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Mais do mundo digital – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

2034811099_3eb0b1b5dfCada vez mais estamos em pixels, megabytes, TERAbytes, conexões, provedores, digitalização e virtualidade. Estamos vivenciando um momento que ficará na história, como a transição de um período para outro. Algo como a eletricidade, automóvel e grandes momentos de criação. Porém, desta vez todos são autores e inventores, numa interação frenética nunca antes vista.

Ao longo dos anos vímos idéias darem muito certo, e depois caírem em desuso. Muito mais rápido do que o Vinil foi substituído pelo CD. Vimos empresas criadas, explodirem e falirem, em um piscar de olhos, nada comparado com a troca do VHS pelo DVD. Tudo no virtual está muito intenso, muito rápido, muito pra “ontem”. É um reflexo dessa nossa sociedade quase virtualizada. Wohooo…vivemos em um momento histórico

Vamos tentar entender alguns destes fenômenos interessantes, e alguns de seus produtos. Reparem que, futuramente, o termo histórico “Era” será também alterado, contando apenas alguns meses ou anos….

– A Era do Mirc – Tivemos algumas tentativas de redes de conversas, para substituírem os famosos “145” ou “Disk-Amigos” (que voltaram hoje). O mirc proporcionava uma interação “rápida”, anônima e contagiante. As conexões eram ruins demais, em velocidades que hoje rimos só de lembrar. O barulho do modem fazendo “tchuuuuuuuuu-tchuuuuuuuuuuuuuuuu-tchuuuuuuuuuuuuuu” vai ser uma onomatopéia para píadas. Por anos o Mirc foi a sensação, até que foi caindo em desuso. Perdeu a graça, e muito se deve também a brigas políticas de grupos já virtuais. (juramos não entrarmos em uma das primeiras guerras de Ego do virtual. Nao devemos falar de uma guerra ainda não cicatrizada….)

A necessidade de interação continua, e a famosa “florzinha” do ICQ apareceu. Foi uma sensação. Ao invés do anonimato e das fantasias do Mirc, tinhamos nome e número de UIN. Era como se ter um número de “celular”. Super ultra cool. A florzinha foi regada, mas, colocaram veneno no seu adubo. O MSN avassalou o mundo virtual e tomou conta. Interatividade total, depois com vídeo, com emoticons, com tudo que tínhamos direito.

– A Era do Orkut – Depois vem essa possibilidade mais estática. A interação direta e rápida de antes estava meio sem graça ou não suficiente. O orkut trouxe a possibilidade de juntar distancias em tempo não real, trocar informações, conhecer pessoas, debater sobre assuntos, ver fotos de parentes. Nossa…foi um dos primeiros passos para a vida virtual estática constante. Paralelamente os mundos virtuais mais interativos, tridimensionais, como o Second Life, corriam, mas ainda muito em um âmbito “geek”. Com o tempo muito do Real transpassou pro Virtual – normal – e o Orkut, invadido pelos brasileiros, entrou na rota do crime e da perversão. Palco perfeito para todas as parafilias, em uma retirada de um superego social nunca vista antes. Um faroeste digital, que será sempre lembrado como o período da farra, que teve (esperamos) um fim.

– A Era dos Blogs, Flogs, Trogls, Plabs, e o narcisismo humano recebeu seu primeiro adubo. Falar de sí, mostrar seu trabalho, colocar seus pensamentos. Todos tiveram a oportunidade de se exibir mais e fazer o que quiser. A criatividade humana foi instigada bastante, não limitando mais aos meios tradicionais. T

– A Era do Facebook (ainda rolando) – Como o Orkut virou faroeste bang bang, com seus fakes e suas características peculiares, muitos se refugiaram no então Facebook. Não tão interativo coletivamente, mas em uma forma mais de vitrine. Você interaje com tudo e com todos, mas se exibindo ou falando de você. Fala o que pensa, faz testes sobre você, informa a todos sobre o seu narcisismo. Os demais brincam e se divertem com isso também. É uma troca narcísica de massagem de egos. Pura diversão!!!!

