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Psicologia e Direito – Convite para reflexões necessárias.

Por Eduardo J.S. Honorato e Denise Deschamps

imagem comunidade psicologiaSempre que aparece um caso na mídia envolvendo situações aparentemente “bizarras”, “estranhas”, ou relacionadas a comportamento patológico, logo temos menções a Psicologia, e claro, relacionadas ao Direito.

É interessante perceber que a formação em Psicologia quase nada, ou nada mesmo, traz em relação a essas duas ciências e seus possíveis encontros na atuação profissional. É claro que não estamos aqui falando da Psicologia Jurídica, especialidade da nossa profissão, que trabalha diretamente nesta junção, mas sim, em conhecimentos simples e básicos que poderíamos ter, para auxiliar nossos trabalhos, independente de áreas de atuação.

direitoLogo que implantaram as modificações em direito de família houve no Rio de Janeiro um grande encontro onde profissionais do Direito, Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise trocaram idéias sobre as questões que atravessam esses saberes, foi algo que todos que ali estiveram puderam atestar um grande crescimento em termos do seu pensar e atuar profissional. Temos notícias de alguns eventos que têm sido feitos a partir desses possíveis encontros entre essas áreas, só dar uma olhada na Internet e acharemos alguns com notícias e artigos produzidos, vale conferir.

Pensar no diálogo entre Direito e campo psi é sem dúvida pensar muitas vezes nos limites que constroem uma ética possível, levando em conta que todo fazer do campo psi se inscreve em dados de realidade que necessariamente desembocarão naquilo que existe enquanto leis que regulam as atividades humanas, afinal para isso elas são construídas, para traçar aquilo que se constrói no que denominamos como cultura. As relações humanas são orientadas e formuladas a partir das construções sociais de sua época, essas sublinhadas, ou pelo menos assim deveriam ser, pela legislação vigente.

A Psicologia no Brasil tem interessante percurso, hoje tenta se rever em suas origens, nesses aspectos acaba por questionar sua inscrição institucional e com isso na discussão em torno de alguns pontos, o Direito se faz presente e se torna inevitável uma reflexão a partir de alguns de seus pressupostos. Como falar de políticas públicas desconhecendo as questões legais? Atuação com menores infratores sem falar dos debates em torno da diminuição ou não da idade legal? Direitos dos portadores de transtorno mental e seus cuidadores? Guarda de menores em situações de risco ou ainda de separação do casal? Tantas são as questões que nos parece estranho que essa aproximação não seja algo contemplada mais amiúde, inclusive na própria formação dos novos profissionais.

O que falar da discussão em torno dos limites éticos da mídia na atualidade? Onde psicologia e direito caminharão de braços dados em uma promoção de um espaço possível de debate sobre o tema.
Pensamos que esses debates podem e devem ser empreendidos em outros setores que atravessam questões abordadas pelos profissionais desses variados campos.

Após alguns debates nas comunidades virtuais, webforuns, listas de emails, etc, recebemos um material bem interessante, sobre um curso.

http://www.visumconsultoria.com.br/cursos/

Pelo material divulgado na Internet, e por informações fornecidas pela organização do evento, achamos interessante repassar o material, bem como abrirmos alguns pontos para debates, pois temos aqui uma oportunidade de criar um espaço para trocar experiências e dúvidas. Temos alguns profissionais do Direito que participam sempre de alguns debates e isso pode nos trazer conhecimento.

Pensamos em algumas situações em que os conhecimentos de Direito podem ajudar bastante.

Homofobia – Temos visto uma grande mobilização social, com participação da nossa categoria, seja representada pelo CFP, seja pelas comissões existentes, apoiando esse projeto de Lei que pretende criminalizar as manifestações homofóbicas. Escrevemos alguns artigos sobre cinema que versavam sobre isso, e tivemos que recorrer a quem entende do assunto para podermos entender este projeto, seus “entraves” e suas “traves”. Essas questões de projeto de Lei, Leis, aprovações e todas as questões políticas que envolvem nossa profissão são muito pouco referenciadas na graduação de Psicologia.

Saúde Pública – Leis orgânicas de Saúde. Você as conhece? Pois deveria. Escrevemos sobre o filme SICKO em nosso site e recebemos vários emails de alunos e profissionais que desconheciam a legislação nacional sobre o nosso sistema de saúde. Ao estudar para um concurso um profissional da psicologia terá que se voltar ao estudo desses temas que implicarão em sua prática em medidas possíveis e entendimento de sua inserção. Hoje com as questões que envolvem a discussão em torno das já famosas 12 sessões dos convênios médicos que são possibilitadas para uma psicoterapia, nos levam a pensar ainda mais nessas intersecções de reflexão.

Documentos e Laudos – Elaborarar laudos não é uma tarefa simples e fácil, exigirá conhecimento específico. Desde a construção e decisão do processo de psicodiagnóstico até a redação dos mesmos. Existem resoluções específicas para isto, disponíveis no site Pol.org.br. Os psicólogos especialistas em Jurídica trabalham, alguns, trabalham em Varas de Familia e sabem como isso é solicitado. Você precisará conhecer um pouco de vocabulário jurídico para não cometer algumas “gafes” e muito menos cometer erros de elaboração ou até mesmo na própria avaliação da demanda, como temos sido convidados a pensar sobre pelos CRP’s de todo Brasil. Vários processos existentes no Sistema Conselhos são referentes a erros de elaboração de documentos oficiais. É bom ficar sempre atento a isso.

Direito Criminal x saúde mental – Incluídos em nossos trabalhos em cinemterapia, temos vários artigos que tratam da questão psicopatológica relacionados com Direito Criminal. Alguns deles foram publicados em nosso site e outros em nosso livro:

– Monster – Desejo Assassino – Trabalhamos questões de psicopatologia e psicanálise em nosso livro, com este filme, mostrando as questões psicodinâmicas de um psicopata.

– Valente – Neste filmes mostramos como um situação de extremo estresse (Transtorno de Estresse Pos-Traumático) pode levar a situações de crimes.

– Mr Brooks – Debatemos sobre possíveis patologias deste personagem criminoso e podemos adentrar na sua imputabilidade ou não, dado o caso complexo e comórbido que alí existe.

– O Exorcismo de Emily Rose – questões re psicopatologia, crime e religião

– O Adversário – questões de sociopatia, inserção social, mitomania.
Infância Roubada – Questões de pobreza e criminalidade, nas favelas sulafricanas que por analogia poderiam ser utilizadas para debates em torno dos Conselhos Tutelares e instituições que abrigam menores infratores aqui no Brasil.

Esta área envolve tanto a Psicologia, Psicopatologia quando o Direito. Você precisa conhecer quais casos são considerados imputáveis ou inimputáveis, até mesmo para as questões cotidianas no seu consultório.

Direito do Trabalho – Se você for atuar em empresas, na área de RH, é bom que conheça as nossas leis trabalhistas (CLT) e algumas leis adicionais, para evitar problemas. Existem Leis que delimitam até o que pode ou não pode conter em um anúncio de jornal de oferta de emprego. Nas rotinas de RH, você terá contato com informações sobre Direito Previdenciário, Normas de Segurança do Trabalho, laudos, perícias, aposentadorias, ou mesmo nas construções das “ISOS” etc. É uma área totalmente distante dos nossos cursos, mas que se entrecruzam na atuação profissional.

Direito de Família – Laudos são comumente solicitados nessa área, especialmente quando há disputa pela guarda dos filhos ou mesmo suspeita de maus tratos ou abuso. Ainda há o trabalho imprescindível do psicólogo nos casos de adoção. Já tivemos notícias de casos de profissionais que tiveram problemas éticos por elaboração incorreta deste documento. Fique de olho. Só se habilite a fazer caso tenha conhecimento para isso.

Ética – Existem questões legais referentes a utilização de declaração de comparecimento, utilização de códigos (CID e DSM) que devem ser respeitadas. É comum o empregador solicitar informações ao profissional, especialmente quando estes são atendidos pelo convênio. Cuidado na elaboração destes documentos. Nosso primeiro dever é com o sigilo e a proteção da confiabilidade.

Psicodinâmica dos transtornos – Você pode ser solicitado a dar explicações teóricas sobre um determinado quadro, como profissional habilitado. Sem qualquer relação com o caso em questão, mas como pesquisador ou informante. Saiba bem como referenciar esta explicação, utilizando o que é permitido pelo Conselho.

Essas são apenas algumas das muitas situações que nas quais um profissional da psicologia poderá se deparar com a necessidade de informações ligadas a área legal, buscar essas informações se tornará então, algo que faz parte da construção de um trabalho que dignifique tanto esse profissional como a toda a categoria ali representada por ele. Valerá muito estar atento para essas reflexões!

Alguns artigos podem ser encontrados em nosso site http://www.cinematerapia.psc.br

July 21, 2009 Posted by | Psicologia | 9 Comments

O que pode estar acontecendo no Twitterlândia Brasileira…

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Temos focado nosso trabalho em Cinematerapia (cinematerapia.psc.br), mas não deixamos de manter o olhar clínico analítico nas questões que envolvem as relações resultantes da interação Psicologia e Informática, assunto que pesquisamos há alguns anos.

Escrevemos aqui em outras ocasiões sobre a “Tornar-se Produto” e em como isso exige um Ego resiliente. Falamos de Amy Winehouse e em como ela pode ser uma vítima da nossa mídia. Também tocamos no assunto Susan Boyle e Maísa e MJ , tão batido e cansativo dos ultimos dias. Falou-se muito da morte de um ícone do pop, mas muito também foi explorado em torno das suas questões de vida, pesadas questões, devemos dizer. Questões que serão “esquecidas” quando ele se tornar um “mito”.
Isso nada é, perto do que possivelmente pode estar acontecendo no twitter agora. Tão rápido e tão imediato, que muita coisa muda e acontece e não estamos processando essa informação muito bem. É como se tivessemos um pc 486 recebendo informações em Banda Larga.

Lemos em algum lugar , que o Twitter era o “núcleo da internet”. Tudo acontece e passa por alí primeiro e não tem como não grudar os olhos e saber noticias, fofocas, interação, amigos, filmes, besteiras, piadas, etc…tudo em pequenas frases. É rápido, divertido e você monta da maneira que quiser o seu. Serve para o imediatismo dessa vida moderna corrida. Você escolhe sobre o que quer ler e quando quer ler. Se gosta de culinária, pode ler sobre o tema o dia inteiro. Se detesta futebol, pode ficar sem saber as notícias desta área. É a interação seletiva entre usuários e conteúdos digitais.

Para continuarmos, temos que referenciar um vídeo muito bom que foi veiculado no portal Globo.com

Vídeo

Pois é….é tão rapido que o vídeo JA SAIU DO AR…em menos de 24h. Ficou uns bons dias online, mas não circulou muito. Assim que acharmos de novo, no youtube, postamos aqui…

Daudt fala de uma diferenciação entre pessoa e artista. E este seria um dos riscos que estes correm, ao se colocarem a prova no Twitter. @Cardoso colocou em seu blog uma dessas preocupações, relativas a essa falta de barreiras. Quem acompanha e usa tem visto uma briga virtual de unhas e dentes, envolvendo celebridades, colunistas, apresentadores, diretores. Todos do mundo das celebridades correram para o twitter, e talvez não pensaram no impacto que isso poderá ter em suas carreiras. Muitos nunca sequer tinham ouvido falar das questões do chamado “ciberespaço” que tem merecido muitos estudos de vários pesquisadores aqui no Brasil e por aí afora no mundo.

