Eduhonorato’s Weblog

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O que pode estar acontecendo no Twitterlândia Brasileira…

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Temos focado nosso trabalho em Cinematerapia (cinematerapia.psc.br), mas não deixamos de manter o olhar clínico analítico nas questões que envolvem as relações resultantes da interação Psicologia e Informática, assunto que pesquisamos há alguns anos.

Escrevemos aqui em outras ocasiões sobre a “Tornar-se Produto” e em como isso exige um Ego resiliente. Falamos de Amy Winehouse e em como ela pode ser uma vítima da nossa mídia. Também tocamos no assunto Susan Boyle e Maísa e MJ , tão batido e cansativo dos ultimos dias. Falou-se muito da morte de um ícone do pop, mas muito também foi explorado em torno das suas questões de vida, pesadas questões, devemos dizer. Questões que serão “esquecidas” quando ele se tornar um “mito”.
Isso nada é, perto do que possivelmente pode estar acontecendo no twitter agora. Tão rápido e tão imediato, que muita coisa muda e acontece e não estamos processando essa informação muito bem. É como se tivessemos um pc 486 recebendo informações em Banda Larga.

Lemos em algum lugar , que o Twitter era o “núcleo da internet”. Tudo acontece e passa por alí primeiro e não tem como não grudar os olhos e saber noticias, fofocas, interação, amigos, filmes, besteiras, piadas, etc…tudo em pequenas frases. É rápido, divertido e você monta da maneira que quiser o seu. Serve para o imediatismo dessa vida moderna corrida. Você escolhe sobre o que quer ler e quando quer ler. Se gosta de culinária, pode ler sobre o tema o dia inteiro. Se detesta futebol, pode ficar sem saber as notícias desta área. É a interação seletiva entre usuários e conteúdos digitais.

Para continuarmos, temos que referenciar um vídeo muito bom que foi veiculado no portal Globo.com

Vídeo

Pois é….é tão rapido que o vídeo JA SAIU DO AR…em menos de 24h. Ficou uns bons dias online, mas não circulou muito. Assim que acharmos de novo, no youtube, postamos aqui…

Daudt fala de uma diferenciação entre pessoa e artista. E este seria um dos riscos que estes correm, ao se colocarem a prova no Twitter. @Cardoso colocou em seu blog uma dessas preocupações, relativas a essa falta de barreiras. Quem acompanha e usa tem visto uma briga virtual de unhas e dentes, envolvendo celebridades, colunistas, apresentadores, diretores. Todos do mundo das celebridades correram para o twitter, e talvez não pensaram no impacto que isso poderá ter em suas carreiras. Muitos nunca sequer tinham ouvido falar das questões do chamado “ciberespaço” que tem merecido muitos estudos de vários pesquisadores aqui no Brasil e por aí afora no mundo.

Aston Kutcher, é um dos “garanhões” mencionados por Daudt em sua entrevista. Tem mais de 2 milhões de “seguidores” e ainda conseguiu casar com Demi Moore (ex-esposa de quem? – haja imaginário para idolatrar o rapaz). Essa disputa quase falocêntrica gerou frenesi entre os brasileiros e muito mal estar. Twitterlândia (pare se referenciar a parte brasileira) virou um campo de batalha. Quem é mais engraçado, quem tem mais seguidores, quem interage mais, quem tem mais isso ou aquilo. A competição tomou conta e o “Coliseu Virtual” foi instaurado. As novas entradas (celebridades) são jogadas aos leões (usuários). Alguns são atacados, mordidos, outros se defendem e contra-atacam. Um circo digno de um reality show (desses onde os participantes esquecem de tomar seus remédios ou tomam remédios controlados)

E o motivo disso acontecer? É que tudo está muito mais rápido, como um tornado. Ao mesmo tempo com interação não vista antes. Isto expõe o artista ou pessoas a mostrarem o que realmente são. E isso poderá agradar ou NÃO ao telespectador ou ao seu público alvo. Podem estar ajudando ou atrapalhando as próprias carreiras. Tudo isso nesse novo tempo que o mundo virtual trouxe, esse que se constitui como um tempo imediato, instantâneo. Somar isso ao fato do Brasil ser um país de acessos a Internet com índices impressionantes nos fará ver que estamos diante de um fenômeno merecedor de muita atenção, que querendo ou não, invade o chamado mundo off-line(atual).

Muito se tem falado da chamada de new mídia e talvez o Twitter venha exatamente sublinhar ainda mais esse fenômeno que cresce. Procurar o famoso “lugar ao sol” sempre foi o objetivo de muitos que pensam ter algum talento a ofertar ao mundo, alguns cobertos de razão, aparecem ou não, vai um pouco aí da capacidade de se mostrar e também de uma boa pitada de sorte, ou de algo que poderíamos chamar de estrela da sorte. O que há de diferente trazido por essa nova mídia? Talvez resida exatamente em dois principais aspectos(e muitos outros, é claro):

*a rapidez que alguém ou algo pode se tornar famoso;

*a rapidez que algo ou alguém pode cair da fama.

Até algumas semanas, o Twitter era uma diversão pura e eram coisas simples e cotidianas. Muitos a conheciam pouco e passaram a saber mais do seu trabalho alí, e ganhou seguidores fiéis. Alguns colunistas de jornais passaram a interagir mais com seu público, mesmo os mais criticados, quebrando barreiras e preconceitos. Alguns ex-reality show mostram que são mais do que uma simples imagem, e alguns artistas se mostraram tão próximos de seu público que talvez renasçam das cinzas, no estilo “phoenix”. Este é um dos pontos positivos que o Twitter traz para este “celebrity world”. Esse tão perto e tão longe que o mundo net/virtual vem nos ensinando e que nos provoca ainda “maravilhamento” e estranheza, em uma mistura que ainda não conseguimos processar muito bem.

