que culpar a indústria automobilística pelos acidentes de carros, uma vez que muitas usam pilotos profissionais fazendo “peripécias” com seus produtos. Ninguém faz barbeiragem no trânsito pq viu na propaganda na televisão.

vigorexiaVou citar alguns outros quadros patológicos que vêm crescendo nos últimos anos. A VIGOREXIA (Síndrome de Adônis), por exemplo, é um quadro bastante complexo e que tem chamado à atenção dos especialistas. Sabe aquele seu amigo “marombeiro”, “bombado” que usa anabolizantes e que está parecendo um touro de tão inchado e deformado? Pois é…isso PODE ter vigorexia. Qual a diferença entre o Vigorexico e a Anoréxica? Ambos colocam a saúde em RISCO, seja por não ingerir alimentos, seja por ingerir substâncias nocivas ao corpo. Ambos tem distorção da imagem corporal e para isso, levam seus corpos a limites, se tornando nocivos ao próprio organismo (Ler sobre Pulsão de Morte – Freud).

Já ouviram falar de Ortorexia? Pois é…como dizia minha avó: “nós podemos morrer pela boca”. Este transtorno se caracteriza por um compulsão em comer produtos NATURAIS. Em cidades onde a estética corporal se torna algo necessário para ser aceito, uma vida saudável é “obrigatória”, abre-se mais uma possibilidade de compulsão. Este trantorno não tem reconhecimento mundial, pela OMS, não com esta nomeclatura, mas já existem relatos de pacientes que passam FOME, por se recusarem a comer qualquer produto que seja industrializado, que tenha gordura X ouY ou que não obedece a SEUS critérios rígidos de “saudável”. E será que precisamos e uma nova nomeclatura para ele? Não……mantêm-se uma comPULSÂO, e muda-se apenas o objeto pulsional.

Onde TER É SER, e SER é TER, abre-se espaço para COMPULSÕES e em uma sociedade consumista como a nossa, a tendência é que esses quadros se acentuem mais e mais. Com isso, pode-se perceber que além da indústria da moda, a indústria da beleza, dos cosméticos, a indústria televisiva, a mídia, todos estes são fatores que influenciam nesses quadros e culpar apenas a “moda” é mais fácil, porém, sem eficácia alguma. Se pudéssemos fechar a indústria da moda, com certeza, os transtornos alimentares continuariam a chegar em nossos consultórios. Logo, é hora de pararmos de culparmos um único segmento e colocarmos a mão na massa para revertermos esses quadros psicopatológicos.

A quem se interessar pelo tema, sugiro que dê um Google no termo “International Journal of Eating Disorders” e leia os excelentes artigos publicados.

Eduardo J. S. Honorato

Christina Aguilera – Beautiful

January 28, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 3 Comments

Dir: /meusdocumentos/minhasmemoriasciberneticas

festaanos701Se você não entendeu a piada do título do texto, terá dificuldades em entender aqui , uma vez que ele é voltado para os “mais de 30”.

Se você já passou dos 30, deve se perguntar sobre algumas coisas no seu cotidiano. Sim…é depois dessa idade que normalmente começam a aparecer esses questionamentos na clínica, e temos que entender um pouco sobre essas gerações.

É importante ressaltar que esse choque de gerações se apresenta de diversas maneiras, nos mais diversos tipos de questionamentos e na tentativa de entendimento do comportamento, seja de filhos, netos, companheiros ou parceiros, pertencentes a uma outra geração.

Também faço parte dessa geração e constantemente busco parâmetros na minha época, de fatos ou coisas semelhantes. Não pretendo dar orientações a pais ou coisas desse tipo, mas apenas mostrar uma maneira de sempre relativizar algo que gere conflito de gerações, e isso, favorece ao diálogo. Quem trabalha na área sabe de como isso está em falta nos dias de hoje. Resolvi fazer um texto cômico sobre como as coisas são cíclicas. Dividi por áreas e tento fazer um paralelo com a próxima geração, quando possível.