Aston Kutcher, é um dos “garanhões” mencionados por Daudt em sua entrevista. Tem mais de 2 milhões de “seguidores” e ainda conseguiu casar com Demi Moore (ex-esposa de quem? – haja imaginário para idolatrar o rapaz). Essa disputa quase falocêntrica gerou frenesi entre os brasileiros e muito mal estar. Twitterlândia (pare se referenciar a parte brasileira) virou um campo de batalha. Quem é mais engraçado, quem tem mais seguidores, quem interage mais, quem tem mais isso ou aquilo. A competição tomou conta e o “Coliseu Virtual” foi instaurado. As novas entradas (celebridades) são jogadas aos leões (usuários). Alguns são atacados, mordidos, outros se defendem e contra-atacam. Um circo digno de um reality show (desses onde os participantes esquecem de tomar seus remédios ou tomam remédios controlados)

E o motivo disso acontecer? É que tudo está muito mais rápido, como um tornado. Ao mesmo tempo com interação não vista antes. Isto expõe o artista ou pessoas a mostrarem o que realmente são. E isso poderá agradar ou NÃO ao telespectador ou ao seu público alvo. Podem estar ajudando ou atrapalhando as próprias carreiras. Tudo isso nesse novo tempo que o mundo virtual trouxe, esse que se constitui como um tempo imediato, instantâneo. Somar isso ao fato do Brasil ser um país de acessos a Internet com índices impressionantes nos fará ver que estamos diante de um fenômeno merecedor de muita atenção, que querendo ou não, invade o chamado mundo off-line(atual).

Muito se tem falado da chamada de new mídia e talvez o Twitter venha exatamente sublinhar ainda mais esse fenômeno que cresce. Procurar o famoso “lugar ao sol” sempre foi o objetivo de muitos que pensam ter algum talento a ofertar ao mundo, alguns cobertos de razão, aparecem ou não, vai um pouco aí da capacidade de se mostrar e também de uma boa pitada de sorte, ou de algo que poderíamos chamar de estrela da sorte. O que há de diferente trazido por essa nova mídia? Talvez resida exatamente em dois principais aspectos(e muitos outros, é claro):

*a rapidez que alguém ou algo pode se tornar famoso;

*a rapidez que algo ou alguém pode cair da fama.

Até algumas semanas, o Twitter era uma diversão pura e eram coisas simples e cotidianas. Muitos a conheciam pouco e passaram a saber mais do seu trabalho alí, e ganhou seguidores fiéis. Alguns colunistas de jornais passaram a interagir mais com seu público, mesmo os mais criticados, quebrando barreiras e preconceitos. Alguns ex-reality show mostram que são mais do que uma simples imagem, e alguns artistas se mostraram tão próximos de seu público que talvez renasçam das cinzas, no estilo “phoenix”. Este é um dos pontos positivos que o Twitter traz para este “celebrity world”. Esse tão perto e tão longe que o mundo net/virtual vem nos ensinando e que nos provoca ainda “maravilhamento” e estranheza, em uma mistura que ainda não conseguimos processar muito bem.

Por outro lado, muitos artistas têm se mostrado chatos, repetitivos, cansativos e os comentários começam a surgir. Tem artista que só entra pra divulgar show, e acha que usuários não perceberam que estão sendo feitos de bobos. Tem gente que não escreve blog e tenta enganar que está twittando. Tem gente fazendo baderna, como se aquilo fosse o playground de uma escola de ensino médio. Quando o usuário se permite seguir e ler sobre algúem (sim, é ele quem se permite, o artista aqui está na forma passiva, mas narcísica), ele não está interessado em ler mensagens de SPAM ou escritas por outra pessoa. Ele quer interação com aquele que segue. Muitos ainda menosprezam a capacidade do chamado mundo net/virtual por sua capacidade de máscaras(fake), mas o que temos visto é que essa diferenciação cai, mesmo quando por detrás de personagens montados, a exposição permanente mais revela que oculta.

E não é somente para celebridades que existe o Twitter. Muitos CEOs de empresas internacionais já utilizam e se comunicam sim com usuários. A moda está pegando aqui no Brasil e começou pelas emissoras de TV. Diretores, redatores, produtores…todos online buscando informações e interesse em tempo real(atual). Enquanto o Ibope diz quantos assistem, o Twitter lhes diz “o que querem assistir”. Não foi à toa que Celso Portiolli ganhou o Domingo Legal. É claro que não foi por causa do Twitter, mas sim, pela sua história e trabalho na televisão. Entretanto, quando foi preciso – em tempo muito rápido, quem detinha o poder de decisão (Danibay) ficou sabendo do desejo do público em tê-lo como apresentador. Ela deveria já tê-lo como “escolhido”, mas a pre-decisão foi reforçada pelos seus seguidores.

Cada um mostra aquilo que é e que tem de melhor – nesse momento, e caberá ao público realmente perceber se vale a pena continuar assistindo ou dando importância para uma ou outra celebridade. Assim como a dança das cadeiras na tv que tivemos recentemente, teremos dança das cadeiras das celebridades, onde algumas ganharão maior importância e outras cairão, pois quebou-se parte da fantasia do ídolo.
Daudt deixou claro que esse imáginário popular sobre a celebridade pode passear entre “amor e ódio”, no melhor sentido Kleiniano possível, e essa fantasia que se tem sobre um ídolo pode ser quebrada por uma simples exposição desmedida. Talvez o Twitter nos mostre quem realmente as pessoas são, e sejam admiradas pelo seu talento, pelas suas habilidades, e não pelas embalagens e roupagens que ganham pela mídia.

Outra pergunta que não se cala diz respeito ao que se refere àquilo que chamaremos de verdadeiros talentos, esses que se evidenciam acima de uma multidão em busca da fama, isso poderá acontecer em qualquer setor das manifestações da arte. Ainda sobra espaço para o aparecimento e manutenção do talento em nossos dias? Terá a arte também sucumbido a desafetação(retirada da emoção que se liga a um evento) e ao fast-food que permeia todos os vínculos na atualidade? Trataremos as manifestações do coletivo que conhecemos como arte como algo também descartável? Temos a esperança que não, e ainda acreditamos que esses talentos ainda continuarão a aparecer e a se manter pela beleza que trazem junto a sua arte. Talvez, e vamos deixar isso aqui realmente como uma grande indagação, mas talvez possamos pensar que com o crescimento das mídias o espaço para o efêmero tenha se alargado de forma gigantesca e que isso alimente essa nossa sensação de rapidez da fama, frágil fama quando não assentada em um genuíno dom.

Pensamos que talvez a grande questão que nos assombra seja a de transformarmos esses talentos em caricaturas desse descartável, seguindo a tendência dominante. Negar o talento incomensurável de Amy Winehouse , por exemplo, nos parece impossível. Mas sublinhamos através da mídia, não esse talento, mas sim sua tumultuada vida, que sabemos que já foi precedida por outros inúmeros exemplos parecidos, como o próprio Michael Jackson, Elvis Presley, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Ray Charles e tantos outros. Mas talvez, a mídia de suas épocas, tivesse um poder menor, uma capacidade bem mais reduzida de explorar suas idiossincrasias.

O Twitteiro talvez ainda não tenha se dado conta do poder que tem nas mãos, podemos pensar nas “fofoqueiras de plantão” , aquelas apelidadas de cotovelos roxos, das pacatas cidades do interior, que eram capazes de arruinar vidas ou elevá-las com apenas uma frase, repetida essa no telefone sem fio que se constituí a comunicação humana. Imagine essas “boas” velhotas com o poder do Twitter! Isso nos colocará frente a outra importante questão: alguns pesquisadores acreditam que nessa era da conectividade jogar informações sobre nós mesmos seria uma forma de assumir o controle sobre elas, mas será que isso é algo de fato? A informação através da comunicação característica da “rede” será capturada como? Pensamos que tentar responder a essa questão poderá ser algo que faça a diferença.
O Twitter está aí nos trazendo mais algumas ricas indagações na atualidade, pensar e pesquisar sobre sua inserção em nossos vínculos atuais se torna algo bastante complexo e mais do que necessário. Nessa movimentação que caracteriza o homem contemporâneo em sua necessidade de quebra quanto ao anonimato, em busca constante de uma vitrine que dure um tanto mais que os meros 15 minutos de fama vaticinados por Andy Warhol.

Fato é que muitos de nós já entendemos que a Internet veio para ficar e que se constitui também em ambiente de trabalho, de divulgação das mais variadas, aquilo que começou arma militar e passou para entretenimento e lazer, começa a ganhar contornos de uma mídia poderosa, quem está por esse ciberespaço há algum tempo já se deu conta disso. Como utilizaremos isso é algo que ainda vem se construindo e que nos remeterá para a sempre constante questão que se apresenta frente a atividade humana, a construção de uma ética que não transforme tão poderosa ferramenta em um algo nefasto ou destrutivo, velha questão que atravessa a humanidade desde que o homem tocou outro ser semelhante a ele, e desde que pelo interdito constituiu-se como ser da cultura.

Só nos resta torcer para que não vire uma terra sem lei, dominada pela pulsão perversa, como aconteceu com o Orkut, já relatado há alguns anos.

July 14, 2009 Posted by | Cinema-TV, Psicologia | 3 Comments

Dúvidas e Dívidas – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Eduardo J. S. Honorato (CRP 01/14074) – Psicólogo e Psicanalista e atua em consultório particular em Manaus.

Denise Deschamps (CRP 05/09021) – Psicóloga e Psicanalista e atua em consultório particular no Rio de Janeiro.

Ambos coordenam o site http://www.cinematerapia.psc.br.

modelo_eticaEm artigo recente na Revista Psiquê, descrevemos algumas situações da prática profissional, baseados no Código de Ética profissional. Recebemos muitos comentários favoráveis. Temos observado ao longo dos últimos 4 anos, estudantes e profissionais no meio virtual, compartilhando seus interesses, suas dúvidas, seus anseios profissionais e também duas dúvidas e dívidas.

Dúvidas porque muitos são recém formados ou ainda em formação e o meio virtual é sim uma ferramenta universitária, que auxilia na construção do conhecimento, seja através de acesso a material teórico, seja para a interação social necessária necesse proceso. E quem disser que virtual e real são tão distintos assim, precisará de uma melhor vivência para opinar sobre tal fenômeno.

duvidaDívidas porque podemos perceber, com a frequência dos temas e das perguntas, que muitos profissionais já deixaram os centros de graduação, mas tem interesse e necessidade de aprimorar alguns conhecimentos. Algumas perguntas são de origem “falha” na formação, outra de interesse dos ex-alunos mesmo.
Muitas delas estão compiladas neste texto, em uma forma mais prática e andragógica de relatar esse fenomeno.

Para Estudantes e Futuros Estudantes.

Qual a universidade quem tem o melhor curso de Psicologia no Brasil?

A SUA! Existem dezenas de maneiras de comparar as universidades e determinar qual seria a melhor. Têm a que tem o maior número de laboratórios, a que possui os professores com maior titulação, tem a que tem melhores avaliações do MEC, tem também a X, Y, Z. O que isto quer dizer? Que a melhor universidade/faculdade é aquela na qual você dedica seus estudos e se esforça para obter mais conhecimento. Independente de onde você for estudar, o importante é saber que quem faz o curso é você, e não os laboratórios, professores ou biblioteca. Consulte as notas do MEC, providas através de avaliações. Certifique-se também de que a universidade tem autorização para funcionamento do curso.