Por outro lado, muitos artistas têm se mostrado chatos, repetitivos, cansativos e os comentários começam a surgir. Tem artista que só entra pra divulgar show, e acha que usuários não perceberam que estão sendo feitos de bobos. Tem gente que não escreve blog e tenta enganar que está twittando. Tem gente fazendo baderna, como se aquilo fosse o playground de uma escola de ensino médio. Quando o usuário se permite seguir e ler sobre algúem (sim, é ele quem se permite, o artista aqui está na forma passiva, mas narcísica), ele não está interessado em ler mensagens de SPAM ou escritas por outra pessoa. Ele quer interação com aquele que segue. Muitos ainda menosprezam a capacidade do chamado mundo net/virtual por sua capacidade de máscaras(fake), mas o que temos visto é que essa diferenciação cai, mesmo quando por detrás de personagens montados, a exposição permanente mais revela que oculta.

E não é somente para celebridades que existe o Twitter. Muitos CEOs de empresas internacionais já utilizam e se comunicam sim com usuários. A moda está pegando aqui no Brasil e começou pelas emissoras de TV. Diretores, redatores, produtores…todos online buscando informações e interesse em tempo real(atual). Enquanto o Ibope diz quantos assistem, o Twitter lhes diz “o que querem assistir”. Não foi à toa que Celso Portiolli ganhou o Domingo Legal. É claro que não foi por causa do Twitter, mas sim, pela sua história e trabalho na televisão. Entretanto, quando foi preciso – em tempo muito rápido, quem detinha o poder de decisão (Danibay) ficou sabendo do desejo do público em tê-lo como apresentador. Ela deveria já tê-lo como “escolhido”, mas a pre-decisão foi reforçada pelos seus seguidores.

Cada um mostra aquilo que é e que tem de melhor – nesse momento, e caberá ao público realmente perceber se vale a pena continuar assistindo ou dando importância para uma ou outra celebridade. Assim como a dança das cadeiras na tv que tivemos recentemente, teremos dança das cadeiras das celebridades, onde algumas ganharão maior importância e outras cairão, pois quebou-se parte da fantasia do ídolo.
Daudt deixou claro que esse imáginário popular sobre a celebridade pode passear entre “amor e ódio”, no melhor sentido Kleiniano possível, e essa fantasia que se tem sobre um ídolo pode ser quebrada por uma simples exposição desmedida. Talvez o Twitter nos mostre quem realmente as pessoas são, e sejam admiradas pelo seu talento, pelas suas habilidades, e não pelas embalagens e roupagens que ganham pela mídia.

Outra pergunta que não se cala diz respeito ao que se refere àquilo que chamaremos de verdadeiros talentos, esses que se evidenciam acima de uma multidão em busca da fama, isso poderá acontecer em qualquer setor das manifestações da arte. Ainda sobra espaço para o aparecimento e manutenção do talento em nossos dias? Terá a arte também sucumbido a desafetação(retirada da emoção que se liga a um evento) e ao fast-food que permeia todos os vínculos na atualidade? Trataremos as manifestações do coletivo que conhecemos como arte como algo também descartável? Temos a esperança que não, e ainda acreditamos que esses talentos ainda continuarão a aparecer e a se manter pela beleza que trazem junto a sua arte. Talvez, e vamos deixar isso aqui realmente como uma grande indagação, mas talvez possamos pensar que com o crescimento das mídias o espaço para o efêmero tenha se alargado de forma gigantesca e que isso alimente essa nossa sensação de rapidez da fama, frágil fama quando não assentada em um genuíno dom.

Pensamos que talvez a grande questão que nos assombra seja a de transformarmos esses talentos em caricaturas desse descartável, seguindo a tendência dominante. Negar o talento incomensurável de Amy Winehouse , por exemplo, nos parece impossível. Mas sublinhamos através da mídia, não esse talento, mas sim sua tumultuada vida, que sabemos que já foi precedida por outros inúmeros exemplos parecidos, como o próprio Michael Jackson, Elvis Presley, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Ray Charles e tantos outros. Mas talvez, a mídia de suas épocas, tivesse um poder menor, uma capacidade bem mais reduzida de explorar suas idiossincrasias.

O Twitteiro talvez ainda não tenha se dado conta do poder que tem nas mãos, podemos pensar nas “fofoqueiras de plantão” , aquelas apelidadas de cotovelos roxos, das pacatas cidades do interior, que eram capazes de arruinar vidas ou elevá-las com apenas uma frase, repetida essa no telefone sem fio que se constituí a comunicação humana. Imagine essas “boas” velhotas com o poder do Twitter! Isso nos colocará frente a outra importante questão: alguns pesquisadores acreditam que nessa era da conectividade jogar informações sobre nós mesmos seria uma forma de assumir o controle sobre elas, mas será que isso é algo de fato? A informação através da comunicação característica da “rede” será capturada como? Pensamos que tentar responder a essa questão poderá ser algo que faça a diferença.
O Twitter está aí nos trazendo mais algumas ricas indagações na atualidade, pensar e pesquisar sobre sua inserção em nossos vínculos atuais se torna algo bastante complexo e mais do que necessário. Nessa movimentação que caracteriza o homem contemporâneo em sua necessidade de quebra quanto ao anonimato, em busca constante de uma vitrine que dure um tanto mais que os meros 15 minutos de fama vaticinados por Andy Warhol.