Reparem que esses ciclos funcionam tanto para coisas positivas, como negativas, e podemos prever como será daqui a alguns anos, na sequência que estamos indo. Seriam previsões? Não…seriam respostas naturais a fenômenos sociais tão nítidos.

Internet, Telefonia e brinquedos
A nova geração já conhecerá a banda larga, e a conexão “dial up” será tão ultrapassada que será equivalente ao telefone de parede, analógico, que existia na década de 80.

Antigamente, passar HORAS no play era tudo que você queria. Ou, correr na rua, atrás de carros. Você torcia para ficar até mais tarde no play ou na rua nos finais de semana. Pois é….os filhos de hoje fazem isso, só que virtualmente. E por isso que eles “querem por que querem por que querem”… e burlam todas as normas, assim como voce escapava e fugia na sua época. Trate a Internet como um momento de Lazer, que deve ser comedido e monitorado.

Seus pais deixavam você brincar longe dos “olhos” de adultos conhecidos? Então, não deixe seu filho visitar salas “estranhas” na Internet. Controle Parental neles!
Seu pen drive hoje é uma maravilha perto dos antigos DISKETES. Sim…aqueles “bolachudos”, imensos, ou na versão “pocket-bolso”. Eram gigantes e não armazenavam quase nada. Está feliz com seu pen drive de X Gigas…..esquece….será cafona e inútil em poucos anos.

Assim como na sua época “ter carro” ou uma mobilete tinha um certo Status, ter computador hoje também é. Ele pode ser a ferramenta de acesso a um mundo todo novo de informações e cultura. Se você aprendeu com seus pais a ter gosto pela leitura, aprenda a ter gosto pela Internet através dos seus filhos. Faça uma troca de conhecimento com eles. Se voce sugere que ele leia um livro e ele faz cara de “ergh”, é a mesma cara de “ergh” que você faz quando ele quer te mostrar ou ensinar algo sobre computadores. Se o seu não tem graça, o dele também não terá. (se você buscar, vai lembrar de alguma coisa que um dia pensou não gostar, e se arrependeu depois…pelo menos UMA lembrança assim voce terá…)

Vc num goxta di le coixas axim na net mugixa? Eu também não. Mas é assim que eles se comunicam hoje. Pesquisas recentes mostram que esse vocabulário de internet não influencia na língua portuguesa (confesso: só lí a chamada da notícia, não lí tudo). Bom…na sua época as pessoas se identificavam em grupos através de afinidades. Elas também acontecem no real. Quando você encontrava com as minas e os manos pra dançar ou ferver na noite, ninguém falava formalmente. Logo…as mensagens nesse espaço social virtual serão assim também.

Eles já nascem sabendo discar o número de um celular. Cresceram tão próximos dele quanto da televisão. Estes passaram a ser ítens “indispensáveis”. Na adolescência anterior, estes ítens não existiam, e talvez os “indispensáveis” fossem os brinquedos do He-Man, o Castelo, a coleção do Playmoboy, ou do comandos em ação. Uma geração que cresceu com brinquedos, outra, com tecnologia. Brinquedo hoje é sinônimo de tecnologia, portanto, não há como dissipar. Ao ser pedido por um desses, a melhor maneir a é analisar as possibilidades financeiras, a necessidade REAL da criança, a idade e maturidade para lidar com tal tecnologia. Verifique se é apropriado para aquela idade. Tome todos os cuidados que seus pais tinham quando compravam brinquedos para você. Aos 3 anos você não podia brincar com ataris e videogames porque não eram apropriados. Você precisa se atualizar para poder orientar os filhos.