Como está o mercado de trabalho?
Existem inúmeros tópicos nas comunidades virtuais sobre o mesmo assunto. Assim como em outras profissões, o mercado de trabalho pode ou não estar saturado, e isso vai depender de “n” fatores. Localização geográfica, área de atuação, especialidade, etc. Com certeza, psicologia clinica, em consultório, está saturado em algumas grandes capitais, mas pode não estar no interior de Santa Catarina, por exemplo. O mesmo acontece com a docência, psicologia escolar e outras áreas. Tudo depende da analise do mercado em questão. Portanto, não há resposta única para esta pergunta.

Como posso aproveitar ao máximo minha faculdade?
Participe de grupos de estudos dos mais variados temas. É sempre bom aprender e ensinar ao mesmo tempo. Se você saca muito de uma matéria..monte um grupo. Se saca pouco…monte um grupo também. É importante ter contato com outros estudantes, dos mais variados períodos. Se você for mais adiantado, é bom saber o que mudou na formação ou nas disciplinas iniciais, desde que você as cursou. Se você é iniciante, é bom ter contato com alunos mais avançados, para pedir orientações e dicas

Congressos e cursos? Mesmo sendo iniciante, vale a pena investir neles?Participe ao máximo de congressos, conferencias, debates, seminários, palestras e simp[osios. Sempre atento ao conteúdoprogramático, onde realizado e quem apresenta. Cuidado com as famosas caça-níqueis, que nada acrescentam. Se você sair de uma palestra sem entender nada: ótimo! É dessas que você precisa. Ela deixará duvidas, que levarão a perguntas mais complexas, e o interesse leva ao conhecimento. Se sair de uma palestra sem “isso”, foi dinheiro jogado fora. Eviste temas “estranhos” e sempre verifique:
A – Palestrante [tem registro profissional?]. Pesquisa o CV Lattes no site do CNPQ
B – Que instituição está patrocinando o evento? Ela tem registro no CRP?
C – Pergunte aos professores e alunos mais adiantados se aquele tema tem ligação com a psicologia.
D – Opte por assuntos que lhe trarão maior conhecimento e aplicabilidade prática

Quais os livros que devo comprar?
Invista em livros. Se tiver restrições de grana [como 99% da população], opte por aqueles que poderá usar mais futuramente. Livros “generalistas”, te ajudam apenas por um período determinado. Depois, com o tempo, eles acabam tomando poeira na prateleira e só servem para consultas breves. Se tiver duvida sobre um determinado livro, não compre. Procure informações antes de ir a livraria. Cuidado com livros de “auto-ajuda”. Aliás….muito cuidado quando for a livrarias. Quem faz a distribuição dos livros é sempre um funcionário da empresa, que não tem obrigação de saber sobre tudo, logo, é comum você encontrar muitos livros de auto-ajuda nas prateleiras de Psicologia.

Revistas? São úteis?
Sim. Leia revistas especializadas e sites de pesquisas. São ótimas fontes de conhecimento. Existem dois tipos de revistas: as cientificas e as comerciais.

As cientificas são aquelas que publicam as pesquisas mais recentes, com todas as questões metodológicas existentes. São assuntos atuais com achados importantes. A leitura pode ser um pouco difícil no inicio, especialmente na parte sobre metodologia, mas é importante você se familiarizar com estes termos e em como a ciência Psicologia tem produzido conhecimento. Alguns sites disponibilizam diversos artigos, como é o caso do SCIELO.br. Use e abuse deste serviço gratuito.

Revistas comerciais são aquelas que tem como tema a Psicologia, porem, não estão, obrigatoriamente, divulgando “pesquisas” realizadas. São artigos sobre comportamento humano, em uma forma mais acessível de leitura. São ótimas fontes de informações e trazem questões bem atuais. Sua vantagem está na linguagem utilizada e por serem “comerciais”, tem apelo visual, com diagramação e temas mais variados.

Recomendamos sempre a Revista Psique – Ciência e Vida. Alem de sermos colunistas dela, conheçemos a equipe editorial e confiamos nas informações por eles divulgadas.

Como posso aprender mais na faculdade?
Algumas universidades oferecem o sistema de monitoria. Se candidate! Você pode aprender muito com as dúvidas dos alunos e exercer a atividade de docência. É uma experiência gratificante. Porem, não se esqueça de um detalhe: para se candidatar a monitor você deve dominar o assunto daquela disciplina. Opte por se candidatar as disciplinas que você tem maior interesse. Caso a universidade não ofereça este serviço, converse com o professor e SE OFEREÇA.

Vi informações sobre aluno pesquisador. É legal?
Sim!. Se candidate a aluno pesquisador, mesmo que seja apenas voluntário. A pesquisa é a base de toda ciência e por mais que você não queria seguir carreira acadêmica, a pesquisa te dá uma visão muito mais critica e detalhista, e você pode aproveitar em diversas áreas da sua vida.

Terei que ler muito?
Sim! Nunca se contente com o que é ensinado na sala de aula. Apenas algumas horinhas são insuficientes para se aprender o conteúdo.
Leia muito! E procure achar uma metodologia de estudos que se adeque ao seu estilo. Cada pessoa aprende de uma maneira e em um ritmo e seus professores não irão se adequar ao seu. É você quem precisa se adequar. Invista tempo em seus estudos, por mais simples que pareça a disciplina. Estes conteúdos podem te ser muito útil no futuro, por mais que você os ache inúteis neste primeiro momento.
(isto serve também para aqueles que reclamam das disciplinas básicas, como Filosofia, Antropologia, Sociologia, Epistemologia, etc). Quando você chegar lá na frente e estiver estudando Psicologia Social, Psicologia Comunitária, Psicologia do Idoso, etc, você vai perceber que aquelas disciplinas são fundamentais para o entendimento das outras.

Internet ajuda?
As vezes sim. Desconfie de coisas que você lê na Internet. Com o tempo você terá maiores condições de avaliar os referenciais. Tem muita coisa boa na net, mas é importante tomar cuidad com a fonte. Leia somente sites confiáveis. Procure ler sites oficiais de revistas, pesquisas, trabalhos, etc.
Pergunte a internautas mais experientes o que eles acham sobre certo site, autor ou referencia. Trocar informações online é sempre vantajoso.

O que mais posso fazer para aproveitar ao maximo meu tempo na Universidade?
Seja chato. Sim, sabe aquele aluno pentelho? Pois é, seja um desses e pergunte tudo. Não tenha medo de perguntar. Professores bons gostam de alunos que questionam e instigam o pensamento. Professores fracos e despreparados odeiam, pois não tem embasamento para te responder. Entretanto, é bom salientar que quem pergunta tem que estar preparado para a resposta. O professor está ali para te auxiliar, e não, pensar por você. Se for questionar, tenha embasamento para isso, e não parta do principio de que o “achismo” ou “senso comum” são valores universais. Pergunte sim, mas sempre com a mente aberta para receber a resposta, mesmo que ela não seja agradável a você. Outro detalhe: respeito nunca é demais! Professores merecem respeito!

Preciso fazer psicoterapia? Vai me ajudar no curso?
Acreditamos que para os alunos de psicologia, a partir de um determinado período, deveria ser obrigatório passar por um processo de psicoterapia. Seja para auto-conhecimento, seja para qualquer outra utilidade. Acreditamos (opinião) que isso supriria um buraco imenso que temos na nossa formação. Um medico passa anos estagiando e vendo outros médicos atuarem. Um engenheiro freqüenta obras e participa de cálculos de estruturas. Um dentista, idem. E o psicólogo? A não ser que ele atue como co-terapeuta em um grupo, ele não vê um professor ou outro profissional atuando na prática clínica direta.

Nosso sistema de estagio, dada a especificidade da formação, é de estágios indiretos. Nós atuamos e somos orientados. Estagiamos somente na primeira pessoa, raramente na terceira pessoa (salvo os casos de estágios de observação). Isto é particularidade da clinica. Isto é importante para desenvolver a escuta clínica, que é muito importante em qualquer campo de atuação profissional. Sim, a mesma escuta que fazemos no setting é a que fazemos numa escola, em uma empresa, no judiciário ou em qualquer área. O instrumento maior do Psicologo é sua escuta e capacidade de análise do fenômeno em questão.

Não gosto de Freud. Terei que estudar sobre ele?
Sim. A Psicologia não é somente Freud. Existem varias escolas dentro da Psicologia, com os mais variados autores e técnicas. Você irá estudar varias abordagens durante o curso e escolherá a que mais lhe agrada. Freud é o pai da Psicanálise, que influenciou e deu origem a Psicologia de Orientação Analítica, que é a escola que utiliza as teorias freudianas. Veja que é apenas uma das escolas, e existem dezenas disponíveis.
Ainda tenho duvidas, o que eu faço? Todos temos. Mesmo os mais experientes e formados há muito tempo.

O dia que não tivermos mais duvidas é sinal de que paramos de aprender e isto é estagnação mental.Aproveite a comunidade para tirar suas duvidas. Converse com alunos da universidade e troque informações nas comunidades virtuais, que são ferramentas ótimas para se trocar conhecimento. Não se esqueça, entretanto, que quem pergunta ou informa, tem que estar disposto a ouvir/ler opiniões contrárias e deve estar aberto a isso.

Para Profissionais
Recebeu seu diploma! Parabéns! Você só é legalmente Psicólogo, depois que colar o grau e receber o diploma. Cuidado. Não assine contrato de trabalho ou abra consultório sem antes receber seu diploma. Isso seria exercício ilegal da profissão. Recebido o documento, você é Bacharel em Psicologia!

Preciso tirar a carteira do CRP?
Se você pretende trabalhar como Psicólogo, a resposta é SIM. Por lei, todo profissional de psicologia, atuando como tal, precisa ter o registro no Conselho. Se você for atuar como Psicólogo, seja em hospital, clinica, RH, etc, você precisará pagar a anuidade do conselho e tirar seu registro.

E se eu for trabalhar em outra área?
Não. Não precisa tirar. Entretanto, se nesta atividade você se utilizar de qualquer instrumento da psicologia (anamnese, testes, etc), você necessariamente precisa SIM ter registro no CRP.

O ideal é que o profissional se cadastre logo no conselho e receba sua carteira e numeração. Este processo pode levar alguns dias, pois depende de assembléias. Não se preocupe, pois a anuidade é paga proporcionalmente. Logo, se você se registrar em Dezembro, pagará somente a proporção referente a um mês de anuidade. Se cadastrar em Agosto, pagará proporcional também. Logo, sempre aconselhamos a registrarem o mais rápido possível, pois oportunidades nunca têm hora para aparecer.

Pra que serve o Conselho?
Eles estão ali para te auxiliar nas mais diversas duvidas referentes a profissão. Este é o nosso espaço. Não se esqueça, que somos, antes de tudo, “consumidores” do conselho, pois nós é que pagamos pelas contas ali. Mantenha sempre contato com o Conselho, pois oportunidades aparecem, desde emprego, a congressos e cursos. Mantenha seu cadastro atualizado e visite o site regional e federal com freqüência. Não tenha medo dos conselheiros. Eles têm cara de “bravos”, mas são uns amores! [risos!].

Tenha em mente que o Conselho não tem função e obrigações bem definidas. Antes de reclamar sobre uma ou outra situação, verifique se faz parte das atribuições do sistema conselhos. Muitos criticam e reclamam do sistema conselho no virtual, mas desconhecem totalmente as funções destes.

