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Dúvidas e Dívidas – Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Eduardo J. S. Honorato (CRP 01/14074) – Psicólogo e Psicanalista e atua em consultório particular em Manaus.

Denise Deschamps (CRP 05/09021) – Psicóloga e Psicanalista e atua em consultório particular no Rio de Janeiro.

Ambos coordenam o site http://www.cinematerapia.psc.br.

modelo_eticaEm artigo recente na Revista Psiquê, descrevemos algumas situações da prática profissional, baseados no Código de Ética profissional. Recebemos muitos comentários favoráveis. Temos observado ao longo dos últimos 4 anos, estudantes e profissionais no meio virtual, compartilhando seus interesses, suas dúvidas, seus anseios profissionais e também duas dúvidas e dívidas.

Dúvidas porque muitos são recém formados ou ainda em formação e o meio virtual é sim uma ferramenta universitária, que auxilia na construção do conhecimento, seja através de acesso a material teórico, seja para a interação social necessária necesse proceso. E quem disser que virtual e real são tão distintos assim, precisará de uma melhor vivência para opinar sobre tal fenômeno.

duvidaDívidas porque podemos perceber, com a frequência dos temas e das perguntas, que muitos profissionais já deixaram os centros de graduação, mas tem interesse e necessidade de aprimorar alguns conhecimentos. Algumas perguntas são de origem “falha” na formação, outra de interesse dos ex-alunos mesmo.
Muitas delas estão compiladas neste texto, em uma forma mais prática e andragógica de relatar esse fenomeno.

Para Estudantes e Futuros Estudantes.

Qual a universidade quem tem o melhor curso de Psicologia no Brasil?

A SUA! Existem dezenas de maneiras de comparar as universidades e determinar qual seria a melhor. Têm a que tem o maior número de laboratórios, a que possui os professores com maior titulação, tem a que tem melhores avaliações do MEC, tem também a X, Y, Z. O que isto quer dizer? Que a melhor universidade/faculdade é aquela na qual você dedica seus estudos e se esforça para obter mais conhecimento. Independente de onde você for estudar, o importante é saber que quem faz o curso é você, e não os laboratórios, professores ou biblioteca. Consulte as notas do MEC, providas através de avaliações. Certifique-se também de que a universidade tem autorização para funcionamento do curso.

Como está o mercado de trabalho?
Existem inúmeros tópicos nas comunidades virtuais sobre o mesmo assunto. Assim como em outras profissões, o mercado de trabalho pode ou não estar saturado, e isso vai depender de “n” fatores. Localização geográfica, área de atuação, especialidade, etc. Com certeza, psicologia clinica, em consultório, está saturado em algumas grandes capitais, mas pode não estar no interior de Santa Catarina, por exemplo. O mesmo acontece com a docência, psicologia escolar e outras áreas. Tudo depende da analise do mercado em questão. Portanto, não há resposta única para esta pergunta.

Como posso aproveitar ao máximo minha faculdade?
Participe de grupos de estudos dos mais variados temas. É sempre bom aprender e ensinar ao mesmo tempo. Se você saca muito de uma matéria..monte um grupo. Se saca pouco…monte um grupo também. É importante ter contato com outros estudantes, dos mais variados períodos. Se você for mais adiantado, é bom saber o que mudou na formação ou nas disciplinas iniciais, desde que você as cursou. Se você é iniciante, é bom ter contato com alunos mais avançados, para pedir orientações e dicas

Congressos e cursos? Mesmo sendo iniciante, vale a pena investir neles?Participe ao máximo de congressos, conferencias, debates, seminários, palestras e simp[osios. Sempre atento ao conteúdoprogramático, onde realizado e quem apresenta. Cuidado com as famosas caça-níqueis, que nada acrescentam. Se você sair de uma palestra sem entender nada: ótimo! É dessas que você precisa. Ela deixará duvidas, que levarão a perguntas mais complexas, e o interesse leva ao conhecimento. Se sair de uma palestra sem “isso”, foi dinheiro jogado fora. Eviste temas “estranhos” e sempre verifique:
A – Palestrante [tem registro profissional?]. Pesquisa o CV Lattes no site do CNPQ
B – Que instituição está patrocinando o evento? Ela tem registro no CRP?
C – Pergunte aos professores e alunos mais adiantados se aquele tema tem ligação com a psicologia.
D – Opte por assuntos que lhe trarão maior conhecimento e aplicabilidade prática