Fato é que muitos de nós já entendemos que a Internet veio para ficar e que se constitui também em ambiente de trabalho, de divulgação das mais variadas, aquilo que começou arma militar e passou para entretenimento e lazer, começa a ganhar contornos de uma mídia poderosa, quem está por esse ciberespaço há algum tempo já se deu conta disso. Como utilizaremos isso é algo que ainda vem se construindo e que nos remeterá para a sempre constante questão que se apresenta frente a atividade humana, a construção de uma ética que não transforme tão poderosa ferramenta em um algo nefasto ou destrutivo, velha questão que atravessa a humanidade desde que o homem tocou outro ser semelhante a ele, e desde que pelo interdito constituiu-se como ser da cultura.

Só nos resta torcer para que não vire uma terra sem lei, dominada pela pulsão perversa, como aconteceu com o Orkut, já relatado há alguns anos.

July 14, 2009 Posted by | Cinema-TV, Psicologia | 3 Comments

Cinematerapia

Depois de alguns bons meses de pesquisa e muito trabalho…
Depois de muitos filmes assistidos…
Depois de muitos insights….
Depois de muitos emails enviados…
Sim….
Ele ficou pronto! “Cinematerapia: Entendendo Conflitos”
Lançamento do nosso Livro no Rio de Janeiro, na próxima 3-feira, na sede da Editora Multifoco.
Maiores informações no E-flyer!
[s]

Convite-Cinematerapia_Web

Vendas online em alguns dias, no site da Editora: http://www.editoramultifoco.com.br

June 10, 2009 Posted by | Cinema-TV | Leave a comment

Susan Boyle – E o Show de Truman vai começar! – Por Eduardo J. S. honorato e Denise Deschamps

show-de-truman03Quando sempre criticamos que os profissionais de Psicologia precisam ter mais espaço nas organizações midiáticas, não estamos brincando ou procurando questões mercadológicas, mas sim, pq as situações falam por si só.

Os conhecimentos de Psicologia vêm sendo ignorados em algumas questões e temos que enfatizar que há sim necessidade de maiores controles em certos aspectos da televisão brasileira. Temos um pacto de não contribuir com a baixaria na televisão, e isso incluí e não ficamos calados como espectadores.

Situação 1 – Maísa

Em outubro, tanto aqui no Blog como na comunidade do Orkut, debatíamos sobre as questões que envolviam esta menina, e meses depois os problemas aparecem.

https://eduhonorato.wordpress.com/2009/06/02/ainda-sobre-maisa/

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5281113863294085528&kw=maysa

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5337831230015072664&kw=maysa

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=5261764679143319960&kw=maysa

A questão está tomando proporções maiores agora, depois que a situação inicial já aconteceu. Poderia ter sido evitada.

Situação 2 – Produtos na mídia

Falamos no Blog sobre a questão se de tornar um produto midiático.

Aí, suge o fenômeno midiático Susan Boyle.

Se você está em outro plano e não a conhece, esse aqui é o vídeo do “Show de Calouros” mais famoso do mundo, dos criadores do American Idol, Pop Idol e todas as versões “ídolos” pelo mundo. Imaginem a grandiosidade desse evento:

Copie e cole no navegador:

Assista aos vídeos dela e se deixe mesmo invair, no sentido que propomos da Cinematerapia (www.cinematerapia.psc.br). Assista aos demais vídeos dela e veja o que foi dito: “A bruxa que canta”. Ela acendeu um pouco em qualquer fantasia e sonho de qualquer pessoa. Parecia uma fábula acontecendo pelo mundo digital.

Ela foi citada em palestras, debates, seminários de motivação, programas de talk show. Foi um ponto positivo nessa mídia. Para o show, foi o que faltava e precisavam. Desde o início eram acusados de produzir nomes sem talentos, muito comerciais, ou alegações de fraude. Era a prova de que o show transformava um patinho feio em um cisne musical. A prova de que existiam talentos espalhados pelo mundo.

Semana após semana o patinho feio da competição ganhou o mundo. Foi acessada, avaliada, revirada, revestida, embrulhada, desembrulhada…e todas as ações possíveis que a mídia mundial pode fazer. Virou da noite pro dia em um dos produtos mais consumidos virtualmente. Passou para a televisão e atravessou continentes. Tudo numa velocidade tão rápida quanto a troca de informações pela Internet.

Aí nos perguntamos se toda e qualquer pessoa está psicologicamente preparada para ser esse produto…

Escrevemos sobre isso em Janeiro desse ano:

https://eduhonorato.wordpress.com/2009/01/31/prazer-eu-sou-um-produto-–-quer-me-comprar/

A questão é que ninguém se perguntou ou pensou se Susan Boyle estava preparada para assumir esse peso todo ou se estava mentalmente apta a fazer isso.

Invadimos sua privacidade na cidade natal. A fizemos dar declarações sobre sua vida privada que talvez não tivesse conhecimento sobre os impactos. A fizemos se expor como se fosse a pessoa mais desejada do mundo. Tiramos esta senhora tímida e recatada de sua poltrona a frente da televisão, tomando seu chá, para os palcos de hollywood e teatros do mundo.

Em momento algum se parou para pensar que as coisas poderiam ser diferentes. Susan deu indícios de não estar se adaptando bem no início, quando atacou os jurados nas vésperas da final. (fonte internet). Sites diziam que deixaria o programa, pois não aguentava a pressão.