Posso abrir uma clínica ou consultório?
Claro. Você pode sim. Porém, é preciso ter em mente que abrir uma clínica não é coisa fácil. Clínica/consult[orio, antes de tudo, é uma empresa. Logo, você precisará de apoio de um contador e um advogado, para fazer toda a papelada jurídica. Peça auxilio ao conselho também, pois você precisará registrar o consultório e eles podem te orientar em todos os detalhes. Seu contador também poderá te auxiliar sobre abrir uma empresa ou optar por registro de profissional liberal. Não se esqueça que, como todo brasileiro, Psicólogo também paga impostos.

Tenha em mente de que você precisará alugar um espaço, provavelmente fazer algumas reformas, decorar, comprar moveis, instalações [telefone, computador, etc]. Tudo isso demanda tempo e dinheiro. Logo, se está com o orçamento apertado, repense. Um consultório mal decorado, sem aparatos mínimos, terá grande possibilidades de insucesso. Não precisa ter consultório luxuoso, a questão não é essa. Porem, um consultório têm quesitos minímos para seu funcionamento e não é um butequim que possa ser aberto em cada esquina. Os conselheiros, e amigos mais experientes, são as melhores pessoas a se consultar sobre o que se precisa nesses momentos.

E Depois?
Não sonhe que você ficará “rico” ou terá dinheiro sobrando nos primeiros meses. Assim como qualquer outro negócio, existe o que se chama de “tempo de retorno do investimento”. Abrir um negócio é um investimento, pois você gastou dinheiro para abrir. Em geral, os primeiros dois anos costumam ser os mais difíceis e você precisa estar preparado para períodos “ruins”, ou seja, com poucos pacientes. O mercado sofre oscilações, assim como qualquer outro, e você tem que ter um back up financeiro para se segurar por um período. Assim como qualquer negócio, você só será lembrado se for visto. Marketing existe em qualquer área e a saúde mental não seria diferente. Use seu marketing, porem, atente-se ao nosso codigo de etica.

Esqueça os seus planos de colocar outdoors pela cidade, Busdoor ou colocar anúncio no canal UHF local! Nossa forma de marketing mais confiável é o pessoal. Invista em relacionamentos com profissionais de saúde. Compareça a congressos e eventos psi. Distribua seu cartão profissional. Se candidate a atendimentos sociais em ONGs.

Ligue para clínicas e profissionais psi e faça pesquisa de mercado. Veja quanto eles cobram e onde atendem. Verifique os nomes dos planos de saúde que eles recebem.

Entre em contato com todos os planos e veja as condições para cadastro de novos profissionais. Avalie se as condições deles são boas. Decida quais os que você irá fazer cadastro. Não se esqueça que essa é uma relação comercial, e você está lidando com pessoas que comercializam a saúde. Barganhe a seu favor. Lembre-se que o que você esta barganhando será descontado do comerciante e não do seu paciente. Não “humanize” esta relação. Com o tempo sua agenda irá ter maior volume e você pode deixar que seu trabalho fale por si só. As indicações das indicações das indicações vão aparecer. Mantenha toda a papelada fiscal em dia e use os serviços de um contador: ele é melhor preparado para lidar com isso, e não você. Esta é a formação deles.

Faço ou não uma pós?
Sim….claro! Quem pára no tempo fica encalhado intelectualmente. Mantenha-se sempre informado. Vá a congressos e palestras. Veja os eventos na sua cidade. O CRP sempre mantem lista de emails e divulgam estes eventos.

Procure uma área de maior interesse e curse uma pos-graduação. Na clínica é quese básico e necessário. Por maior que tenha sido o seu tempo de estágio, a clínica exige um aprofundamento teórico muito mais intenso. Portanto, para o seu próprio bem, e de seus pacientes, faça uma pos-graduação.

E se eu for pra RH?
Continue estudando. Aprenda novos testes e aprofunde mais sobre os que mais gostou. Por mais que você tenha estudado 6 meses de um único teste, existem muitos mais para aprender e aperfeiçoar. Se essa é a área que pretende seguir, tem que estar muito atualizado, pois novos instrumentos são autorizados pelo CFP a cada momento e você pode sempre precisar deles.

Visite o site do SATEPSI (sistema do POL – CFP – que avalia e autoriza os testes). Mantenha grande interesse na legislação trabalhista e nas do nosso conselho. A toda hora temos algumas resoluções importantes e que podem alterar a sua maneira de trabalho. [desde posturas em entrevistas até regras para criação de anúncios trabalhistas com proibições especificas.]

E se eu tiver que usar copias de testes ou testes não autorizados?
Ligue para um conselheiro e detalhe a situação. Eles são os mais indicados a te orientarem em situações desse tipo. Homologue a procura pelo conselho e guarde esta documentação Usar cópia de testes ou testes não autorizados é falta ética.

imagem comunidade psicologia

Orientações Específicas para Atuação Clínica

As incessantes demandas contemporâneas , a vida atribulada nos grandes centros, a falência das instituições e outros fatores trazem uma crescente demanda pela psicoterapia através dos transtornos psíquicos cada dia mais presentes na realidade de todos nós.

O que é ser psicologo clínico? Ser psicólogo clínico é uma formação que se detalhará pelo desenvolvimento de uma técnica. A questão que traz atrelada e deixa mais complexo o caminho da formação desse profissional, será o fato de que necessariamente o desenvolvimento dessa capacidade técnica, passará também por um questionamento pessoal e um investimento em crescimento, isto posto para a maioria das correntes que lidam com psicoterapia, com raras exceções. Há também por volta do 4º e 5º ano obrigatoriamente, o início dos atendimentos e consequentemente entrará também a participação em uma supervisão, a essa altura quase sempre feita em grupo, o que mobiliza ainda mais esse psicoterapeuta em formação.

O trabalho é assistencialista?
O primeiro aspecto com que se vê confrontado aquele que busca essa formação será com tudo aquilo que envolve as lendas criadas em torno desse ser psicólogo, como primeira, a questão da “ajuda”, cujo teor assistencialista será logo questionado. É comum ouvirmos de um aluno em início do curso, de que procurou a psicologia porque gosta de “ajudar”, e bem cedo entenderá que se sua vocação for essa, o curso de psicologia não é o caminho mais curto para esse fim. Assim como outras funções da área da saúde, a psicologia não tem como fim a ajuda, mas sim visa um trabalho de modificação de patologias e isso muitas vezes ou quase sempre não se constituirá como aquilo que popularmente se entenderá como ajuda. Essa é uma questão importante na medida em que na clínica nem sempre a atuação necessária será entendida como essa ajuda procurada e caso se prenda a esse aspecto poderá, pelo contrário, impossibilitar aquilo que entenderemos como intervenção psicoterapêutica. Essa intervenção guarda aspectos que passam pelo real que a diferenciam do ato da ajuda humanitária:

• é um serviço necessariamente cobrado(remunerado)

• tem tempo estabelecido em sua intervenção que deve ser obedecido, o tempo da sessão

• não visa atender a expectativa de aceitação dos mecanismos operados pelo paciente

• pode em casos extremos ter que interferir com medidas de cunho terapêutico que não estarão necessariamente de acordo com o solicitado no manifesto do paciente

• estabelece uma relação obrigatoriamente assimétrica entre psicólogo e paciente

• não visa resgatar aspectos adaptados para o paciente, embora em alguns casos isso até termine por se constituir em ganhos advindos da psicoterapia e uma mais saudável relação do sujeito com o mundo afetivo a sua volta

• não necessariamente estará de acordo com o senso comum sobre as inúmeras possibilidades do fazer humano.

E as escolas, como escolher?
O interesse pela clínica, embora pareça estar decaindo um pouco, ainda é forte dentro da busca em psicologia, uma vez feita essa escolha geralmente esse estudante procurará informações mais detalhadas em busca do caminho para eleger uma linha de abordagem como aquela com a qual se identifica. Ao longo de décadas essa escolha tem se distribuído com forte predominância entre a psicanálise freudiana e pós-freudiana e o behaviorismo ou hoje ainda em direção à Análise do comportamento ou ainda as terapias cognitivo-comportamentais.

O aluno passa por todo esse percurso até começar seu estágio supervisionado, que poderá acontecer na clínica social de sua própria faculdade ou ainda em outros lugares que ofereçam estágios credenciados. E assim começa sua vida de psicólogo clínico, ainda dentro da sua graduação. Fase essa importantíssima para todo desenvolvimento ulterior desse clínico, por essa razão mesmo, os supervisores que trabalham com estudantes procurarão detalhar cada atendimento, perceber falhas na aprendizagem teórica, assim como impedimentos pessoais. O primeiro paciente chega entre um misto de espanto, medo e júbilo, tudo misturado. Psicoterapeutas promissores já poderão ser localizados aí nessa fase, onde apesar de toda essa mistura de sentimentos, ao iniciar o atendimento, a técnica se apresenta a frente de qualquer outra premissa, faz-se o silêncio em suas emoções e sua escuta se volta totalmente para aquele que busca a consulta, aquele que importa no setting, o paciente. Muitas vezes mais, ao longo de sua trajetória, passará por isso, quando sua vida pessoal atravessa fases difíceis ou mesmo alegres por demais, ou quando o paciente mobilizar conteúdos seus na contra-transferência ou ainda os não trabalhados, vistos como pontos-cegos(psicanálise).

Estas são apenas algumas das dúvidas e dívidas mais comuns apresentadas no âmbito virtual. E o que pode ter de vantajaso a se pensar, é que a psicologia é uma atividade ainda em expansão, cada ano se abrem novos campos e perspectivas de trabalho e aqui no Brasil ela vem crescendo em termos de aceitação de sua prática pela população, começa a ganhar uma maior visibilidade social. Assim, teremos muitas e muitas novas áreas, com muitas novas situações e dúvidas e esta troca virtual toma uma dimensão antes inexistente na formação e atuação desses profissionais.

Qualquer dúvida ou sugestão, estamos “sempre” online.

[s]

Eduardo e Denise

July 6, 2009 Posted by | Psicologia | 2 Comments

Orkut: Sombra, Persona & Representações Sociais – Por Fábio Fischer de Andrade

sombra1
A internet hoje é algo trivial em nossas vidas. Através dela nos comunicamos; pagamos contas; fazemos compras; publicamos informações, notícias, fotos, vídeos, etc. O leque de possibilidades aumenta na velocidade de um click no mouse. Dentre os inúmeros recursos que a internet dispõe estão as comunidades virtuais. São, em síntese, sites onde as pessoas têm a oportunidade de trocar informações com outras que possam ter interesses em comum. No Brasil, o site de relacionamentos Orkut é o exemplo mais conhecido de comunidade virtual. Desde que foi ao ar pela primeira vez, em 2004, o site vem moldando de maneira inovadora o comportamento do “internauta” brasileiro. Em 2003, antes do seu lançamento, tudo o que a internet tinha a oferecer como ferramentas eram as salas de bate-papo, os fóruns de discussão, os e-mail´s, os sites, os diários virtuais (também conhecidos como blogs). O Orkut aparece então como uma alternativa, fornecendo uma possibilidade de interação a qualquer indivíduo que tivesse acesso à internet.