Aliás……para quem Jogou Atari, Master System, Nintendo e as séries MarioBros, assim como Sonic, não leve um susto ao saber que o novo Console (sinônimo pra video-game) custa mais de R$1000,00. Um pedido de brinquedo desses é tão importante quanto o SEU desejo era naquela época. Isso é importante para que o pai ou mãe repense bem no tipo de resposta que dará ao filho, de uma maneira mais saudável para o desenvolvimento psíquico dele. Isso não quer dizer “dar” sempre que preciso, mas sim, REAVALIAR a maneira como se diz um “sim” ou “não”.

Entenda que seu filho não quer um carrinho de rolimã, um autorama nem um pogobol, ele quer um nintendo ii. Tirando os excessos de uso, pode ser uma maneira saudável de se praticar video-game, aliado a exercícios. Sua filha não quer mais o jogo Genius. Voce queria o Jogo Imobiliário ou Jogo da vida – aliás, esses jogos TODOS se reformularam para uma nova geração. Se voce adorava a Suzie,ou a Barbie, a sua filha adora a casa da Barbie, o carro da Barbie, As roupas da Barbie. SER É TER, mesmo nas brincadeiras infantis modernas.. Nas próximas gerações, como diz a piada, as crianças irão pedir a BARBIE DIVORCIADA. Sim…ela é muito melhor. Sabe porque? Porque ela vêm com o carro do Ken, a pensão do Ken, os imóveis do Ken. É caro? Claro…é preço que se paga pela modernidade.

Se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele. Se seu filho não gosta do “cubo mágico” que você usava, ensine a ele a usar jogos de lógica online. Sudoku, palavras-cruzadas e dezenas de atividades que auxiliam no processo de aprendizagem. Porque ficar falando no MSN e lendo bobeira no Orkut o tempo todo? Internet não é só bate-papo.

Música
Alguns gostaram dos Menudos, outros do New Kids on the Block. Alguns, já de outra geração, gostaram no NSync e hoje, eles gostam de NXO e High School Musical (O barrados no Baile dos anos 90). Aquele seu LP que vinha com uma calcinha de renda, do Vando, é artigo de museu. Assim como será esse CD que voce comprou hoje, pois no futuro, a música será mp3.

Madonna continua igual, chocando e ganhando muiiiiiiito dinheiro.

Quando um adolescente pede para ir em um show, por mais “bobo e sem sal” que pareça, ele está como você esteve, implorando para ir ao Rock in Rio I ou II.
Já reparou que quando voce vê uma banda de música tocando e pensa: “já viu isso antes”. Pois é….e já viu mesmo: Renato e seus alguma coisa eram como os Mamonas Assassinas. O Dj Marlboro afirmou recentemente que o funk tb tem isso, hora popozudas, hora loiras, hora frutas, etc. Se você acha as letras do funk muito pesadas, TRADUZA as músicas que você cantava na sua juventude. Claro que, algumas músicas, quando saem da arte e entram numa outra área, perdem esse mérito.Aliás…o pessoal do Samba também não era bem visto. Porque pegar no pé do funk então? Eu não gosto…nem de samba nem de funk, mas respeito a liberdade de expressão deles. Se voce ouvia samba ou mpb, saiba que elas não era benvistas também nas suas épocas.

Voce não gosta do Latino? Nem do Mulher Melancia? Mas na sua época você via o Sdiney Magal e o Trio los Angeles neh? Alias….o que fazia a Gretchen mesmo? CANTAVA?

Vestuário
Sua filha quer uma calça da Diesel ou da Carmim? Muito cara? Voce usou a antiga LEE? Assistiu filmes americanos com os famosos jeans? Usou tennis da Redley e mochila da Company? Usou caneta 10 cores e estojo do paraguay (aquele com tudo saindo de dentro)….pois é, hoje o “ter” mudou de foco e passou a ser apenas uma marca, uma vestimenta, um celular. Algumas continuam numa mesma linha, outras, mudaram radicalmente…Ah..lembrei de mais dois: roupas da anonimato(com suas caveiras legais) e calça da GANG. Eram caras, mas não sei se como são hoje….