– A Era do Twitter – Os mais “cools” e “geeks” bombam no Twitter, que agora também virou “Celebridade”. Sim, toda celebridade antenada tem que estar Twittando o tempo todo. Uns até demais. Já temos fakes, que divertem esse ambiente ainda seguro e divertido. Os humoristas fazem a festa e ler durante o dia é como ter acesso a piadas curtas para alegrar o seu dia. Este ainda faz a diversão dos funcionários de empresas, pois é mais rápido que o Orkut, menos trabalhoso que o Facebook, e nao está barrado, como o Orkut e o MSN. “Interaja com algumas celebridades e esteja por dentro das fofocas e coisas interessantes”. Essa é a proposta simples e do momento.

– A Era do Youtube – Não podemos esquecer do Youtube, que há tempos resiste e mostrou as previsões de que a TV do futuro será virtual. Muito ainda temos a desenvolver, mas esse é o caminho. É também a prova da pulsão humana de curiosidade, sobre o Outro. É a mola que impulsiona os reality tvs. Todo mundo tem que se mostrar e ser visto. Nossas pulsões mais escópicas precisam ser satisfeitas, além das narcísicas. É claro que aparece de “tudo”, tanto bom, quanto ruim…

Essa oportunidade, nos remota a outras postagens sobre televisão e psicologia, e relembramos que “pra ser produto, tem que ter Ego”. Talento, bom senso e algumas outras características perderam alguns parâmetros. Coisas que antes eram cafonas, viraram modernas da noite para o dia. O cool de ontem é o over de amanhã. O in de ontem é out hoje. Rápido demais.

Continuemos observando, interagindo, contribuindo, criticando, melhorando, controlando e curtindo essa fase histórica, que daqui a alguns séculos, será uma das matérias interessantes de história, como lêmos muito nos nossos tempos de escola.

Há quem nomeie nossa época, a atualidade, como a era da conectividade, sendo a Internet um dos seus fenômenos, não podemos deixar de pensar nos outros dispositivos móveis, como a telefonia celular, que mudou completamente as características de contato, agora sempre possível, presente. A cada dia mais esses dispositivos vão se juntando em um só, já podemos, por exemplo, acessar e-mails por aparelhos que também são de telefonia. Não estamos nem cogitando sobre teses futurísticas que já se mostram em andamento, como a questão holográfica, ainda em pesquisa.

Todas as inovações tecnológicas não surgem apenas das mentes de algum inventor maluco, tipo Professor Pardal, surgem dentro de um contexto, um tempo histórico, que fala dos desejos desse sujeito e portanto também um ser da cultura. Esse homem que quebra hoje, ainda seguindo no rastro de alguns pesquisadores, com o grande paradigma do individualismo como a meta social. O tempo rápido também permeia a forma desse homem no mundo investido de carga, desejo, libido. O tempo gasto em atos é cada vez mais voraz, o sujeito sente: falta de tempo.

Solicitado por inúmeros estímulos concomitantes, responde ágil, se aliena da reflexão, solicitado também, por outro lado, a emitir estímulos ao mundo, da mesma forma, na direção da conexão, distante e ausente da representação(pensamento/idéia) carregada pela energia de investimento, afeto.

Muitos avanços tecnológicos como vimos, dividindo também o mundo em quem a eles tem acesso e outros que nem sabem que existem. Exclusão digital tem sido tema de grande debate, mas isso mereceria todo um texto, aqui, por hora, fica só citado.

Sobrevivência desse ego do homem moderno, precisa e deseja exposição, a Internet está aí, cômica ou trágica como documentação dessa passagem, dessa mudança que operamos e sofremos na ligação com o tal mundo externo, real, presencial, atual.

Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps.

June 6, 2009 Posted by | Psicologia | 1 Comment