Uma das características marcantes do Orkut é o fato de o site privilegiar a interação entre seus usuários. Essa interação acontece quando o usuário começa a utilizar as ferramentas do site para criar o seu perfil pessoal e assim expor este perfil para que qualquer pessoa possa ver. O perfil tanto pode ser falso (tradução literal do termo em inglês fake, como é mais conhecido) ou ser fiel à identidade na vida real. O site disponibiliza toda uma gama de recursos disponíveis aos seus usuários, de maneira que os mesmos criem sua identidade virtual e elaborem também representações sociais de acordo com seus interesses e objetivos na rede. Esta identidade virtual, o perfil, corresponde à sua representação social dentro do site e nas demais comunidades virtuais de que esteja participando.

sombra2Sob a ótica da Psicologia Analítica, este perfil criado pode ser analisado, mais especificamente utilizando-se os conceitos de sombra e persona. Calluf (1969) diz que a persona é o que mostramos por fora. Ela corresponde à identidade e desempenho de papéis socialmente atribuídos ao indivíduo. Já a sombra é o arquétipo associado às virtudes e defeitos de caráter ocultos para o próprio indivíduo.

Mas afinal, o que são representações sociais? Representações sociais são fatos significativos que estão intimamente ligados a cada sujeito, cada indivíduo. São elas que permitem que as pessoas estabeleçam comunicação e encontrem sua identidade, desenvolvendo assim o sentimento de pertencimento a um grupo sócio-cultural. Desta forma, o perfil do “orkuteiro” poder ser considerado uma forma de se representar socialmente num meio, numa comunidade (ainda que virtual). As representações sociais constituem uma forma de mediação entre a identidade do sujeito e o ambiente no qual ele se encontra inserido.

É preciso, no entanto, prestar atenção em certos detalhes. Nos sites de relacionamento, como o Orkut, existe a possibilidade do sujeito se “re-inventar”, criando uma representação social paralela de sua vida, que pode ser a mais idealizada possível, mas também ser distante da frustração e do marasmo da vida real. Por perfil idealizado, aponto como sendo a representação virtual que o sujeito faz de si mesmo, exibindo uma aparência que seja atraente aos olhos dos visitantes e que forneça conteúdo para saciar a curiosidade de outros usuários da rede. O usuário pode agregar-se a comunidades de livros que nunca leu, lugares que nunca visitou ou comportamentos que gostaria de ter. É preciso “vender” a imagem, pois as pessoas irão “comprar” apenas os mais cultos, os mais populares, os mais “viajados”, os mais bonitos.

sombra3Quando o usuário cria um perfil idealizado, sem defeitos ou pontos negativos, permite que o ego se identifique mais com esta persona “virtual”, já que não existe conteúdo para ser segregado e enviado à sombra. Desta forma, o perfil que o sujeito cria no Orkut pode se afastar parcial ou até completamente de sua real personalidade na vida real, criando então uma representação incompleta, composta apenas por aquilo que o indivíduo quer mostrar ao mundo e não ao que ele é de verdade.

Vivemos hoje de forma exagerada este culto a sociabilidade, uma celebração do “sujeito popular”. O perfil mais “badalado” acaba por romper com o padrão mais individualista e isolacionista que a modernidade impôs, retomando a exposição como forma de suprir uma necessidade de se comunicar e se relacionar.

Fábio Fischer de Andrade – fabio_psi@hotmail.com
CRP 06/93375

REFERÊNCIAS:

ANDRADE, Fabio Fischer. Orkut e Representações Sociais: Uma análise sob a ótica junguiana. Fábio Fischer de Andrade – Santos: [s.n], 2008. 92p. (Monografia) Curso de Psicologia. Universidade Católica de Santos)

ASSIS, Ana Borges; ROJO, Marina Luiza; DIAS, Cláudia Latorre Fortes.
A ciberidentidade no Orkut: Aspectos contextuais. 2006. Disponível em http://www.cibersociedad.net/congres2006/gts/comunicacio.php?id=330&llengua=es

BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos.1º Ed. Rio de Janeiro: Zahar. 2004. 190p.

CALLUF, Emir. Sonhos, Complexos e Personalidade. 1a. ed. São Paulo : Mestre Jou. 1969. 302p.

DAL BELLO, Cíntia. Espectros Virtuais: A construção de corpos-sígnicos em comunidades virtuais de relacionamento. Disponível em: .

JUNG, Carl Gustav. Fundamentos de Psicologia Analítica – As conferências de Tavistock. 1º. ed. Petrópolis: Vozes. 1972. 239p.

MOSCOVICI, Serge. Representações Sociais: Investigações em Psicologia Social. 2ºed. Petrópolis: Vozes. 2004. 404p.

June 25, 2009 Posted by | Psicologia | 3 Comments

De onde vem a homofobia – Por Denise Deschamps

homofobia_crime1Cabe na análise deste tipo de comportamento averiguar o contexto no qual se manifesta e, além disso, investigar os conflitos intrapesssoais que a atitude possa ocultar

Refletir sobre a questão da homofobia requer sempre certa contextualização cultural. O comportamento surge como manifestação individual, mas tem seus instituintes fortemente assentados na cultura onde se inscreve, assim como a manifestação de outros comportamentos, também regulados por um intricado sistema de normas sociais.

Em nossa cultura – que supomos ser de base heteronormativa e heterocêntrica –, a questão geralmente se apresenta de maneira bastante evidenciada. Pais vigiam seus filhos desde muito cedo, observando atitudes que possam apontar uma possível homoafetividade e não hesitam, inclusive, em reprimir algumas manifestações de afeto e outras próprias do desenvolvimento psicossexual de todo sujeito em formação. Dentro dessas características, agregadas a uma cultura conceituada por Gregory Zilboorg como falocêntrica, ocorre extrema vigilância sobre comportamentos identificados como indicadores de homossexualidade. Serão muito mais atacados aqueles que dizem respeito ao gênero masculino, aos meninos em formação, sendo que, nesse aspecto, as identificações de gênero para as mulheres são um pouco mais flexíveis. Torna-se importante, neste momento, isolar alguns conceitos que hoje em estudo mostram diferenciações *:

– sexo biológico;
– identidade sexual – Também conhecida por identidade de gênero;
– papéis sexuais – Também conhecidos por expressão de gênero;
– orientação sexual – Simplificação da expressão e orientação sexual do desejo;
– comportamento sexual – Não corresponde necessariamente à orientação sexual do desejo;
– prática sexual – Diz respeito ao ato sexual propriamente.

Hoje é consenso que essas diferenciações, ao se abordar a homossexualidade, sejam algo de suma importância. Por isso devem ser consideradas quando um profissional do campo psi é chamado para lidar com essa questão, seja teoricamente ou na prática clínica. E por qual motivo isso nos interessa? O foco de nossa análise ficará mais bem delimitado olhando-se a partir dessas possíveis manifestações. Um sujeito homoafetivo poderá não apresentar para seu meio social nenhum indicador de sua orientação sexual, mesmo que a exerça em sua prática sexual, portanto não apresentando nenhuma manifestação quanto à identidade de gênero ou papel sexual que sejam diferentes das manifestações aceitas para o seu sexo biológico. Outras vezes esse campo se confunde e o sujeito poderá dar-se conta de sua orientação sexual e, no entanto, manter a prática sexual e o comportamento sexual ligados a outra orientação, heterossexual. Esse tipo de atitude, via de regra, levará esse sujeito a grande fragmentação e vivência de intenso sofrimento. A trajetória até aí não é das mais simples e diz respeito àquilo que denominamos como homofobia internalizada.

Em alguns casos, a homofobia internalizada poderá ganhar contornos de uma manifestação projetiva e apresentar-se ao mundo externo como perseguição ao objeto temido. Nesta situação o sujeito desenvolve toda uma estratégia de perseguição à homossexualidade. Isto é muito observado em grupos organizados, tais como os de cunho religioso ou mesmo militares, como pudemos acompanhar recentemente pelos noticiários que mostraram a perseguição sofrida pelos militares Laci Marinho de Araújo e seu companheiro Fernando Alcântara de Figueiredo. Ao assumirem seu relacionamento, ambos atraíram para si toda uma estratégia punitiva por parte da instituição à qual pertencem.

Sem o aval da Psicanálise
A transexualidade e o travestismo exigem capítulo à parte, mas que para o que abordaremos aqui não necessariamente será preciso elucidar as diferenciações, porque pensamos que a homofobia se caracteriza pela dificuldade em lidar com tudo que não seja heterossexual, no sentido biológico que caracterizaria essa definição.

O campo psi tem sido, então, solicitado para legitimar ou não a questão do “desvio” em relação à homossexualidade. Embora se acuse a Psicanálise freudiana de fornecer embasamento para essa prática, isso na verdade mostra um desconhecimento quanto ao que seu fundador, Sigmund Freud, pôde postular sobre o tema ainda em pleno desenvolvimento de sua teoria, quando retira da questão homoafetiva qualquer noção de desvio e a coloca como uma das possibilidades esperadas da corrente da libido. Isto fica bastante claro na famosa carta resposta “À uma mãe americana”, que o consultou a respeito da possível homossexualidade de seu filho. Disse Freud:

“O homossexualismo (leia-se hoje como homossexualidade) não é vício nem degradação. Não pode ser classificado como doença”

Toda teoria que envolve o Complexo de Édipo, elaborada finalmente por Freud, aponta para aquilo que será chamado de Édipo Completo e que investe nas duas direções (figuras parentais masculinas e femininas), até que fatores diversos e ainda não totalmente entendidos apontem para a orientação que ficará como predominante, porém nunca totalmente excludente da outra. Freud partiu da crença em uma bissexualidade constitucional, ou seja, por “natureza” seríamos todos originalmente bissexuais. Pensamos que seja justamente a forma de lidar com essa constituição e suas manifestações na infância que determinarão também os comportamentos homofóbicos na vida adulta, respaldados na dificuldade em lidar com seus componentes homoafetivos recalcados.

Já em 1970 a American Pshycology Association deixou de considerar a homossexualidade como doença e perversão. E o nosso Conselho Federal de Medicina, desde 1985, assim como a Organização Mundial de Saúde, a partir de 1993, excluíram do quadro de patologias a homossexualidade. No Brasil o Conselho Federal de Psicologia seguiu o exemplo em 1999 (nº01/99) e contemplou definitivamente a questão no Código de Ética do Profissional em Psicologia, aprovado em agosto de 2005. Todas essas resoluções são importantes no sentido de retirar das mãos do campo psi, aquilo que a Dra. Hevelyn Hoocker, conceituada psicológa norte-americana dos anos 1940, havia apontado como os “cães de guarda da moral dominante”, por medicar a prática homoafetiva e substituir toda perseguição policial e religiosa perpetrada nos séculos anteriores.

Em prol da diversidade humana
Pensar na diversidade sexual como algo que faz parte da nossa humanidade é combater toda e qualquer prática da homofobia no meio social, prática essa muitas vezes exercida de forma velada, mas em algumas situações peculiares expressa com extrema violência e perseguição. Partimos do fato de que a homofobia é um mal que atinge tanto os heterossexuais quanto os homossexuais, que a exercerão contra seu próprio organismo, muitas vezes estabelecendo um quadro de profunda depressão que alimenta a alta taxa de suicídios existente dentro desse segmento da população.

