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Por uma postura exemplar – Por Eduardo J. S. Honorato

Ola

Escrevi um artigo mais voltado para estudantes e profissionais de Psicologia.
Ele está na edição número 37 da Revista Psiquê Ciência e Vida, da Editora Escala, para quem escrevo sobre cinema.i94234

Por alguns problemas “técnicos”, houve um erro na autoria do artigo, mas a editora já foi contactada.

A quem se interessar, o link é esse:

http://portalcienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/37/artigo125568-1.asp

February 17, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

O perdão e o desapego – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

1Não imaginamos que um texto sobre algo tão comum “Desapego”, fosse causar tanto impacto. Agradecemos a todos que escreveram, comentaram e perguntaram mais sobre o tema. Nosso objetivo é divulgar textos que levem a reflexões, e não a respostas exatas. Para cada conflito existe um caminho e a reflexão é o primeiro passo.

Continuemos em nossa temática sobre objetos, investimentos, lutos, desapegos e perdão.

Alguns amigos ficaram intrigados em relação ao que nos referimos ao falar em perdão no texto anterior. Qual relação teria perdão com desapego? Estranha essa junção, parece um paradoxo, porque geralmente, pelo senso comum, entendemos perdão como caminho para uma reaproximação.

O que é perdoar, no sentido religioso? Isentos de religião, crença ou filosofia religiosa.Perdoar nao precisa estar atrelado, por exemplo, a uma religião. Você pode “perdoar” mesmo sendo ateu ou agnóstico.

E o que propusemos no texto é que perdão pode ser exatamente o caminho para o desinvestimento, ou seja, o que possibilitará a retirada de investimento daquele objeto perdido (que lembremos mais uma vez, pode ser um trabalho, um vínculo afetivo, um objeto material, uma posição social, um analista(rs rs) etc)

Alguns psicoterapeutas acreditam que uma psicoterapia(ou ainda psicanálise), em seu fim último, teria como meta perdoar nossas imagos parentais, aquelas onde fundamos nossas fixações e que norteiam nossas buscas de investimento e identificação. Essas imagos são construídas ao longo do nosso desenvolvimento e têm total relação com o mundo exterior e em como vivenciamos cada fase do desenvolvimento psicossexual

Sem esse desinvestimento não somos capazes de “quebrar” nossos padrões de repetições, pensamos sair e o que vemos em novos modelos são as conhecidas repetições. Após alguma perda, vocé já se perguntou, por que “diabos” cometeu novamente uma escolha que levou a um desfecho muito conhecido?

Freud nos falará do demoníaco das pulsões, naquilo que abordamos um pouco no texto anterior e que se nomeia em psicanálise de “compulsão à repetição”. Ruben Alves, famoso psicanalista e colunista da Revista Psiquê, têm escrito, nas ultimas edições, sobre os “demônios” (se puder, leia.).

Ah, essa maldita pedra em nosso sapato (repetindo), que “volta a incomodar” aonde justamente pensávamos estar nos libertando, ultrapassando velhas armadilhas.
Como diria a letra da música cantada belamente por Raimundo Fagner: “Quando a gente tenta de toda maneira dele se guardar, sentimento ilhado, morto e amordaçado, volta a incomodar…”

Sem o caminho do perdão que leva ao esquecimento e quebra de laços, não será possível seguir adiante. Tenha esse objeto morrido fisicamente ou apenas morrido como possibilidade de investimento.

Mas então que perdão é esse do qual falamos? Tenhamos claro que está muito longe do “dê a outra face”, muito pelo contrário. Ele é apenas uma tarefa de desinvestir, resgatar da vivência com o objeto perdido tudo que construir possibilidades de crescimento e embora muitas vezes a relação com esse objeto perdido seja de ressentimento e mágoa, será necessário reorganizar-se a partir da compreensão de que somos senhores dos nossos destinos e que, infelizmente, nada acontece por acaso.

Ou seja, se o objeto se foi (real ou imaginário) é preciso desfazer essas conexões e o “perdão” é uma maneira de retirar essa libido dos objetos.2

Aprendendo com os erros, entrando em contato com as “figurinhas repetidas” do álbum de memória, poderá, quem sabe, mudar seus padrões e escolher objetos com características diferentes, fazer outras alianças, contemplar o ego negociando sob outras bases com os senhores dele.

Pense sobre seus relacionamentos, namoros, etc. Eles têm algo em comum? As pessoas pelas quais você se interessa, possuem alguma semelhança? (que pode ser física, de caráter, comportamento, etc)

Lembram? Faixa de Gaza, sim muitos não entenderam o que queríamos dizer. E esse realmente era o objetivo. Vários perguntaram o que significada, e isso foi de propósito. Não é possível refletir sobre “tudo” em um mesmo texto.

Esses senhores que habitam em nós são surdos uns aos outros (Id, Superego e Realidade), querem que se realizem suas “vontades”, falam todos ao mesmo tempo com nosso frágil Ego que entre conversas ensurdecedoras e maioria das vezes impulsos absolutamente contrários, vai tecendo acordos contemplando um pouco cada um deles. Uma hora pode, outra não pode. Uma hora pode, mas com um pouco de sofrimento. Às vezes “pode”, mas não tem “graça”.

Dependendo de quem se contempla e como, teremos os diferentes modos com os quais o psiquismo poderá lidar com esse desinvestimento e novo investimento. Em psicanálise chamaremos isso de formações de compromissos(acordos de paz) e formações substitutivas. Podem ser sintomas ou sublimações (eg: esportes agressivos), todos envolverão complexas operações de dentro do aparelho psíquico.

Então dependendo do grau de negociação que o ego fez, não adianta apenas você repetir mil vezes em frente ao espelho que fará diferente, há em todos nós, naquilo que nos move, muito de desconhecido, um livro no escuro que muitas vezes só poderá ser lido à luz de uma passagem por uma psicoterapia.

Como se fosse um livro escrito em uma língua que sabemos falar com boa pronúncia, mas não sabemos traduzir. Já tentou ler um livro em um idioma que você não domina?
Faça esse teste. Leia as frases e perceba que você entenderá apenas algumas “palavras” soltas. Pode não entender nada também. Pode ACHAR que entendeu, mas na verdade o significado era outro. Assim somos com o nosso psiquismo. As vezes não entendemos nada dele, as vezes entendemos errado, e as vezes nos comunicamos muito bem com ele.

Outras vezes, com sorte, alcançamos um entendimento e por caminhos inúmeros conseguiremos promover novos acordos, importante lembrar, que esses acordos passam inevitavelmente em olhar para esse objeto perdido, agora destituído de atração, daquilo que nos ligava a ele. Pense em alguém que morreu, e que você “até” tinha sentimentos não tão positivos, ou tinha alguma mágoa. Veja se consegue se lembrar “desse objeto” e em como “somente as lembra positivas ou neutras” se mantêm. Pense em um animal de estimação ou assista ao filme “Marley e Eu”. Repare que na imagem que se mostra aparecem as questões ruins (sujeiras, mordidas, estragos na casa), mas são agoras engraçadas e apenas lembranças e o que fica é somente o sentimento bom, ou de “saudade”. Isso é elaborar bem um luto.

A isso chamamos perdão, olhar o objeto como alheio, como um algo que não movimenta mais nossas energias. Muitas vezes percebendo nesse objeto suas próprias limitações em termos dos vínculos que a partir dos nosso próprio desejo, lhe impusemos características que não pertencem necessariamente a sua especificidade. É obvio então, que você pode lembrar de algúem ou de algo que não lhe desperta nada de “bom”, mas pelo menos, não desperta aquela “raiva e angústia” que despertava antes.

Que trabalho, não acha? Por isso não adianta pensarmos em domesticar ou adestrar nossas emoções, conter-se, sem que antes tenha se promovido uma boa mesa de entendimentos e negociações múltiplas. Para que essa mesa promova resultados, há que se perdoar, ou seja, desinvestir.

Olhando para o passado perceber nos cuidadores de sua infância suas próprias limitações e impossibilidades, seguir adiante, abrir mão de ser o promotor para sempre em um tribunal de eternas acusações, agora atualizadas em suas novas parcerias. Sim, essa maneira como lidamos com nossos objetos está diretamente ligada a nossa infância e em como aprendemos a lidar com eles.

Interessante observar que em alguns países esse conhecimento sobre esse perdoar, tem levado famílias de vítimas à conversas com os criminosos responsáveis pelo ataque, parece que com bons resultados de superação para esses familiares que se dispõem a isso. Pensemos nisso em relação aos nossos objetos perdidos.

Resta uma última questão. Como se pode ter raiva e ressentimento de alguém que morreu e era por nós muito querido?

Entenderemos isso porque o psiquismo só consegue ver o abandono e isso gera mágoa e ira. As crianças que perdem entes queridos costumam falar disso abertamente, falam que a pessoa “sumiu” e muitas vezes demonstram de maneira clara, a raiva que isso lhes provoca.

Ah, mas e um adulto, como pode fazer isso? Frente à dor da perda, seremos arremessados com uma força de impulsão tremenda para os nossos conteúdos mais infantis. Já reparou como reagimos nos momentos mais “estressantes”. Perceba como você reage frente a dor, angústia, perdas, sofrimentos, etc.

Frente a essa desorganização da perda, que essa nos provoca no aparelhamento psíquico (caos nas pulsões), a elaboração do pensamento mais “educado” e “civilizado”, meio que sucumbe a essa pressão e precisa de um tempo, longo tempo, para restabelecer seus laços com a realidade e lidar novamente com seu entendimento racional. Precisamos de Tempo para Pensar e Refletir. O corre corre dos dias de hoje talvez não nos permita muito isso, mas com certeza em nosso Inconsciente atemporal, essa tarefa terá que se realizar.

Então é isso, se você perdeu um objeto importante(lembre-se que é qualquer coisa) pense em perdoar, ir adiante, visite com honestidade sua mágoa, faça a faxina, descarregue e siga adiante aprendendo e quem sabe construindo novas possibilidades de fazer laços mais prazerosos e saudáveis. Tire a carga, é só resto, nada mais.

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Fonte das imagens:
1 – http://www.lifestruth.com/images/forgiveness.jpg

2 – http://dlibrary.acu.edu.au/research/theology/ejournal/aejt_9/images/forgiveness.jpg

3 – http://www.comunidade.cn/upload/escritofoto/106661.jpg

February 10, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

Desapego – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

desapego3
Esta semana estávamos debatendo na Internet sobre como seria uma Auto Ajuda mais “saudável”, sem fórmulas mágicas para sucesso ou dinheiro. Em tempos modernos, de corre-corre, uma boa auto ajuda é aquela que levaria a um momento de REFLEXÂO. Pensamos então o que seria isso.

Ao mesmo tempo, dois amigos me perguntaram: “Eduardo, o que VOCE queria dizer com desapego, em SEU texto catartico sobre o desastre em Santa Catarina?”. Como ambos eram de outras áreas (direito e economia) pensei em uma maneira mais simples de explicar, sendo baseada nas construções teóricas com as quais trabalhamos na clínica. Comecei a conversar com a Denise Deschamps por email para ver se conseguíamos construir algo nesse sentido. Mas, não queríamos complicarou usar termos técnicos e pensamos então em escrever algo nesse sentido. Um deles leu e chamou de “auto ajuda”, mas, não conseguimos chegar a um consenso. Dividimos com vocês o texto e esperamos opiniões.