Quais os livros que devo comprar?
Invista em livros. Se tiver restrições de grana [como 99% da população], opte por aqueles que poderá usar mais futuramente. Livros “generalistas”, te ajudam apenas por um período determinado. Depois, com o tempo, eles acabam tomando poeira na prateleira e só servem para consultas breves. Se tiver duvida sobre um determinado livro, não compre. Procure informações antes de ir a livraria. Cuidado com livros de “auto-ajuda”. Aliás….muito cuidado quando for a livrarias. Quem faz a distribuição dos livros é sempre um funcionário da empresa, que não tem obrigação de saber sobre tudo, logo, é comum você encontrar muitos livros de auto-ajuda nas prateleiras de Psicologia.

Revistas? São úteis?
Sim. Leia revistas especializadas e sites de pesquisas. São ótimas fontes de conhecimento. Existem dois tipos de revistas: as cientificas e as comerciais.

As cientificas são aquelas que publicam as pesquisas mais recentes, com todas as questões metodológicas existentes. São assuntos atuais com achados importantes. A leitura pode ser um pouco difícil no inicio, especialmente na parte sobre metodologia, mas é importante você se familiarizar com estes termos e em como a ciência Psicologia tem produzido conhecimento. Alguns sites disponibilizam diversos artigos, como é o caso do SCIELO.br. Use e abuse deste serviço gratuito.

Revistas comerciais são aquelas que tem como tema a Psicologia, porem, não estão, obrigatoriamente, divulgando “pesquisas” realizadas. São artigos sobre comportamento humano, em uma forma mais acessível de leitura. São ótimas fontes de informações e trazem questões bem atuais. Sua vantagem está na linguagem utilizada e por serem “comerciais”, tem apelo visual, com diagramação e temas mais variados.

Recomendamos sempre a Revista Psique – Ciência e Vida. Alem de sermos colunistas dela, conheçemos a equipe editorial e confiamos nas informações por eles divulgadas.

Como posso aprender mais na faculdade?
Algumas universidades oferecem o sistema de monitoria. Se candidate! Você pode aprender muito com as dúvidas dos alunos e exercer a atividade de docência. É uma experiência gratificante. Porem, não se esqueça de um detalhe: para se candidatar a monitor você deve dominar o assunto daquela disciplina. Opte por se candidatar as disciplinas que você tem maior interesse. Caso a universidade não ofereça este serviço, converse com o professor e SE OFEREÇA.

Vi informações sobre aluno pesquisador. É legal?
Sim!. Se candidate a aluno pesquisador, mesmo que seja apenas voluntário. A pesquisa é a base de toda ciência e por mais que você não queria seguir carreira acadêmica, a pesquisa te dá uma visão muito mais critica e detalhista, e você pode aproveitar em diversas áreas da sua vida.

Terei que ler muito?
Sim! Nunca se contente com o que é ensinado na sala de aula. Apenas algumas horinhas são insuficientes para se aprender o conteúdo.
Leia muito! E procure achar uma metodologia de estudos que se adeque ao seu estilo. Cada pessoa aprende de uma maneira e em um ritmo e seus professores não irão se adequar ao seu. É você quem precisa se adequar. Invista tempo em seus estudos, por mais simples que pareça a disciplina. Estes conteúdos podem te ser muito útil no futuro, por mais que você os ache inúteis neste primeiro momento.
(isto serve também para aqueles que reclamam das disciplinas básicas, como Filosofia, Antropologia, Sociologia, Epistemologia, etc). Quando você chegar lá na frente e estiver estudando Psicologia Social, Psicologia Comunitária, Psicologia do Idoso, etc, você vai perceber que aquelas disciplinas são fundamentais para o entendimento das outras.