Parafraseando uma campanha feita alguns anos atrás a respeito do racismo, podemos perguntar: “– Onde você coloca sua homofobia?”. Pensamos que a resposta mais sensata seria: “Em lugar algum, jogo fora”.
Porém, é certo que não podemos tratar a questão sem retirá-la do seu lugar de “não-dito”. É preciso trazer para o debate suas manifestações, onde isso puder ser colocado, abrir janelas e portas, lançar luz à questão. É inegável que este é um traço de nossa cultura brasileira machista. Por conta disso, nenhum de nós encontra-se imune a ela, não importa se sejamos hetero ou homossexuais, pois o comportamento homofóbico poderá se apresentar sem grandes diferenciações e ser corrosivo da mesma forma, não importando em quem esteja instalado este traço. São as graves conseqüências deste tipo de atitude que ensejam pensar na proposta de criminalizar todo e qualquer tipo de práticas homofóbicas, como já está previsto no projeto de lei (PL) 122 que tramita no Congresso. Da mesma forma, no âmbito de todo conhecimento psi, devemos tratá-las com a compreensão de serem manifestação de um conflito psíquico.
Pelas madrugadas dos grandes centros urbanos brasileiros muita violência é produzida em torno da homossexualidade. Algumas dessas ações ganham o noticiário, mas é comum serem tratadas com certa complacência por grande parte da população, que se apóia nos componentes homofóbicos inscritos em nossa cultura heterocêntrica. Esse tipo de situação precisa ser questionado e combatido com informação e formação. O campo psi não poderá fugir a esse debate e os profissionais que se pronunciam a respeito dessa questão não podem perder de vista seu dever ético, devendo ficar atentos a tudo que até agora o universo científico já produziu com estudos sobre a sexualidade humana. Atualmente os movimentos de afirmação homossexual propõem, de maneira combativa, a localização da “questão homossexual” no campo dos direitos humanos.

Identidade de gênero
Para a Psicanálise a questão da construção dessas identificações (masculina, feminina), assim como os investimentos objetais (homo ou heterossexuais) passam necessariamente por uma leitura do Édipo, pelo qual se entende que, ao vivenciá-lo, tanto meninos quanto as meninas produzirão caminhos para essas escolhas. Como já foi dito aqui anteriormente, nos dias de hoje se fala em um Édipo Completo, nada parecido com o que popularmente se sabe sobre esse complexo e que é erroneamente propagado em revistas e publicações reducionistas. O Édipo, segundo o método apontado pela teoria freudiana, seria um fenômeno universal, aconteceria em todo ser humano inscrito em qualquer cultura, tendo no tabu do incesto seu principal postulado.

Meninos e meninas em nossa cultura têm como primeiro objeto de amor aquilo que formará sua matriz das relações, a mãe. Partem, então, ambos, tanto menino quanto menina, de um mesmo ponto. Teríamos em seguida o segundo apontamento fundamental do método psicanalítico, que seria o Complexo de Castração, que resolverá o Édipo do menino e, para a menina, o lançará nele, ou seja, na situação triangular de investimento. Nos dois casos, meninos e meninas, os investimentos e identificações serão feitos nos dois sentidos, formando uma amálgama difícil de separar, mas de qualquer maneira, já poderemos observar na saída do Édipo e entrada no chamado período de latência uma predominância tanto para a identificação de gênero quanto para o investimento no objeto sexual. Mas então virá o período de latência, no qual há certa retração da libido de objeto, que só retornará com força, então, com a primazia do genital, na adolescência.

Durante o período de latência as relações são fortemente marcadas pelas identificações de gênero, formando aquilo que conhecemos como os famosos “clube do Bolinha” e “Clube da Luluzinha”. Existirá, inclusive, certa hostilidade entre gêneros. Vejam, que abordada dessa maneira mais completa, o Complexo de Édipo não deixa margem para servir de respaldo para quaisquer justificativas de patologização de sua existência. A diversidade sexual é amplamente amparada pela teoria psicanalítica. Sabemos bem que o que determina uma sexualidade hetero ou homoafetiva ainda não está totalmente esclarecido, e durante a fase do Complexo de Édipo isso encontraria seu principal objeto de investimento, nunca, porém, totalmente excludente.

A homofobia hoje é como uma “peste emocional” que deve ser combatida de todas as formas, sob pena de continuarmos construindo uma sociedade apoiada em valores normativos excludentes, não acolhendo a diversidade que fala do humano, de tudo que se move em direção a uma construção do diferente como parte do que forma o tecido social. Não cabe a nenhuma corrente científica fornecer argumentação para esse equívoco. Os grupos religiosos já constroem argumentações suficientes para nos horrorizarmos com essa prática, sendo a maioria de suas argumentações totalmente destituídas de qualquer valor, mesmo que olhemos pela questão moral. Hoje sabemos que devemos ter como orientadora a construção de algo que passe por uma ética, e nunca pela moralidade, que tende a se apoiar em crenças dominantes, defendendo o que há de mais retrógrado nas instituições sociais.

1- Artigo publicado na Revista Psiquê Cinência e Vida edição 32
2 – Fonte: Análisis de conceptos abstractos e práticas concretas de la sexualidad para la psicologia contemporánea. Mario Chimazurra y Veriano Terto – Ed. Madrid 2006.

June 20, 2009 Posted by | Psicologia | 4 Comments

Cinematerapia

Depois de alguns bons meses de pesquisa e muito trabalho…
Depois de muitos filmes assistidos…
Depois de muitos insights….
Depois de muitos emails enviados…
Sim….
Ele ficou pronto! “Cinematerapia: Entendendo Conflitos”
Lançamento do nosso Livro no Rio de Janeiro, na próxima 3-feira, na sede da Editora Multifoco.
Maiores informações no E-flyer!
[s]

Convite-Cinematerapia_Web

Vendas online em alguns dias, no site da Editora: http://www.editoramultifoco.com.br

June 10, 2009 Posted by | Cinema-TV | Leave a comment

Mais do mundo digital – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

2034811099_3eb0b1b5dfCada vez mais estamos em pixels, megabytes, TERAbytes, conexões, provedores, digitalização e virtualidade. Estamos vivenciando um momento que ficará na história, como a transição de um período para outro. Algo como a eletricidade, automóvel e grandes momentos de criação. Porém, desta vez todos são autores e inventores, numa interação frenética nunca antes vista.

Ao longo dos anos vímos idéias darem muito certo, e depois caírem em desuso. Muito mais rápido do que o Vinil foi substituído pelo CD. Vimos empresas criadas, explodirem e falirem, em um piscar de olhos, nada comparado com a troca do VHS pelo DVD. Tudo no virtual está muito intenso, muito rápido, muito pra “ontem”. É um reflexo dessa nossa sociedade quase virtualizada. Wohooo…vivemos em um momento histórico

Vamos tentar entender alguns destes fenômenos interessantes, e alguns de seus produtos. Reparem que, futuramente, o termo histórico “Era” será também alterado, contando apenas alguns meses ou anos….

– A Era do Mirc – Tivemos algumas tentativas de redes de conversas, para substituírem os famosos “145” ou “Disk-Amigos” (que voltaram hoje). O mirc proporcionava uma interação “rápida”, anônima e contagiante. As conexões eram ruins demais, em velocidades que hoje rimos só de lembrar. O barulho do modem fazendo “tchuuuuuuuuu-tchuuuuuuuuuuuuuuuu-tchuuuuuuuuuuuuuu” vai ser uma onomatopéia para píadas. Por anos o Mirc foi a sensação, até que foi caindo em desuso. Perdeu a graça, e muito se deve também a brigas políticas de grupos já virtuais. (juramos não entrarmos em uma das primeiras guerras de Ego do virtual. Nao devemos falar de uma guerra ainda não cicatrizada….)

A necessidade de interação continua, e a famosa “florzinha” do ICQ apareceu. Foi uma sensação. Ao invés do anonimato e das fantasias do Mirc, tinhamos nome e número de UIN. Era como se ter um número de “celular”. Super ultra cool. A florzinha foi regada, mas, colocaram veneno no seu adubo. O MSN avassalou o mundo virtual e tomou conta. Interatividade total, depois com vídeo, com emoticons, com tudo que tínhamos direito.

– A Era do Orkut – Depois vem essa possibilidade mais estática. A interação direta e rápida de antes estava meio sem graça ou não suficiente. O orkut trouxe a possibilidade de juntar distancias em tempo não real, trocar informações, conhecer pessoas, debater sobre assuntos, ver fotos de parentes. Nossa…foi um dos primeiros passos para a vida virtual estática constante. Paralelamente os mundos virtuais mais interativos, tridimensionais, como o Second Life, corriam, mas ainda muito em um âmbito “geek”. Com o tempo muito do Real transpassou pro Virtual – normal – e o Orkut, invadido pelos brasileiros, entrou na rota do crime e da perversão. Palco perfeito para todas as parafilias, em uma retirada de um superego social nunca vista antes. Um faroeste digital, que será sempre lembrado como o período da farra, que teve (esperamos) um fim.

– A Era dos Blogs, Flogs, Trogls, Plabs, e o narcisismo humano recebeu seu primeiro adubo. Falar de sí, mostrar seu trabalho, colocar seus pensamentos. Todos tiveram a oportunidade de se exibir mais e fazer o que quiser. A criatividade humana foi instigada bastante, não limitando mais aos meios tradicionais. T

– A Era do Facebook (ainda rolando) – Como o Orkut virou faroeste bang bang, com seus fakes e suas características peculiares, muitos se refugiaram no então Facebook. Não tão interativo coletivamente, mas em uma forma mais de vitrine. Você interaje com tudo e com todos, mas se exibindo ou falando de você. Fala o que pensa, faz testes sobre você, informa a todos sobre o seu narcisismo. Os demais brincam e se divertem com isso também. É uma troca narcísica de massagem de egos. Pura diversão!!!!

– A Era do Twitter – Os mais “cools” e “geeks” bombam no Twitter, que agora também virou “Celebridade”. Sim, toda celebridade antenada tem que estar Twittando o tempo todo. Uns até demais. Já temos fakes, que divertem esse ambiente ainda seguro e divertido. Os humoristas fazem a festa e ler durante o dia é como ter acesso a piadas curtas para alegrar o seu dia. Este ainda faz a diversão dos funcionários de empresas, pois é mais rápido que o Orkut, menos trabalhoso que o Facebook, e nao está barrado, como o Orkut e o MSN. “Interaja com algumas celebridades e esteja por dentro das fofocas e coisas interessantes”. Essa é a proposta simples e do momento.

– A Era do Youtube – Não podemos esquecer do Youtube, que há tempos resiste e mostrou as previsões de que a TV do futuro será virtual. Muito ainda temos a desenvolver, mas esse é o caminho. É também a prova da pulsão humana de curiosidade, sobre o Outro. É a mola que impulsiona os reality tvs. Todo mundo tem que se mostrar e ser visto. Nossas pulsões mais escópicas precisam ser satisfeitas, além das narcísicas. É claro que aparece de “tudo”, tanto bom, quanto ruim…

Essa oportunidade, nos remota a outras postagens sobre televisão e psicologia, e relembramos que “pra ser produto, tem que ter Ego”. Talento, bom senso e algumas outras características perderam alguns parâmetros. Coisas que antes eram cafonas, viraram modernas da noite para o dia. O cool de ontem é o over de amanhã. O in de ontem é out hoje. Rápido demais.

Continuemos observando, interagindo, contribuindo, criticando, melhorando, controlando e curtindo essa fase histórica, que daqui a alguns séculos, será uma das matérias interessantes de história, como lêmos muito nos nossos tempos de escola.