Quando na Psicanálise falamos de libido, de investimento libidinal, de prazer, de afeto, estamos falando também de “objetos”. São estes que nos trazem satisfação, mesmo sendo representantes de outras coisas ou pessoas. Já desde Freud temos a noção de que tudo na vida passa pelo que chamamos vínculo, investimento em objeto. Nós investimos afetos em “objetos” que podem variar desde roupas, pessoas, sonhos, ideais, crenças, etc. Esses objetos guardam suas características, mas ganham para cada um de nós os contornos daquilo que colocamos neles. Um de nós adora tudo que é azul, por razões inúmeras, algumas que tem consciência e outras que sequer sonha(ou que somente as acessa em sonho, pelas operações do Inconsciente). Sabemos, por outro lado, de gente que detesta azul, alguns sequer o podem olhar sem sentir repulsa, devem ter suas razões pra isso também.

Quando somos atraídos inconscientemente por esses objetos, um pouco de energia libidinal é deslocada para “isso”. Vamos pensar em quantidade mesmo. Mantemos uma “ligação” com aquele objeto. Portanto, ocupamos parte do nosso “estoque” de energia psíquica (foram muitos risos até chegarmos a um acordo aqui – risos). Essa faz mil e um acordos, quase uma operação diplomática do tipo “faixa de Gaza”, para se chegar a um resultado que satisfaça os três senhores do nosso psiquismo(id, superego e realidade).

Acontece que às vezes, precisamos desfazer algumas dessas conexões, para que possamos nos ligar a novos objetos, conhecer novas coisas, experimentar mais e assim, termos uma vida psíquica mais saudável. É também, uma questão de aprendizado. Outras vezes somos arremessados a essa tarefa, por lutos inevitáveis, que viver nos traz.

Quando falamos em promover o “desapego” é justamente isso que queremos dizer. Não precisa “desfazer” essas conexões, mas você não precisa de um OBJETO REAL para lembrar daquilo. Parece maluco, mas não é. Mais conversas por email e vamos aos exemplo(risos):

Ex: Pedi (Eu, Eduardo) para um amigo meu abrir a carteira e se eu poderia ver tudo lá dentro. Ele riu e foi me mostrando, até que eu achei uma carteirinha de um seguro de saúde de quando ele fez intercâmbio há alguns anos (desculpa cara…ehehhee). Ora..perguntei se aquilo ali era necessário, e ele disse que “não”. Escondi a carteira debaixo do notebook e perguntei se ele ainda tinha as mesmas sensações e sentimentos quando se liberava daquele “papel”. Ele disse que sim. Pronto. É isso. Ele percebeu que o objeto real não é necessário para que ele associe diretamente com aquelas memórias. Ainda brinquei com ele que como ele mantinha aquilo ali, ele perdia a oportunidade de colocar “novos cartões de crédito” no lugar ocupado. Princípio que aprendemos nas aulas básicas de Física: “dois corpos não ocupam um mesmo lugar”, embora em se tratando de psíquico isso nem sempre SEJA verdade. Manter-se investindo em um objeto somente pelo seu concreto, é impedir que novas conexões e aprendizados aconteçam. (metaforicamente falando, claro). Manter-se investindo afeto em algo que se foi, é como “rasgar dinheiro” em termos da nossa economia psíquica(sim, há uma questão que é econômica dentro do nosso psiquismo)

Então, o que é o desapego? É você doar aquela calça que comprou há três anos e não usa mais (pq ela te lembra aquela época legal do verão). Desapego é você pegar aquele livro que você comprou de literatura e todo mundo já leu e doar para uma escola(oops…contei). É pegar as roupas daquele parente que morreu, e doar para quem precisa, embora seu parente vá permanecer investido para sempre dentro do seu psiquismo, uma parte desse investimento faz parte do que constrói você. Os objetos reais não precisam existir para que seu psiquismo se lembre desses momentos bons ou “ruins” também. Em muitos momentos, precisamos quase que como um rito de passagem, jogar fora, dar, queimar, deletar, coisas que nos remetem a uma relação que deixou lembranças amargas. Há cenas em incontáveis filmes onde a personagem faz fogueira com roupas e pertences do objeto de seu investimento(amor/ódio), há um quê de engraçado na angústia que isso revela.

Por isso que falamos que “doar” não é somente “dar roupa velha e furada que você não quer ou que manchou com caneta”, mas sim, dar também “aquele tênis que você ganhou, não gostou, não usou e tem que guardar” – a pessoa que deu pelo menos pode ficar feliz que alguém aproveitou. Isso é promover o desapego e abrir espaço para novos objetos adentrarem seu psiquismo (e sapatos no seu armário – oops..contei também -risos)

Por outro lado, temos a situação inversa, onde o objeto real sumiu, mas o psicológico continua atrelado a ele. Comentamos sobre isso na análise do filme PS Eu Te Amo (Ps I love You, 2008).

Um processo de elaboração da perda de um objeto real (parente que morreu) pode levar até nove meses e atenção que passando disso entramos em zona de risco. Sim…até a pessoa perceber que o objeto se foi realmente e a energia pode ser usada para outras coisas e ela pode continuar vivendo. Porém, há casos em que isso não foi bem elaborado, e a pessoa permanece investindo energia no “morto” e esse vem morar dentro daquele que não se desapega. Como não obtém “resposta” desse objeto, investe mais e mais energia, e entra no que Freud chamou de “Melancolia” e que hoje conhecemos como DEPRESSAO, não aquela tristeza natural de quem perdeu um importante objeto de afeto, mas uma tristeza sem fim que carrega uma angústia de abandono, há algo de raiva escondida nesse sentimento imenso que paralisa a pessoa e a deixa presa a um objeto que não está mais presente. O abandono do luto que leva a essa depressão não se dá somente com a morte, porque o que importa é a morte do objeto para a pessoa que investe, então muitas vezes se dá pela separação em relação ao afeto(parceiros, amigos, parentes, colegas de trabalho etc).

O trabalho na clínica, portanto, é fazer esse caminho INVERSO, com a ajuda dos psiquiatras e medicamentos.. Ele se foi, e será preciso aprender a manter pequenas conexões e se ater às memórias boas e que é um processo que todos um dia passam: o luto. Não é menosprezar o objeto, mas sim, “seguir em frente”, alguns acreditam que esse desapego passa por um sentimento de perdão, não no sentido religioso, a pessoa pode continuar achando o fim da picada o que viveu(ou inaceitável a perda), mas pode desinvestir tudo aquilo, retirar o que foi aprendizagem e descarregar o objeto de qualquer energia(afeto) que queira atualizá-lo, abrir espaço como quem limpa um armário. Cada luto é específico e tem suas saídas e não poderemos generalizar seus caminhos, mas saudavelmente, em algum momento, essas operações serão necessárias.

A questão dos “objetos” é tão importante na Psicanálise, com o que chamamos de “relação objetal”. Sim, existem maneiras que seguem um “padrão” em como lidamos com alguns objetos. Aprender essa maneira peculiar é entender quando poderá ter problemas e sofrimentos. E, quando se colocar em situação semelhante, será como contar com um sinal vermelho em uma porta que leva ao risco da repetição, ao tentar entrar avisará que temos duas escolhas a fazer: tomar o caminho que já conhecemos ou procurar outra porta, outra forma de investir. É aprender a maneira como seu psiquismo se relaciona com os objetos. E assim, evitar sofrimento psíquico. Tarefa nada fácil, que vamos aprendendo de acordo como ultrapassamos nossas sucessivas dores inevitáveis, desmames metafóricos que “sofreremos” ao longo da vida.

Portanto, esta aí uma coisa saudável (desde que não excessiva). De tempos em tempos, faça uma faxina do armário, doe uns livros, conheça pessoas novas, diga oi para pessoas que não dizia antes, segure a porta para seu vizinho. Promova ações onde se desapegue de objetos sem mais valor, e abra espaços para novos objetos na sua vida. Também reveja relações, retome contatos, isso pode falar de desapego também, ultrapassar velhas mágoas e ressentimentos. Por incrível que isso possa nos parecer, somos intensamente apegados aos nossos ressentimentos. Pense um pouco sobre isso! É mais saudável sempre seguir adiante.

Temos que manter essa nossa energia psíquica circulando o tempo todo. Tudo que fica parado demais, não dá muito certo, até água parada, apodrece.

Por isso DESAPEGA rapaz! Largue a bagagem extra que o caminho ficará mais leve. Se for muito pesada a carga, peça ajuda.

Abs

Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

PS: Procurando no Google uma imagem achamos essa primeira. Não teve como não copiar. Não tínhamos como referenciar, e fomos ler o blog. Tive,ps que roubar a imagem e referenciar um lindo desabafo de DESAPEGO. Como está no virtual, acreditamos ser de domínio público e vamos citar. Ressaltamos que não é análise de ninguém, mas uma leitura analítca de um texto “literário”, como se assim o fosse.

http://ameninaeasmontanhas.blogspot.com/2007/06/desapego.html

Gostaríamos de agradecer a todos do debate, que construíram com a gente essas relfexões. Pedimos autorizção para agradecer a todos aqui, mas somente algns tinham scrap aberto. Mesmo assim, agradecemos: Ana Quezia, Dhiego, Renata, Neto e Junio pela troca online. (na comunidade Psicologia, do Orkut)

February 5, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 10 Comments

O Mundo da Moda – Por Eduardo J. S. Honorato

prada4Em passagem por Manaus, Amazonas, tive o imenso prazer de fazer novas amizades. E, como de costume, o assunto “cinema” veio à tona. Um desses novos amigos, Pedro Cortês, citou o filme “O Diabo Veste Prada” (Devil Wears Prada, 2006). Neste, a eterna candidata ao Oscar, Meryl Streep interpreta Miranda Priestly, uma mega executiva de moda.

Streep é uma das maiores atrizes do cinema americano, e não foi à toa que já recebeu 15 indicações, levando para casa duas das mais desejadas estatuetas desengonçadas da Academia (Melhor Atriz em Sophie´s Choice – 1982 e Melhor Atriz Coadjuvante em Kramer vs Kramer – 1979). Quase 30 anos sem ganhar este prêmio, Meryl é mais uma vez uma das concorrentes para 2009. Algo já rotineiro para atriz, uma vez que já foi indicada para mais de 80 prêmios, já tendo recebido mais de 60. Isso mesmo…SESSENTA vitórias. Arrisco-me dizer que talvez seja uma das atrizes mais premiadas e talentosas de Hollywood. Cada vez que ela aparece na “telona”, não há a menor possibilidade de visualizar outra atriz no mesmo papel, dada a tamanha entrega que ela tem a arte. Merece muito mais prêmios.prada21

Miranda é rápida, decidida, dedicada e workaholic, mantendo uma pequena parte humana e emocional intacta, mas que não pode demonstrar com frequencia. É uma das mulheres mais poderamos neste ramo de atividades: a moda. À primeira vista, este nicho de mercado pode ser entendido como algo simples e “bobo”, mas o filme trás uma cena muito marcante, e quem assisitiu se lembra bem dela.

