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Amy Winehouse – Vitima? Por Eduardo Honorato

Amy Winehouse é um sucesso, e não temos como negar. Ganhadora de dezenas de prêmios importantes, a cantora inglesa têm sido alvo fácil da mídia nos últimos meses.
Chamo de “alvo”, pq é exatamente o que ela parece ser: um bicho em extinção, perseguido por todos os lados, pelos paparazzi.

O estilo musical é diferenciado. Dotada de uma voz dos “deuses”, Amy resgatou um pouco do jazz e blues americano, com uma roupagem nova. Nossa audição é sempre refrescada com suas melodias, entretanto, as letras parecem destoar um pouco do estilo. Essa mixagem faz de Amy ser o que é: uma artista nata, com o dom de “chocar”.

Ela choca pelo estilo de vestir, tatuagens, jeito de cantar, letras, e sua vida pessoal.

Toda geração têm uma cantora [ou cantor] rebelde, revoltada, que faz muito sucesso, e acaba sua vida tragicamente. Foi assim com Kurt Kobain, no Nirvana, na minha geração. Até hoje é idolatrado e idealizado por gerações que sequer o viram cantar ao vivo. Fora assim também com Janis Joplin, que virou um ícone da rebeldia de sua época.

Com Amy não será diferente. Porem, temos aqui um diferencial.

Todos sabiam do envolvimento com drogas de Janis e Kurt. Isso nunca fora novidade. Porem, acredito que a mídia era um pouco menos agressiva e esse lado deles não era por demais explorado.

Apesar de gostar muito das musicas da Amy, cada vez que ela aparece na mídia, drogada, se drogando, caindo pelos cantos ou tendo ataques típicos de um dependente químico, tenho a impressão de que ela nada mais é do que uma “vitima”.
Acho que pela primeira vez estamos vendo um ídolo da musica cometer suicídio passivo em plena cobertura midiática. Acompanhamos todas as semanas suas overdoses, pancadarias, escândalos….e tudo isso vende!! E como vende!

Cada show que ela faz é transmitido no youtube, com cenas dela se drogando. Cada clip lançado faz-se menção as drogas que ela utilizou.
Que necessidade MÓRBIDA é essa, tanto da mídia, quanto daqueles que consomem seus produtos, em explorar a dependência química e psicológica de um artista?
As vezes me pergunto se……se Amy não usasse drogas e fosse essa figura polemica, ela teria feito tanto sucesso assim pelo mundo?

Não que ela não tenha talento….isso é inegável!. Entretanto, todas as referencias que achamos na mídia sobre ela são sempre relacionadas a sua dependência química e estado psicológico caótico no qual ela se encontra.

Houve um tempo em que os artistas eram mais reservados quando o assunto eram drogas ilícitas. Todos sabiam, mas nunca isso fora usado como “bandeira” ou como pano de fundo para aparições públicas. As coisas parecem ter tomado um rumo diferente nos dias de hoje.

Será que estamos esperando ela ter uma overdose em pleno palco, para ser transmitido no Youtube, para que alguém reflita sobre o que nossos jovens estão “idolatrando”?

A mídia que hoje explora morte de crianças, namoradoras de celebridades, assassinatos e crimes hediondos, é a mesma que promove a idolatria a situações que, em outra época, eram vistas como “mais serias”. Até que ponto estamos banalizando o comportamento patológico?

[s]

Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | 5 Comments

O Fim dos Tempos – LITERALMENTE – Por Eduardo J. S. Honorato

O objetivo deste blog é “escrever”….seja o que for. Textos, indicações, comentários….o que quiser.

Bom….como sempre escrevo sobre filmes na Psique- Ciência e Vida, resolvi tb escrever aqui, porem, não de um filme que valha a pena ver. Sim…vou escrever sobre um filme PESSIMO, que me fez refletir.

O filme em questão é o “O Fim dos Tempos” (The Hapenning, 2008). Pensei seriamente se assistiria ou não, porém, resolvi dar um voto de confiança a M. Night Shyamalan, diretor do filme, uma vez que 6 sentido e A Villa foram filmes ótimos.