Internet ajuda?
As vezes sim. Desconfie de coisas que você lê na Internet. Com o tempo você terá maiores condições de avaliar os referenciais. Tem muita coisa boa na net, mas é importante tomar cuidad com a fonte. Leia somente sites confiáveis. Procure ler sites oficiais de revistas, pesquisas, trabalhos, etc.
Pergunte a internautas mais experientes o que eles acham sobre certo site, autor ou referencia. Trocar informações online é sempre vantajoso.

O que mais posso fazer para aproveitar ao maximo meu tempo na Universidade?
Seja chato. Sim, sabe aquele aluno pentelho? Pois é, seja um desses e pergunte tudo. Não tenha medo de perguntar. Professores bons gostam de alunos que questionam e instigam o pensamento. Professores fracos e despreparados odeiam, pois não tem embasamento para te responder. Entretanto, é bom salientar que quem pergunta tem que estar preparado para a resposta. O professor está ali para te auxiliar, e não, pensar por você. Se for questionar, tenha embasamento para isso, e não parta do principio de que o “achismo” ou “senso comum” são valores universais. Pergunte sim, mas sempre com a mente aberta para receber a resposta, mesmo que ela não seja agradável a você. Outro detalhe: respeito nunca é demais! Professores merecem respeito!

Preciso fazer psicoterapia? Vai me ajudar no curso?
Acreditamos que para os alunos de psicologia, a partir de um determinado período, deveria ser obrigatório passar por um processo de psicoterapia. Seja para auto-conhecimento, seja para qualquer outra utilidade. Acreditamos (opinião) que isso supriria um buraco imenso que temos na nossa formação. Um medico passa anos estagiando e vendo outros médicos atuarem. Um engenheiro freqüenta obras e participa de cálculos de estruturas. Um dentista, idem. E o psicólogo? A não ser que ele atue como co-terapeuta em um grupo, ele não vê um professor ou outro profissional atuando na prática clínica direta.

Nosso sistema de estagio, dada a especificidade da formação, é de estágios indiretos. Nós atuamos e somos orientados. Estagiamos somente na primeira pessoa, raramente na terceira pessoa (salvo os casos de estágios de observação). Isto é particularidade da clinica. Isto é importante para desenvolver a escuta clínica, que é muito importante em qualquer campo de atuação profissional. Sim, a mesma escuta que fazemos no setting é a que fazemos numa escola, em uma empresa, no judiciário ou em qualquer área. O instrumento maior do Psicologo é sua escuta e capacidade de análise do fenômeno em questão.

Não gosto de Freud. Terei que estudar sobre ele?
Sim. A Psicologia não é somente Freud. Existem varias escolas dentro da Psicologia, com os mais variados autores e técnicas. Você irá estudar varias abordagens durante o curso e escolherá a que mais lhe agrada. Freud é o pai da Psicanálise, que influenciou e deu origem a Psicologia de Orientação Analítica, que é a escola que utiliza as teorias freudianas. Veja que é apenas uma das escolas, e existem dezenas disponíveis.
Ainda tenho duvidas, o que eu faço? Todos temos. Mesmo os mais experientes e formados há muito tempo.

O dia que não tivermos mais duvidas é sinal de que paramos de aprender e isto é estagnação mental.Aproveite a comunidade para tirar suas duvidas. Converse com alunos da universidade e troque informações nas comunidades virtuais, que são ferramentas ótimas para se trocar conhecimento. Não se esqueça, entretanto, que quem pergunta ou informa, tem que estar disposto a ouvir/ler opiniões contrárias e deve estar aberto a isso.

Para Profissionais
Recebeu seu diploma! Parabéns! Você só é legalmente Psicólogo, depois que colar o grau e receber o diploma. Cuidado. Não assine contrato de trabalho ou abra consultório sem antes receber seu diploma. Isso seria exercício ilegal da profissão. Recebido o documento, você é Bacharel em Psicologia!