E mesmo assim a mídia continuou até que para a surpresa de todos…Susan Perde. Mesmo assim, dá um show de carisma, que mais contido poderia explodir dentro do rosto. Poucas horas depois, é internada em estado de “estafa” em uma clínica inglesa.

http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1179530-7085,00.html

Depois dos estragos feitos, somos informados sobre problemas de aprendizagem, questões psicológicas muito importantes. Contribuímos para que uma pessoa fosse empurrada ao limite de seu limite. Percebemos aos poucos qu teríamos algo muito maior….mas nada foi feito. Os produtores prometem mudanças e melhorias no formato, e Susan continua com seu breakdown na clínica, como um produto que cumpriu seu papel nesse programa, que só retorna na próxima temporada.

E continuemos brincando de diretores de cinema, controlando vidas em reality shows como se fossem personagens de cinema.

E continuemos idolatrando situações de extrema violência psiquíca e esperando as consequências para “fingirmos” que não sabíamos que iria acontecer.

Hoje, aqui no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia tenta trazer para o debate as questões que envolvem a mídia, esse debate já ganhou seminários, artigos, pesquisas, pronunciamentos etc, mas naquilo que fala das regras e ética que rege o fenômeno no mundo real, pouco ou nada se modificou. Pessoas viram produto da forma mais banal que podemos encontrar meios para fazer isso, com a participação animada de uma platéia claque. Como costumam dizer, extraem tudo até virar bagaço, podemos citar vários exemplos ao longo de anos, e muitos deles com suas conseqüências exploradas pela própria mídia como ainda uma possibilidade final de uso daquele produto.

Dentro desses aspectos nos caberia perguntar: que tipo de sociedade estamos construindo e a que esejamos como lugar onde podemos viver como sujeitos do desejo?

Susan Boyle não agüenta a pressão, não da fama e da popularidade, mas aquilo que podemos fantasiar, em uma realidade psíquica possível, como uma repetição história em desenvolvimento, como a um bebê vítima de uma mãe sádica que segura e ampara seu bebê para logo em seguida jogá-lo no berço, naquilo que de mais psicotizante podemos entender como pressupostos teóricos. Susan também sucumbe não ao 2º lugar que a vitima, mas por já perceber no balanço dos braços, o desamparo e abandono a que será lançada, ou ainda, ao movimento cruel que sucede ao jogar o bebê de volta ao berço, ao ataque e ódio gritado em silêncio.

Ainda poderemos supor que será acusada, porque afinal foi ela que procurou o programa, o sucesso, a saída do anonimato, como de alguma maneira cada um de nós faz, nesse mundo do espetáculo cujo anonimato e a invisibilidade tem sido quase que uma chaga que nos atinge em despersonalização e homogeneidade. Cada um de nós em nossa porção Boyle, lutando em águas bravias de apagamento do desejo enquanto possibilidade de realização do ser. Susan tentou nos dar um presente com sua voz, mas vimos nela o grande produto entre o talento incomum e o cômico que hoje se constitui aquele que fora dos padrões exigidos ainda pensa ter direito a ocupar um lugar de destaque nesse planeta midiático.

São fatos da vida contemporânea que nos convidam a pensar, talvez até mais do que no que jogamos em nossos rios e mares, porque talvez antes que eles estejam imprestáveis, esse sujeito que deles depende já tenha desaparecido enquanto possibilidade de vida plena, de ser no mundo.

Mas podemos ainda continuar pensando que a psicologia nada tem a dizer a respeito disso tudo e sigamos, afinal: o show tem que continuar!

Eduardo J. S. honorato e Denise Deschamps

Ps: E se voce acha que foi o jurado Simon Cowel que coordenou tudo, você precisa olhar direito para a Lua e ver o verdadeiro diretos.

June 3, 2009 Posted by | Cinema-TV | 1 Comment

Ainda sobre Maisa….

Diante dos últimos acontecimentos, só nos resta resgatar um post de outubro do ano passado…

Maisa….
https://eduhonorato.wordpress.com/2008/10/27/maysa-–-a-menina-prodigio-por-eduardo-j-s-honorato/

Assista também a um dos vídeos que deram origem a polêmica…

Talvez se profissionais SÈRIOS estivessem engajados nessas questões midiáticas, os “estragos” seriam menores….

Eduardo J. S. Honorato

June 2, 2009 Posted by | Cinema-TV | 3 Comments

A Pulsão na TV – Maysa, O SERIADO – por Eduardo J. S. Honorato

maysa-elencoComecei a assistir a mini-série Maysa sem a menor pretensão. O fiz atraído pela qualidade da imagem e produção. Quando soube que seria dirigida pelo próprio filho, senti um ar meio biográfico e resolvi apostar.

Logo no início comentei com a Denise (Deschamps, psicanalista e grande amiga) sobre a Maysa pois eu nunca soube dela ter sido tão famosa. Ela me confirmou que foi sim um grande nome da música, e então, resolvi pesquisar sobre ela e um pouco sobre a história da nossa música. Amezinando, assim, minha ignorância musical.

Li um pouco na net e assisti na TV ao mesmo tempo e cada vez mais fui me convencendo. Maysa me pareceu ser alguém com a fama da Madonna e algumas da Amy Winehouse. Em alguns momentos me lembra a Luana Piovani.  Canta com o dom natural da Sandy com a veludez da Ana Carolina. Pra novas gerações, acho que só fazendo essa comparação pra entender a dimensão do talento e da exposição pública que ela estava sofrendo. Tão destrutiva como a inglesa com Lady Di e a americana com a Britney.