Esta cena mostra os impactos que esta indústria pode ter na economia de diversos países e em como isto movimenta milhões ao redor do mundo. Para mim, Profissional de Saúde Mental, esta deve ser a mais importante cena do filme, pois além de mostrar potência desta indústria, muito criticada e apontada como causadora de vários problemas, se torna um bom ponto para repensar alguns conceitos e questões sociais interessantes.

anorexia1Eu já escrevi alguns pensamentos sobre esse tema em debates virtuais, e vou reproduzir alguns deles aqui, despertado pela deliciosa conversa que tive sobre cinema e cultura recentemente. É importante percebermos e analisarmos este mercado, tão presente e tão importante, seja no impacto PSÍQUICO, quanto econômico que cumpre nos dias de hoje. Assim como a personagem Andy Sachs (Anne Hathaway), sempre mantive distância deste ramo, por achar que não tinha muito relação com meu cotidiano. Estava enganado e assim como a personagem, tomei um “soco no estômago” metafórico, pena que não foi dado por Maryll Streep. :)

Em 2007 assisti semanalmente ao programa Brazil’s Next Top Model. Além de gostar de alguns estilos de Reality Show (olha a pulsão escópica Lacaniana aí gente….risos), tenho uma amiga que era uma das candidatas, o que me “obrigou” a assistir. Fiquei bastante intrigado com afirmações dos jurados e participantes do programa de que algumas candidatas eram “gordas”, apesar de mostrarem um corpo normal e bem proporcional. O mesmo ocorreu na segunda edição do programa, e não consegui acompanhar até o fim, incomodado com algumas cenas que pareciam mais relacionadas a tortura e a crises de anorexia. Recusei-me a ver o sofrimento psíquico e físico de algumas candidatas. Tortura na Tv jamais!

Assim como este programa de TV, tive outro contato com o tema, ao assistir e escrever sobre corpo x moda, para a Revista Psiquê, usando como exemplo o filme Hairspray (2007). Um filme sobre“Imagem corporal”. Grotescamente definindo, seria a imagem psíquica que temos de nós mesmos. Em uma leitura mais Psicanalítica, sabemos que o processo de formação da imagem corporal tem, obviamente, sua base no que Freud chamou de “Princípio do Prazer”, e se funde com o próprio processo de formação do Ego, passando pela Ego Função e Ego Projeção, onde nossos sentidos (no termo mais biológico possível), são fundamentais, posteriormente sendo necessário o Outro. Ou ainda nas operações de alienação e separação no que Lacan denominou de “Estádio do Espelho”. (Revista Psiquê)anorexia4lp

Nós, profissionais psi, sabemos do grande impacto que um prejuízo na auto-imagem corporal pode causar no comportamento de um sujeito, especialmente na adolescência. E em como as figuras parentais são importantes neste longo processo. Grande parte dos transtornos alimentares ocorrem hoje em adolescentes do sexo feminino, pressionadas por uma industria da moda e beleza, em uma plataforma de magreza exagerada. (Revista Psiquê)

Hoje me questiono se somente esta indústria deveria ser a “única culpada” destes impactos negativos que presenciamos no âmbito psíquico….Algumas considerações e reflexões que julgo serem importantes:
Assisti a um documentário na Tv a cabo (infelizmente não consigo me lembrar do nome) sobre Moda x Peso e fiquei bastante surpreso. Este versava basicamente sobre a incidência de disturbios alimentares entre modelos e astros de hollywood. Pq?

Eles buscaram a resposta na própria história recente da moda. Há alguns anos as agências de modelos comecaram a usar meninas cada vez mais novas nas passarelas. Garotinhas de 12 e 13 anos foram recrutadas para esse ramo, e, é claro, seu desenvolvimento biológico mal havia iniciado.

Assim, o “padrão” “raquítica e esquelética” não se originou de modelos magras e em dieta, mas sim, em um modelo de beleza INFANTIL. Ou seja…o “belo e desejado” passou a ser aquele seco, reto, sem curvas…..ou seja: de uma menina, ainda nao madura sexualmente.

Acontece que essas meninas-modelos chegaram aos seus 15 e 16 anos, e logo, souberam que só podem ser aceitas neste mercado de trabalho se continuassem com aquele corpo sem formas que tinham antes…e buuuuum….se dá o desenvolvimento de um distúrbio alimentar [nao esqueçam de que isso, eh claro, é apenas o fator desencadeante...]

Tente imaginar o sofrimento psíquico aos quais essas moças jovens são expostas. Quem já conviveu, atendeu ou teve contato com alguém com transtorno alimentar sabe da intensidade desse sofrimento. Se você trabalha ou tem vínculo empregatício, sabe que o “medo de perder” o emprego gera uma intensa angústia. Imagine se o fato de você comer uma barra de chocolate ou um prato de massas no final de semana pudesse acarretar na perda de um contrato de trabalho? Estamos passando por um período de crise econômica mundial e muitos temem por seus empregos. Pois é….algumas modelos sentem “esse medo” constantemente, simplesmente quando COMEM.

Por outro lado, as mulheres do mundo inteiro passam a ter como parâmetro de beleza essas meninas….e logicamente que tenderiam a ser como elas, emagrecendo cada vez mais. O efeito em cadeia começa aí. Logo…apresentadoras de tv, atrizes premiadas do cinema, atrizes de seriados…todas queriam então ser magras e disfórmicas, pois somente assim elas poderiam conseguir os tão almejados papéis nas super produções hollywoodianas.

E pq os studios de cinema só escolhiam as atrizes “semi-cadavéricas”? Simples…..pq quanto mais magrela e seca essa atriz fosse, mais “garanhão”, “grandão” e “másculo” o galã pareceria nas telas. Neste documentário supracitado, eles exemplicam com o Tom Cruise: um nanico!!! [eu posso chamá-lo assim pq sou mais baixo do que ele...ehehe]….que, ao lado de uma Sigourney Weaver (atriz de Allien), que mede quase 2 metros de altura, ele jamais seria visto pelo público como o super herói, que salva todo mundo usando apenas um cichlete superpoderoro e um oculos x-ray!

E depois, vêm mais efeito cascata. No artigo sobre as gerações, mencionei que o Ser é Ter, infelizmente. Com as modelos, atrizes, apresentadoras de tv, todo mundo com esse padrão de beleza, as adolescentes tenderam a seguir essa ditadura, e é por isso que desde o final da década de 90, os distúrbios alimentares estão no “top 10″ das Queixas Principais nos consultórios pelo mundo todo.

“Já o psiquiatra Celso Garcia Júnior, coordenador do ambulatório de transtornos alimentares da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), acredita que o aumento seja mais reflexo de uma demanda reprimida do que de uma mudança do perfil da doença.” (folha.com.br)

lohan_article_lohancompareOs profissionais de Nutrição trabalham muito com o IMC – Índice de Massa Corporal, que grotescamente seria uma relação entre o seu peso e sua altura ao quadrado. Não quero adentrar nesta área, pois existem profissionais para isso. A tabela, sem os nomes científicos corretos, seria esta aqui:

Cálculo IMC
Abaixo de 18,5 – Você está abaixo do peso ideal
Entre 18,5 e 24,9 – Parabéns — você está em seu peso normal!
Entre 25,0 e 29,9 – Você está acima de seu peso (sobrepeso)
Entre 30,0 e 34,9 – Obesidade grau I
Entre 35,0 e 39,9 – Obesidade grau II 40,0
acima – Obesidade grau III
Fonte: http://como-emagrecer.com/calculo-de-imc.html

Ora, tecnicamente falando, um IMC abaixo de 18 não é considerado saudável. Mais do que correto e ético atentar para isso. Pensando neste ponto, em 2006, na Semana de Moda de Madrid houve um corre-corre e muita reclamação. As modelos com IMC abaixo de 18 foram proibidas de participar do evento. Alguns estilistas criticaram, outros apoiaram a medida, que para mim é um caso de SAÚDE PÚBLICA.
(http://estilo.uol.com.br/moda/ultnot/2006/09/18/ult26u22381.jhtm)

Será que esta medida teve realmente o efeito necessário? Resolvi pesquisar na Internet alguns dados de algumas modelos. Gostaria de alertar que estes são dados PÚBLICOS e não fidedignos. Como não sou nutricionista, nem nutrólogo, usei um site que faz o cálculo automático do IMC. Essas informações servem para algumas reflexões importante.

Exemplo:
- Gisele Bundchen (ubbermodel) – 1,80 / 52kg
IMC 16
- Vanessa da Cruz, [vencedora do Supermodel Brasil 2006] – 1,72 / 45kg
IMC: 14,5

Segundo alguns sites, algumas modelos chegam a MENTIR sua altura, se declarando mais baixas, para alterarem os cálculos do IMC. Uma colega, modelo na Europa, me contou uma vez que a “moda” lá fora era “tomar dois litros de água antes de se pesarem”, pois assim, aumentavam seu peso e não eram cortadas das seleções de modelos, lógico que logo depois da pesagem, o vaso sanitário era a próxima parada.

Bom….já coloquei alguns pensamento sobre a indústria da moda e seu impacto no psiquismo humano, mas acredito que algo “falta” nessa possível leitura de um fenômeno. Fiquei com a sensação de que existem outros fatores importantes nos dias de hoje que contribuem para estes casos de transtornos alimentares. Resolvi ler um pouco mais e colocar alguns pontos para reflexão.

Diversas foram as “celebridades” que já declararam publicamente que sofreram com Transtornos Alimentares, dentre elas, Lady Di, Christina Aguilera (com seu videoclip de Beautiful), Victoria Beckham etc. Essa semana, tive o desprazer de ver uma imagem de Lidsay Lohan jogando boliche. Seu corpo pareceria mais uma aula de anatonia, com sua estrutura óssea toda a mostra.

Recentemente saiu na Internet uma notícia (folha.com.br) informando que “Garotos já ocupam 60% dos leitos para anorexia no HC”. Sim…..homens também desenvolvem anorexia. É comum acharmos que somente as meninas aspirantes a modelo desenvolvem esse quadro. Mas….então….seriam ELES também “escravos do corpo e da moda”?

Isso me leva a refletir que existem OUTROS FATORES estimulando esses quadros atuais. Culpar a “indústria da moda” é criar uma relação de causa e efeito que não pode, ou deve, ser linear. Se pensarmos na moda como um ARTE, não podemos culpar os artistas somente por suas consequências. Se fosse assim, teríamos que culpar a indústria automobilística pelos acidentes de carros, uma vez que muitas usam pilotos profissionais fazendo “peripécias” com seus produtos. Ninguém faz barbeiragem no trânsito pq viu na propaganda na televisão.

vigorexiaVou citar alguns outros quadros patológicos que vêm crescendo nos últimos anos. A VIGOREXIA (Síndrome de Adônis), por exemplo, é um quadro bastante complexo e que tem chamado à atenção dos especialistas. Sabe aquele seu amigo “marombeiro”, “bombado” que usa anabolizantes e que está parecendo um touro de tão inchado e deformado? Pois é…isso PODE ter vigorexia. Qual a diferença entre o Vigorexico e a Anoréxica? Ambos colocam a saúde em RISCO, seja por não ingerir alimentos, seja por ingerir substâncias nocivas ao corpo. Ambos tem distorção da imagem corporal e para isso, levam seus corpos a limites, se tornando nocivos ao próprio organismo (Ler sobre Pulsão de Morte – Freud).