Preciso tirar a carteira do CRP?
Se você pretende trabalhar como Psicólogo, a resposta é SIM. Por lei, todo profissional de psicologia, atuando como tal, precisa ter o registro no Conselho. Se você for atuar como Psicólogo, seja em hospital, clinica, RH, etc, você precisará pagar a anuidade do conselho e tirar seu registro.

E se eu for trabalhar em outra área?
Não. Não precisa tirar. Entretanto, se nesta atividade você se utilizar de qualquer instrumento da psicologia (anamnese, testes, etc), você necessariamente precisa SIM ter registro no CRP.

O ideal é que o profissional se cadastre logo no conselho e receba sua carteira e numeração. Este processo pode levar alguns dias, pois depende de assembléias. Não se preocupe, pois a anuidade é paga proporcionalmente. Logo, se você se registrar em Dezembro, pagará somente a proporção referente a um mês de anuidade. Se cadastrar em Agosto, pagará proporcional também. Logo, sempre aconselhamos a registrarem o mais rápido possível, pois oportunidades nunca têm hora para aparecer.

Pra que serve o Conselho?
Eles estão ali para te auxiliar nas mais diversas duvidas referentes a profissão. Este é o nosso espaço. Não se esqueça, que somos, antes de tudo, “consumidores” do conselho, pois nós é que pagamos pelas contas ali. Mantenha sempre contato com o Conselho, pois oportunidades aparecem, desde emprego, a congressos e cursos. Mantenha seu cadastro atualizado e visite o site regional e federal com freqüência. Não tenha medo dos conselheiros. Eles têm cara de “bravos”, mas são uns amores! [risos!].

Tenha em mente que o Conselho não tem função e obrigações bem definidas. Antes de reclamar sobre uma ou outra situação, verifique se faz parte das atribuições do sistema conselhos. Muitos criticam e reclamam do sistema conselho no virtual, mas desconhecem totalmente as funções destes.

Posso abrir uma clínica ou consultório?
Claro. Você pode sim. Porém, é preciso ter em mente que abrir uma clínica não é coisa fácil. Clínica/consult[orio, antes de tudo, é uma empresa. Logo, você precisará de apoio de um contador e um advogado, para fazer toda a papelada jurídica. Peça auxilio ao conselho também, pois você precisará registrar o consultório e eles podem te orientar em todos os detalhes. Seu contador também poderá te auxiliar sobre abrir uma empresa ou optar por registro de profissional liberal. Não se esqueça que, como todo brasileiro, Psicólogo também paga impostos.

Tenha em mente de que você precisará alugar um espaço, provavelmente fazer algumas reformas, decorar, comprar moveis, instalações [telefone, computador, etc]. Tudo isso demanda tempo e dinheiro. Logo, se está com o orçamento apertado, repense. Um consultório mal decorado, sem aparatos mínimos, terá grande possibilidades de insucesso. Não precisa ter consultório luxuoso, a questão não é essa. Porem, um consultório têm quesitos minímos para seu funcionamento e não é um butequim que possa ser aberto em cada esquina. Os conselheiros, e amigos mais experientes, são as melhores pessoas a se consultar sobre o que se precisa nesses momentos.

E Depois?
Não sonhe que você ficará “rico” ou terá dinheiro sobrando nos primeiros meses. Assim como qualquer outro negócio, existe o que se chama de “tempo de retorno do investimento”. Abrir um negócio é um investimento, pois você gastou dinheiro para abrir. Em geral, os primeiros dois anos costumam ser os mais difíceis e você precisa estar preparado para períodos “ruins”, ou seja, com poucos pacientes. O mercado sofre oscilações, assim como qualquer outro, e você tem que ter um back up financeiro para se segurar por um período. Assim como qualquer negócio, você só será lembrado se for visto. Marketing existe em qualquer área e a saúde mental não seria diferente. Use seu marketing, porem, atente-se ao nosso codigo de etica.

Esqueça os seus planos de colocar outdoors pela cidade, Busdoor ou colocar anúncio no canal UHF local! Nossa forma de marketing mais confiável é o pessoal. Invista em relacionamentos com profissionais de saúde. Compareça a congressos e eventos psi. Distribua seu cartão profissional. Se candidate a atendimentos sociais em ONGs.