Saí do filme com alguns pensamentos, dentre eles: BEM FEITO! Sim….bem feito que ele tenha perdido seu contrato com a Disney e BEM FEITO para mim, que tive a péssima idéia de ver o filme.

Já vi muitos filmes ruins, mas este passou dos limites, e ao final, assim como as outras 5 pessoas que estavam na sala de cinema, me senti LESADO, enquanto consumidor.

Vocês não imaginam……”isso” não é um filme….isso não é NADA. É simplesmente um GOLPE para alguns pobres desavisados, que pagam ingressos para assistir algo, que só posso entender como um “surto” de uma mente bastante perturbada, que por ter feito algo bom no passado, conseguiu um financiamento.

Os traillers já mostram a precariedade do que está por vir. Um dos “próximos” lançamentos fala diretamente para os jovens e a mensagem é “não desista”. Porém, essa mensagem é passada através de lutas e brigas de rua, no maior estilo patético, para que jovens acéfalos paguem para assistir e saiam pensando que a violência é um caminho de se persistir..

Ta…..esperamos o filme começar. A idéia principal é muito boa, e poderia ter sido aproveitada muito bem. As plantas resolvem se vingar dos humanos e lançam uma toxina no ar. Esta faz com que os humanos percam seu instinto de sobrevivência e cometam suicídios. Sim…é como se a pulsão de morte tomasse conta de todos, e de uma hora para outra, todos cometem suicídio.

É claro que todos fogem e as cenas clássicas deste tipo de aventura acontecem. O ator principal, Mark Wahlberg até que tenta convencer, dentro das suas limitações. O problema maior é sua “esposa”, interpretada por Zooey Deschanel, que me lembrou Carla Perez atuando em Cinderela Baiana. Ambos dividem cena com uma atriz mirim, que até boa parte do filme, achei que era deficiente auditiva, pois não reagia as cenas e mal se comunicava, chegando a usar apenas “gestos” em algumas cenas.

Os três fogem para longe do ataque químico das plantas e tudo se encaminha para os desfechos clássicos dos filmes do gênero. Quando…..de repente…eles encontram uma cabana, com uma senhora MALUCA, que tem uma boneca de voodoo e mora isolada. A casa lembra o filme psicose, com as cenas mais sem pé nem cabeça que você pode imaginar.
Passam-se mais 15 minutos e tchammmmmmmmmm…. filme acaba!

Sim gente…não é um filme mal feito, mal escrito, mal produzido e mal interpretado somente….é um filme MAL ACABADO. Os diálogos são pateticamente escritos, pateticamente interpretados e ao tem a menor conexão um com o outro. Passam minutos filmando e mostrando um anel idiota, que não terá a menor ligação com o enredo do filme. Não há conexão com as cenas e a impressão que se têm é de que o filme é literalmente um sonho, onde as informações do inconsciente vieram a tona, porem, só terão sentido para aquele que projetou seu conteúdo.

Sim..ao acender as luzes do cinema houve uma reação em cadeia…de total indignação.
Já estou acostumado a ver filmes ruins, pois vejo quase de tudo um pouco. Porem, a sensação de pagar e ver algo que NÃO É NADA, é muito estranha.
Talvez este tenha sido o objetivo do diretor….criar indignação e mostrar ao publico o quanto somos idiotas, em pagar pagar ver algo que não existe e não faz sentido.

Para quem viu “The Signs”, do mesmo diretor, dá para ter uma idéia. Entretanto, acho que neste ultimo filme, o diretor ainda estava mais “centrado” e conseguiu, apesar de ruim, finalizar a mensagem que queria passar. Em “O fim dos tempos” deixou claro que o que “finaliza” ali é sua carreira cinematográfica, pois depois deste “treco” [não sei como chamar], acho muito difícil de alguém sequer alugar um filme deste senhor.

Sugiro a quem tiver interesse que pegue na locadora e veja até que ponto os estúdios conseguem subestimar a inteligência de seus consumidores, acreditando que qualquer porcaria, por pior que seja, possa ser lançada e consumida por nós, sem uma visão crítica.

 

 

July 31, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Cinema-TV | | No Comments Yet