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Prazer, eu Sou um Produto – Quer me comprar?

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Há tempos que venho refletindo sobre escrever ou não sobre esse assunto, e acho que agora seria a hora certa.

Durante os anos que passei morando fora, cheguei a estudar “Media Studies” como uma forma de conhecimento complementar, em um College. Apesar de ser “graduado” acho que o conhecimento não tem limitação, e tudo que pudermos estudar para complementar nossa atuação, deve ser feito, pois tem sua validade. Não sou Analista de Marketing, nem tenho formação para isso. Também não sou psicólogo atuante nesta área, mas temos excelentes profissionais fazendo isso. (Eg. Psi João Britto – SP).
Entretanto há anos que me convenço que a questão do sucesso na mídia está atrelado diretamente ao que eu sempre chamo de “transformar-se em um produto”. É através disso que os grandes recordes de venda surgem e alcançam o sucesso desejado. Repare que sucesso nem sempre é sinal de qualidade, e o objetivo aqui não é falar de qualidade, e sim, de otenção de uma resposta desejada.

O que seria então se transformar em um produto? Não é algo fácil e requer um grande esforço, muitas vezes, de toda uma equipe. Porém, alguns exemplos são bastante claros e diretos e basta uma análise um pouco mais detalhada para entender o caminho que traçaram até o sucesso.
Voce já deve ter passado por uma dessas duas situações:

A – Viu uma embalagem de biscoitos colorida, brilhosa e metálica. Ficou atraído pelo produto e comprou. Não conhecia ou ficou atraído pela qualidade da embalagem. Você compra o produto e se ele for bom suficiente pra você, continuará comprando. Caso contrário, nunca mais pegará aquela embalagem na prateleira do supermercado. Se não fosse a embalagem, voce jamais conheceria aquele produto.

B – Voce viu uma embalagem não tão colorida, mais simples, sem nenhum atrativo, mas, acabou arriscando. O produto lhe agradou e ele passa a fazer parte da sua lista de compras, pela qualidade dele. Ou, voce pode jamair conhecer tal produto, pq não se sentiu atraído.

Nós, consumidores, somos ávidos por produtos. E este termo aqui significa qualquer coisa, desde música, carro, roupas, livros e até ideologias. Tudo passa por uma balança psíquica e caso seja favorável, permanece no nosso cotidiano. O que fazem os Reality Shows, senão transformar pessoas em “produtos”? É ressaltando o melhor de casa, seja uma parte do corpo, o corpo nú, o cérebro ou algum talento……é isso que passa a ser vendido, e aquela pessoa passa a ser um “produto”.

Antes, preciso postar um vídeo que vai facilitar a minha expressão:

Sim…Madonna. Talvez o produto midiático mais bem elaborado do século. Sou fã de carteirinha e acompanho a carreira, indo a shows dela nos últimos 20 anos. Apesar de ser fã, e por assim o ser, não posso deixar de ser crítico o suficiente para perceber a genialidade do trabalho dela.
Veja o vídeo que postei acima e pense sobre o IMPACTO que ele teve em você. Pense sobre as SENSAÇOES que ela despertou naqueles que estavam presentes.

Se você analisar a trajetória desta cantora, desde os anos 80, verá que ela nunca foi muito boa em algo simples: cantar. Peraí…uma cantora que nao sabe cantar? Sim….é verdade. Desculpem-me os fãs mais “fanáticos”, mas quem tem todos os CDs dela sabe que antes de “Evita”, Madonna mal conseguia dar um águdo sem desafinar, e sempre se “encostou” nas suas famosas backvocals “Nick e Donna”. Madonna é uma dançarina, muito boa, mas sua genialidade não está NESTE talento.

Apesar de não saber cantar, e hoje cantar “mais ou menos” – quem disser que ela NAO desafina nos shows, precisa procurar um otorrino com urgência – ela se tornou a diva pop e recorde de vendas no mundo todo ao longo desses anos todos. Hoje ganha milhões de dólares e tudo que faz vira produto, gera renda e afeta multidões.

Como Madonna fez isso? Simples….Ela pode não ter formação em Publicidade e Propaganda, pode não ser uma Jornalista graduada, mas é sem dúvida, uma das maiores MARQUETEIRAS do mundo. No início dos anos 80 ela se transformou em um “produto” e se vendeu mundo afora. Todos compraram e ela seguiu com essa linha, até ficar milionária. O produto realmente teve uma aceitação de mercado, e até hoje, já com 50 anos, ela ainda fatura MILHOES de dólares viajando por países, mostrando o que sabe fazer melhor: DANÇAR E CHOCAR.