Já ouviram falar de Ortorexia? Pois é…como dizia minha avó: “nós podemos morrer pela boca”. Este transtorno se caracteriza por um compulsão em comer produtos NATURAIS. Em cidades onde a estética corporal se torna algo necessário para ser aceito, uma vida saudável é “obrigatória”, abre-se mais uma possibilidade de compulsão. Este trantorno não tem reconhecimento mundial, pela OMS, não com esta nomeclatura, mas já existem relatos de pacientes que passam FOME, por se recusarem a comer qualquer produto que seja industrializado, que tenha gordura X ouY ou que não obedece a SEUS critérios rígidos de “saudável”. E será que precisamos e uma nova nomeclatura para ele? Não……mantêm-se uma comPULSÂO, e muda-se apenas o objeto pulsional.

Onde TER É SER, e SER é TER, abre-se espaço para COMPULSÕES e em uma sociedade consumista como a nossa, a tendência é que esses quadros se acentuem mais e mais. Com isso, pode-se perceber que além da indústria da moda, a indústria da beleza, dos cosméticos, a indústria televisiva, a mídia, todos estes são fatores que influenciam nesses quadros e culpar apenas a “moda” é mais fácil, porém, sem eficácia alguma. Se pudéssemos fechar a indústria da moda, com certeza, os transtornos alimentares continuariam a chegar em nossos consultórios. Logo, é hora de pararmos de culparmos um único segmento e colocarmos a mão na massa para revertermos esses quadros psicopatológicos.

A quem se interessar pelo tema, sugiro que dê um Google no termo “International Journal of Eating Disorders” e leia os excelentes artigos publicados.

Eduardo J. S. Honorato

Christina Aguilera – Beautiful

January 28, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 3 Comments

Dir: /meusdocumentos/minhasmemoriasciberneticas

festaanos701Se você não entendeu a piada do título do texto, terá dificuldades em entender aqui , uma vez que ele é voltado para os “mais de 30”.

Se você já passou dos 30, deve se perguntar sobre algumas coisas no seu cotidiano. Sim…é depois dessa idade que normalmente começam a aparecer esses questionamentos na clínica, e temos que entender um pouco sobre essas gerações.

É importante ressaltar que esse choque de gerações se apresenta de diversas maneiras, nos mais diversos tipos de questionamentos e na tentativa de entendimento do comportamento, seja de filhos, netos, companheiros ou parceiros, pertencentes a uma outra geração.

Também faço parte dessa geração e constantemente busco parâmetros na minha época, de fatos ou coisas semelhantes. Não pretendo dar orientações a pais ou coisas desse tipo, mas apenas mostrar uma maneira de sempre relativizar algo que gere conflito de gerações, e isso, favorece ao diálogo. Quem trabalha na área sabe de como isso está em falta nos dias de hoje. Resolvi fazer um texto cômico sobre como as coisas são cíclicas. Dividi por áreas e tento fazer um paralelo com a próxima geração, quando possível.

Reparem que esses ciclos funcionam tanto para coisas positivas, como negativas, e podemos prever como será daqui a alguns anos, na sequência que estamos indo. Seriam previsões? Não…seriam respostas naturais a fenômenos sociais tão nítidos.

Internet, Telefonia e brinquedos
A nova geração já conhecerá a banda larga, e a conexão “dial up” será tão ultrapassada que será equivalente ao telefone de parede, analógico, que existia na década de 80.

Antigamente, passar HORAS no play era tudo que você queria. Ou, correr na rua, atrás de carros. Você torcia para ficar até mais tarde no play ou na rua nos finais de semana. Pois é….os filhos de hoje fazem isso, só que virtualmente. E por isso que eles “querem por que querem por que querem”… e burlam todas as normas, assim como voce escapava e fugia na sua época. Trate a Internet como um momento de Lazer, que deve ser comedido e monitorado.

Seus pais deixavam você brincar longe dos “olhos” de adultos conhecidos? Então, não deixe seu filho visitar salas “estranhas” na Internet. Controle Parental neles!
Seu pen drive hoje é uma maravilha perto dos antigos DISKETES. Sim…aqueles “bolachudos”, imensos, ou na versão “pocket-bolso”. Eram gigantes e não armazenavam quase nada. Está feliz com seu pen drive de X Gigas…..esquece….será cafona e inútil em poucos anos.

Assim como na sua época “ter carro” ou uma mobilete tinha um certo Status, ter computador hoje também é. Ele pode ser a ferramenta de acesso a um mundo todo novo de informações e cultura. Se você aprendeu com seus pais a ter gosto pela leitura, aprenda a ter gosto pela Internet através dos seus filhos. Faça uma troca de conhecimento com eles. Se voce sugere que ele leia um livro e ele faz cara de “ergh”, é a mesma cara de “ergh” que você faz quando ele quer te mostrar ou ensinar algo sobre computadores. Se o seu não tem graça, o dele também não terá. (se você buscar, vai lembrar de alguma coisa que um dia pensou não gostar, e se arrependeu depois…pelo menos UMA lembrança assim voce terá…)

Vc num goxta di le coixas axim na net mugixa? Eu também não. Mas é assim que eles se comunicam hoje. Pesquisas recentes mostram que esse vocabulário de internet não influencia na língua portuguesa (confesso: só lí a chamada da notícia, não lí tudo). Bom…na sua época as pessoas se identificavam em grupos através de afinidades. Elas também acontecem no real. Quando você encontrava com as minas e os manos pra dançar ou ferver na noite, ninguém falava formalmente. Logo…as mensagens nesse espaço social virtual serão assim também.

Eles já nascem sabendo discar o número de um celular. Cresceram tão próximos dele quanto da televisão. Estes passaram a ser ítens “indispensáveis”. Na adolescência anterior, estes ítens não existiam, e talvez os “indispensáveis” fossem os brinquedos do He-Man, o Castelo, a coleção do Playmoboy, ou do comandos em ação. Uma geração que cresceu com brinquedos, outra, com tecnologia. Brinquedo hoje é sinônimo de tecnologia, portanto, não há como dissipar. Ao ser pedido por um desses, a melhor maneir a é analisar as possibilidades financeiras, a necessidade REAL da criança, a idade e maturidade para lidar com tal tecnologia. Verifique se é apropriado para aquela idade. Tome todos os cuidados que seus pais tinham quando compravam brinquedos para você. Aos 3 anos você não podia brincar com ataris e videogames porque não eram apropriados. Você precisa se atualizar para poder orientar os filhos.

Aliás……para quem Jogou Atari, Master System, Nintendo e as séries MarioBros, assim como Sonic, não leve um susto ao saber que o novo Console (sinônimo pra video-game) custa mais de R$1000,00. Um pedido de brinquedo desses é tão importante quanto o SEU desejo era naquela época. Isso é importante para que o pai ou mãe repense bem no tipo de resposta que dará ao filho, de uma maneira mais saudável para o desenvolvimento psíquico dele. Isso não quer dizer “dar” sempre que preciso, mas sim, REAVALIAR a maneira como se diz um “sim” ou “não”.

Entenda que seu filho não quer um carrinho de rolimã, um autorama nem um pogobol, ele quer um nintendo ii. Tirando os excessos de uso, pode ser uma maneira saudável de se praticar video-game, aliado a exercícios. Sua filha não quer mais o jogo Genius. Voce queria o Jogo Imobiliário ou Jogo da vida – aliás, esses jogos TODOS se reformularam para uma nova geração. Se voce adorava a Suzie,ou a Barbie, a sua filha adora a casa da Barbie, o carro da Barbie, As roupas da Barbie. SER É TER, mesmo nas brincadeiras infantis modernas.. Nas próximas gerações, como diz a piada, as crianças irão pedir a BARBIE DIVORCIADA. Sim…ela é muito melhor. Sabe porque? Porque ela vêm com o carro do Ken, a pensão do Ken, os imóveis do Ken. É caro? Claro…é preço que se paga pela modernidade.

Se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele. Se seu filho não gosta do “cubo mágico” que você usava, ensine a ele a usar jogos de lógica online. Sudoku, palavras-cruzadas e dezenas de atividades que auxiliam no processo de aprendizagem. Porque ficar falando no MSN e lendo bobeira no Orkut o tempo todo? Internet não é só bate-papo.

Música
Alguns gostaram dos Menudos, outros do New Kids on the Block. Alguns, já de outra geração, gostaram no NSync e hoje, eles gostam de NXO e High School Musical (O barrados no Baile dos anos 90). Aquele seu LP que vinha com uma calcinha de renda, do Vando, é artigo de museu. Assim como será esse CD que voce comprou hoje, pois no futuro, a música será mp3.

Madonna continua igual, chocando e ganhando muiiiiiiito dinheiro.

Quando um adolescente pede para ir em um show, por mais “bobo e sem sal” que pareça, ele está como você esteve, implorando para ir ao Rock in Rio I ou II.
Já reparou que quando voce vê uma banda de música tocando e pensa: “já viu isso antes”. Pois é….e já viu mesmo: Renato e seus alguma coisa eram como os Mamonas Assassinas. O Dj Marlboro afirmou recentemente que o funk tb tem isso, hora popozudas, hora loiras, hora frutas, etc. Se você acha as letras do funk muito pesadas, TRADUZA as músicas que você cantava na sua juventude. Claro que, algumas músicas, quando saem da arte e entram numa outra área, perdem esse mérito.Aliás…o pessoal do Samba também não era bem visto. Porque pegar no pé do funk então? Eu não gosto…nem de samba nem de funk, mas respeito a liberdade de expressão deles. Se voce ouvia samba ou mpb, saiba que elas não era benvistas também nas suas épocas.

Voce não gosta do Latino? Nem do Mulher Melancia? Mas na sua época você via o Sdiney Magal e o Trio los Angeles neh? Alias….o que fazia a Gretchen mesmo? CANTAVA?

Vestuário
Sua filha quer uma calça da Diesel ou da Carmim? Muito cara? Voce usou a antiga LEE? Assistiu filmes americanos com os famosos jeans? Usou tennis da Redley e mochila da Company? Usou caneta 10 cores e estojo do paraguay (aquele com tudo saindo de dentro)….pois é, hoje o “ter” mudou de foco e passou a ser apenas uma marca, uma vestimenta, um celular. Algumas continuam numa mesma linha, outras, mudaram radicalmente…Ah..lembrei de mais dois: roupas da anonimato(com suas caveiras legais) e calça da GANG. Eram caras, mas não sei se como são hoje….

Você acha pequeno o bikini cortininha da Rosa Chá que sua filha de 15 anos pediu? Peraí….então vamos voltar no tempo. Você usou o maiô de banho até o meio das pernas? Se não, foi o maiô inteiro e depois, o frisson do bikini. Era um atentado ao pudor. E os famosos bikinis “asa delta” e “fio dental”…ah…quanta imoralidade. Voce não usou ou queria usar nenhum desses? Pergunte a quem presenciou o “blablabla” que gerou o simples fato da Leila Diniz ter ido a praia de bikini…GRAVIDA….nossssssssssssssssssssssssssa.

Televisão
O Silvio envelheceu, A Hebe, um pouco menos. As loiras invadiram a telona. Antigamente peito pequeno era bonito – Monique Evans era musa. Hoje peito grande é bonito – e Monique Evans continua linda.. A rainha da Inglaterra continua balançando a mão como miss, para poupar energia.