 

Como sou viciado em cinema, resolvi  encarar a obra como tal, mas com algumas questões mais interessantes. Além de mais longa temporalmente, eu teria informações de fontes diferentes e poderia mesclar o real da mídia  com o cinematográfico. Isso me dá a liberdade de fazer outras inferências, mas baseado na ficção….logo, sem qualquer necessidade de fidedignidade coma  vida real. Os meus comentários então passam a ser sobre a PERSONAGEM retratada na mini-série, como exemplo.

 

Um ponto que achei interessante é o ator que faz o próprio diretor. Poxa…essa foi uma das primeiras vezes que uma criança com dentes incisivos protuberantes (Como o da Mônica, nos quadrinhos) aparece em um papel com fala em algum tempo. Nhum….isso quer dizer que o ator se deu bem, quando o Diretor também interfere com questões de auto-imagem, auxiliando no projeto.

 

Ao acompanhar os episódios, o tema alcolismo vêm à tona. Comecei a pensar sobre as questões pulsionais em compulsão. Subentendendo-se que a pulsão está desmontada em partes, teríamos somente a variação do objeto a qual ela está relacionada. O tabagismo também nós trás essa informação, além de resgatar, mesmo que momentaneamente, o “glamour” de se fumar em avião….ato que pelo bem da saúde coletiva, foi banido. (mas…quem fuma sente falta..sofre às vezes….risos)

A partir do seriado, pensei no caso dos dependentes químicos, que além da dependência orgânica, têm a depentência psicológica. Esse objeto (droga) desperta o desejo, que cega, que controla, que domina. Que satisfaz ao conseguir, mas que dura pouco. A satisfação é parcial apenas, então o ciclo recomeçata e tudo vai de novo.

Lembrei dos disturbios alimentares, onde se come em um controle “descontrolado”. Onde o objeto (comida) deperta uma pulsão que não beira a racionalidade que não pára enquanto não for saciada.

Não dá para esquecer dos jogadores mais compulsivos. Jogam sem controle, em uma busca incessante pela sensação de vitoria. Se consomem e são consumidos por uma outra situação, e quase cortam com a realidade. O objeto (jogo) desperta essa pulsão.

E quanto esse objeto é algo não tão visto como “negativo”. Por exemplo….Poderia alguém ter uma compulsão por chocolate? Tá…essa existe. E por ARTE? Ah não….claro que não!

                Claro que sim. Baseado somente no personagem do seriado da televisão, me atrevo a inferir que a personagem Maysa é uma dependente da arte.  Ela vive em função desse objeto. Se alimenta e é alimentada por ele, em uma relação quase patológica. Esse objeto ou a ansia em obtê-lo é maior do que tudo e maior do que todos.

                Voces não acharam a Maysa “mãe” um pouco fria? Não…ela não é fria. Já comentei antes sobre a questão da maternidade não ser um instinto, e sim, uma pulsão,  logo, nem todas as mulheres a teriam. Com isso, temos duas possibilidades: ou ela não tinha realmente a pulsão materna, ou SE tinha, não teríamos como perceber. O seu objeto (arte) a consome tanto, a desperta tanto, a domina tanto que ela deixa tudo em função deste objeto, até mesmo as demais pulsões. Essas passam para segundo plano. Pelo pouco que deu para ver, parece que a personagem Maysa conseguiu controlar e trabalhar algumas das suas pulsões, mas foi traída pelo destino

Fica a pergunta de qual seria o motivo para Maysa não ter sido repassada para as próximas gerações como esse “ícone” da música que foi. Porque a mesma mídia que a perseguiu e “urubuzou” tanto nao continuou e perpetuou sua obra como fez com a bossa nova? Fica sem resposta….

Eduardo J. S. Honorato

January 14, 2009 Posted by | Cinema-TV | 2 Comments

A Ilha – Uma Prisão sem Grades – por Eduardo J. S. Honorato

a_ilha Quem me conhece ou lê meu blog com frequencia, sabe da minha paixão pelo cinema e por alguns tipos de literatura. Por isso, estou sempre em contato com filmes novos e velhos, sempre em busca de algo que possa ser usado por alunos e profissionais psi.

 

Alguns filmes possuem melhor conteúdo, outros nem tanto. Os considerados mais interessantes, viram artigos para a Revista Psique ou para o livro que estou escrevendo.  Porém, alguns outros despertam meu interesse, mas não a ponto de escrever sobre ele, mas apenas levantar pontos de reflexão interessantes.

 

Um destes filmes foi “A Ilha – Uma prisão sem grades”. Influenciado por um filme homônino “A Ilha” onde questões genéticas e comportamentais de clones sao abordados, em uma visão futurista, acabei vendo este filme. Fiquei supreso por se tratar de um filme sobre adolescencia e consumo de drogas.

Uma produção relativamente simples, com locações boas e baixo custo em figurino e elenco, mas que, por ser baseada em fatos reais, nos leva a refletir sobre a forma como lidamos com a juventude, a adolescencia, os sintomas, as transgressões e, principalmente, a dependência química.

 

O filme é focado em um centro de concentração quase nazista, onde pais, ocupados com suas vidas modernas e agitadas, delegam as atribuições parentais a um pseudo-militar, perverso . Como todo perverso, usa e abusa de seus conflitos projetados nos demais, criando um ambiente de negação, alienação e controle, como se os adolescentes fossem ratos de laboratorio. Cria e recria teorias causais mirabolantes, colocando todos os dependentes em uma “mesma categoria”.

Isto denota não somente um total desconhecimento sobre dependencia quimica, como também sobre os conflitos e problemas que se apresentam nessa fase da vida tão específica que é a adolescencia.