Sim…quem já leu as biografias não autorizadas sobre ela, e existem várias, sabe que Madonna era uma dancarina aspirante a estrela, e sempre foi consciente dos seus limites vocais. Entratanto, ela percebeu um nicho de mercado e abocanhou. Criou um estilo, uma maneira própria. Usou e abusou da sexualidade nos anos “pré-aids”. Se mostrou aberta e menos preconceituosa e ganhou a idolatria do público gay. Arrebatou fãs com seu jeitinho diferente e moleque, sempre provocador, despertando igual sentimento em milhares de pessoas. O vídeo do show mostra isso: excelente iluminação, excelente efeitos especiais, excelente figurino, excelente grupo. No total, é um espetáculo, talvez um dos mais bem elaborados no ramo. Eu, pelo menos, nunca ví nada igual (e olha que já assiti de tudo um pouco). Reparem que a “única” coisa que não é “excelente” é a VOZ DELA. Mas pra que? Se voce tem um produto que no geral agrada, e muito, isso seria apenas um “detalhe”. E quem disse que ela precisa cantar ao vivo? Ninguém estava alí para ouvir a voz dela, estávamos alí para VÊ-LA. Ela é o produto, e não a voz……

Que adolescente ou jovem adulto não tem um “espírito contestador”? Não é essa essência da juventude? Mesmo sem saber teoria, ela se aproveitou disso e fez sua carreira. Falou de questões sobre a sexualidade, quando ainda era um grande taboo. Sempre chocou a mídia e parecia saber sempre como causar algum “frisson”. Beijou duas mulheres ao vivo na TV e na mesma semana lancou um filme de contos infantis. Que coisa mais “nonsense”? Não…é contra-ponto de informações. Envie duas informações antagônicas ao cérebro e veja como ele reage. Com o tempo, ela deixou de causar polêmica para SER a própria polêmica. Ela ditou e dita regras hoje e o que lança vira automaticamente o que chamam de “tendência.” Se Madonna lança uma música estilo anos 70, a moda volta. Se ela lança algo mais S&M, a moda muda. Madonna é um produto, com aceitação garantida. Basta colocar uma nova embalagem que vende….e como vende.
Existem diversos exemplos na mídia de pessoas que se transformaram em “produtos” e conseguiram atingir seus objetivos. Não vou citar mais nomes para não gerar problemas, mas se voce parar e analisar, encontrará outros casos na mídia brasileira.

O único problema em se transformar em um “produto” é que esse é um caminho quase sem volta. Uma vez na mídia e uma vez que o produto foi aceito, não tem como voltar atrás. Celebridades SEM nenhum talento, ou com POUCO talento, atingem os jornais por diversos motivos, mas depois reclamam que foram seguidas por “papparazis”. É preciso arcar com as consequências…

São vários os casos de pessoas que abandonaram a mídia, pois não conseguiam lidar com isso. Uma lenda urbana da Internet fala sobre a cantora “Enya” e que esta viveria reclusa num país distante. Lembra da Sinead Oconnor? Se voce responder “não”, vou me sentir um “velho” (risos). Essa cantora teve um grande sucesso nos anos 90 – eu acho – bem no início. Depois, careca, rasgou um documento do PAPA e foi avacalhada por milhoes. Criticada e boicotada, se refugiou em uma vida normal e ANOS depois, afirmou que não gostaria mais de ser “incomodada” por fãs e pela imprensa, pois queria levar uma vida “normal” com sua família. Outro exemplo recente foi de um artista (ACHO que dos Beatles) que colocou uma data limite para receber cartas dos fãs e avisou que depois disso, não responderia mais seus emails. Se a fama é de um PRODUTO e você não quer mais saber dele, fica difícil se desprender, e as vezes, isso pode gerar conflitos.

Quer exemplos de produtos? Tiazinha e Feiticeira – elas NÃO SÂO Suzana Alves e Joana Prado, mas se transformaram nesse produto. Foram tão fortes que demoraram anos para desassociar suas imagens pessoais dos produtos. Optaram por outros rumos. Madonna manteve…..

Se transformar em um produto é abrir mão de sua vida privada e estar sujeito a interferências externas. E isso não é para qualquer “Ego” . Alguns acabam não aguentando a pressão e se envolvem com drogas e bebidas. E para esses exemplos, nem preciso citar nomes não é?