Voce lembra disso:
“Censura – 18 anos” – e um papel branco, parecido com uma cópia de certidão de nascimento, dizia que não podíamos mais ver tv. Hoje isso é chamado de “indicação” e aparece na telinha antes dos programas. Quem bom que a mídia retomou uma prática saudável….pena os pais não terem aprendido essa prática com seus pais. (há uma geração no meio já…). Se você lembra deste hábito saudável, pratique-o.
Se quando você chegava em casa não podia ver televisão, pois tinha que fazer os deveres, faça o mesmo com a Internet. Cuidado com promessas de “pesquisa na Internet”, pois é a primeira desculpa do vocabulário deles. Parental control!

Assistiu GOONIES comendo pipoca sábado a noite em casa?. Tá…tudo bem…alguns assistiam “Sabadão Sertanejo” ou viam o Gugu Liberato destruíndo a sua carreira dançando o “pintinho amarelhinho”, no Sábado a noite. Isso voltou como uma maldição e hoje é fruto apenas de comédia entre os adolescentes. Alguns, nem sabem direito quem é o Gugu.

Se voce assistiu ao Balão Mágico, Palhaço Carequinha, Xuxa (por zilhões de anos). Se voce sabe o que significa “Pra minha mãe, pro meu pai, pra você”, porque você permite que seus filhos assistam algumas baixarias na tv? É essa memória boa de infância que você quer que ele guarde?. Não seja egoísta. Se voce pode ter memórias boas, ELES também podem e devem. Verifique sempre a programação de canais como o Cultura.

Quando apareceu a primeira “bunda” da televisão, o Roger – do Ultraje a rigor, teve que ficar com uma folhinha de adão (abertura de novela). Não se assuste se daqui a pouco você assistir a um casal transando, ao vivo, em um reality show. Preste bem atenção na sequência de gemidos, pois eles estarão com microfone: Wohoooooooooooooo (que coisa perversa).

Se voce ficou com raiva do beijo da Madonna e da Brtiney, e achou aquilo uma “baixaria”, é porque você não viu a primeira vez que uma mulher de bikini apareceu na tv preto e branca. Que absurdo – muitos pensaram. Quando Ana Rosa (eu acho) deu o primeiro beijo na TV foi um escandalo, uma quase imoralidade. Já apareceu gente TRANSANDO em reality show e tem gente que ainda acha que beijo gay é negativo? Nos anos 90 foram os primeiros “nús” frontais, as vezes no carnaval. Nooooooossa. Cinema brasileiro era proibido para menores porque mostravam seios. Hoje, só se mostrarem uma dilaceração de corpo em tempo real eles colocam 18 anos.

Todo mundo fala mal da atriz que faz filme porno ou fala mal da ex-BBB que saí pelada na revista. Mas todo mundo queria ser Chacrete, Paquita ou outra coisa do gênero. Muitas imitavam a Carla Perez…
Ser artista já foi algo “ruim”, algo apontado como não correto. Quando apontar ou falar mal de alguém da TV, veja se não está fazendo a mesma coisa…

Antigamente não se mostrava violência na televisão. Depois, somente as perseguições. Depois, os tiros e confrontos, depois, os cadáveres. Agora, mostram em cena e tempo real, ao vivo, com intrevistas e tudo mais. O próximo passo será colocar câmeras no local ao vivo, com os refens se comunicando via MSN ou Skype. Também vão colocar um painel de votação do lado de fora, onde as pessoas vão VOTAR e decidir se o criminoso mata ou não a vítima. Essa vítima vai estar desfilando de bikini pela varanda, mandando beijos e autógrafos, amando cada minuto da fama que ela sempre quis, mesmo sabendo que podería morrer ao final deste programa, digo, crime, tragédia…sei lá. (ps: durante o cativeiro, todo e qualquer sequestrado terá direito de se comunicar via msn e skype, desde que não saiba em que local está….)

Filmes
Se você assistiu a “De volta para o Futuro 1,2 e 3”, “Star Wars”, Casablanca, Goonies, Indiana Jones, Batman, OS trapalhões, Zé do Caixão, Xuxa…imagine se toda vez que um filme desses fosse lançado, você fosse bombardeado pela mídia com produtos novos e com novos formatos e com novas cores e com novos issos e novos aquilos. Onde ser é ter, abre-se as portas para uma possível compulsão.

Social
Você deve ter adorado passear em feiras, exposições, feirinhas artesanais, feiras do bairro, etc. Era um momento SOCIAL importante e parte do desenvolvimento infantil. Ainda bem que temos regiões e localidades no país que isso AINDA é possível. Procure eventos como esse na cidade e leve pessoas de outras gerações, para que elas possam ter contato. Todas as gerações precisam de SOCIABILIDADE. Internet e Orkut são legais pra isso, mas são POUCO. Teatro e Cinema existem em todo o país. Sair com os filhos no final de semana não é usar o shopping como “depositário” ou “babá pública”. Promova atividades que proporcionem a eles as mesmas sensações que você teve na sua época.

Sexualidade….ahhhhhhhhhhhhh….coisa absurda – diz a vovó. Pederastiaaaaaaa – grita o Vovô,.

Estamos lidando com gerações diferentes, com questões conflitivas em SEXO, SEXO, SEXO – repita e grite em voz alta três vezes. Pronto….aliviou? Agora você já pode continuar lendo.
- Uma geração foi educada com virgindade sempre algo NECESSÁRIO. Outra, como opcional, outra como algo ultrapassado. Só a partir desse ponto temos conflitos MORAIS muito fortes. Moral sim, porque ela é temporal, baseada em crenças e individual. Contrário do Ética.

Se na sua época pegar na mão é ousado, depois foi beijar, Depois foi namorar e não casar, e depois namorar por namorar. Depois veio o ficar que virou por ficar que virou transar. E hoje tem o transar por transar por transar mesmo e pronto. Repare aqui que a questão da maternidade, primeiramente, deve ser focada na PREVENÇAO. Sim…da mesma maneira que as mães preveninam as filhas sobre pegar nas mãos, ficarem “mal faladas”, “engravidarem”, hoje as mães precisam falar sobre métodos anticoncepcionais e sobre DSTs. Não adiante ter vergonha. A mesma coisa que a mãe antiga sentia, quando tinha que explicar a uma filha sobre as “toalhinhas” para “aqueles dias”, voce sentirá ao abordar esses temas com sua filha. É desconfortante, mas NECESSÀRIO.

Se voce colecionou album, lia MAD, Sabrina, Querida, Julia…sua filha quer ler sobre as atrizes, as maquilagens, os gatos da TV. Os objetos de interesse mudaram, as a euforina e “necessidade” é a mesma.
Já falei isso antes….se você fala mal de Emo, você não conhece a história recente….e aí, fica difícil.
Quem eram os hippies? Brigavam pelo que? Liberdade. Depois, o Rock n roll e sua juventude transviada. Tem tb os NT – Novas Tendências dos anos 80 e depois os GLS dos anos 90. Todos esses grupos de jovens trouxeram contribuições culturais muito boas para o nosso país. Influências positivas em questões comportamentais e sociais. Porque não darmos a voz a esses movimentos das gerações mais novas. Se já aprendemos que esse contato com os jovens é benéfico a sociedade, porque insistimos em combater a ele ainda? (Não entram aqui as agremiações ou aglomerações de jovens com objetivos perversos ou de qualquer detrimento a outrem)

Há muitos anos, uma cesária era algo estranho. Depois, o silicone era meio clandestino, mas virou sucesso. A lipo era meio agressiva, hoje é banalizada – daqui a pouco vão fazer em posto de gasolina. Trocar de peito, de bunda, de cara, de barriga….tá tudo ficando normal…até quebrar a costela pra ficar mais magra. A VAIDADE reje muita coisa hoje. Não nos assustemos se o implante de cérebros der certo (vomos torcer pra isso acontecer)

Antes eles saíam e voltavam das baladas às 18h. Passaram a sair às 18h e voltar às 23h. Depois passaram a sair às 23h e chegar às 6h. Agora saem às 2h e chegam ao meio dia. Em breve eles saírão às 8h pra voltar às 18h….oops…mais aí é o horario do trabalho. E daí? é só consequir um atestado alí no posto…Quando você profissional permite isso, você prejudica muito mais do que o empresário que ficou sem o funcionário, você prejudica toda uma sociedade….Depois não reclame que seu filho chega em casa as 6h da manhã bêbado…
Antigamente só se entrava nos estabeleciimentos noturnos aos 21 anos. Depois dos 18. Mas durante muito tempo, todos usavam documentos falsos para parecerem 18 anos, apesar de terem cara de 15. Aí, os de 12 se passam por de 15, para pode entrar como se fossem uns de 15 se passando por 18. Logo, os de 9 vai se passar por de 12, fingindo serem de 15, passando por 18. Como é que essas crianças entram nessas casas noturnas?

E se meus cálculos estiverem corretos, esse ano de 2009 nós saberemos tudo sobre a India. A culinária da India vai dar pauta para os programas de TV. A moda indiana vai encontrar a nossa. As mulheres voltarão a usar os olhos como uma arma de sedução, assim como os quadris. Algumas usarão como pretexto para pendurar imensas argolas no pescoço e várias pulseiras barulhentas, mas essa não é a questão principal, A Índia vai pegar mesmo e nós, consumidores, vamos “comprar”.:)

Faustão na India, Ana Maria Braga num viagem, A política da India, O trânsito da India…..só espero que explorem tb a pobreza, a violência, a exploração internacional, os problemas sociais e de saúde, as ações voluntárias e as que necessitam de ajuda e ação. Etc..

Eduardo J. S. Honorato

January 19, 2009 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

Tortura na TV – Por Eduardo J. S. Honorato

Tortura na TV

Antes de mais nada queiro deixar registrado que sou fã do Panico, seja na versão na TV, seja no rádio. Apesar de “escrachados” e debochados, acho que eles tem um importante papel na televisão, como fonte alternativa e livre de humor e imprensa. Há espaço para todo tipo de humor e o deles está garantido.

Entretanto, como fã e psicólogo, não posso deixar de me pronunciar frente a algo que tem se mostrado na TV e que tem me deixado bastante preocupado.  O humor deve ser livre , logo…. alí se fala mal de negros, brancos, gays, heteros, bonitos, feios, famosos, anônimos…tudo é motivo para deboche, e sempre muito bem elaborado.

Da mesma maneira que as integrantes femininas do programa foram expostas a atividades físicas, digestivas (erghhh) e nada agradáveis, nada mais do que justo que um integrante do sexo masculino passasse por sofrimentos semelhantes….nada mais equalitário possível.

O quadro 5 Maneiras, com o personagem “Bola” foi criado e se tornou um dos pontos altos do programa.  Foram vários os episódios engraçados, onde o ator teve que usar costumes e se submeter a atividades ridículas, como se vestir de king kong. Porém, no início os “ferimentos” eram sempre de leve, de maneira meio consequenciais de tais atos “estúpidos”. Entretanto, comecei a perceber ao longo das semanas que os ferimentos deixaram de ser as consequencias e passaram a ser os objetivos do quadro. Comecei a ficar um pouco intrigado, mas a coisa ainda estava meio “leve”.

Entretanto, não posso deixar de relatar que a  coisa agora está me preocupando e não acho que isso esteja sendo saudável. Como profissional de Psicologia, com  o objetivo de “não contribuir para a baixaria na televisão” acredito que é hora de repensarmos isso.