Entretanto, o filme não pretende esgotar o tema, nem dar uma visão politicamente correta de como seria o trabalho de profissionais QUALIFICADOS para lidarem com a questão. O filme nos trás um exemplo, BASTANTE COMUM no nosso país, de como NAO DEVEM SER TRATADOS OS DEPENDENTES QUIMICOS.

Não tem como não deixar de fazer uma relação com notícias recentes na mídia sobre abusos cometidos nas ditas “comunidades terapêuticas” que por questões legais ficam a “mercê” da própria sorte, sem uma regulamentação rígida e concreta em relação a sua atuação. E assim ocorrem os abusos, de todas as formas, nestes ambientes, muitas vezes longe da civilização e da fiscalização.

 

Quem fiscaliza essas comunidades? São necessários profissionais qualificados? Essa união com a religião é saudável? Existem estudos que comprovem se há eficácia, eficiência e efetividade neste tipo de tratamento?

Não podemos também generalizar que todas estas comunidades são nocivas. Conheço vários estabelecimentos que, mesmo ligados a religião, de uma forma saudável, têm profissionais de psicologia, psiquiatria, terapeutas ocupacionais e serviço social em seus quadros, facilitando o acompanhamento necessário nesses casos.

 

A mensagem final do filme nos mostra como os jovens, desde a decada de 70, quando esses movimentos comecaram, sofreram abusos dos mais variados tipos.  Podemos refletir sobre a necessidade de informação que o publico leigo, leia-se pais desesperados, precisam tomar conhecimento antes de enviarem seus filhos para locais como estes.

Bom filme!

Eduardo J. S. Honorato

January 9, 2009 Posted by | Cinema-TV | 1 Comment

Maisa – A Menina Prodígio – Por Eduardo J. S. Honorato

Se você não conhece esse nome, provavelmente não assiste muito a televisão. Para o público infantil, ela é a apresentadora mirím do SBT, chegando a ganhar de algumas rainhas no IBOPE aos sábados pela manhã.

Se você é adolescente ou adulto, com certeza já viu um dos vídeos clássicos dela no youtube, ou dando audiência para programas como o Pânico e CQC, que literalmente, idolatram esta menina prodígio.

Sua maior caracteristica é ser sincera, como toda criança, porém, bastante desinibida e com grande desenvoltura no palco, uma vez que literalmente “cresceu” neste ambiente. É uma criança normal, como outra qualquer, mas que não visualiza o mundo da “tv” como algo “de outro mundo”, e faz do cenário, o seu fundo de quintal, se divertindo mais do que todos. Assim como os Backyardigans fantasiam no fundo de suas casas, ela vive as suas no palco de seus programas. alí.

Assistindo a algumas entrevistas esta semana, consegui entender um pouco mais do “fenômeno” Maisa e alguns pontos me preocuparam bastante, enquando profissional de Saúde Mental. Primeiro vamos recorrer a história e ao jornalismo, para entendermos um pouco melhor.

Segundo os sites e programas, Maisa foi descoberta por Raul Gil aos 3 anos de idade, em um quadro com crianças em seu programa semanal na Band.  A menina se destacou pela desinibição e cantou, dançou, interpretou…..fez e refez…brincou e se esbaldou nos palcos do programa. Raul Gil afirma que pagava R$ 1500 aos pais da menina, um porteiro e uma empregada domestica (segundo sites).  Alguns anos depois, quando as participações da pequena Maisa já atraíam os pontos do IBOPE e os olhares de outros executivos, umas das filhas de Senor Abravanel teria abordado os pais de Maisa, conseguindo um super contrato. Fontes afirmam que o salário da menina  é hoje, algo em torno de 25 ou 30 mil. Nada mal para uma menina de 6 anos de idade……

Uma das clausúlas do suposto contrato com o SBT, diz que Maisa não pode falar com nenhuma outra emissora de televisão. E o que é proibido, é sempre mais gostoso ou mais divertido. Com isso, a equipe do Pânico na TV resolveu começar mais uma de suas campanhas malucas, instigando o público a apoiar mais uma causa inútil, mostrando como nossa juventude anda influenciável por pouco. Fala Maisa  – a campanha, começou!

Para atrair IBOPE, claro, as gostosonas em micro roupas foram chamadas, com as faixas. E é claro, o “patrão” precisava ser entrevistado. Foi aí então que esse cenário começou a me incomodar, do ponto de vista profissional. Algo chamou minha atenção, desencadeando alguns pontos importantes.

Em um primeiro momento, Silvio Santos reafirmou a ideia de que Maisa não falará com outra emissora. Deu a entender que ela só estaria “pronta” aos 18 anos. Deixou também no ar que os pais teriam assinado contrato com o SBT até esta idade. Foi então que mostraram um vídeo dela, brincando com Silvio. Este, muito esperto e inteligente, haveria sugerido que Maisa usasse os cabelos cacheados, tentando resgatar algo no estilo “Shirley Temple”. Bang! O incômodo de antes ficou maior……hora de pensar melhor sobre isso. Ah….Silvio também afirmou que Maisa tem acompanhamento de um psicólogo, para quando estiver “preparada” para falar com o público.

                Uaí….mas eu já ví essa história em algunS lugares antes. Vamos pesquisar na Net sobre Drew Barrymore, Michael Jackson, Macaulay Culkin,  etc. Todos possuem histórias na mídia, seja de problemas com drogas, com a justiça ou involvimentos polêmicos com disputas legais, privacidade, busca por atenção, etc…..isso todos já entenderam o recado….Sem contar os casos nacionais, de ex-integrantes de boy bands, grupos infantis e familiares de famosos, inseridos num mundo midiático em idade precoce.