Há quem nomeie nossa época, a atualidade, como a era da conectividade, sendo a Internet um dos seus fenômenos, não podemos deixar de pensar nos outros dispositivos móveis, como a telefonia celular, que mudou completamente as características de contato, agora sempre possível, presente. A cada dia mais esses dispositivos vão se juntando em um só, já podemos, por exemplo, acessar e-mails por aparelhos que também são de telefonia. Não estamos nem cogitando sobre teses futurísticas que já se mostram em andamento, como a questão holográfica, ainda em pesquisa.

Todas as inovações tecnológicas não surgem apenas das mentes de algum inventor maluco, tipo Professor Pardal, surgem dentro de um contexto, um tempo histórico, que fala dos desejos desse sujeito e portanto também um ser da cultura. Esse homem que quebra hoje, ainda seguindo no rastro de alguns pesquisadores, com o grande paradigma do individualismo como a meta social. O tempo rápido também permeia a forma desse homem no mundo investido de carga, desejo, libido. O tempo gasto em atos é cada vez mais voraz, o sujeito sente: falta de tempo.

Solicitado por inúmeros estímulos concomitantes, responde ágil, se aliena da reflexão, solicitado também, por outro lado, a emitir estímulos ao mundo, da mesma forma, na direção da conexão, distante e ausente da representação(pensamento/idéia) carregada pela energia de investimento, afeto.

Muitos avanços tecnológicos como vimos, dividindo também o mundo em quem a eles tem acesso e outros que nem sabem que existem. Exclusão digital tem sido tema de grande debate, mas isso mereceria todo um texto, aqui, por hora, fica só citado.

Sobrevivência desse ego do homem moderno, precisa e deseja exposição, a Internet está aí, cômica ou trágica como documentação dessa passagem, dessa mudança que operamos e sofremos na ligação com o tal mundo externo, real, presencial, atual.

Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps.

June 6, 2009 Posted by | Psicologia | 1 Comment

Susan Boyle – E o Show de Truman vai começar! – Por Eduardo J. S. honorato e Denise Deschamps

show-de-truman03Quando sempre criticamos que os profissionais de Psicologia precisam ter mais espaço nas organizações midiáticas, não estamos brincando ou procurando questões mercadológicas, mas sim, pq as situações falam por si só.

Os conhecimentos de Psicologia vêm sendo ignorados em algumas questões e temos que enfatizar que há sim necessidade de maiores controles em certos aspectos da televisão brasileira. Temos um pacto de não contribuir com a baixaria na televisão, e isso incluí e não ficamos calados como espectadores.

Situação 1 – Maísa

Em outubro, tanto aqui no Blog como na comunidade do Orkut, debatíamos sobre as questões que envolviam esta menina, e meses depois os problemas aparecem.

https://eduhonorato.wordpress.com/2009/06/02/ainda-sobre-maisa/

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5281113863294085528&kw=maysa

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5337831230015072664&kw=maysa

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5261764679143319960&kw=maysa

A questão está tomando proporções maiores agora, depois que a situação inicial já aconteceu. Poderia ter sido evitada.

Situação 2 – Produtos na mídia

Falamos no Blog sobre a questão se de tornar um produto midiático.

Aí, suge o fenômeno midiático Susan Boyle.

Se você está em outro plano e não a conhece, esse aqui é o vídeo do “Show de Calouros” mais famoso do mundo, dos criadores do American Idol, Pop Idol e todas as versões “ídolos” pelo mundo. Imaginem a grandiosidade desse evento:

Copie e cole no navegador:

Assista aos vídeos dela e se deixe mesmo invair, no sentido que propomos da Cinematerapia (www.cinematerapia.psc.br). Assista aos demais vídeos dela e veja o que foi dito: “A bruxa que canta”. Ela acendeu um pouco em qualquer fantasia e sonho de qualquer pessoa. Parecia uma fábula acontecendo pelo mundo digital.

Ela foi citada em palestras, debates, seminários de motivação, programas de talk show. Foi um ponto positivo nessa mídia. Para o show, foi o que faltava e precisavam. Desde o início eram acusados de produzir nomes sem talentos, muito comerciais, ou alegações de fraude. Era a prova de que o show transformava um patinho feio em um cisne musical. A prova de que existiam talentos espalhados pelo mundo.

Semana após semana o patinho feio da competição ganhou o mundo. Foi acessada, avaliada, revirada, revestida, embrulhada, desembrulhada…e todas as ações possíveis que a mídia mundial pode fazer. Virou da noite pro dia em um dos produtos mais consumidos virtualmente. Passou para a televisão e atravessou continentes. Tudo numa velocidade tão rápida quanto a troca de informações pela Internet.

Aí nos perguntamos se toda e qualquer pessoa está psicologicamente preparada para ser esse produto…

Escrevemos sobre isso em Janeiro desse ano:

https://eduhonorato.wordpress.com/2009/01/31/prazer-eu-sou-um-produto-–-quer-me-comprar/

A questão é que ninguém se perguntou ou pensou se Susan Boyle estava preparada para assumir esse peso todo ou se estava mentalmente apta a fazer isso.

Invadimos sua privacidade na cidade natal. A fizemos dar declarações sobre sua vida privada que talvez não tivesse conhecimento sobre os impactos. A fizemos se expor como se fosse a pessoa mais desejada do mundo. Tiramos esta senhora tímida e recatada de sua poltrona a frente da televisão, tomando seu chá, para os palcos de hollywood e teatros do mundo.

Em momento algum se parou para pensar que as coisas poderiam ser diferentes. Susan deu indícios de não estar se adaptando bem no início, quando atacou os jurados nas vésperas da final. (fonte internet). Sites diziam que deixaria o programa, pois não aguentava a pressão.

E mesmo assim a mídia continuou até que para a surpresa de todos…Susan Perde. Mesmo assim, dá um show de carisma, que mais contido poderia explodir dentro do rosto. Poucas horas depois, é internada em estado de “estafa” em uma clínica inglesa.

http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1179530-7085,00.html

Depois dos estragos feitos, somos informados sobre problemas de aprendizagem, questões psicológicas muito importantes. Contribuímos para que uma pessoa fosse empurrada ao limite de seu limite. Percebemos aos poucos qu teríamos algo muito maior….mas nada foi feito. Os produtores prometem mudanças e melhorias no formato, e Susan continua com seu breakdown na clínica, como um produto que cumpriu seu papel nesse programa, que só retorna na próxima temporada.

E continuemos brincando de diretores de cinema, controlando vidas em reality shows como se fossem personagens de cinema.

E continuemos idolatrando situações de extrema violência psiquíca e esperando as consequências para “fingirmos” que não sabíamos que iria acontecer.

Hoje, aqui no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia tenta trazer para o debate as questões que envolvem a mídia, esse debate já ganhou seminários, artigos, pesquisas, pronunciamentos etc, mas naquilo que fala das regras e ética que rege o fenômeno no mundo real, pouco ou nada se modificou. Pessoas viram produto da forma mais banal que podemos encontrar meios para fazer isso, com a participação animada de uma platéia claque. Como costumam dizer, extraem tudo até virar bagaço, podemos citar vários exemplos ao longo de anos, e muitos deles com suas conseqüências exploradas pela própria mídia como ainda uma possibilidade final de uso daquele produto.

Dentro desses aspectos nos caberia perguntar: que tipo de sociedade estamos construindo e a que esejamos como lugar onde podemos viver como sujeitos do desejo?

Susan Boyle não agüenta a pressão, não da fama e da popularidade, mas aquilo que podemos fantasiar, em uma realidade psíquica possível, como uma repetição história em desenvolvimento, como a um bebê vítima de uma mãe sádica que segura e ampara seu bebê para logo em seguida jogá-lo no berço, naquilo que de mais psicotizante podemos entender como pressupostos teóricos. Susan também sucumbe não ao 2º lugar que a vitima, mas por já perceber no balanço dos braços, o desamparo e abandono a que será lançada, ou ainda, ao movimento cruel que sucede ao jogar o bebê de volta ao berço, ao ataque e ódio gritado em silêncio.

Ainda poderemos supor que será acusada, porque afinal foi ela que procurou o programa, o sucesso, a saída do anonimato, como de alguma maneira cada um de nós faz, nesse mundo do espetáculo cujo anonimato e a invisibilidade tem sido quase que uma chaga que nos atinge em despersonalização e homogeneidade. Cada um de nós em nossa porção Boyle, lutando em águas bravias de apagamento do desejo enquanto possibilidade de realização do ser. Susan tentou nos dar um presente com sua voz, mas vimos nela o grande produto entre o talento incomum e o cômico que hoje se constitui aquele que fora dos padrões exigidos ainda pensa ter direito a ocupar um lugar de destaque nesse planeta midiático.

São fatos da vida contemporânea que nos convidam a pensar, talvez até mais do que no que jogamos em nossos rios e mares, porque talvez antes que eles estejam imprestáveis, esse sujeito que deles depende já tenha desaparecido enquanto possibilidade de vida plena, de ser no mundo.

Mas podemos ainda continuar pensando que a psicologia nada tem a dizer a respeito disso tudo e sigamos, afinal: o show tem que continuar!

Eduardo J. S. honorato e Denise Deschamps

Ps: E se voce acha que foi o jurado Simon Cowel que coordenou tudo, você precisa olhar direito para a Lua e ver o verdadeiro diretos.

June 3, 2009 Posted by | Cinema-TV | 1 Comment

Ainda sobre Maisa….

Diante dos últimos acontecimentos, só nos resta resgatar um post de outubro do ano passado…

Maisa….
https://eduhonorato.wordpress.com/2008/10/27/maysa-–-a-menina-prodigio-por-eduardo-j-s-honorato/

Assista também a um dos vídeos que deram origem a polêmica…

Talvez se profissionais SÈRIOS estivessem engajados nessas questões midiáticas, os “estragos” seriam menores….

Eduardo J. S. Honorato

June 2, 2009 Posted by | Cinema-TV | 3 Comments

Crise do capital e psicologia

i112784Artigo original em: http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/edicoes/40/artigo133543-1.asp?o=r

De que maneira o sujeito é afetado pela angústia coletiva enfatizada pelas relações de trabalho e distribuição de riquezas e como o campo da psi pode ajudar neste momento

Por Denise Deschamps e Eduardo J. S. Honorato
Denise Deschamps é psicóloga com formação em Psicanálise, Socioanálise e Clínica Infantil – IBRAPSI/RJ; Formação em Psicoterapia de grupos – “Ateliê de Emoções” – Psicólogos Associados; supervisora clínica em Psicanálise. Atua em consultório particular, no Rio de Janeiro.

Eduardo J. S. Honorato é graduado pela Ulbra-Manaus. É psicólogo Perito Examinador de Trânsito (UFSC) e Psicanalista. Atua em consultório particular em Manaus. Cursa especializações em Saúde Pública (UFSC) e Docência Superior (UGF). Contatos: https://eduhonorato.wordpress.com/ ou eduhonorato@ hotmail.com

O que é a “crise” que tantos falam atualmente? Este vocábulo adentrou a vida dos brasileiros nos últimos meses e, consequentemente, os nossos consultórios e locais de atuação profissional. Teria a Psicologia algo a dizer sobre o que se pensa atualmente em relação à crise do capital que agita nossa “aldeia global”? Fomos instigados por essa pergunta e ao analisarmos a questão, verificamos que há inúmeras perspectivas sob as quais a Psicologia teria como abordá-la. Escolhemos então uma, dentre várias outras, que poderiam ser construídas.