Você acha pequeno o bikini cortininha da Rosa Chá que sua filha de 15 anos pediu? Peraí….então vamos voltar no tempo. Você usou o maiô de banho até o meio das pernas? Se não, foi o maiô inteiro e depois, o frisson do bikini. Era um atentado ao pudor. E os famosos bikinis “asa delta” e “fio dental”…ah…quanta imoralidade. Voce não usou ou queria usar nenhum desses? Pergunte a quem presenciou o “blablabla” que gerou o simples fato da Leila Diniz ter ido a praia de bikini…GRAVIDA….nossssssssssssssssssssssssssa.

Televisão
O Silvio envelheceu, A Hebe, um pouco menos. As loiras invadiram a telona. Antigamente peito pequeno era bonito – Monique Evans era musa. Hoje peito grande é bonito – e Monique Evans continua linda.. A rainha da Inglaterra continua balançando a mão como miss, para poupar energia.

Voce lembra disso:
“Censura – 18 anos” – e um papel branco, parecido com uma cópia de certidão de nascimento, dizia que não podíamos mais ver tv. Hoje isso é chamado de “indicação” e aparece na telinha antes dos programas. Quem bom que a mídia retomou uma prática saudável….pena os pais não terem aprendido essa prática com seus pais. (há uma geração no meio já…). Se você lembra deste hábito saudável, pratique-o.
Se quando você chegava em casa não podia ver televisão, pois tinha que fazer os deveres, faça o mesmo com a Internet. Cuidado com promessas de “pesquisa na Internet”, pois é a primeira desculpa do vocabulário deles. Parental control!

Assistiu GOONIES comendo pipoca sábado a noite em casa?. Tá…tudo bem…alguns assistiam “Sabadão Sertanejo” ou viam o Gugu Liberato destruíndo a sua carreira dançando o “pintinho amarelhinho”, no Sábado a noite. Isso voltou como uma maldição e hoje é fruto apenas de comédia entre os adolescentes. Alguns, nem sabem direito quem é o Gugu.

Se voce assistiu ao Balão Mágico, Palhaço Carequinha, Xuxa (por zilhões de anos). Se voce sabe o que significa “Pra minha mãe, pro meu pai, pra você”, porque você permite que seus filhos assistam algumas baixarias na tv? É essa memória boa de infância que você quer que ele guarde?. Não seja egoísta. Se voce pode ter memórias boas, ELES também podem e devem. Verifique sempre a programação de canais como o Cultura.

Quando apareceu a primeira “bunda” da televisão, o Roger – do Ultraje a rigor, teve que ficar com uma folhinha de adão (abertura de novela). Não se assuste se daqui a pouco você assistir a um casal transando, ao vivo, em um reality show. Preste bem atenção na sequência de gemidos, pois eles estarão com microfone: Wohoooooooooooooo (que coisa perversa).

Se voce ficou com raiva do beijo da Madonna e da Brtiney, e achou aquilo uma “baixaria”, é porque você não viu a primeira vez que uma mulher de bikini apareceu na tv preto e branca. Que absurdo – muitos pensaram. Quando Ana Rosa (eu acho) deu o primeiro beijo na TV foi um escandalo, uma quase imoralidade. Já apareceu gente TRANSANDO em reality show e tem gente que ainda acha que beijo gay é negativo? Nos anos 90 foram os primeiros “nús” frontais, as vezes no carnaval. Nooooooossa. Cinema brasileiro era proibido para menores porque mostravam seios. Hoje, só se mostrarem uma dilaceração de corpo em tempo real eles colocam 18 anos.