                E Maisa, seguirá o mesmo caminho? Deixaremos uma menina servir de “experimento” sem nos manifestarmos? É Ético ver isso na tv, diante dos olhos de todos? Silvio Santos também me instigou….

Ficou na história como um grande comunicador. Talvez um dos maiores da televisão. Ele e Chacrinha, dividirão este título para sempre. Como finalizar em grande estilo? Dirigir algo que Chacrinha não fez: dirigir  a vida de alguém!

E no maior estilo “O Show de Truman” ele dirige uma vida, em “reality tv” e encerarrá sua carreira.

Meio mórbido, não?

October 27, 2008 Posted by | Cinema-TV | 1 Comment

Sense and Sensibility – Por Eduardo J. S. Honorato

Razão e Sensibilidade

Assisti recentemente ao filme “O Clube do Livro de Jane Austin (The Jane Austen Book Club) e fiquei impressionado com as informações dos personagens dos Romances desta autora. Não têm como não se interessar pela saga de cada personagem mencionado e deixar se envolver pela influencia que exercem na vida daquelas pessoas.

Jane Austin viveu há alguns séculos, mas seus livros a tornaram imortal. É lida mundialmente e ganhou seu espaço nos romances mais lidos do mundo. Influenciado pelo Clube do Livro, resolvi re-ler alguns romances, ler outros, e principalmente, rever as adaptações para o cinema. O primeiro escolhido foi “Razão e Sensibilidade” (Sense and Sensibility). A saga da família Dashwood se consagrou nos cinemas em 1995, apresentando futuros astros, como Kate Winslet, e consagrando mais ainda alguns outros, como Emma Thompson e Hugh Grant.

O mais interessante, para mim, é poder rever algo 13 anos depois, mas desta vez, com uma “escuta clínica”, que perpassa por minha atuação profissional. É interessante perceber toda a rede de amor e intrigas, partir de um outro referencial.

O que mais me chamou a atenção foi a capacidade que Austin teve de compor a psicodinâmica de suas personagens, retratando com uma brutal veracidade, o universo psicológico, principalmente das personagens femininas. Não sou adepto a qualquer machismo ou feminismo, mas quanto mais me aproximo de Austin, mas acredito que apenas uma mulher é capaz de descrever a complexidade e magnitude do universo feminino. Talvez isso tivesse auxiliado, e muito, a Freud.

O cotidiano de Jane foi a Inglaterra do final dos 1700 e inicio dos 1800, mas me surpreende a atualidade de alguns conflitos mostrados. O que chama a atenção é a pacata vida, tão bucólica que beira a perfeição, mas mesmo assim, não há “felicidade” absoluta.

Questiono-me se seria mais fácil resolver conflitos naquela época do que na nossa. Hoje, além dos conflitos internos e o sofrimento psíquico que nos causam, temos que lidar com problemas “externos”, agravantes da situação, como violência, miséria, trânsito, etc.

As formas como as relações eram baseadas em valores distintos, trás inquietude, ao se ver o filme. A impressão é que havia uma “atividade superegóica” mais intensa, o que gerava uma necessidade maior de dispêndio de “energia psíquica”[caso quantificável] para o dia-a-dia. Falar exigia um maior “pensar”.Sentimentos eram mais escondidos. Andar, vestir, comer, demonstrar…..tudo parece ser mais “complexo” e dispendioso.

Porém, sobrava mais tempo para atividades intelectuais, como literatura e música.
Do outro lado, o ciúmes, inveja, corrupção, maldade…eram mais expressos abertamente, e não com a “velação” que se tem hoje, os tornando, talvez, mais prejudiciais. As cenas em que os personagens masculinos participam, agredindo verbalmente uns aos outros, demonstra isso.

De um jeito ou de outro, comparando aquela “sociedade” e a “nossa”, podemos nos questionar onde teria sido melhor viver, ou trabalhar [:]. O que me deixa a pergunta:
O que aconteceu com nossa “sociedade”, que deixamos chegar ao ponto em que estamos? Quando deixamos de ter “sensibilidade”, e consequentemente poesia e amor, e passamos a usar e sermos somente “razão”?

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Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by | Cinema-TV | Leave a comment

CQC No Congresso! – Por Eduardo J. S. Honorato

Para quem não conhece, CQC – Custe o Que Custar é um programa da TV Band. É uma daquelas idéias que rodam o mundo, ganhando adeptos, em um novo formato. Assim como o Big Brother ganhou versões em vários países, espero, sinceramente, que este modelo seja reproduzido nos mais variados idiomas.

A idéia é simples: um cenário moderno, vinhetas computadorizadas e muito humor. Humor ácido, negro, picante, cheio de deboches e ironias, repletos de questões políticas. Publico alvo: Jovens e jovens adultos.

Pergunte a qualquer adolescente o que ele sabe sobre política. Pergunte o nome do Ministro da Justiça. Não saberá!!! Pergunte o nome de QUALQUER Ministro, e, provavelmente, ele/ela também não saberá.

O que acontece? Nossa história sempre foi repleta de jovens politicamente ativos, envolvidos com causas diversas. É graças a esses jovens que não temos hoje o horror do Regime Militar…..e graças a esses jovens também, que tivemos o primeiro caso de Impeachment no país. Agradeça a eles se você pode usar minisaia, fumar, usar calça jeans. Foram eles também que nos deram a liberdade sexual, a pílula, o rock and roll, o computador e a Internet! [oops…esses dois últimos foram os Nerds]. As décadas de 60, 70, 80 e 90 foram marcadas por jovens ativos e envolvidos politicamente. O que aconteceu com os jovens do ano 2000? Será que todos viraram “emos” e anda por aí ouvindo musicas melosas? Cadê a continuidade do espírito “brigão” e “contestador” da juventude?[um dia já chamada de transviada…]

Acho que esse é o objetivo do modelo CQC. Informar jovens e instigar um conhecimento político critico e contestador, ciente de seu direitos.