O mundo se agita preparando-se para o caos econômico, fatores estatísticos que aos olhos da prática da Psicologia ganharão contornos de angústia individual ou dos grupos. Os números caem sobre cabeças que na relação com eles produzem felicidade ou angústia. Como Freud já havia dito, enfatizam-se as tarefas humanas que serão sempre uma das nossas maiores fontes de gratificação ou sofrimento: o amor e o trabalho.

No efêmero nomeado por alguns teóricos como pós-modernidade, naquilo em que hoje o “ser” se amarra ao “ter”, aos símbolos de status e cidadania que se constroem pelo prestígio social, o pertencer a essa ou àquela classe, nos perguntamos: como sobreviver à angústia de aniquilamento ante ao mundo real que impõe hoje restrições ao projeto de vida de uma grande maioria? E como pensar isso em um país como o Brasil, onde a distribuição de renda é uma das mais injustas?

Parece que o “tubarão” chamado “acumulação de bens” nos ameaça de várias frentes. Seria a tal crise cíclica do capital já descrita por Karl Marx e Engels1? Estariam os mais aptos devoradores incorporando os menores investidores financeiros do planeta? O quanto disso nos tem sido propagado em concepções que adentram nosso imaginário, em nosso cotidiano? Fazer perguntas simples como essas poderão nos dar a dimensão do que tem a Psicologia a dizer sobre tudo isso.

Se você sente angústia e depressão, quem sabe procurar medicamento antidepressivo não seja o melhor caminho?

Pensar o mundo em que se vive, trabalha e ama pode ser um começo de mudanças possíveis. Para Karl Marx2, “o que é exato para os seres humanos com seu trabalho, é exato também para os seres humanos entre si”.

CONSTRUÇÃO DE ALICERCES

Entre capacitar o homem para a linha de produção e pensá-lo como construtor de seu meio, a Psicologia precisará, cada vez mais, problematizar sua prática e compor construções teóricas emprestando elementos de outras áreas de estudos. Tratará ao mesmo tempo o homem em seu meio ambiente cultural e dos instituintes dessa cultura. Do que é instituído como algo de aquisição de melhoria de vida e que se institui como modelo repressivo, causa dor, portanto, do adoecimento desse sujeito que forma e é formado pelo mundo em que atua.

“A PSICOLOGIA PRECISARÁ COMPOR CONSTRUÇÕES TEÓRICAS EMPRESTANDO ELEMENTOS DE OUTRAS ÁREAS DE ESTUDOS”

Muitas foram as escolas em Psicologia que tentaram entender o homem atrelado ao modo de produção, ligado ao que permeia seu mundo econômico, atravessado e sustentado por questões de ideologia. Pensamos esse homem como um ser social desde o momento de sua concepção. Antes mesmo de nascer, traz já marcado todo um imaginário que lhe impõe um lugar que é também coletivo. Nascer, viver e morrer, caminho singular de cada sujeito, que implica na construção de relações de vínculo com seu tempo econômico, político e ideológico.

Hoje a ciência que estuda a subjetividade se vê às voltas com aquilo que R. D. Laing já nomeava de “fatos da vida”, como algo que fala de uma subjetividade que pode ser encarada como construção do sujeito ou mesmo de toda malha que entrelaça o coletivo.

“Há cientistas incapazes de conceber que com seus métodos excluem o tipo de informação que não desejam, a fim de destacar o tipo de informação que desejam”3. Essa afirmação de Laing traz para nossa análise o fato de querer problematizar os instrumentos com os quais a Psicologia trabalhará seu objeto de estudo – o psiquismo – diante do momento atual, a crise contemporânea que atravessa um momento delicado relacionado com a distribuição de riquezas no mundo.

Quantos brasileiros não se sentiram amedrontados, ameaçados ou receosos ante a “crise” tão propagada pela imprensa nacional e mundial? Quantas vezes o tema “crise” adentrou em nossos consultórios desde setembro de 2008? Em um país com memória recente de inflação, períodos longos de recessão e planos econômicos mirabolantes, a “crise” atual traz em seu bojo questões não só atuais, mas fantasmas deixados por episódios anteriores ainda mais “elaborados” (ou digeridos).

Em que a Psicologia poderá se apresentar como um vetor dentro dessa conjuntura? De inúmeras formas, mas aqui abordaremos uma questão que lhe é sempre intrínseca e que muitos autores de correntes diferentes já se debruçaram para estudar a questão, como Michael Foucault, Herbert Marcuse, Adorno, Georges Canguilhem, th omaz Szasz, Franco Basaglia, dentre muitos outros nomes. Em análises diferentes, esses nomes nos remetem a especifi- cidade do estudo da Psicologia e o quanto ela tem de tendência ao que poderíamos chamar de “normalização”. (Canguilhem)

Em um momento em que suas ferramentas serão consideradas úteis para selecionar sujeitos mais dóceis para as linhas de produção e também justificar a exclusão de uma mão de obra excedente cada vez mais numerosa, também há, ao mesmo tempo, a insatisfação crescente do sujeito que vê as possibilidades daquilo que lhe foi vendido como gratificação e realização, sendo tomadas, dia após dia, em seus investimentos.

Como a Psicologia fará uma proposta de trabalho com essa angústia crescente no individual e no coletivo? Como trabalhará diante da angústia, da exclusão e do crescimento da massa de miseráveis? O que em seu discurso irá se aliar ao que se rebela a opressão e exploração? O que justificará isso com conceitos de normatização do psíquico? Toda prática do campo psi é atravessada por questões ideológicas, levadas ou não em consideração por esse profissional que atua.

PSICOLOGIA INTRÍNSECA

Se levarmos em conta a análise da conjuntura econômica aqui apresentada, veremos que ao campo psi cabe, mais uma vez, se pensar como ferramenta ou dispositivo de controle ou como caminho organizador da justa pressão social. Pensar sua prática como alheia a essa questão torna-se algo, a nosso ver, alienado e alienante da possibilidade de ser, na concepção integral que esse conceito traz e que é tão intrinsecamente relacionado à própria existência da Psicologia. Aqui, nos abstemos de discutir sua inserção epistemológica, embora saibamos que essa seria, também, uma discussão importante na abordagem desse tema. Mas, nesse artigo, pretendemos apenas sublinhar e convidar ao debate do atravessamento desse acontecimento que agita o coletivo com a prática da Psicologia no Brasil.

Pensando no indivíduo

O livro Cultura e Psicanálise traz ensaios de Herbert Marcuse (1889- 1979) e, dentre eles, o marxista se inspira na Psicanálise para rejeitar a noção ocidental de progresso como desenvolvimento das forças produtivas. Esta obra de Marcuse revela um pensador radical, rigoroso e criativo, preocupado em construir uma alternativa política ao mundo da mercadoria.

VEREMOS NA CLÍNICA O APARECIMENTO DE SINTOMAS DE PÂNICO E DEPRESSÃO CORRELACIONADOS À PERDA DE EMPREGO

A questão se apresenta muito mais complexa do que convicções políticas ou visão de mundo. Nesse sentido, a neutralidade buscada dos instrumentos do campo psi se verão pensados a partir tanto da sua construção quanto da utilização e possibilidades múltiplas de leitura. Pensar uma ciência neutra é hoje algo questionado, mesmo pelas linhas que tentam se adequar ao que conhecemos como “ciência dura”, tentando traçar uma similitude com as ciências naturais. Mesmo que não abordemos essas questões da epistemologia, teremos de pensar em uma prática que se compromete com um sujeito que sofre a partir de um contexto de opressão e exploração. Pensar uma ética profissional, atrelada a uma práxis que se constrói no esteio daquilo que nomeamos como subjetividade.

ENTRE O SINGULAR E O PLURAL

A Psicanálise há muitas décadas empresta sua leitura para pensar o homem a partir de uma cultura, problematizando sua relação com ela e dela com o homem. “Assim sendo, a Psicanálise pode ser considerada como fato científi- co, como acontecimento histórico-social, como ideologia em si mesma ou como integrante de uma ideologia. E isto é válido para todas e para cada uma de suas componentes: a terapêutica, a investigação e a teoria4”.

Poderemos supor inúmeras determinantes que se constituem naquilo que fala das metas sociais que se modificam a partir de contextos político-ideológicos e, principalmente, que esses se apoiam e ao mesmo tempo constroem tudo aquilo que entenderemos como ideologia, intrinsecamente ligada a esses ideais. Tomemos então agora, em outra perspectiva possível, a afirmativa freudiana: “os sentimentos sociais repousam em identificações com outras pessoas, na base de possuírem o mesmo ideal do ego”5.

Propomos pensar em um possível exemplo: supomos saber que, hoje, uma parte significativa de jovens, que tem acesso à graduação universitária, traz em seus projetos de futuro uma vida no exterior, fora do Brasil, tanto para continuidade de seus estudos quanto para a busca de mercado de trabalho mais promissor. Será que poderemos entender isso apenas a partir de uma análise individual? Ou esse desejo nasce e se apoia em uma leitura – mesmo que inconsciente – de todo um campo político, econômico e do ideário que os sustentam?

Indo a outro ponto mais extremo de angústia, poderemos questionar, em outro exemplo possível, um homem que se perdeu no alcoolismo, entendido apenas por uma explicação individual patologizada e “naturalizada” em diagnósticos de um sujeito doente. Ele poderia ser entendido por meio de uma análise dos assustadores índices sobre alcoolismo correlacionados com os números estatísticos de desempregados (não menos estarrecedores)?

Incluir esses “dados de realidade” naquilo que temos a oferecer como possibilidade de fortalecê-lo para lidar com seu mundo, até mesmo naquilo que o prepara para entender os números e índices bombardeados pela mídia em seu cotidiano que, normalmente, mais o assustam do que informam ou preparam-no em sua capacidade de elaboração e enfrentamento da questão.

Esse sujeito que sofre e se vê como “culpado”, “incompetente”, “despreparado” ou simplesmente doente, assustado procura o profissional do campo psi, e tudo isso comporá o quadro em que esse profissional atuará.

Veremos na clínica o aparecimento de sintomas de ansiedade, pânico e depressão correlacionados à perda de emprego, de poder aquisitivo, de possibilidade de manter filhos em determinado padrão educacional, social, dentre tantos outros fatores. Quadros psicossomáticos afastando a possibilidade de recuperação e representação desse sofrer.

Remeter isso a apenas padrões infantis e individuais, ou ler como incapacidade de adaptação, são leituras possíveis, mas com certeza não darão conta de integrar esse ser de uma maneira completa e saudável com o mundo em que vive, mundo esse, no momento, com diminuta capacidade de contemplar sua necessidade de trabalho.

Em última instância podemos supor uma Psicologia que não seja social? Pensar que refletir sobre isso não tenha importância na prática clínica, organizacional (recursos humanos), educacional, trânsito, dentre outros, é supor um homem capaz de um isolamento impensável em relação ao meio em que ama e trabalha.

A luta antimanicomial no Brasil e o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental há muito trouxe para dentro de seu campo reflexivo e mesmo da construção da sua prática, questões como essas. Não podemos pensar que não existam caminhos já construídos e trilhados, com boa base conceitual para analisar o momento.

Convidamos então para a permanente reflexão sobre o que se tem nomeado como “campo psi” em que tanto a Psicologia quanto o fazer psicanalítico se inscrevem.

http://www.cinematerapia.psc.br

May 15, 2009 Posted by | Psicologia | 1 Comment

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