Todo mundo fala mal da atriz que faz filme porno ou fala mal da ex-BBB que saí pelada na revista. Mas todo mundo queria ser Chacrete, Paquita ou outra coisa do gênero. Muitas imitavam a Carla Perez…
Ser artista já foi algo “ruim”, algo apontado como não correto. Quando apontar ou falar mal de alguém da TV, veja se não está fazendo a mesma coisa…

Antigamente não se mostrava violência na televisão. Depois, somente as perseguições. Depois, os tiros e confrontos, depois, os cadáveres. Agora, mostram em cena e tempo real, ao vivo, com intrevistas e tudo mais. O próximo passo será colocar câmeras no local ao vivo, com os refens se comunicando via MSN ou Skype. Também vão colocar um painel de votação do lado de fora, onde as pessoas vão VOTAR e decidir se o criminoso mata ou não a vítima. Essa vítima vai estar desfilando de bikini pela varanda, mandando beijos e autógrafos, amando cada minuto da fama que ela sempre quis, mesmo sabendo que podería morrer ao final deste programa, digo, crime, tragédia…sei lá. (ps: durante o cativeiro, todo e qualquer sequestrado terá direito de se comunicar via msn e skype, desde que não saiba em que local está….)

Filmes
Se você assistiu a “De volta para o Futuro 1,2 e 3”, “Star Wars”, Casablanca, Goonies, Indiana Jones, Batman, OS trapalhões, Zé do Caixão, Xuxa…imagine se toda vez que um filme desses fosse lançado, você fosse bombardeado pela mídia com produtos novos e com novos formatos e com novas cores e com novos issos e novos aquilos. Onde ser é ter, abre-se as portas para uma possível compulsão.

Social
Você deve ter adorado passear em feiras, exposições, feirinhas artesanais, feiras do bairro, etc. Era um momento SOCIAL importante e parte do desenvolvimento infantil. Ainda bem que temos regiões e localidades no país que isso AINDA é possível. Procure eventos como esse na cidade e leve pessoas de outras gerações, para que elas possam ter contato. Todas as gerações precisam de SOCIABILIDADE. Internet e Orkut são legais pra isso, mas são POUCO. Teatro e Cinema existem em todo o país. Sair com os filhos no final de semana não é usar o shopping como “depositário” ou “babá pública”. Promova atividades que proporcionem a eles as mesmas sensações que você teve na sua época.

Sexualidade….ahhhhhhhhhhhhh….coisa absurda – diz a vovó. Pederastiaaaaaaa – grita o Vovô,.

Estamos lidando com gerações diferentes, com questões conflitivas em SEXO, SEXO, SEXO – repita e grite em voz alta três vezes. Pronto….aliviou? Agora você já pode continuar lendo.
- Uma geração foi educada com virgindade sempre algo NECESSÁRIO. Outra, como opcional, outra como algo ultrapassado. Só a partir desse ponto temos conflitos MORAIS muito fortes. Moral sim, porque ela é temporal, baseada em crenças e individual. Contrário do Ética.

Se na sua época pegar na mão é ousado, depois foi beijar, Depois foi namorar e não casar, e depois namorar por namorar. Depois veio o ficar que virou por ficar que virou transar. E hoje tem o transar por transar por transar mesmo e pronto. Repare aqui que a questão da maternidade, primeiramente, deve ser focada na PREVENÇAO. Sim…da mesma maneira que as mães preveninam as filhas sobre pegar nas mãos, ficarem “mal faladas”, “engravidarem”, hoje as mães precisam falar sobre métodos anticoncepcionais e sobre DSTs. Não adiante ter vergonha. A mesma coisa que a mãe antiga sentia, quando tinha que explicar a uma filha sobre as “toalhinhas” para “aqueles dias”, voce sentirá ao abordar esses temas com sua filha. É desconfortante, mas NECESSÀRIO.