Vamos ver se conseguímos nos colocar no “lugar” deles….Imagine a seguinte situação:
Se você é mulher, com certeza já teve TPM, por mais “fraca” que seja. Se não é mulher, já acordou algum dia de “mal com a vida”, com grande irritação e sem “saco” para muitas coisas. Imagine SE, todo dia, ao sair de casa, voce tivesse que estar com o cabelo arrumado, roupa bem passada, maquilagem perfeita e pronta para ser fotografada e colocada na capa de milhares de revistas.
Imagine se qualquer movimento seu, seja ir fazer compras, seja simplesmente levar os filhos na escola….tudo que fizer será filmado, fotografado, colocado no youtube, nos sites e revistas de fofocas, e talvez, aparecer até na televisão. Imagine você se tornar REFÉM da própria imagem que criou?
Se transformar em um produto não é somente vender algo, que pode ser seu talento – sua música, sua beleza corporal, sua personalidade (no caso da madonna), suas criações, mas também estar preparado para essas consequencias que este ato trás. Viver sem privacidade pode ser algo não suportável por alguns, ou você acha que a Xuxa, por exemplo, consegue ir no supermercado, fazer compras no shopping ou passear num parque público?

Em uma sociedade onde muitos querem “fama e dinheiro”, não podemos esquecer que tudo “tem seu preço” e há uma necessidade de ego resiliência muito grande para pagar esse preço. Pense nisso antes de se inscrever para um reality show.

E você, estaria preparado (a)?

Eduardo J. S. Honorato

Se você não sabe quem ela é, veja o vídeo:

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January 31, 2009 Posted by | Uncategorized | 3 Comments

Nascimento – Por Denise Deschamps

Estudos comprovam que bebês sentem dor, diz a reportagem publicada hoje no Globo.com(link).

Certas pesquisas me fazem pensar no papel que a ciência quer desempenhar. Alguém acreditou algum dia que eles não sentiam dor? Uma mãe em pleno desenvolvimento de seu vínculo com o bebê deixou de perceber quando ele sentia dor ou abandono? A pergunta que fica é bem mais abrangente que a colocada, penso eu, uma vez que para perceber essa dor pensaríamos já em constituição de uma percepção corporal e a partir disso, pensaríamos também já na constituição de um psiquismo, sem o qual o limiar de dor não faria sentido.

Teorias avançam, muitas questões são colocadas, mas não se consegue delimitar a partir de quando podemos pensar em um sujeito em formação. A psicanálise vai longe nesse questionar, chegando a trazê-lo para antes do nascimento, via imaginário dos pais.

Em plena discussão sobre aborto e pesquisa com células tronco, pesquisadores e grupos religiosos se embatem na pergunta sobre a partir de qual momento começaria a vida como a entendemos, a formação de um ser. Ao se perguntar sobre isso, penso que todo campo psi deveria ser chamado para esse debate, uma vez que pensamos vida como a entendemos, a partir da constituição de um sujeito que sente.

“…Um recém-nascido…É uma coisinha que não vê, que não ouve. Como você quer que seja infeliz?
-‘Coisinha’ que não vê, ‘coisinha’ que não ouve…Mais nada impede que a ‘coisinha’ grite bem forte”(Frédérick Leboyer – Nascer Sorrindo)

Mães e pais na hora do nascimento assistem ao espetáculo da vida e do afeto. Criança que grita chegando ao mundo e que olha tão fundo para o olhar da mãe, acalma-se, examina e afastado dessa, volta a chorar. Poucas mães não terão vivenciado esse fenômeno tão comum em salas de parto. Alguns pesquisadores apontam para esse “olhar” como o “start” fundamental para toda organização daquele ser que chega ao mundo, com pulmões em chamas e cansado pela aventura que é sair do “Nirvana” que representa o estado anterior ao nascimento, a chamada vida intra-uterina, onde já adivinhava sons e sensações.

Quem sabe se até alguns rudimentos de emoção?

“O que significam os gritos dos recém-nascidos?
Que têm reflexos normais. Que a máquina está em funcionamento.

Os gritos não falam do sofrimento?

Para gritar como grita, será que o bebê não sente imensa dor?”(Leboyer, F.)

Mas há bebês que pouco se manifestam, olham pouco, choram pouco, deprimem-se. O que haveria de histórico já nessas manifestações? O quanto estaria já marcado pelo não desejo, pelo não lugar afetivo ao qual já teria sido designado? Amar não é algo que se possa impor a qualquer ser humano, sabemos disso e repetimos isso ao longo da vida, reeditando experiências. Pode alguma lei obrigar pais a amarem aquele novo ser que chega ao mundo? E se esse sujeito começa a surgir a partir do desejo dos pais, é justo nascer em um não lugar?

Perguntas que o campo psi pode ajudar a pensar na temática complexa que envolve as práticas abortivas legalizadas. De preferência sem trazer para a discussão questões religiosas ou da moral conservadora.