O programa apresenta quadros repletos de humor, mostrando aos jovens as mais variadas facetas da política nacional. É repleto de menções a celebridades…claro….é disso que os jovens também gostam.

Semelhante ao Pânico na Tv? Não…de longe são programas diferentes….

Sou fã do Pânico na TV, mas, cada um no seu lugar. O Pânico é um programa de HUMOR, ou seja, feito por humoristas, e têm como objetivo ENTRETER apenas. Alguns ali são personagens e outros, nem tanto [são realmente debilóides….e….qual o problema? Nada demais…]

Já o CQC é feito por JORNALISTAS, inteligentes, bem articulados, com rapidez de raciocínio, antenados política e economicamente, que sabem fazer um humor inteligente, que me faz lembrar do humor sarcástico dos britânicos.

O que aconteceu com o CQC no Congresso Nacional?

Por não se “vender” e propor fazer um jornalismo diferente, e sem “meias palavras”, o programa foi impedido de entrar no Congresso Nacional. Ora….perguntar a VERDADE aos nossos “representantes” é tão ruim assim?

Pois é…..depois dessa violação dos direitos do povo ter acesso a informação, e dos direitos da Imprensa e mostrar a verdade, uma comoção nacional tomou conta dos fãs do programa. Mais de 270 mil assinaturas foram colhidas e enfim, TEMOS O CQQ DE NOVO NO CONGRESSO.

O que isso significa? Significa que agora, se você quiser ouvir perguntas VERDADEIRAS, e não “compradas”, você sabe onde procurar. Porém, nem só de política vive o programa. Repleto de cenas e matérias divertidas, ele se propõem a agradar a todos os gostos e idades. Nenhuma matéria é feita ao “acaso” e você pode perceber a preocupação em não “alienar” seus telespectadores, com matérias compradas ou veladas.

Não têm como não ficar fã de um programa que vêm para divertir, mas de uma forma inteligente, e que sirva de instigador de uma geração de jovens. Que parecerem ter esquecido a questão central da identidade do jovem: ser contestador!…

Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by | Cinema-TV | Leave a comment

Diga SIM a Mulher Melancia [MM]!!! – Por Eduardo J. S. Honorato

O ser humano é previsível demais, apesar de achar que não. Nossas vidas sociais nada mais são do que ciclos que se repetem de geração em geração.

Vejamos…..Tivemos os Beatles nos anos 60, Menudo nos anos 80, Dominó, New Kids on the block nos anos seguintes. Tivemos Cher, Madonna, Britney, Christina, Amy..e tantas outras cantoras que variam apenas de gerações.

Tivemos Gretchen, Monique Evans, Carla Perez, Sheilas Carvalho e Melo, Feiticeira, Tiazinha…e agora: Mulher Melancia!!!!

A historia se repete e o publico acha que é “algo novo”. Muda-se a roupagem e alguns pequenos detalhes, mas o “conteúdo” continua o mesmo.

Todas essas mulheres fizeram sucesso…não pela sua inteligência ou por um talento em especial. Foram famosas pelo seu corpo…..e que corpos! Sim…não há nada de errado em assumir que consumimos produtos sem “conteúdo”, e os compramos apenas pelas “embalagens”. Gretchen nunca foi cantora, muito menos Carla e Sheilas….e assim será com a Mulher Melancia.

O “diferencial” é que esta última tem, que vem “bombando” na mídia ultimamente, parece ser um pouco mais esperta e ciente de que, seu “talento” está localizado na região das nádegas, e que isto, faz sucesso sim!

Li e ouvi algumas entrevistas com ela e tenho que dar a mão a palmatória: a menina é esperta!. Sabe que seu “talento” é passageiro e esta diretamente ligado aos seus glúteos, e com isso, pretende fazer o maior proveito disso…enquanto a lei da gravidade permitir.
Inteligente é ela…burros são aqueles que compram os produtos que a mídia empurra goela adentro…

Entretanto…Mulher Melancia merece TODO o meu apoio. Não somente por ser mais inteligente que as demais, mas também por aparecer em momento estratégico, no qual NOSSOS adolescentes, PRECISAM DELA.

Recentemente vi um comentário em um jornal online, de que um chatíssimo autor de novelas tinha declarado que a MM [mulher melancia] beirava a obesidade. ?????

Isso pq? Pq ela não é anoréxica e tem um IMC de habitantes da Somália?

MM aparece em uma época onde, por anos, as adolescentes foram atacadas pela mídia, necessitando de mulheres magras, com corpos anorexicos e com os ossos aparecendo. Ser bonita era sinônimo de “não ter corpo”, não ter formas.
Espero, sinceramente, que com a idolatria que temos hoje pela MM, as jovens possam perceber que é NATURAL SIM ter bunda, ter peito, ter quadril, ter coxões e corpo de GENTE [e não de cadáver]

Portanto, dou todo o meu apoio a qualquer divulgação e exploração da imagem da mulher boazuda, carnuda e com corpo de gente, exemplificada pela Mulher Melancia.
E que venham mais mulheres abacates, mulheres mamão, mulheres melão, e que sumam da mídia as mulheres palito, mulheres alfinetes e mulheres arroz.

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Eduardo J. S. Honorato

July 31, 2008 Posted by | Cinema-TV | 2 Comments