Se voce colecionou album, lia MAD, Sabrina, Querida, Julia…sua filha quer ler sobre as atrizes, as maquilagens, os gatos da TV. Os objetos de interesse mudaram, as a euforina e “necessidade” é a mesma.
Já falei isso antes….se você fala mal de Emo, você não conhece a história recente….e aí, fica difícil.
Quem eram os hippies? Brigavam pelo que? Liberdade. Depois, o Rock n roll e sua juventude transviada. Tem tb os NT – Novas Tendências dos anos 80 e depois os GLS dos anos 90. Todos esses grupos de jovens trouxeram contribuições culturais muito boas para o nosso país. Influências positivas em questões comportamentais e sociais. Porque não darmos a voz a esses movimentos das gerações mais novas. Se já aprendemos que esse contato com os jovens é benéfico a sociedade, porque insistimos em combater a ele ainda? (Não entram aqui as agremiações ou aglomerações de jovens com objetivos perversos ou de qualquer detrimento a outrem)

Há muitos anos, uma cesária era algo estranho. Depois, o silicone era meio clandestino, mas virou sucesso. A lipo era meio agressiva, hoje é banalizada – daqui a pouco vão fazer em posto de gasolina. Trocar de peito, de bunda, de cara, de barriga….tá tudo ficando normal…até quebrar a costela pra ficar mais magra. A VAIDADE reje muita coisa hoje. Não nos assustemos se o implante de cérebros der certo (vomos torcer pra isso acontecer)

Antes eles saíam e voltavam das baladas às 18h. Passaram a sair às 18h e voltar às 23h. Depois passaram a sair às 23h e chegar às 6h. Agora saem às 2h e chegam ao meio dia. Em breve eles saírão às 8h pra voltar às 18h….oops…mais aí é o horario do trabalho. E daí? é só consequir um atestado alí no posto…Quando você profissional permite isso, você prejudica muito mais do que o empresário que ficou sem o funcionário, você prejudica toda uma sociedade….Depois não reclame que seu filho chega em casa as 6h da manhã bêbado…
Antigamente só se entrava nos estabeleciimentos noturnos aos 21 anos. Depois dos 18. Mas durante muito tempo, todos usavam documentos falsos para parecerem 18 anos, apesar de terem cara de 15. Aí, os de 12 se passam por de 15, para pode entrar como se fossem uns de 15 se passando por 18. Logo, os de 9 vai se passar por de 12, fingindo serem de 15, passando por 18. Como é que essas crianças entram nessas casas noturnas?

E se meus cálculos estiverem corretos, esse ano de 2009 nós saberemos tudo sobre a India. A culinária da India vai dar pauta para os programas de TV. A moda indiana vai encontrar a nossa. As mulheres voltarão a usar os olhos como uma arma de sedução, assim como os quadris. Algumas usarão como pretexto para pendurar imensas argolas no pescoço e várias pulseiras barulhentas, mas essa não é a questão principal, A Índia vai pegar mesmo e nós, consumidores, vamos “comprar”.:)

Faustão na India, Ana Maria Braga num viagem, A política da India, O trânsito da India…..só espero que explorem tb a pobreza, a violência, a exploração internacional, os problemas sociais e de saúde, as ações voluntárias e as que necessitam de ajuda e ação. Etc..

Eduardo J. S. Honorato

January 19, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

A Pulsão na TV – Maysa, O SERIADO – por Eduardo J. S. Honorato

maysa-elencoComecei a assistir a mini-série Maysa sem a menor pretensão. O fiz atraído pela qualidade da imagem e produção. Quando soube que seria dirigida pelo próprio filho, senti um ar meio biográfico e resolvi apostar.

Logo no início comentei com a Denise (Deschamps, psicanalista e grande amiga) sobre a Maysa pois eu nunca soube dela ter sido tão famosa. Ela me confirmou que foi sim um grande nome da música, e então, resolvi pesquisar sobre ela e um pouco sobre a história da nossa música. Amezinando, assim, minha ignorância musical.

Li um pouco na net e assisti na TV ao mesmo tempo e cada vez mais fui me convencendo. Maysa me pareceu ser alguém com a fama da Madonna e algumas da Amy Winehouse. Em alguns momentos me lembra a Luana Piovani.  Canta com o dom natural da Sandy com a veludez da Ana Carolina. Pra novas gerações, acho que só fazendo essa comparação pra entender a dimensão do talento e da exposição pública que ela estava sofrendo. Tão destrutiva como a inglesa com Lady Di e a americana com a Britney.