Nascer é uma grande tarefa, talvez até maior que morrer. Cada um de nós um dia chegou aqui, gritou, chorou, foi acolhido ou não, entendeu o sentir, a falta, o acolhimento, a solidão…gerou e cumpriu expectativas.

Muitos de nós já geramos outra vida, e por instantes nos sentimos deus, com toda criação cabendo quase que na palma de nossas mãos.

“Falar de amor ao recém-nascido!
Isso mesmo! Falar de amor! Não é essa a língua de que toda natureza fala?
Para se fazer entender pelo recém-nascido, é preciso falar a linguagem dos amantes.

De amantes!
É, de amantes.
Os amantes, o que dizem?
Eles não falam, se tocam”

Que o campo psi comece a se pronunciar sobre a vida, que nasça para dizer ao que veio, que implique esses sujeitos em relação a matriz que queremos dar a um mundo que enlouquece a olhos vistos, a um mundo que tenta banir as emoções via suas instituições normativas, que começam ali, naquela sala de parto ou mesmo, muito antes dali.

Reportagem:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL611667- 5603,00-BEBES+SENTEM+MAIS+DORES+DO+QUE+SE+PENSAVA+ DIZ+ESTUDO.html

July 31, 2008 Posted by | Uncategorized | Leave a comment

Nudez – Por Denise Deschamps

Fiquei pensando a partir do tópico da comunidade que falava da nudez como utilizada em manifestações de protesto e sobre as fotos ousadas de Spencer Tunick. Sempre que olho as fotos produzidas por ele, multidão de corpos nus, a sensação que me toma é sempre de extrema fragilidade. Quando despidos de tudo, inclusive roupas, parecemos tão frágeis, tão destituídos de qualquer defesa, tão entregues ao destino que nos assombra, nossa própria decrepitude e morte. Freud já nos falava disso como fontes do nosso sofrimento. Somos “máquinas” perfeitas em nossa maior imperfeição, nossa fragilidade. Construímos mil aparatos que se formos pensar mais detidamente, talvez nos daremos conta que os construímos na tentativa de parecer menos entregues a um destino inevitável, a nossa própria morte. Vivemos a noção do tempo sem tempo, a vida segue em seu destino e evitamos a todo custo nos dar conta de sua limitação em tempo e espaço. Hoje ocupamos tudo, tentamos desesperadamente deixar marcas em um mundo onde o anonimato assombra, onde a existência dele nos leva a angústia do sentido da vida, talvez não pensado, mas sentido enquanto vivência cotidiana. O que fazemos aqui? O que deixaremos enquanto marca de nossa passagem como uma contribuição ao mundo que vivemos? Dentro de cada um de nós, um filósofo, alguém que busca dar sentido aos seus atos, afetos, desejos, trabalho, realizações…Quem somos, como somos, o que nos determina? O que constitui essa tal subjetividade. O que é aquilo que chamamos de mundo e o que é aquilo que chamamos de eu ou ego ou self?

Ao olhar as fotos somos tomados por sensações de morte e sexo, inevitável. Penso sempre que é a própria representação das pulsões, vida e morte, sexo e agressão. Que estranho amálgama isso que constitui o que chamamos humanidade e que nos choca sempre quando nos deparamos com ela em forma de imagem. Anjos e demônios, entre liberdade e o mais duro desejo de aprisioná-la em normas e regras que constituem o tal tecido social. Talvez resida nesse permanente antagonismo a força que nos move e paralisa, que constrói a ética humana tão necessária para a convivência coletiva, que deve permanecer distante sempre, penso eu, de normatizações por demais rígidas. A vida é movimento, flexibilidade, nada é apenas uma coisa, um fato tem pelo duas versões, uma emoção duas possibilidades no mínimo.

Deixo para convite à reflexão um belo poema que se encontra no livro “Nascer sorrindo” de Frédérick Leboyer, aliás livro que recomendo para quem estuda ou apenas se interessa por Psicologia, fala de parto, mas podemos pensá-lo como uma metáfora dos vários nascimentos que fazemos ao longo da vida e muitas vezes a partir de um processo psicoterápico.

Quando vem ao mundo,

o homem é frágil e sem força.

E, uma vez morto,

fica duro e rígido.

As roseiras e as grandes árvores,

quando ainda são pequenas,

vergam e são frágeis.

Quando morrem,

ficam secas e quebradiças.

É que a força e a rigidez

são companheiras da morte.

E a docilidade e a flexibilidade

são amigas da vida.

A força, definitivamente

nunca conquistou nada.

(Lao Tsé)

July 31, 2008 Posted by | Uncategorized | Leave a comment