Os episódios mais recentes têm se mostrado bastante agressivos, com situações que beiram a tortura. O ator passou a ser agredido em pleno programa e as sequelas físicas passaram a ser veiculadas como troféu. Isto se torna preocupante em dois aspectos importantes:

1 – Estamos falando de um programa veiculado para um público jovem, adolescente e jovem adulto. Qual a NECESSIDADE de expor este público a este tipo de conteúdo? Não estou falando de censura por faixa etária, pois o programa tem sua delimitação de público, mas sim de usarem este espaço de maneira mais educativa e socialmente contributiva, como a campanha recente em apoio a “Lei Seca”,  muito bem elaborada e criativa(mesmo sendo parte de merchandising – o que mostra mais uma vez que seus produtores são muito inteligentes – ponto pra eles!)

2 – Falar em tortura em um país com um passado de ditaduras como o nosso, é cutucar uma ferida de uma nação e de uma geração inteira. É como falar do holocausto de uma maneira “lúdica” para um Judeu. Assim como o Holocausto, nosso período de ditadura e negação total de direitos deve ser lembrado de uma forma EDUCATIVA, para que episódios absurdos como esses  não se repitam, e não vangloriando a parte mais negativa e suja desse passado.

Sou fã absoluto do humor inteligente, do humor debochado, do humor livre…..mas há uma TENUE linha entre esse tipo de humor e alguns tipos de agressões. O segredo neste ramo deve ser conseguir chegar o mais próximo possível, sem ultrapassar essa linha.

Como já temos a prova anterior de que os redatores são muito competentes e habilidosos, tenho certeza que conseguirão reverter esse quadro.

Ah…vale ressaltar que o quadro Amy Winehouse iniciou muito criativo, e apesar de ser fã da cantora, acredito que ela não seja qualquer exemplo ou seu comportamento deva ser vangloriado. Acho que os redatores encontraram uma maneira bastante interessante de tirar um lado cômico dessa situação. Mas….ultimamente perdeu-se o sentido de ser engraçado. Enquanto dois dubles simulavam cenas de confronto….ok, mas passou a ser agressivo, com provas absurdas que visam agressões físicas.

 

Divido com vocês algumas pontuações feitas pela Psicologa e Psicanalista Denise DeschampsÇ

“Não assisto esse programa e sinceramente não apoio quadros humorísticos que façam de alavanca as fragilidades alheias. Pensemos na tendência ao perverso que encontraremos na infância e ainda no início da adolescência. Será que esses programas se tornam só catárticos ou acabam por construir modelos de imitação? Essa é a grande pergunta que a psicologia pode ajudar a encontrar parametros para a reflexão sobre. SE o chiste revela o recalcado, ou seja, a piada aponta para aquilo que temos dificuldade de assimilar na cultura, ela tem uma capacidade disruptora inerente e uma capacidade recalcante tb. Padrões éticos se constroem a partir desse tipo de questionamento, a tv tem obrigação de passar seus conteúdos pelo crivo dessas reflexões. O sado-masoquismo faz parte do recalcado ou quando melhor ainda, do sublimado. Esse tipo de quadro o que fará com isso? Atuado, recalcado ou sublimado?”

 abs

December 17, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment

O sujeito não tem idade – Por Renata Duailibi

 “… porque aos olhos da psicanálise não há uma criança ou um adulto, há um sujeito”.

                                                                                                                       Rosine Lefort  

 

  

 A possibilidade de atender uma criança saudável no contexto hospitalar foi uma experiência singular (como toda a experiência analítica) e ao mesmo tempo plural: muitas questões, muitos atravessamentos, muitos sonhos e muitas elaborações.

 

X. é uma criança de oito anos cujo pai está internado no CTI do hospital em estado muito grave. A mãe vinha trazendo questões dele na escola e em casa, que mostravam o quanto ele precisava ser ouvido naquele momento. A psicóloga que a acompanha sugeriu que eu o atendesse, o que prontamente aceitei.

 

O primeiro contato foi breve, no hospital. Apresento-me, convido-o ao consultório e marcamos o horário. De início já me chamou atenção a postura dele: muito adulta. Horário que não atrapalhasse a aula e que não prejudicasse seus estudos. Mais tarde, no a posteriori, percebo que é o papel que ele assume na ausência do pai: do homem da casa, responsável e sábio. O homem que cuidaria da mãe, como recomendou seu Pai do lugar de lei.

 

Logo na primeira entrevista, X. conta um sonho que ele chama de “sonho da voz”. É uma voz que não tem “cara” (sic) e repete incessantemente: “seu pai vai morrer, seu pai vai morrer” (sic). Daí começo a interrogar o que ele sabe do pai. Como ele está, a gravidade da doença, a recorrência do sonho, como se sente quando acorda e como é a vida na sua casa. Ele se põe a falar, num português correto e numa linguagem bem elaborada para seus oito anos. 

Quando tem receio do que diz, por vergonha ou insegurança, esquiva o olhar, brinca com os cabelos e sorri. Ele deixa claro quando tem resistência em falar.

 

Muito bem informado, X. sabe que seu pai não tem condições de voltar para casa, o que não diminui a saudade e o espaço vazio que ele deixou no Dia dos Pais. Trabalho com ele o sonho da voz, onde concluímos que ela é, na verdade, a voz do seu medo, o horror da possibilidade de perder o pai que ainda vive no hospital. Conta, ainda, como é ficar em casa com a mãe. Diz que ela acorda chorando de madrugada e que também tem pesadelos. Que ele tem que acalma-la e dizer que está tudo bem. Dividem a mesma cama, já que seu quarto ainda não está pronto. Novamente, o homem da casa? Não vê a hora de ter seu beliche e dormir separado da mãe, mas sabe que enquanto a reforma não acabar e o pai não sair do hospital, é difícil ter seu próprio quarto.

Ganho evidente para X. na ausência do terceiro. A mãe é só dele!

 

Peço que ele faça um desenho de como ele imagina seu pai no CTI. Aparece um pai imenso, com ênfase na “barrigona” (sic), numa cama que ocupa quase toda a página e um respirador cujos pés são reforçados com o lápis “para não cair, senão meu pai não respira”.(sic). Desenho colorido, assinado e finalizado, vai para o Box do pai onde existem vários outros desenhos seus.

 

Começo a construir com ele uma relação de confiança e verdade( transferencial): tudo que conversarmos é segredo e tudo que acontecer com seu pai, de bem ou de mal, ele será participado. X. leva isso muito a sério e passa a me colocar no lugar do sujeito suposto saber, aquele a quem ele endereça seus sonhos, confia seus medos infantis, certifica que seu pai esteja bem cuidado.

 

“ Você promete que meu pai vai ser bem tratado?”.

“ Falei para minha mãe que eu só conto isso para você.”.

“ Depois que converso com você eu fico melhor.”.

    

 

Surge a possibilidade dele entrar no CTI e visitar o pai que demanda vê-lo. A coordenação libera sua entrada desde que ele seja acompanhado pela Psicologia. Primeira grande exceção: criança não entra em CTI antes dos 12 anos de idade.

Não tive a menor dúvida em bancar a entrada dele. Sabia da necessidade do encontro com a realidade, da importância disto para a significação desta vivência muito colorida no imaginário. Afinal, havia três meses que não via o pai. O que sabia, o que desenhou, eram informações de outras pessoas. Era ver para crer, era certificar-se que o pai estava lá. E a partir disto, elaborar mais um pouquinho do que tanto lhe assustava.

 

Converso com X., marcamos uma nova consulta antes dele entrar no CTI.  Muita ansiedade, expectativa e um sonho novo: o pai sairia andando do CTI e o levaria passear. Explico, sem querer plagiar Freud, que sonho é a realização de um desejo. Mas que a realidade muitas vezes não condiz com o que se deseja. E o sonho da voz? Tinha sumido desde a consulta anterior. Ele explicou para a mãe que, caso ela sonhasse pesadelos, era só dizer em voz alta que eram imaginação. Pronto! Os sonhos ruins desapareceram.

Explico o que ele vai encontrar, como seu pai estaria cheio de tubos e fios, que falaria com dificuldade, mas que queria muito vê-lo. Ele me pergunta se pode mostrar o baralho de jogos e contar o quanto tinha evoluído na escrita: “Já consigo escrever em cima da linha como ele me ensinou”. Digo para ser espontâneo e ele me responde que só não iria chorar.Tinha que ser forte perto do pai. Sugiro que ele ficaria sozinho no Box e que quando precisasse de mim era só chamar. Mas ele prefere que eu fique com ele e entra comigo de mãos dadas.

 

Momento de comoção. Membros da equipe chorando, fazendo fila para ver o menino entrar. “Nossa, é a cara do pai…” “Que menino lindo!…”.

Discutiu-se muito o que X. suscitou na equipe o que se esperava dele: ser o objeto capaz de acelerar a recuperação do pai. Por várias vezes tive que negar sua entrada por não ser demanda dele nem do pai, mas da equipe. Até seu aniversário seria comemorado no CTI, com balão e bolo. Mas, isto não se discute agora…e sim junto com as outras colegas envolvidas no caso. Agora é sua primeira visita ao pai, o seu momento com ele.

 

Logo quando chega no leito, tira o baralho do bolso e esboça um sorriso. Precisa de um tempo e de um meio para acessar o pai que começa a chorar deixando X. incomodado. Explico que é normal a reação. E que se ele quisesse também poderia chorar e tocar seu pai. Autorizado, chora. Dali uns minutos, seca as lágrimas e põe-se a contar suas histórias.

Fica bastante tempo sozinho e depois com a mãe. Regride quando na presença dela e me explica depois que era a alegria de estarem os três juntos.

“Vejo vida nos olhos do meu pai!”.(sic)

Saio com ele e elaboramos juntos a experiência. Já sai querendo voltar, e quando peço que diga o que sente ele responde: “ não tenho palavras para explicar”. Explicar o que não tem muito sentido. Realmente, faltam palavras.

 

X. mantém contato comigo por telefone sempre que quer me contar alguma coisa. Seja nota da escola ou briga com um colega ( seu saco de pancadas, como o chama). Se ele não telefona, eu ligo. Pergunto dele e das notícias que tem do pai. Sei que ele não pergunta nada para a mãe, mas presta atenção nas suas conversas e nas suas feições.

A psicóloga da mãe orienta que ela participe o menino das pioras e melhoras. Ele está seguro de que é incluído nesta história.

 

O atendimento seguinte se dá depois de uma piora do quadro. O pai regride no tratamento e quando X. vai vê-lo, não gosta muito do que vê. Faz o mesmo desenho da primeira vez em dimensões menores. A cama pequena no centro da página, com o corpo do pai menor, careca e o respirador com os pés mais reforçados. Inclui o enfermeiro, a mesa com remédios, uma janela por onde entra luz e uma porta: a porta da saída, que um dia vai abrir para seu pai passar. Este desenho não tem cor. Só seu nome é escrito em azul, cor do time que o pai torce.

A careca me chamou atenção e X. comenta: “eu estou deixando meu cabelo crescer e o do meu pai está careca porque ele está fraco” (sic). Repito a frase e ele ri, dizendo que um dia seu pai terá cabelo de novo.