 

Como sou viciado em cinema, resolvi  encarar a obra como tal, mas com algumas questões mais interessantes. Além de mais longa temporalmente, eu teria informações de fontes diferentes e poderia mesclar o real da mídia  com o cinematográfico. Isso me dá a liberdade de fazer outras inferências, mas baseado na ficção….logo, sem qualquer necessidade de fidedignidade coma  vida real. Os meus comentários então passam a ser sobre a PERSONAGEM retratada na mini-série, como exemplo.

 

Um ponto que achei interessante é o ator que faz o próprio diretor. Poxa…essa foi uma das primeiras vezes que uma criança com dentes incisivos protuberantes (Como o da Mônica, nos quadrinhos) aparece em um papel com fala em algum tempo. Nhum….isso quer dizer que o ator se deu bem, quando o Diretor também interfere com questões de auto-imagem, auxiliando no projeto.

 

Ao acompanhar os episódios, o tema alcolismo vêm à tona. Comecei a pensar sobre as questões pulsionais em compulsão. Subentendendo-se que a pulsão está desmontada em partes, teríamos somente a variação do objeto a qual ela está relacionada. O tabagismo também nós trás essa informação, além de resgatar, mesmo que momentaneamente, o “glamour” de se fumar em avião….ato que pelo bem da saúde coletiva, foi banido. (mas…quem fuma sente falta..sofre às vezes….risos)

A partir do seriado, pensei no caso dos dependentes químicos, que além da dependência orgânica, têm a depentência psicológica. Esse objeto (droga) desperta o desejo, que cega, que controla, que domina. Que satisfaz ao conseguir, mas que dura pouco. A satisfação é parcial apenas, então o ciclo recomeçata e tudo vai de novo.

Lembrei dos disturbios alimentares, onde se come em um controle “descontrolado”. Onde o objeto (comida) deperta uma pulsão que não beira a racionalidade que não pára enquanto não for saciada.

Não dá para esquecer dos jogadores mais compulsivos. Jogam sem controle, em uma busca incessante pela sensação de vitoria. Se consomem e são consumidos por uma outra situação, e quase cortam com a realidade. O objeto (jogo) desperta essa pulsão.

E quanto esse objeto é algo não tão visto como “negativo”. Por exemplo….Poderia alguém ter uma compulsão por chocolate? Tá…essa existe. E por ARTE? Ah não….claro que não!

                Claro que sim. Baseado somente no personagem do seriado da televisão, me atrevo a inferir que a personagem Maysa é uma dependente da arte.  Ela vive em função desse objeto. Se alimenta e é alimentada por ele, em uma relação quase patológica. Esse objeto ou a ansia em obtê-lo é maior do que tudo e maior do que todos.

                Voces não acharam a Maysa “mãe” um pouco fria? Não…ela não é fria. Já comentei antes sobre a questão da maternidade não ser um instinto, e sim, uma pulsão,  logo, nem todas as mulheres a teriam. Com isso, temos duas possibilidades: ou ela não tinha realmente a pulsão materna, ou SE tinha, não teríamos como perceber. O seu objeto (arte) a consome tanto, a desperta tanto, a domina tanto que ela deixa tudo em função deste objeto, até mesmo as demais pulsões. Essas passam para segundo plano. Pelo pouco que deu para ver, parece que a personagem Maysa conseguiu controlar e trabalhar algumas das suas pulsões, mas foi traída pelo destino

Fica a pergunta de qual seria o motivo para Maysa não ter sido repassada para as próximas gerações como esse “ícone” da música que foi. Porque a mesma mídia que a perseguiu e “urubuzou” tanto nao continuou e perpetuou sua obra como fez com a bossa nova? Fica sem resposta….

Eduardo J. S. Honorato

January 14, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | 2 Comments