Ligue para clínicas e profissionais psi e faça pesquisa de mercado. Veja quanto eles cobram e onde atendem. Verifique os nomes dos planos de saúde que eles recebem.

Entre em contato com todos os planos e veja as condições para cadastro de novos profissionais. Avalie se as condições deles são boas. Decida quais os que você irá fazer cadastro. Não se esqueça que essa é uma relação comercial, e você está lidando com pessoas que comercializam a saúde. Barganhe a seu favor. Lembre-se que o que você esta barganhando será descontado do comerciante e não do seu paciente. Não “humanize” esta relação. Com o tempo sua agenda irá ter maior volume e você pode deixar que seu trabalho fale por si só. As indicações das indicações das indicações vão aparecer. Mantenha toda a papelada fiscal em dia e use os serviços de um contador: ele é melhor preparado para lidar com isso, e não você. Esta é a formação deles.

Faço ou não uma pós?
Sim….claro! Quem pára no tempo fica encalhado intelectualmente. Mantenha-se sempre informado. Vá a congressos e palestras. Veja os eventos na sua cidade. O CRP sempre mantem lista de emails e divulgam estes eventos.

Procure uma área de maior interesse e curse uma pos-graduação. Na clínica é quese básico e necessário. Por maior que tenha sido o seu tempo de estágio, a clínica exige um aprofundamento teórico muito mais intenso. Portanto, para o seu próprio bem, e de seus pacientes, faça uma pos-graduação.

E se eu for pra RH?
Continue estudando. Aprenda novos testes e aprofunde mais sobre os que mais gostou. Por mais que você tenha estudado 6 meses de um único teste, existem muitos mais para aprender e aperfeiçoar. Se essa é a área que pretende seguir, tem que estar muito atualizado, pois novos instrumentos são autorizados pelo CFP a cada momento e você pode sempre precisar deles.

Visite o site do SATEPSI (sistema do POL – CFP – que avalia e autoriza os testes). Mantenha grande interesse na legislação trabalhista e nas do nosso conselho. A toda hora temos algumas resoluções importantes e que podem alterar a sua maneira de trabalho. [desde posturas em entrevistas até regras para criação de anúncios trabalhistas com proibições especificas.]

E se eu tiver que usar copias de testes ou testes não autorizados?
Ligue para um conselheiro e detalhe a situação. Eles são os mais indicados a te orientarem em situações desse tipo. Homologue a procura pelo conselho e guarde esta documentação Usar cópia de testes ou testes não autorizados é falta ética.

imagem comunidade psicologia

Orientações Específicas para Atuação Clínica

As incessantes demandas contemporâneas , a vida atribulada nos grandes centros, a falência das instituições e outros fatores trazem uma crescente demanda pela psicoterapia através dos transtornos psíquicos cada dia mais presentes na realidade de todos nós.

O que é ser psicologo clínico? Ser psicólogo clínico é uma formação que se detalhará pelo desenvolvimento de uma técnica. A questão que traz atrelada e deixa mais complexo o caminho da formação desse profissional, será o fato de que necessariamente o desenvolvimento dessa capacidade técnica, passará também por um questionamento pessoal e um investimento em crescimento, isto posto para a maioria das correntes que lidam com psicoterapia, com raras exceções. Há também por volta do 4º e 5º ano obrigatoriamente, o início dos atendimentos e consequentemente entrará também a participação em uma supervisão, a essa altura quase sempre feita em grupo, o que mobiliza ainda mais esse psicoterapeuta em formação.