 

Mantemos o contato e ele me liga pedindo para ver o pai porque é seu aniversário. Não foi possível atender seu pedido. O pai piora demais nesta semana. X. conclui que é melhor ir ao clube, já que é seu dia e ele quer estar feliz.

 

Quando o pai melhora, quer ver o filho. Marcamos para um feriado, mas a visita logra.  X está com conjuntivite e não pode entrar no CTI. Percebendo sua frustração e uma fantasia subjacente de que algo não vai bem, sugiro tirar uma foto do pai e mostrar para ele. “ Nossa! Que idéia ótima!”(sic). Peço licença à médica e ao pai, tiro a foto e levo para ele. Faço o mesmo com o menino. E ambos se encontram mesmo que simbolicamente.

O desenho desta vez parece muito com o anterior. Mas pelo menos há cor e um pai maior, ainda ligado ao grande respirador.

Pergunta-me se quando o pai morrer ele pode ficar com ele no coração. Digo que sim, claro que pode. Mas que agora ele estava bem, e mesmo bem, o tinha no coração.

Se ele pudesse falar hoje com o pai, o que falaria? Falaria do seu desejo de jogar futebol como ele antes de “ganhar” a bengala. X. dá conta de identificar-se com o pai um pouco mais fortalecido.

 

 

O pai entra num processo de melhora onde aparece a possibilidade de alta. X. fica radiante e pede mais uma visita. Lê no boletim “ estável” e percebe o que a palavra significa. Fala-me das fases do pai: muito grave, grave e estável. Estar estável era estar melhor!

Acha que ele ia sair pela porta, dirigir seu carro e ir para casa, como no sonho anterior. Explico que não. Ainda havia a fase do andar, da recuperação ainda por vir. X. não gosta muito da idéia e me pergunta se ele pode ficar muito grave de novo.

Desta vez nem quis desenhar. Estava excitado, agitado, falando mais que nunca, fazendo planos com os pais.

O pai pede que ele saia para ficar sozinho com a mãe. X. sai muito mais agitado, querendo saber o que eles conversariam. Pergunto para ele o que sente naquela hora. Não tem palavras. Tento nomear. Quando falo ciúme ele responde: “ah, sou filho dele há muito tempo, não preciso ter ciúmes”. Respondo que ela é a mulher dele também há muito tempo e eles precisam conversar.

Com a volta do pai, os lugares teriam que ser definidos. Trabalharia isto mais tarde, quando fosse o momento oportuno.

 

O pai vai para o andar. A enfermagem já autoriza uma festa de Natal para a família. X. fala com ele pelo telefone e marca uma grande visita no final de semana.

 Mas, ele tem uma parada cardíaca que o leva de volta para o CTI.

Minha preocupação com X. nunca foi tão grande.  Ele teria que se reencontrar com a possibilidade da perda e com o boletim Muito grave.

Converso com a mãe depois que ela explica para ele o quadro. Conta-me que X. sabia da possibilidade do pai voltar, mas que ele ficaria estável novamente e tudo acabaria bem.

Acho por bem atende-lo no dia seguinte pela manhã.

Me abraça forte, chora (afinal, aprendeu a chorar) e me pergunta se pode ver o pai dele.

Traz uma pulseirinha com as cores do natal para dar sorte ao pai.

 

Conversamos muito, tentei trazê-lo para a realidade por mais que insistisse em fugir. Que agora ele teria que pensar num retrocesso do pai, como quando alguém não passa de ano e tem que repetir tudo que foi ensinado. Que o boletim dizia muito grave, mas eu arriscaria dizer Muito, muito, muito grave. E que a vida do pai estava em três mãos: de Deus, dos médicos no que ele interrompe: e da psicóloga? Percebo como era importante estar ali com ele naquele momento. Se a vida do pai eu não podia salvar, a dele eu podia dar sentido e apoio diante do real da morte.

 

Peço permissão ao médico e entro com ele e a mãe. A criança  verbaliza que o pai está mais inchado, voltou para o respirador, tem mais tubos e está dormindo. Ou seja: realmente piorou.

Não demora lá dentro. Sente-se incomodado como da primeira vez.

Pede que eu coloque a pulseira em algum lugar porque no pulso não cabe. Deixo na cabeceira e saímos juntos.

 

Fechamos o atendimento muito brevemente. Ele não queria falar muita coisa. Brincava com o baralho e pedia para ir para casa.

Na mesma tarde, seu pai faleceu.

Os técnicos responsáveis me falam da angústia na hora da visita, do medo que ele morresse em frente ao menino, pois ele estava quase parando.

 

Não sei ao certo o que me fez marcar a visita na parte da manhã. Mas, seja lá qual for a resposta, criei a oportunidade dele ver o pai ainda vivo mas com todos os indicativos de que estava morrendo.

 

Quando ligam para casa e chamam a mãe ao hospital ele sabe que algo ruim aconteceu.

“Mãe, o que aconteceu com meu pai?”.(sic).

 

 

À noite falo com ele pelo telefone.

Chorando muito, diz estar não muito ótimo. Que estava doendo muito. Que a mãe também estava chorando, mas que o pai estava melhor agora, num lugar sem dor e sofrimento.

Lembro a pergunta que me fez, de leva-lo no coração. E que onde quer que ele esteja, eles continuariam sendo pai e filho.

Ele me pergunta se deve ir ao velório. Retorno a pergunta e ele diz que quer ir. Que tinha algumas coisas para dizer ao pai.

Despeço-me dele, digo que ligo no dia seguinte e, como havíamos combinado, ele podia me ligar a hora que quisesse.

 

No dia seguinte ligo mas está na rua brincando. A mãe conta que ele foi ao velório, levou uma flor, despediu-se e quis ir embora.

Pronto. Era como se ele dissesse: por hora basta!

 

Passada uma semana, liguei para ele.

Muito receptivo, diz estar melhor. Mas ainda não quer conversar sobre o pai.

Respeito o momento dele.

Tempo de elaborar e sofrer as dores da perda.

 

Tenho notícias que  anda negando a morte.

Vou esperar a psicóloga da mãe atende-la, dizer da necessidade dele ser atendido e marcar um horário na próxima semana.

 

Ainda temos um grande caminho a percorrer. A elaboração da morte é sem fim. Mas tendo vivido a experiência de forma tão intensa e implicado no processo, X. vai dar conta de lidar com seus fantasmas, assim como aprendeu a lidar com a voz do horror, vinha lidando com a fraqueza do pai que não queria se tratar “mesmo se ele tomasse adoçante, ele bebia leite que não era light!” (sic) e com as incertezas do boletim.

 

Num certo momento ele me disse ser grato por tudo o que eu estava fazendo por ele.

Agora é a minha vez de agradecer a oportunidade única de tê-lo como paciente.

 

 

 

Renata Duailibi

E-mail: rduailibi@hotmail.com

 

Informamos que todas as normas da Resolução 196/96 do CNS e do Código de Ética Profissional do Psicólogo foram seguidos na elaboração deste documento. Trata-se de um caso FICTÌCIO, elaborado pela autora.

 

 

 

 

 

 

December 9, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | No Comments Yet

CYBERPSICOLOGIA, PSICOLOGIA CIBERNETICA, PSICOLOGIA E INFORMATICA, PSICOLOGIA DIGITAL…..QUE BICHO É ESSE? – Por Eduardo J. S. Honorato

 

article00E comum hoje sermos atravessados por ondas de informações, vindas de todos os lados, sem termos capacidade para absorção. Falamos em siglas e as repetimos com tanta freqüência que muitas vezes nem sabemos mais o significado original daquele termo. Palavras de outros idiomas são fagocitadas pela nossa língua e novos termos surgem a cada dia, principalmente na tecnologia de comunicação & informática.

Faça a seguinte pergunta a 5 pessoas: “O que é a Internet” ?

Se a pergunta for direcionada a adolescentes, estes lhe darão respostas técnicas das mais variadas, citando sempre programas, jogos e utilidades. Se perguntarmos a pessoas de uma faixa etária mais avançada, as respostas serão mais variadas. E se perguntarmos a 5 Psicólogos ou Psicanalistas? Perceberemos então que não há um consenso, pois a resposta não será nem tão técnica nem tão abrangente, ou, não relacionada à sua profissão.

Isso reflete algo bastante recente e ainda pouco explorado: o mundo virtual. Poucos são os pesquisadores das áreas psi que se interessam pelo mundo virtual e suas peculiaridades. Alguns bravos profissionais pesquisam sim, mas a produção é pequena e lenta frente à alta mutabilidade deste “mundo” e sua constante evolução. Eu arriscaria a dizer que o virtual evolui em uma velocidade de conexão à cabo e as pesquisas ainda na velocidade da antiga conexão discada (via Telefone).

O que a Psicologia tem a ver com computadores, bytes, Internet , P2P, Softwares etc?

Essa é uma pergunta que faço desde 1997, quando comecei a utilizar a Internet com maior intensidade.  Do uso surgiu um interesse maior, e deste interesse, a problematização de alguns aspectos, que dariam origem a pesquisas.

Algo que foi criado como artefato militar e que passou, depois de quase 30 anos, a ser objeto de pesquisa, depois interesse, depois diversão e hoje, necessidade básica. Tão necessário quanto o telefone ou a televisão.

No final dos anos 90 alguns profissionais e estudantes de Psicologia já pesquisavam sobre o assunto. Foram pioneiros no Brasil, onde o pouco que se sabia sobre o tema era oriundo de outros paises. Oliver Zancul Prado, Elisa Sayeg, Márcia Homem de Mello, Ivelise Fontin, Fabiana Maiorino, são alguns dos quais me recordo, em um pequeno congresso organizado em São Paulo, em 2001.

Muito se falava sobre Internet, seus impactos, dependência, mas pouco se conseguia pesquisar, seja por falta de financiamento, seja por falta de credibilidade de algumas instituições e pesquisadores.

Quase 10 anos se passaram, e alguns profissionais e estudantes ainda insistem em dizer “Isso não é Psicologia….” Mas…o que é Psicologia então? Independente da escola utilizada, todas tem um objeto de estudo em comum: o comportamento humano.

A explicação dada para esses fenômenos são diferentes, mas o objeto de estudo é sempre o mesmo. Então, um novo plano sociabilizador, uma nova forma de interação, utilizada em massa pelo homem, não mereceria melhor atenção dos profissionais psi?

Temos nitidamente uma nova forma de comunicação e interação com um alto carater psicossocial envolvido. A realidade criada por este novo meio de comunicação, que manifesta forma específica de socialização, traz no seu bojo transformações de relações, de encontros, de possibilidades afetivas e cognitivas.  Até pouco tempo as relações sociais se restringiam ao campo do “corpo presente”, e hoje este corpo se desloca, transcende a corporeidade, para fundar um plano virtual de encontros.

Entender a Internet através da psicologia nada mais é do que uma tentativa de melhor entender o comportamento do indivíduo enquanto ser social, e talvez, contribuir para o entendimento do ser humano como um novo ser social-virtual.

Uma questão que deixo aberta para reflexao dos profissionais “psi” é: Quantos de nós estão preparados para lidar com esse novo plano sociabilizador? Quantos de nós estão inteirados com os conhecimentos tecnológicos da nossa atualidade?

Espero que essa reflexão possa ser um incentivo para maiores tentativas de entender o virtual, enquanto plano sociabilizador, que traz impactos psico-sociais, e consequentemente, melhor qualificação dos nossos profissionais.

