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Susan Boyle – E o Show de Truman vai começar! – Por Eduardo J. S. honorato e Denise Deschamps

show-de-truman03Quando sempre criticamos que os profissionais de Psicologia precisam ter mais espaço nas organizações midiáticas, não estamos brincando ou procurando questões mercadológicas, mas sim, pq as situações falam por si só.

Os conhecimentos de Psicologia vêm sendo ignorados em algumas questões e temos que enfatizar que há sim necessidade de maiores controles em certos aspectos da televisão brasileira. Temos um pacto de não contribuir com a baixaria na televisão, e isso incluí e não ficamos calados como espectadores.

Situação 1 – Maísa

Em outubro, tanto aqui no Blog como na comunidade do Orkut, debatíamos sobre as questões que envolviam esta menina, e meses depois os problemas aparecem.

https://eduhonorato.wordpress.com/2009/06/02/ainda-sobre-maisa/

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5281113863294085528&kw=maysa

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5337831230015072664&kw=maysa

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5261764679143319960&kw=maysa

A questão está tomando proporções maiores agora, depois que a situação inicial já aconteceu. Poderia ter sido evitada.

Situação 2 – Produtos na mídia

Falamos no Blog sobre a questão se de tornar um produto midiático.

Aí, suge o fenômeno midiático Susan Boyle.

Se você está em outro plano e não a conhece, esse aqui é o vídeo do “Show de Calouros” mais famoso do mundo, dos criadores do American Idol, Pop Idol e todas as versões “ídolos” pelo mundo. Imaginem a grandiosidade desse evento:

Copie e cole no navegador:

Assista aos vídeos dela e se deixe mesmo invair, no sentido que propomos da Cinematerapia (www.cinematerapia.psc.br). Assista aos demais vídeos dela e veja o que foi dito: “A bruxa que canta”. Ela acendeu um pouco em qualquer fantasia e sonho de qualquer pessoa. Parecia uma fábula acontecendo pelo mundo digital.

Ela foi citada em palestras, debates, seminários de motivação, programas de talk show. Foi um ponto positivo nessa mídia. Para o show, foi o que faltava e precisavam. Desde o início eram acusados de produzir nomes sem talentos, muito comerciais, ou alegações de fraude. Era a prova de que o show transformava um patinho feio em um cisne musical. A prova de que existiam talentos espalhados pelo mundo.

Semana após semana o patinho feio da competição ganhou o mundo. Foi acessada, avaliada, revirada, revestida, embrulhada, desembrulhada…e todas as ações possíveis que a mídia mundial pode fazer. Virou da noite pro dia em um dos produtos mais consumidos virtualmente. Passou para a televisão e atravessou continentes. Tudo numa velocidade tão rápida quanto a troca de informações pela Internet.

Aí nos perguntamos se toda e qualquer pessoa está psicologicamente preparada para ser esse produto…

Escrevemos sobre isso em Janeiro desse ano:

https://eduhonorato.wordpress.com/2009/01/31/prazer-eu-sou-um-produto-–-quer-me-comprar/

A questão é que ninguém se perguntou ou pensou se Susan Boyle estava preparada para assumir esse peso todo ou se estava mentalmente apta a fazer isso.

Invadimos sua privacidade na cidade natal. A fizemos dar declarações sobre sua vida privada que talvez não tivesse conhecimento sobre os impactos. A fizemos se expor como se fosse a pessoa mais desejada do mundo. Tiramos esta senhora tímida e recatada de sua poltrona a frente da televisão, tomando seu chá, para os palcos de hollywood e teatros do mundo.

Em momento algum se parou para pensar que as coisas poderiam ser diferentes. Susan deu indícios de não estar se adaptando bem no início, quando atacou os jurados nas vésperas da final. (fonte internet). Sites diziam que deixaria o programa, pois não aguentava a pressão.

E mesmo assim a mídia continuou até que para a surpresa de todos…Susan Perde. Mesmo assim, dá um show de carisma, que mais contido poderia explodir dentro do rosto. Poucas horas depois, é internada em estado de “estafa” em uma clínica inglesa.

http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1179530-7085,00.html

Depois dos estragos feitos, somos informados sobre problemas de aprendizagem, questões psicológicas muito importantes. Contribuímos para que uma pessoa fosse empurrada ao limite de seu limite. Percebemos aos poucos qu teríamos algo muito maior….mas nada foi feito. Os produtores prometem mudanças e melhorias no formato, e Susan continua com seu breakdown na clínica, como um produto que cumpriu seu papel nesse programa, que só retorna na próxima temporada.

E continuemos brincando de diretores de cinema, controlando vidas em reality shows como se fossem personagens de cinema.

E continuemos idolatrando situações de extrema violência psiquíca e esperando as consequências para “fingirmos” que não sabíamos que iria acontecer.

Hoje, aqui no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia tenta trazer para o debate as questões que envolvem a mídia, esse debate já ganhou seminários, artigos, pesquisas, pronunciamentos etc, mas naquilo que fala das regras e ética que rege o fenômeno no mundo real, pouco ou nada se modificou. Pessoas viram produto da forma mais banal que podemos encontrar meios para fazer isso, com a participação animada de uma platéia claque. Como costumam dizer, extraem tudo até virar bagaço, podemos citar vários exemplos ao longo de anos, e muitos deles com suas conseqüências exploradas pela própria mídia como ainda uma possibilidade final de uso daquele produto.

Dentro desses aspectos nos caberia perguntar: que tipo de sociedade estamos construindo e a que esejamos como lugar onde podemos viver como sujeitos do desejo?

Susan Boyle não agüenta a pressão, não da fama e da popularidade, mas aquilo que podemos fantasiar, em uma realidade psíquica possível, como uma repetição história em desenvolvimento, como a um bebê vítima de uma mãe sádica que segura e ampara seu bebê para logo em seguida jogá-lo no berço, naquilo que de mais psicotizante podemos entender como pressupostos teóricos. Susan também sucumbe não ao 2º lugar que a vitima, mas por já perceber no balanço dos braços, o desamparo e abandono a que será lançada, ou ainda, ao movimento cruel que sucede ao jogar o bebê de volta ao berço, ao ataque e ódio gritado em silêncio.

Ainda poderemos supor que será acusada, porque afinal foi ela que procurou o programa, o sucesso, a saída do anonimato, como de alguma maneira cada um de nós faz, nesse mundo do espetáculo cujo anonimato e a invisibilidade tem sido quase que uma chaga que nos atinge em despersonalização e homogeneidade. Cada um de nós em nossa porção Boyle, lutando em águas bravias de apagamento do desejo enquanto possibilidade de realização do ser. Susan tentou nos dar um presente com sua voz, mas vimos nela o grande produto entre o talento incomum e o cômico que hoje se constitui aquele que fora dos padrões exigidos ainda pensa ter direito a ocupar um lugar de destaque nesse planeta midiático.

São fatos da vida contemporânea que nos convidam a pensar, talvez até mais do que no que jogamos em nossos rios e mares, porque talvez antes que eles estejam imprestáveis, esse sujeito que deles depende já tenha desaparecido enquanto possibilidade de vida plena, de ser no mundo.

Mas podemos ainda continuar pensando que a psicologia nada tem a dizer a respeito disso tudo e sigamos, afinal: o show tem que continuar!

Eduardo J. S. honorato e Denise Deschamps

Ps: E se voce acha que foi o jurado Simon Cowel que coordenou tudo, você precisa olhar direito para a Lua e ver o verdadeiro diretos.

June 3, 2009 Posted by | Cinema-TV | 1 Comment