O trabalho é assistencialista?
O primeiro aspecto com que se vê confrontado aquele que busca essa formação será com tudo aquilo que envolve as lendas criadas em torno desse ser psicólogo, como primeira, a questão da “ajuda”, cujo teor assistencialista será logo questionado. É comum ouvirmos de um aluno em início do curso, de que procurou a psicologia porque gosta de “ajudar”, e bem cedo entenderá que se sua vocação for essa, o curso de psicologia não é o caminho mais curto para esse fim. Assim como outras funções da área da saúde, a psicologia não tem como fim a ajuda, mas sim visa um trabalho de modificação de patologias e isso muitas vezes ou quase sempre não se constituirá como aquilo que popularmente se entenderá como ajuda. Essa é uma questão importante na medida em que na clínica nem sempre a atuação necessária será entendida como essa ajuda procurada e caso se prenda a esse aspecto poderá, pelo contrário, impossibilitar aquilo que entenderemos como intervenção psicoterapêutica. Essa intervenção guarda aspectos que passam pelo real que a diferenciam do ato da ajuda humanitária:

• é um serviço necessariamente cobrado(remunerado)

• tem tempo estabelecido em sua intervenção que deve ser obedecido, o tempo da sessão

• não visa atender a expectativa de aceitação dos mecanismos operados pelo paciente

• pode em casos extremos ter que interferir com medidas de cunho terapêutico que não estarão necessariamente de acordo com o solicitado no manifesto do paciente

• estabelece uma relação obrigatoriamente assimétrica entre psicólogo e paciente

• não visa resgatar aspectos adaptados para o paciente, embora em alguns casos isso até termine por se constituir em ganhos advindos da psicoterapia e uma mais saudável relação do sujeito com o mundo afetivo a sua volta

• não necessariamente estará de acordo com o senso comum sobre as inúmeras possibilidades do fazer humano.

E as escolas, como escolher?
O interesse pela clínica, embora pareça estar decaindo um pouco, ainda é forte dentro da busca em psicologia, uma vez feita essa escolha geralmente esse estudante procurará informações mais detalhadas em busca do caminho para eleger uma linha de abordagem como aquela com a qual se identifica. Ao longo de décadas essa escolha tem se distribuído com forte predominância entre a psicanálise freudiana e pós-freudiana e o behaviorismo ou hoje ainda em direção à Análise do comportamento ou ainda as terapias cognitivo-comportamentais.

O aluno passa por todo esse percurso até começar seu estágio supervisionado, que poderá acontecer na clínica social de sua própria faculdade ou ainda em outros lugares que ofereçam estágios credenciados. E assim começa sua vida de psicólogo clínico, ainda dentro da sua graduação. Fase essa importantíssima para todo desenvolvimento ulterior desse clínico, por essa razão mesmo, os supervisores que trabalham com estudantes procurarão detalhar cada atendimento, perceber falhas na aprendizagem teórica, assim como impedimentos pessoais. O primeiro paciente chega entre um misto de espanto, medo e júbilo, tudo misturado. Psicoterapeutas promissores já poderão ser localizados aí nessa fase, onde apesar de toda essa mistura de sentimentos, ao iniciar o atendimento, a técnica se apresenta a frente de qualquer outra premissa, faz-se o silêncio em suas emoções e sua escuta se volta totalmente para aquele que busca a consulta, aquele que importa no setting, o paciente. Muitas vezes mais, ao longo de sua trajetória, passará por isso, quando sua vida pessoal atravessa fases difíceis ou mesmo alegres por demais, ou quando o paciente mobilizar conteúdos seus na contra-transferência ou ainda os não trabalhados, vistos como pontos-cegos(psicanálise).

Estas são apenas algumas das dúvidas e dívidas mais comuns apresentadas no âmbito virtual. E o que pode ter de vantajaso a se pensar, é que a psicologia é uma atividade ainda em expansão, cada ano se abrem novos campos e perspectivas de trabalho e aqui no Brasil ela vem crescendo em termos de aceitação de sua prática pela população, começa a ganhar uma maior visibilidade social. Assim, teremos muitas e muitas novas áreas, com muitas novas situações e dúvidas e esta troca virtual toma uma dimensão antes inexistente na formação e atuação desses profissionais.

Qualquer dúvida ou sugestão, estamos “sempre” online.

[s]

Eduardo e Denise

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July 6, 2009 Posted by | Psicologia | 2 Comments