 Eduardo J. S. Honorato

 

 

November 9, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 2 Comments

O ato de viver como a esperança – Por Denise Deschamps

atitude“…a esperança é, na sua essência, um horizonte que se descortina, um apelo que nos convida a caminhar e a ir sempre adiante pelos caminhos da vida…” (Zeferino Rocha – “A Esperança não é esperar, é caminhar” in Revista Latino Americana de Psicopatologia Fundamental Vol X/2007)

 

Aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, no mês de outubro, uma jornada de psicanálise cujo tema central era “Esperança”, promovida pela Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro(SPCRJ). Tema intrigante se pensarmos em psicanálise e mais ainda se pensarmos na atualidade ou a chamada pós-modernidade. Esperança que lembra sempre o ato de espera, passividade, em uma sociedade que convida à ação imediata, ao prazer instantâneo, à escolha sem perda.

Começa a jornada, e, logo  na abertura, somos apresentados a uma nova perspectiva para essa palavra esperança, não mais como espera passiva, mas sim como o próprio ato que faz o caminho. Esperança não é esperar, nem olhar para o horizonte, mas aquilo que faz com que possamos dar cada novo passo em direção ao amanhã. A esperança está no hoje então, não mais no futuro próximo ou longínquo. Se hoje não pudermos vislumbrar o que temos a esperança de construir, então não é esperança, é ilusão. Distinguir uma coisa da outra faz uma enorme diferença no ato da escolha. A esperança nunca será estéril, mas a ilusão sim, esta última se planta em terreno das fantasias que não passarão pelo teste de realidade ou cairão no primeiro obstáculo, desinvestimento inevitável se fará pelo caminho daquilo que não se apóia no mais legítimo desejo que nomearemos então de esperança.

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”(Oscar Wilde) citado em um dos trabalhos apresentados. Existir sem esperança lança-nos direto na desesperança, no ato inútil, no investimento destituído de libido, cria então o caminho propício àquilo que hoje permeia as relações sociais, naquilo que têm de mais íntimo e que habita o cotidiano, assim como também habita  em muito do que fala de ideal de ego, conceito esse muito bem lembrado nesse encontro. Vejamos que ele se diferencia de ego ideal, esse sim aferrado a ilusões sem chão de realidade.  Necessário resgatar esse conceito tão importante em psicanálise, e que hoje se faz quase que uma saída última diante do desamparo que vivemos frente a uma realidade sem ideais ou sonhos possíveis. Ideal de ego, tudo aquilo que construímos em nome dessa esperança, que construímos através de outro conceito tão fundamental em psicanálise, o da sublimação.

“Ideologia, eu quero uma para viver” já cantava o poeta Cazuza.

Em outro trabalho que foi apresentado com o tema “O desejo nunca se realiza da mesma forma que a esperança nunca morre”(Maria Helena Mossé e Maria Lúcia Fradinho) encontraremos a seguinte passagem: “Esperança, sentimento primordial, intimamente entrelaçado ao desejo”.

Assim como a tristeza básica existente no ato de vida tem sido varrida das nossas possibilidades, a esperança tem sido uma palavra atacada e reduzida a algo muito menor do que pode trazer contida enquanto potência criativa. Voltamos a dizer, não como espera passiva, mas como motor do desejo que se alimenta nele e o realimenta na execução de passos que mobilizam o ato da vida naquilo que ela tem de mais belo, seus ideais e sua ética, beleza rara que o humano constrói.

Resgatar na própria concepção da psicanálise aquilo que seu fundador a inundou, na crença em laços afetivos e ideais coletivos que, quem sabe, um dia, construirão um mundo melhor e menos desigual ou repressivo no sentido do formulador da insuportável dor.

Ainda leremos no trabalho citado acima: “Para Freud, o fulgor da criação encontra seu ponto de emergência inicial no sexual. À capacidade plástica da pulsão de modificar seu objetivo originário sexual por um outro não-sexual, sem perder por isso o essencial de sua intensidade, ele dá o nome de sublimação”.

No caminho do desejo, muitas vezes devemos evitar o atalho do amortecer a dor de imediato, naquilo que hoje se constitui quase que em uma única possibilidade, o da “geração Prozac”(e tantas outras “poções mágicas”). Outro trabalho apresentado, com o título: “Esperança e desilusão – Uma visão psicanalítica”(Esther Perelberg Kullock) em determinado ponto nos remeterá a uma reflexão tão fundamental para os nossos dias, qual seja:

“A aflição demanda testemunho, o simulacro demanda a clínica do real. Há que se recolher fragmentos de experiência em que a pessoa/simulacro possa experimentar sofrimento: é o acesso ao sofrimento que lhe devolve a humanidade. São quadros que temos que manter discriminados, que demandam intervenções distintas por parte do psicanalista”. (visto em Safra)

 

1 -”Só a leve esperança em toda a vida              

Disfarça a pena de viver, mais nada;                       

Nem é mais a existência, resumida,                        

Que uma longa esperança malograda.                   

 

 

  2 – O eterno sonho da alma desterrada,

       Sonho que a traz ansiosa e embevecida

       É uma hora feliz, sempre adiada

       E que não chega nunca em toda vida.

 

3 – Essa felicidade que supomos                      

    Árvore milagrosa que sonhamos                     

  Toda arreada de dourados pomos,  

              

4 – Existe, sim: mas nós não a alcançamos

  Porque está sempre apenas onde a pomos

  E nunca a pomos onde nós estamos.

(Vicente de Carvalho, Poemas e Canções – citado pela autora acima mencionada)

 

Em época de estabelecimento de relações perversas, que atravessam desde o procurado amor de parceria, até as mais complexas instituições, resgatar a ética contida no sofrimento do crescimento, talvez seja uma das saídas possíveis.

 

Esperança essa  que se constituirá   enquanto potência de vida, que traça o caminho do tecido afetivo que dá sentido à vida, que a preenche em cores, formas, cheiros, textura, temperatura e a tudo mais que fala daquilo que, em última análise, é o que faz com que nos levantemos a cada dia que nasce: nossos vínculos com outros seres, nossa capacidade de com eles construir algo que nos una, e que erga  tudo aquilo que costumamos chamar de humanidade.

November 5, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | No Comments Yet

Sobre os instrumentos da psicologia e seus usos – Por Denise Dechamps

 

Participei no mês de julho no Rio de Janeiro, da II Mostra Regional de Práticas em Psicologia promovido pelo CRP, evento que julgo ser importantíssimo como um lugar onde podemos ter um bom panorama do que está sendo feito e pensado pelos psicólogos que trabalham por aqui. Havia participado ano passado da I Mostra e vi um crescimento nessa desse ano, bastante considerável.

Dentro desse evento, participei de uma oficina de ética promovida por conselheiros do CRP 05 que corresponde a essa região. O exercício que foi passado era simples, reunidos em pequenos grupos nos foi passada a tarefa de redigir um laudo solicitado por uma mãe por conta de seu filho ter sofrido abuso por parte do pai. Esse era o comando e a partir disso o grupo reuniu-se para executar tal tarefa.

Pergunto: o que vc faria? Como seria a redação desse laudo? Pense e reflita, que apontamentos poderia fazer. Já pensou? Como pode ser feito então?

Enquanto você pensa vamos conversar um pouco sobre o lugar que podemos ocupar e que instrumentos de poder são esses que somos capacitados para exercitar. Pensemos um pouco também se existe na função da psicologia algum lugar que possa ser realmente neutro. Se a análise puramente técnica proposta por algumas vertentes, encontrará lugar no cotidiano da prática do profissional psicólogo. Pense nisso, reflita, monte sua opinião a respeito. Que lugar é esse que ocupamos, quer seja na clínica, na empresa enquanto treinamento ou mesmo selecionando funcionários, na escola, no Detran colaborando para decidir sobre a possibilidade de um cidadão dirigir um automóvel ou não ou em qualquer outra área onde atuamos? Podemos dizer que falamos de um lugar neutro, não contaminado por variáveis ideológicas?

Mais do que defender qualquer opinião a esse respeito, escrevo esse texto na tentativa de convidar a cada estudante ou profissional que realize essa reflexão a cada nova empreitada em sua atuação. Que ao atuar leve sempre isso em conta, que ocupamos quer queiramos ou não, saibamos disso ou não, um lugar onde algum poder normativo é exercido.

Mas, voltemos ao exercício da oficina. Já pensou? Redigiu seu laudo? O que disse nele?

Então vejamos, de cara podemos ver que essa tarefa como foi solicitada é impossível de ser realizada. Como utilizar um instrumento de poder de tal magnitude sem ao menos averiguar com rigor e zelo a procedência dessa queixa? Falado assim parece mesmo um absurdo não é mesmo? Porém fomos informados que onde o CRP mais gasta tempo no Conselho de Ética julgando os processos que sofreram os profissionais é justamente nesse ponto. Com que facilidade emitem laudos sem o menor compromisso com a pesquisa da queixa e o olhar para a toda a situação que envolve aquela denúncia. Pasmem, é verdade e os dados são estarrecedores.

Emitimos eu e meu grupo um documento onde dizíamos que no momento não era possível o laudo solicitado e que a pedido do responsável daríamos início a todo um processo para averiguar as condições dessa família e da criança em relação a queixa trazida pela mãe. A coordenação riu muito das minhas colocações em relação a tarefa, porque logo de início eu brinquei dizendo que eu não assinaria nada daquilo que havia sido solicitado.

Situação corriqueira? Talvez nem tanto, mas também nada tão inusitada.

Sim, temos em nossas mãos um poder de possibilitar um caminho novo para algumas dinâmicas e temos também muitas vezes, por uso errado dessas ferramentas, o poder de trazer mais dor e mesmo destruição para os que nos procuram. Pensar e refletir sobre isso diariamente, a cada nova atuação é uma tarefa que faz parte do nosso ofício.

Muito há o que se falar sobre o tema. Ética e comprometimento e em qual é a nossa função e o quanto conseguiremos mantê-la e entendê-la apenas como uma técnica asséptica e desvinculada de toda uma leitura de uma realidade que nos cerca e muitas vezes choca.

Pensar o mundo e pensar esse sujeito nesse mundo se constitui uma tarefa fundamental para todo o campo psi. Se em alguns aspectos esse saber e ferramentas só se constroi a partir do coletivo, muitas vezes sua utilização terá que ser avaliada dentro da perspectiva da dupla que a ele recorre, o paciente/terapeuta, testando/aplicador do teste, candidato/selecionador, criança problema/psicólogo escolar etc. Que lugar é esse do qual estaremos verificando? Que neutralidade é possível dentro de nossas análises? Que contexto se inscreve o que estamos avaliando? E tantas outras questões que necessariamente estarão presentes.

Pensar em ética e sua aplicação em um primeiro olhar parece algo muito fácil, mas não é, torna-se em nossa prática a parte onde nos revemos a todo instante, onde o humano do outro e a nossa própria humanidade se atravessam construindo um belo trabalho ou uma prática de opressão.

No meio do caminho tem sempre uma pedra. O que podemos fazer com ela? Depende de uma leitura onde o compromisso seja o que o outro pode construir e o que deseja fazer dela.

 

Agosto 2008

 

Denise Deschamps

August 16, 2008 Posted by Eduardo Honorato | Psicologia | | 1 Comment